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Octagrama

O Eclipse da Fúria e a Devoção dos Demônios Primordiais

A atmosfera no salão do Octagrama, que já estava saturada pela pressão de Guy Crimson e Veldora, subitamente tornou-se irrespirável. O espaço pareceu se rasgar, não de forma sutil como o portal de Rain e Misery, mas com a violência de um predador rompendo sua jaula. De sombras profundas e fendas de pura energia negativa, figuras surgiram, emanando uma sede de sangue tão vasta que até mesmo os Lordes Demônios mais antigos sentiram um calafrio percorrer suas espinhas.

Diablo, com seu sorriso de seda e olhos que brilhavam como brasas infernais, liderava o grupo. Ao seu lado, as três Progenitoras Demoníacas — Carrera, Ultima e Testarossa — pareciam deusas da destruição em forma humana. Atrás deles, os outros generais de Tempest, como Benimaru e Shion, mantinham expressões que prometiam nada menos que o apocalipse. A aura combinada daqueles seres era tão pesada que o ar parecia ter se transformado em chumbo.

Clayman, que já estava em frangalhos, sentiu o impacto dessa nova presença e desabou completamente. Ele tentou se arrastar para longe, mas a sombra de Diablo já o envolvia.

— Como ousa... — A voz de Diablo era um sussurro baixo, mas carregava o peso de uma sentença de morte. — Como ousa direcionar suas palavras imundas contra a nossa Deusa?

Carrera deu um passo à frente, sua mão descansando no punho de sua arma, uma expressão de puro nojo distorcendo suas feições belas.

— Eu deveria obliterar cada átomo deste inseto agora mesmo — declarou ela, o céu lá fora escurecendo em resposta ao seu humor.

Testarossa, mantendo uma calma gélida que era mil vezes mais assustadora que um grito, olhou para Rimuru, que permanecia sentada no trono de Guy.

— Lady Rimuru — disse Testarossa, fazendo uma reverência impecável que contrastava violentamente com a intenção assassina que emanava. — Pedimos humildemente sua permissão. Este ser... esta coisa... ousou insultar não apenas a senhora, mas o herdeiro que carrega. Permita-nos mostrar a ele o verdadeiro significado de desespero antes de sua extinção.

Rimuru, sentindo o peso daquela fúria coletiva, soltou um longo e cansado suspiro. Ela sentiu Guy apertar sua mão, os olhos dele brilhando com uma satisfação sombria ao ver a lealdade absoluta de seus subordinados.

— Pessoal, eu aprecio a preocupação, de verdade — disse Rimuru, sua voz calma cortando a tensão. — Mas tentem não exagerar. Podem brincar com ele e acabar com isso, mas por favor, não assustem tanto os outros Lordes Demônios. Se vocês causarem um colapso dimensional ou destruírem o palácio do meu marido, ninguém aqui ganhará carinho ou elogios por duas horas.

O efeito das palavras de Rimuru foi instantâneo. A aura de destruição absoluta que ameaçava implodir a sala murchou ligeiramente, substituída por uma ansiedade palpável. Para os demônios primordiais e os generais de Tempest, duas horas sem a aprovação de Rimuru eram equivalentes a uma eternidade no vazio.

— Duas horas... — sussurrou Ultima, horrorizada com a possibilidade. — Seremos rápidos e eficientes, Lady Rimuru! Prometo que ele sofrerá em silêncio!

Enquanto os subordinados de Rimuru arrastavam um Clayman em prantos para um canto isolado da arena — onde os sons de sua "brincadeira" seriam devidamente abafados — o restante do Octagrama tentava processar o que acabara de presenciar.

Luminous Valentine quebrou o silêncio, cruzando as pernas e olhando para o trio central no trono com uma mistura de fascínio e irritação.

— Guy, Veldora... — começou ela. — Eu entendo que este mundo está ficando cada vez mais estranho, mas alguém precisa me explicar isso. Por que o Lorde Demônio mais antigo e o Dragão da Tempestade estão agindo como... servos domésticos de um slime?

Veldora, que estava sentado no chão ao lado da cadeira de Rimuru, deitou a cabeça na coxa dela de forma emburrada, como um irmão mais novo carente.

— Servos? — Veldora resmungou, fechando os olhos enquanto Rimuru começava a acariciar seus cabelos loiros distraidamente. — Você não entende nada, Luminous. Rimuru é a única que me trata como um igual, e não como um desastre natural ambulante. Ela me deu um nome, me deu uma família e, mais importante, me deu acesso aos seus "Textos Sagrados" de entretenimento! Eu a protejo porque ela é minha irmãzinha, e ai de quem discordar!

Guy, por sua vez, não se afastou de Rimuru por um segundo sequer. Sua mão permanecia possessivamente sobre a barriga dela, sentindo os movimentos sutis do bebê. Ele se inclinou e deu um beijo suave no pescoço de Rimuru antes de olhar para Luminous.

— Obedecer? — Guy soltou uma risada curta e sarcástica. — Eu não obedeço a ela por obrigação, Luminous. Eu me rendo a ela porque ela é a única criatura em toda a existência que não teme minha fúria e que consegue aquecer este meu coração de gelo. Ela é minha esposa. O que você chama de "obediência", eu chamo de devoção. Se ela me pedir para queimar o mundo, eu o farei. Se ela me pedir para sentar e tomar chá enquanto ela cuida de um idiota como o Clayman, eu farei com prazer.

