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One Piece • O Pirata e sua Estrela

A Imperatriz da Aurora e o Rei dos Mares

O sol da manhã banhava o Thousand Sunny com uma luz dourada e preguiçosa. Após as agitações das noites anteriores, o navio parecia ter encontrado um ritmo quase doméstico. Shary Aurora estava sentada no gramado do convés, seu caderno de desenhos aberto e uma pena na mão. O cheiro de lavanda e papel novo era seu refúgio, mas o silêncio durava pouco quando se tratava do homem que agora era seu marido por juramento.

— Shary! Olha o que o Usopp fez! — gritou Luffy, surgindo do nada e saltando por cima dela.

Ela soltou uma risadinha, fechando o caderno antes que uma mancha de tinta estragasse suas anotações sobre as constelações do Novo Mundo.

— Luffy-kun, eu estou tentando terminar o capítulo sobre a Ilha dos Girassóis! — protestou ela, embora seus olhos castanhos avermelhados brilhassem de diversão.

— O livro pode esperar, a diversão não! — Luffy exclamou, puxando-a pela mão.

Usopp e Chopper haviam montado uma espécie de "lançador de aviões de luz" usando sucata e um pouco da energia que Shary havia deixado em um frasco de vidro no dia anterior. Eles estavam no meio de uma competição para ver quem conseguia fazer o avião de energia boreal voar mais longe sem explodir em faíscas coloridas.

— É a ciência da aurora, Shary! — Usopp explicou com um nariz empinado, enquanto Chopper pulava de excitação. — Venha ver!

Shary, com sua curiosidade espontânea, logo esqueceu o livro. Ela se juntou à brincadeira, manipulando pequenas fitas luminosas para dar "combustível" aos aviõezinhos. Luffy, claro, tentava pegá-los no ar com seus braços de borracha, resultando em uma confusão de luzes, risadas e gritos de alegria que ecoavam por todo o navio.

No entanto, a brincadeira teve um fim abrupto quando Luffy, com um olhar que Shary já conhecia bem — um brilho de desejo misturado com uma possessividade brincalhona —, a envolveu pela cintura e a jogou por cima do ombro.

— Ei! Luffy-kun! Eu já disse que sei andar! — ela gritou, batendo as pernas no ar, enquanto o rosto ficava vermelho de vergonha.

— Agora não, Shary! — Luffy riu, ignorando os protestos. — Você prometeu que ia me mostrar aquele desenho novo lá no quarto!

— Que desenho? Eu não fiz desenho nenhum... — ela começou a dizer, mas parou ao ver o sorriso malicioso do capitão.

Os outros membros do bando apenas suspiraram em uníssono.

— Lá vão eles de novo — resmungou Zoro, ajeitando as espadas.

— Pobre Shary-swan... — Sanji lamentou, limpando uma lágrima dramática. — Tão jovem, tão bela, e condenada a ser o brinquedo de um macaco de borracha insaciável.

— Franky, espero que o isolamento acústico ainda esteja funcionando — Nami comentou, massageando as têmporas. — Porque hoje temos visitas importantes e não quero que o navio esteja balançando quando chegarmos ao porto.

Enquanto Luffy e Shary estavam "ocupados", as mulheres do bando decidiram que era hora de uma renovação visual. Nami, com seu olho clínico para moda e negócios, havia encomendado tecidos finos na última ilha. Robin ajudou na costura, e o resultado foi um conjunto de vestidos coordenados em tons de rosa vibrante.

Quando Shary finalmente saiu do quarto, algumas horas depois, com o cabelo levemente desgrenhado e as bochechas coradas, Nami a arrastou para a cabine.

— Sem perguntas, Shary! Apenas vista isso — ordenou a navegadora.

Momentos depois, as três mulheres surgiram no convés. Nami vestia um conjunto rosa curto e ousado; Robin exalava elegância com uma saia longa de fenda lateral que revelava suas pernas e um top que realçava sua postura madura. Mas foi Shary quem roubou a cena. Ela usava um vestido tomara-que-caia longo, com fendas laterais profundas que mostravam suas coxas a cada passo. O contraste do rosa intenso com seu cabelo azul-escuro e o lenço branco era hipnotizante.

