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One Piece • O Pirata e sua Estrela

O Eclipse do Girassol e a Aurora Proibida

O sol mal havia começado a tocar o mastro principal do Thousand Sunny quando o movimento rítmico e os suspiros profundos dentro do quarto do capitão cessaram. Shary Aurora estava espalhada pelos lençóis, os cabelos azuis escuros formando uma teia bagunçada contra o travesseiro branco. Sua pele, normalmente pálida e radiante como a luz polar, estava marcada por um rubor quente e evidências claras da possessividade de Luffy.

Luffy, por outro lado, parecia ter energia para dar a volta na Grand Line nadando. Ele se inclinou sobre ela, os olhos brilhando com uma libido que parecia inesgotável, típica de um guerreiro que acabara de conquistar um novo território.

— Shary... — ele murmurou, a voz rouca, aproximando o nariz do pescoço dela para sentir o cheiro de lavanda que, mesmo após uma noite inteira, ainda persistia. — Só mais uma vez antes da carne?

Shary soltou um gemido que era metade prazer e metade puro cansaço. Ela tentou empurrá-lo, mas seus braços pareciam feitos de gelatina.

— Luffy-kun... eu estou devastada... — ela conseguiu sussurrar, fechando os olhos. — Você é de borracha, mas eu não sou... sinto como se minhas estrelas tivessem explodido todas de uma vez.

Luffy riu, aquele som anasalado e contagiante, e deu um beijo estalado na ponta do nariz dela.

— Tudo bem! Eu vou buscar comida. Você dorme, Shary.

Ele saltou da cama com a agilidade de um macaco, vestiu os shorts e o colete em um borrão de movimento e saiu disparado em direção à cozinha.

Lá dentro, o bando já estava reunido. O aroma do café de Sanji e dos pães recém-assados preenchia o ar. Assim que Luffy entrou, saltitando e com um sorriso que ocupava metade do rosto, o silêncio caiu sobre a mesa.

— Sanji! Carne! Muita carne! — Luffy gritou, sentando-se em seu lugar habitual e batendo os talheres na mesa.

— Bom dia para você também, capitão barulhento — resmungou Zoro, bebendo um gole de saquê matinal.

— Onde está a Shary-swan? — Sanji perguntou, trazendo um prato de frutas para Nami e Robin, mas olhando para a porta com expectativa. — Ela não vem tomar o café da manhã especial que preparei com flores comestíveis?

Luffy começou a mastigar um pedaço enorme de presunto que roubara do prato de Usopp.

— Ela está dormindo. Eu deixei ela bem cansada hoje cedo porque a gente estava...

— PARE! — Usopp gritou, tapando os ouvidos com as duas mãos. — Luffy, pelo amor de tudo que é sagrado, não termine essa frase!

— O quê? — Luffy inclinou a cabeça, confuso. — Mas a gente estava só fazendo aquela coisa de casados que deixa ela toda molinha e...

— LUFFY! — Nami acertou um soco no topo da cabeça do capitão, fazendo um galo subir instantaneamente. — Ninguém quer os detalhes! A Shary é uma alma pura, gentil e um pouco infantil. Queremos continuar com essa imagem mental dela, obrigada!

— Mas ela não é infantil quando a gente está no quarto — Luffy insistiu, com a boca cheia. — Ela faz uns sons de aurora que...

— CHEGA! — Sanji caiu de joelhos, soluçando dramaticamente. — Meu coração não aguenta imaginar minha deusa da luz sendo corrompida por esse borracha insaciável!

Robin apenas soltou uma risadinha por trás de sua xícara de café, enquanto Brook observava a cena, embora não tivesse olhos para ver.

— Yohohoho! O amor jovem é tão... vibrante. Quase me faz sentir o sangue correndo nas veias, se eu tivesse veias!

Enquanto a confusão reinava na cozinha, o Sunny se aproximava de uma nova ilha. O alerta de "Terra à vista!" de Chopper forçou todos a se moverem.

Uma hora depois, Shary finalmente emergiu do quarto. Ela parecia um pouco mais recuperada, embora caminhasse com uma leve hesitação. Nami, como sempre, assumiu o papel de irmã mais velha e a levou para se arrumar. Shary usava sua roupa habitual de aventura: uma blusa branca curta que deixava os ombros à mostra, separada das mangas compridas e bufantes presas nos braços por fitas, um corpete preto que realçava suas curvas e calças azul-escuro ajustadas, terminando em seus sapatos vermelhos. O lenço branco estava perfeitamente amarrado, escondendo os nós nos cabelos que Luffy causara.