— Mas ela é um slime! — exclamou Dagruel, sua voz profunda ecoando. — Como um ser de nível inferior conseguiu subjugar seres como vocês?

Ao ouvir a expressão "nível inferior", a mão de Guy parou de acariciar Rimuru e seus olhos brilharam com um vermelho mortal. Veldora rosnou baixo, uma vibração que fez o chão tremer.

— Repita isso — disse Guy, sua voz soando como o gume de uma espada — e eu farei você engolir cada uma de suas montanhas, Dagruel.

Rimuru colocou a mão sobre a de Guy, acalmando-o antes que ele saltasse do pedestal.

— Parem com isso — ordenou Rimuru suavemente. — Dagruel, eu não subjuguei ninguém. Eu apenas tratei as pessoas com o respeito que elas mereciam, e em troca, elas me deram sua lealdade. Guy e eu nos apaixonamos porque vimos um no outro algo que ninguém mais viu. E quanto ao Veldora... bem, ele é apenas um dragão grande e bobo que gosta de doces e mangás.

— Eu não sou bobo! — protestou Veldora, embora não tenha se movido do colo de Rimuru, aproveitando o carinho.

— Sim, você é — Rimuru riu, voltando sua atenção para os outros Lordes Demônios. — Eu sei que é difícil de entender. Vocês estão acostumados com o poder sendo a única moeda de troca. Mas em Tempest, e aqui entre nós, a moeda é o afeto. Guy me protege porque me ama, e eu cuido dele porque ele é um idiota possessivo que se esquece de comer ou dormir quando está focado demais em ser intimidador.

Milim, que estava assistindo a tudo comendo um pote de mel que aparecera do nada, concordou vigorosamente.

— O Rimuru-nava é o melhor! — exclamou ela com a boca cheia. — Ele faz a melhor comida e dá os melhores abraços! E ele vai ter um bebê! Eu vou ser a tia mais forte do mundo!

Leon Cromwell, que permanecera em silêncio até então, observava Rimuru com um olhar analítico.

— Então, o boato de que você é um "Reencarnado" é verdade? — perguntou ele.

— Sim, Leon — respondeu Rimuru. — E talvez seja por isso que eu não vejo o mundo como vocês. Para mim, ser um Lorde Demônio não é sobre governar pelo medo, mas sobre proteger o que é meu. E agora, o que é "meu" inclui este bebê e o marido teimoso que está tentando marcar território em mim na frente de todos vocês.

Guy sorriu, um sorriso genuíno que raramente era visto. Ele puxou Rimuru para mais perto, ignorando o fato de que estavam no centro de uma reunião política de alto nível.

— Ela tem esse hábito de me chamar de teimoso — murmurou Guy, dando outro beijo na bochecha de Rimuru. — Mas ela adora. Não é, querida?

Rimuru corou, tentando manter sua dignidade enquanto era mimada pelo Lorde Demônio mais forte e usada como travesseiro pelo Dragão Verdadeiro.

— Guy, comporte-se — ela murmurou, embora não fizesse menção de se afastar. — Temos convidados.

— Convidados que agora sabem exatamente onde devem pisar — retrucou Guy, lançando um olhar de aviso para os demais.

Nesse momento, Diablo retornou do canto da arena, limpando as mãos com um lenço de seda branca. Suas roupas estavam impecáveis, mas o brilho em seus olhos sugeria que ele havia se divertido imensamente.

— Lady Rimuru, Lorde Guy — disse Diablo com uma reverência graciosa. — O inconveniente foi devidamente... processado. O senhor Clayman não causará mais distrações. Suas últimas palavras foram, curiosamente, um pedido de desculpas por ter nascido. Espero que isso tenha sido satisfatório.

— Ótimo trabalho, Diablo — disse Rimuru, dando um sorriso pequeno. — Venha aqui.

Os olhos de Diablo brilharam com uma alegria quase infantil. Ele se aproximou e Rimuru estendeu a mão, dando um tapinha rápido em sua cabeça.

— Você foi um bom menino — disse ela.

Diablo pareceu flutuar de felicidade, sua aura de terror substituída por um brilho de êxtase puro que fez os outros Lordes Demônios sentirem uma vergonha alheia coletiva. Carrera e as outras Progenitoras observavam com inveja, esperando silenciosamente por sua vez.

— Bem — disse Rimuru, olhando para a mesa redonda — agora que o lixo foi removido e as apresentações foram feitas... podemos finalmente comer o bolo que a Shuna preparou? Estar grávida me deixa com uma fome terrível, e se eu não comer logo, o Guy vai começar a olhar para vocês como se fossem lanches.

Guy soltou uma risada sombria, apertando a cintura de Rimuru.

— Ela não está errada. Tragam o bolo, Rain. E tragam o melhor vinho para os nossos "colegas". Temos muito o que celebrar. Afinal, não é todo dia que o Octagrama ganha um novo membro e eu recebo a notícia de que serei pai oficialmente diante de todos vocês.

Enquanto o banquete era servido, a tensão inicial transformou-se em uma curiosidade cautelosa. Os Lordes Demônios observavam, fascinados, como o equilíbrio do mundo havia mudado. Não era mais apenas sobre quem era o mais forte, mas sobre quem possuía o coração do slime prateado. E, enquanto Rimuru comia seu bolo, cercada por demônios primordiais leais, um dragão lendário e um marido perdidamente apaixonado, ficou claro para todos: o reinado de Rimuru Tempest e Guy Crimson seria algo que o mundo nunca esqueceria.