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Octagrama

O Banquete da Devoção e o Trono do Afeto

O salão do Octagrama, antes um palco de conspirações e tensões milenares, havia se transformado em algo que desafiava a lógica de qualquer Lorde Demônio presente. Onde deveria haver discussões sobre territórios e equilíbrio de poder, agora havia o aroma doce de bolos recém-assados e uma atmosfera de adoração quase religiosa.

Rimuru, sentada confortavelmente após o "processamento" de Clayman, olhou para seus subordinados. Diablo, Testarossa, Carrera e Ultima permaneciam em pé, em uma linha perfeita, com expressões que oscilavam entre a elegância aristocrática e a expectativa ansiosa de filhotes esperando por um prêmio.

— Venham aqui, todos vocês — chamou Rimuru, com um sorriso radiante que parecia iluminar até os cantos mais sombrios da sala de Guy.

Os quatro demônios primordiais se aproximaram em uníssono, ajoelhando-se diante dela com uma sincronia impecável.

— Vocês foram incríveis — disse Rimuru, estendendo as mãos. — Diablo, sua eficiência foi impecável como sempre. Testarossa, sua compostura é um exemplo. Carrera, Ultima, obrigada por protegerem o perímetro com tanta dedicação.

Ela começou a passar as mãos pelos cabelos de cada um, dando tapinhas carinhosos e afagando-os como se fossem crianças pequenas que tivessem acabado de ganhar uma competição escolar.

— Quem são os meus demônios mais fofos e letais? São vocês! — Rimuru exclamou, deixando-se levar pelo entusiasmo. — Sim, são vocês! Que orgulho da minha família de Tempest!

A cena era surreal. Os Primordiais, seres que personificavam o medo e a destruição desde o início dos tempos, estavam fechando os olhos, ronronando metaforicamente sob o toque de Rimuru. Diablo parecia estar em um transe de êxtase puro, enquanto Ultima esfregava a bochecha na mão da slime com um sorriso infantil.

— Oh, Lady Rimuru! — exclamou Diablo, sua voz trêmula de emoção. — Suas palavras são como o néctar dos deuses! Ser reconhecido por sua grandiosidade é a única razão da minha existência! Vê-la assim, radiante e carregando a linhagem que unirá o mundo, é um milagre que meus olhos mal podem suportar!

— A senhora é a personificação da perfeição — acrescentou Testarossa, com um brilho de adoração nos olhos. — Sua benevolência ao nos permitir servi-la é o maior presente que poderíamos receber. Cada insulto proferido por aquele ser inferior apenas serviu para destacar o quão acima de tudo a senhora está.

— É verdade! — Carrera exclamou, quase pulando de alegria. — Eu destruiria mil mundos apenas para receber um desses elogios novamente! A senhora é a nossa estrela guia, a soberana absoluta dos nossos corações!

Rimuru riu, continuando os carinhos de forma distraída, mas tão empolgada que começou a abraçar os subordinados um por um.

— Ah, vocês são tão fofos! Eu poderia ficar aqui o dia todo mimando vocês! — disse ela, esquecendo-se completamente da etiqueta dos Lordes Demônios.

Guy Crimson, que observava a cena com uma sobrancelha erguida, sentiu uma pontada familiar e intensa de possessividade. Ele adorava a natureza gentil de sua esposa, mas ver quatro dos demônios mais poderosos do multiverso recebendo tanta atenção dela estava começando a testar sua paciência.

Sem dizer uma palavra, Guy se levantou. Com um movimento fluido e rápido, ele se aproximou de Rimuru, passou os braços por baixo de seus joelhos e costas, e a levantou do chão.

— Ei! Guy! — Rimuru exclamou, surpresa, segurando-se nos ombros dele.

Guy não respondeu imediatamente. Ele caminhou de volta para o seu grande trono de obsidiana, sentou-se pesadamente e acomodou Rimuru em seu colo, segurando-a firmemente contra seu peito, com o queixo repousado no ombro dela.

— Chega de distribuir carinhos para os outros por enquanto — rosnou Guy, sua voz vibrando contra as costas de Rimuru. — Você está cansada e o bebê precisa descansar. E eu também quero minha cota de atenção.

Rimuru corou profundamente, sentindo o calor do corpo de Guy e a firmeza de seu abraço.

— Guy, você é um bebê gigante — ela riu, mas não tentou sair. Pelo contrário, ela se aconchegou mais, sentindo-se segura.

— EU PROTESTO! — Veldora gritou, levantando-se do chão onde estava sentado. — Guy, seu ruivo ganancioso! Você já tem ela o tempo todo no Palácio de Gelo! Eu mal tive tempo de contar para a minha irmãzinha sobre o novo volume do mangá que eu li! Você está monopolizando o tempo da família!