A ilha era um porto comercial movimentado. Assim que desceram, o bando se dividiu para buscar mantimentos. Shary caminhava ao lado de Luffy e Zoro, observando as lojas com curiosidade infantil.

— Olha, Luffy! Aquelas estrelas de cristal! — ela apontou, os olhos castanhos avermelhados brilhando.

— Shary, olhe ali — Zoro disse, apontando para um grupo de moradores que cochichavam enquanto olhavam para um mural de avisos.

Ao se aproximarem, viram um grupo de piratas locais e cidadãos comparando algo. Um homem velho olhou para Luffy e depois para Shary, arregalando os olhos.

— São eles! O Rei da Borracha e a Estrela da Aurora! — o homem exclamou. — Olhem os broches! São os broches de sangue!

Luffy inclinou a cabeça, tocando o broche preso em seu chapéu.

— Broche de sangue? É o meu broche de juramento! — ele disse, orgulhoso.

— No submundo pirata, garoto — um mercador explicou —, trocar esses itens específicos significa que vocês entregaram a vida um ao outro. É mais que casamento, é um pacto de alma. O mundo já sabe.

— O mundo sabe? — Shary perguntou, confusa.

— O jornal de hoje, moça! Vocês são a notícia principal depois da queda dos Imperadores.

Nami, que acabara de comprar o jornal de um News Coo, correu até eles com o rosto pálido.

— Pessoal! Olhem isso!

Ela abriu o jornal. No centro, havia um novo cartaz de procurado. Era Shary. A foto a capturava em um momento espontâneo: ela estava rindo, segurando o leque de Usopp aberto perto do rosto, com fitas de luz boreal dançando ao seu redor. A imagem era linda, mas o valor abaixo dela fez Usopp quase desmaiar.

— QUATROCENTOS MILHÕES DE BERRIES?! — Usopp gritou. — Ela acabou de entrar no bando e já tem essa recompensa?

— A Marinha não está brincando — disse Robin, aproximando-se. — Eles a listaram como "Ameaça de Nível Celestial". O domínio dela sobre a energia da aurora é considerado um dom que ultrapassa as Akuma no Mi. Eles têm medo de que você conte os segredos dos laboratórios onde foi criada, Shary.

Shary olhou para o cartaz, passando os dedos sobre sua própria imagem. Ela não sentia medo; sentia-se reconhecida. Pela primeira vez, ela não era um número de projeto, era uma pirata.

— Eu estou... famosa? — ela perguntou, com uma ingenuidade que fez Luffy rir e abraçá-la pelo pescoço.

— Shishi! Você é incrível, Shary!

Mas a paz durou pouco. Um estrondo ecoou pela praça principal. Um grupo de caçadores de recompensas e agentes disfarçados da Cipher Pol, que estavam à espreita, cercou o grupo.

— Entreguem a mulher! — gritou um homem alto, vestindo um sobretudo escuro. — Ela é propriedade do Governo Mundial! O projeto Aurora deve ser recuperado!

Luffy deu um passo à frente, a sombra do chapéu cobrindo seus olhos. A atmosfera mudou instantaneamente; o garoto brincalhão deu lugar ao Imperador do Mar.

— Propriedade? — a voz de Luffy era um trovão baixo. — Vocês estão enganados. A Shary agora é minha mulher por juramento. E ninguém toca no que é meu!

— Luffy-kun, deixe-me ajudar! — Shary disse, abrindo seu leque. A energia começou a crepitar ao redor dela, o ar ficando frio e carregado de eletricidade estática.

A luta foi rápida, mas intensa. Shary movia-se como se estivesse em um palco, cada golpe do leque disparando lâminas de luz que cortavam o aço das armas inimigas. Luffy, em sincronia perfeita, rebatia os ataques físicos.

— Gomu Gomu no... Jet Pistol! — Luffy lançou um inimigo longe, enquanto Shary girava, criando uma cúpula de luz que cegava os atacantes.