— Uau... — Usopp deixou o queixo cair.

— Shary-chwaaan! Nami-saaan! Robin-chaaan! — Sanji entrou em seu modo de tornado de amor, mas parou subitamente quando o horizonte escureceu.

Um navio imponente, com uma carranca de serpente, surgiu ao lado do Sunny. Era o Perfume Yuda. A Imperatriz Pirata, Boa Hancock, estava na proa, sua beleza ofuscante emanando uma aura de fúria.

— Onde ele está? — a voz de Hancock ecoou, fria como gelo. — Onde está o meu Luffy e a mulher que ousa se chamar de sua esposa?

Hancock saltou para o convés do Sunny com a graça de uma deusa, seus olhos fixos em Shary. O bando recuou, sentindo a pressão da beleza e do Haki da Imperatriz. Luffy, que estava comendo um pedaço de carne, acenou alegremente.

— Oh! Hancock! O que faz aqui?

Hancock ignorou o cumprimento. Ela caminhou até Shary, parando a poucos centímetros.

— Então é você? — Hancock desdenhou, olhando Shary de cima a baixo. — Eu cuidei dele quando ele estava quebrado! Eu o salvei da Marinha! Eu o alimentei e o protegi quando o irmão dele, Ace, morreu e ele não tinha ninguém! O que você fez por ele, pequena estrela insignificante?

O silêncio caiu sobre o navio. Shary sentiu uma pontada de dor no peito. Não por ciúmes, mas pela revelação. Luffy nunca havia falado sobre um irmão, ou sobre o sofrimento que Hancock descrevia. Ela olhou para Luffy, que baixou o olhar por um breve segundo, e depois voltou a encarar a Imperatriz Pirata.

Naquele momento, algo mudou em Shary. A doçura e a espontaneidade foram guardadas em uma caixa profunda. Sua postura tornou-se rígida, seu olhar ficou neutro e gélido, como a energia das planícies polares de onde viera. Ela lembrou-se das lições dos sacerdotes da Aurora e de sua linhagem real. Ela não era apenas uma pirata; ela era a Imperatriz da Ilha da Aurora, a Filha da Luz.

— Eu agradeço sinceramente por tudo o que fez por ele — começou Shary, sua voz saindo calma, firme e desprovida de qualquer emoção, como uma verdadeira monarca. — Naquela época, eu ainda estava presa nos laboratórios da Marinha, sendo usada como uma ferramenta. Você foi a salvação dele quando eu não podia ser.

Hancock piscou, surpresa com a falta de reação histérica.

— No entanto — continuou Shary, dando um passo à frente, sua aura de energia boreal começando a brilhar suavemente ao redor de seu corpo, impondo respeito —, o passado pertence à gratidão, mas o presente pertence ao juramento. Luffy e eu trocamos nossos broches de sangue. Eu sou sua mulher, sua esposa e sua companheira de alma. Eu cuidarei dele agora, com a vida que ele me devolveu. Como imperatriz para imperatriz, peço que respeite o território do meu Rei.

Hancock recuou um passo, atônita. Ela viu em Shary não uma rival fraca, mas uma igual em título e determinação. A fúria da Shichibukai murchou diante da dignidade inabalável daquela mulher de cabelos azuis. Como uma antiga imperatriz que um dia perdeu Roger para Rouge, Hancock viu que o destino de Luffy já estava traçado.

— Que assim seja — murmurou Hancock, virando o rosto para esconder a mágoa. — Mas saiba que, se você falhar com ele, eu mesma a transformarei em pedra.

Após a partida de Hancock, o clima de tensão se dissipou, mas Shary permanecia em silêncio. Robin aproximou-se, colocando uma mão gentil em seu ombro.

— Você está bem, Shary? Sentiu ciúmes?

Shary soltou um longo suspiro, e a máscara de frieza derreteu, voltando a ser a mulher doce de sempre.