— Ela é minha esposa, Veldora — Guy respondeu, lançando um olhar gélido para o dragão. — O que tecnicamente a torna mais "minha" do que sua. Vá ler seus livros em outro lugar antes que eu decida testar se dragões verdadeiros podem ser usados como decoração de jardim.

A interação deixou os outros Lordes Demônios em um estado de choque absoluto. Dino estava com a boca aberta, esquecendo-se até de bocejar. Luminous Valentine apenas massageava as têmporas, murmurando algo sobre "caos hormonal e falta de decoro".

— Isso é... fascinante — comentou Leon Cromwell, cruzando os braços. — O ser mais orgulhoso do mundo está agindo como um guarda-costas ciumento de um slime. Quem diria que o fim dos tempos seria tão... doméstico.

Milim e Ramiris, no entanto, não estavam nem um pouco incomodadas. Elas aproveitaram a abertura para começar a falar ao mesmo tempo, animadas com a reunião de família improvisada.

— E então, Rimuru! — Ramiris gritou, voando perto do rosto de Guy, ignorando o olhar assassino dele. — Você não acredita no que a gente fez no labirinto! A gente construiu uma área de recreação especial para o bebê! Tem dragões de pelúcia que cospem fogo de mentirinha e tudo!

— É verdade! — Milim interrompeu, sentando-se na beirada da mesa redonda. — E eu já comecei a treinar os dragões de verdade para serem a guarda de honra da minha sobrinha! Ninguém vai chegar perto dela sem passar por mim! Rimuru, você lembra daquela vez que a gente quase destruiu uma montanha tentando pescar um peixe gigante? O bebê vai adorar essas histórias!

Rimuru riu alto, a alegria em sua voz suavizando a expressão de Guy.

— Eu lembro, Milim! Mas acho que vamos ter que esperar um pouco antes de levar a pequena para pescar com explosivos — disse Rimuru, acariciando o braço de Guy para acalmá-lo.

Enquanto isso, os Primordiais não paravam. Diablo, inspirado pela presença de Rimuru no colo de Guy, decidiu que era o momento perfeito para continuar seu discurso de adoração, agora voltado para o casal.

— Observem todos! — Diablo proclamou, gesticulando para Guy e Rimuru. — A união perfeita entre a força bruta primordial e a benevolência infinita! Lady Rimuru não é apenas uma governante; ela é o próprio conceito de evolução! Ela transformou o caos de Tempest em uma utopia, e agora, ela carrega em seu ventre a promessa de uma nova era! Cada respiração dela é um poema, cada decisão é uma sinfonia de sabedoria!

— Sem mencionar — acrescentou Ultima, com um brilho travesso — que ela é a única pessoa que consegue fazer o Lorde Guy parecer um gatinho domesticado. Isso por si só já é um feito de classe Deus!

— Eu ouvi isso, Ultima — Guy disse, embora não parecesse realmente zangado, apenas satisfeito por ter Rimuru em seus braços.

— A verdade não pode ser escondida, Lorde Guy — respondeu Testarossa, com um sorriso enigmático. — Lady Rimuru possui uma alma que brilha mais do que qualquer sol. Sua gravidez é um evento cósmico. Nós, seus servos fiéis, juramos que cada gota de sangue que corre em nossas veias pertence a ela e ao fruto dessa união.

Rimuru sentiu-se um pouco envergonhada com tanto exagero, mas sabia que, para eles, cada palavra era sincera.

— Pessoal, vocês são demais — disse ela, encostando a cabeça no peito de Guy. — Mas eu estou realmente feliz que todos saibam agora. Esconder isso do Octagrama estava começando a ficar chato. Especialmente com o Clayman tentando causar problemas.

Guy apertou o abraço, sua mão descendo novamente para o ventre de Rimuru.

— Ninguém mais causará problemas, querida — prometeu ele. — Depois de hoje, qualquer um que se atrever a olhar torto para Tempest ou para você saberá que não está enfrentando apenas um slime ou um dragão. Estará enfrentando a fúria combinada de tudo o que eu sou.

— E a minha também! — gritou Milim, batendo no peito.

— E a minha! — Veldora rugiu, soltando uma pequena chama de empolgação.

Rimuru olhou para o salão, vendo seus amigos, seus subordinados adoradores e seu marido possessivo. Ela sentiu um chute forte em sua barriga e sorriu, colocando sua mão sobre a de Guy.

— Ouviu isso, pequena? — Rimuru sussurrou. — Você ainda nem nasceu e já tem o exército mais barulhento e protetor do mundo inteiro.

Guy inclinou-se e beijou o topo da cabeça de Rimuru, enquanto Rain e Misery serviam mais chá e bolo, finalmente permitindo que a reunião do Octagrama se transformasse no que realmente deveria ser: uma celebração da família que Rimuru havia construído, unindo os seres mais improváveis sob o estandarte do afeto e da lealdade absoluta.