— Dança da Aurora: Estrela Cadente! — ela exclamou, e fitas luminosas desceram do céu como chicotes, desarmando os agentes restantes.

Quando a poeira baixou, os moradores da ilha olhavam maravilhados. Não parecia uma briga de piratas, parecia um espetáculo de luzes.

De volta ao navio, carregados de mantimentos e com a adrenalina ainda correndo, a tripulação se preparava para a partida. Sanji, como prometido, preparou um banquete para comemorar a nova recompensa de Shary.

— Shary-swan! Experimente este suflê de lavanda! — Sanji girava ao redor dela, com corações nos olhos.

— Obrigada, Sanji-kun! Está delicioso! — ela respondeu, comendo com gosto.

Brook se aproximou, fazendo uma reverência exagerada.

— Shary-san, agora que você é uma pirata de renome mundial... seria muita ousadia pedir para ver a sua...

Antes que ele terminasse a frase sobre calcinhas, Luffy, que estava com a boca cheia de carne, esticou o braço e empurrou o rosto do esqueleto para longe.

— Não! — Luffy disse, simplesmente.

Nami completou o serviço, acertando um soco na cabeça de Brook.

— Tenha modos, seu esqueleto pervertido!

A noite caiu sobre o mar, e o Sunny deslizava suavemente pelas ondas. No quarto, a luz da lua entrava pela vigia, iluminando o casal. Luffy estava inquieto, suas mãos percorrendo a cintura de Shary enquanto ela tentava organizar seus novos cadernos de desenho.

— Shary... — ele começou, beijando o ombro dela.

— Luffy-kun... — ela suspirou, virando-se para ele. — Hoje não. Eu ainda estou sentindo os músculos doloridos daquela ilha... e de hoje de manhã. Por favor, um tempo?

Luffy fez um biquinho, mas seus olhos brilhavam com um desafio carinhoso.

— Mas a gente aprendeu coisas novas hoje, não aprendemos? Eu quero ver se o seu brilho aumenta se eu fizer aquilo...

— Luffy... — ela tentou protestar, mas ele a puxou para um beijo profundo, um daqueles que fazia sua mente nublar e sua energia de aurora começar a vazar involuntariamente pelos poros.

Luffy estava aprendendo a ler o corpo dela, a entender que a força de Shary não vinha apenas de sua energia, mas de sua entrega. Ele a deitou suavemente, seus movimentos agora mais lentos, mais exploratórios.

— Eu quero cuidar de você também — ele murmurou, surpreendendo-a com uma gentileza inesperada.

Shary sentiu seu coração derreter. A timidez habitual deu lugar a uma curiosidade ousada. Ela se inclinou, suas mãos pequenas encontrando o rosto dele.

— Então deixe-me mostrar como eu me sinto... — ela sussurrou.

Naquela noite, eles não apenas buscaram o prazer explosivo, mas a descoberta. Shary, perdendo o medo de sua própria sensualidade, explorou Luffy com beijos e toques que o faziam perder o controle da própria elasticidade. Quando ela o levou ao limite, usando a maciez de seus lábios e a doçura de sua voz, Luffy sentiu que não havia tesouro no mundo que se comparasse àquela mulher.

Ele retribuiu, levando-a a um clímax que fez o quarto se iluminar com uma aurora boreal tão intensa que atravessou as frestas da porta reforçada de Franky.

— Luffy... — ela arquejou, as unhas cravadas nos ombros dele, enquanto as cores dançavam no teto.

— Você é... incrível, Shary — ele ofegou, deitando-se ao lado dela, ambos suados e exaustos.

Shary sorriu, a cabeça repousando no peito dele. Ela olhou para o broche de Luffy, preso no chapéu que repousava na cabeceira, e depois para o seu próprio, preso no lenço descartado no chão.

— Nós somos um perigo para este mundo, não somos? — ela perguntou, fechando os olhos.

— Shishi! O maior perigo de todos — Luffy respondeu, puxando o lençol sobre eles. — E eu não mudaria nada.

Enquanto o Thousand Sunny seguia em direção à próxima aventura, a Estrela da Aurora finalmente dormiu, sabendo que, não importa o quão alta fosse sua recompensa ou quantos inimigos a perseguissem, ela estava exatamente onde as estrelas sempre quiseram que ela estivesse: nos braços de seu Rei.