— Eu senti... uma dor estranha aqui — disse ela, tocando o peito. — Mas não foi só por ela. Foi por não saber sobre o irmão do Luffy. Sinto que não o conheço de verdade.

Nami interveio, com um olhar compreensivo.

— Luffy não é de falar sobre o passado, Shary. Ele vive o agora. Mas se você quer saber, peça a ele. Ele não esconde nada de quem ama.

Mais tarde, enquanto o sol se punha, Shary encontrou Luffy sentado na cabeça do leão. Ela se sentou ao lado dele e, em voz baixa, perguntou sobre Ace. Luffy, com uma honestidade que a fez chorar, contou tudo: a infância com Sabo e Ace, a promessa, a guerra de Marineford e a dor da perda.

Shary ouvia tudo atentamente, gravando cada palavra em sua mente para depois escrever no livro. Ela queria que o mundo soubesse não apenas do Rei dos Piratas, mas do menino que carregava o peso de uma promessa.

— Obrigado por me contar, Luffy-kun — ela disse, beijando a cicatriz em seu peito.

Luffy sorriu, olhando para ela com admiração.

— Você falou como uma rainha de verdade hoje, Shary. Até a Hancock ficou quieta!

Shary sentiu a confiança de Nami e a elegância de Robin correndo em suas veias. Ela se levantou, jogou o cabelo azul para trás com um movimento teatral e sorriu com uma audácia nova.

— Porque eu sou uma rainha, Luffy-kun! — exclamou ela.

Ela começou a desfilar pelo convés como se estivesse em uma passarela real. O bando, percebendo o espírito brincalhão, entrou na dança.

— Abram alas para a Majestade da Aurora! — gritou Usopp, fazendo uma reverência exagerada.

Sanji ajoelhou-se, oferecendo uma rosa imaginária.

— Minha vida é vossa, minha rainha pirata!

Chopper corria ao redor dela, jogando pétalas de flores para o alto, enquanto Franky usou alguns projetores para criar um "tapete vermelho" de luz no convés. Brook começou a tocar uma marcha imperial em seu violino, mas com um ritmo de jazz animado.

— Yohohoho! Vida longa à Rainha Shary!

Nami riu, entrando na brincadeira.

— Vossa Alteza, já que é tão rica, não teria alguns milhões de berries para dar a esta sua pobre serva?

— Veremos, Nami-san, veremos! — Shary respondeu, fazendo uma pose de imperatriz que fez todos gargalharem, inclusive Jinbe, que observava do leme com um sorriso satisfeito.

Quando a noite finalmente envolveu o navio, Luffy e Shary retiraram-se para o quarto. O clima de brincadeira deu lugar a uma intensidade profunda. Luffy a prendeu contra a porta, seus olhos pretos fixos nos dela.

— Sabe, Shary... — ele começou, a voz baixa e rouca — ... quando eu for o Rei dos Piratas, eu vou transformar a Imperatriz da Aurora na minha Rainha Pirata oficial. A gente vai ter todos os mares e todos os reinos.

Shary sorriu, envolvendo o pescoço dele com os braços, sentindo o calor da borracha contra sua pele.

— Eu amei a ideia — sussurrou ela. — Mas eu só aceito ser imperatriz quando o mundo exigir ordem e frieza. Para você, eu só quero ser a sua Shary. Mas... uma rainha de verdade só conquista seu trono ao lado de seu rei. Quando você alcançar o seu sonho, eu estarei lá para ser coroada com você.

Luffy não esperou mais. Ele a beijou com uma selvageria que misturava promessa e desejo. Naquela noite, a noite foi longa e intensa. Não havia títulos, nem coroas, nem passados tristes. Havia apenas a luz da aurora que emanava de Shary e a força indomável de Luffy, unindo-se em uma sinfonia que o isolamento acústico de Franky mal conseguia conter.

No silêncio das estrelas, o Thousand Sunny levava consigo um Rei em construção e uma Rainha que já brilhava mais que qualquer joia, prontos para conquistar o mundo, um beijo e uma aventura de cada vez.