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Os irmãos

O Batismo do Desejo e a Ruína do Silêncio

O relâmpago rasgou o céu, iluminando o quarto por um breve segundo, transformando a silhueta de Gabriel em algo quase sobrenatural. Liana sentia o coração bater contra as costelas como um pássaro enjaulado, mas quando os lábios dele encontraram os seus, a resistência que ela tentava montar desmoronou como um castelo de areia atingido pela maré. O beijo de Gabriel era feroz, faminto, carregado de uma urgência que Arthur nunca demonstrara. Ele a beijava como se estivesse tentando recuperar cada segundo dos três anos que passou longe, cada suspiro que ela dera nos braços de outro.

— Gabriel, para... por favor, a gente não pode... — murmurou Liana entre beijos, a voz falhando enquanto as mãos dele desciam pela seda de sua camisola. — Ele é seu irmão, eu sou...

— Você é a mulher que eu amo — interrompeu ele, a voz rouca, vibrando contra a pele do pescoço dela. — E ele nunca soube o que fazer com o tesouro que tinha nas mãos. Eu não vou mais fingir, Liana. Nem você.

Gabriel não deu espaço para mais protestos. Com uma agilidade que a deixou sem fôlego, ele se posicionou entre as pernas dela, empurrando o corpo para a frente. Liana sentiu o peso dele, o calor que emanava de sua pele, e soltou um gemido baixo. Ele não tirou a lingerie dela imediatamente; em vez disso, afastou o tecido fino da calcinha para o lado, expondo a intimidade dela ao ar frio do quarto, apenas para cobri-la logo em seguida com o calor de sua boca.

Quando a língua de Gabriel a tocou pela primeira vez, Liana arqueou as costas, um grito mudo morrendo em sua garganta. O contato era elétrico, direto, e a habilidade dele a deixou em choque. Ela nunca havia sido tocada daquela forma — com tanta adoração e, ao mesmo tempo, tanta luxúria. Instintivamente, suas mãos mergulharam nos cabelos escuros de Gabriel, os dedos se enroscando nos fios enquanto ela o puxava para mais perto, esfregando-se contra o rosto dele, buscando mais daquele prazer que a fazia ver estrelas sob as pálpebras fechadas.

— Gabriel... oh Deus, Gabriel... — ela soluçava, a timidez sendo completamente incinerada pela chama que ele acendia.

Ele a penetrou com um dedo, um movimento lento e profundo que a fez gemer alto. Antes que o som pudesse ecoar pela casa vazia, Gabriel subiu o corpo e calou-a com um beijo possessivo, sugando sua língua enquanto continuava o movimento lá embaixo. Liana sentia-se flutuar. Ela não era mais a esposa invisível, a mulher tímida que se escondia nas sombras das festas de Arthur. Naquele momento, sob o toque de Gabriel, ela era uma divindade, o centro do universo de um homem que a desejava com cada fibra de seu ser.

Gabriel afastou-se apenas o suficiente para se livrar das próprias roupas. Liana o observou, os olhos arregalados, enquanto a luz dos relâmpagos revelava a musculatura tensa de seus ombros e a linha firme de seu abdômen. Quando ele se livrou da última peça de roupa, Liana sentiu um frio na barriga. O membro dele estava ereto, imponente e pulsante, muito maior do que qualquer coisa que ela estivesse acostumada a receber.

— Gabriel... — ela sussurrou, a voz carregada de uma mistura de medo e desejo. — Isso... isso vai caber em mim?

Gabriel deu um sorriso de canto, um olhar que misturava ternura e uma promessa perigosa. Ele se inclinou sobre ela, beijando a ponta de seu nariz antes de descer para seus lábios.

— Vai, meu amor — sussurrou ele. — Eu vou cuidar de você. Eu vou te possuir com todo o amor que guardei esses anos todos.

Ele a penetrou devagar, com uma paciência que torturava e deliciava ao mesmo tempo. Liana soltou um choramingo, sentindo a ardência inicial, a sensação de preenchimento total que a fazia perder o fôlego. O tamanho dele a desafiava, esticando-a de uma forma que a fazia sentir cada centímetro daquela união. Ela cravou as unhas nas costas dele, buscando âncora enquanto o mundo girava.

— Dói? — perguntou ele, parando por um momento, a testa encostada na dela, os olhos cheios de preocupação.

— Só um pouco... mas não para — pediu ela, a voz quebrada. — Por favor, Gabriel, não para.

Ele começou a se movimentar. Primeiro com investidas curtas e cuidadosas, esperando que o corpo dela se acostumasse, mas logo o ritmo acelerou. A paixão reprimida de ambos transbordou. Gabriel não era apenas um amante; ele era um homem reivindicando o que sua alma sempre soube que era dele. Os gemidos de Liana tornaram-se mais altos, mais urgentes, incentivando Gabriel a ir mais fundo, a ser mais rápido. O som da pele se chocando e a respiração pesada deles competiam com o barulho da chuva lá fora.

O tesão era quase palpável, uma névoa que os envolvia e os isolava do resto do mundo. Liana sentia que ia explodir. Cada movimento de Gabriel atingia um ponto dentro dela que a fazia tremer da cabeça aos pés. Após cerca de trinta minutos de uma entrega absoluta, onde os nomes um do outro eram sussurrados como preces, Liana sentiu a onda de prazer atingi-la com força total. Ela travou as pernas ao redor da cintura de Gabriel, revirando os olhos enquanto o orgasmo a levava para longe.

Segundos depois, ela sentiu Gabriel atingir o próprio ápice. Ele soltou um rosnado baixo, enterrando o rosto no pescoço dela enquanto gozava profundamente dentro dela, uma entrega final que selava o destino de ambos. Eles ficaram ali, abraçados, os corações batendo no mesmo ritmo frenético, enquanto o suor esfriava em seus corpos.

Gabriel se inclinou, beijando os seios de Liana com uma doçura que a fez chorar baixinho. Ele se deitou ao lado dela, puxando-a para o seu peito, envolvendo-a com seus braços fortes.

— Eu te amo, Liana — disse ele, a voz firme, sem qualquer rastro de dúvida. — Eu te amo desde o primeiro dia, e essa foi apenas a primeira de muitas vezes que eu vou fazer amor com você. Você nunca mais vai ser invisível. Nunca mais vai ser só um troféu.

Liana fechou os olhos, sentindo-se protegida como nunca se sentira em anos de casamento. O cansaço finalmente a venceu, e ela adormeceu ao som do coração de Gabriel, sentindo que, embora o mundo pudesse desabar na manhã seguinte, naquela noite, ela finalmente havia voltado para casa.

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A luz da manhã entrou suavemente pelas frestas das cortinas, pintando o quarto com tons de dourado e âmbar. O silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo som da respiração ritmada de Liana. Gabriel acordou primeiro. Ele permaneceu imóvel por um longo tempo, apenas observando a mulher ao seu lado. Ela parecia um anjo, os cachos escuros espalhados pelo travesseiro, os lábios levemente entreabertos. Havia uma serenidade no rosto dela que ele não via há anos.

Ele se levantou devagar, tentando não acordá-la. Seu corpo ainda retinha as sensações da noite anterior — a maciez da pele dela, o calor de seu abraço. Caminhou até o banheiro e ligou o chuveiro, deixando a água morna escorrer por seus ombros. Enquanto se lavava, a mente de Gabriel viajava. Ele sabia que o que tinham feito mudaria tudo. Arthur voltaria de Brasília em algumas semanas, e a vida de mentiras que eles levavam não poderia mais continuar.

Ele não sentia culpa. Pela primeira vez na vida, sentia que tinha feito a coisa certa. Ele vira a dor nos olhos de Liana, vira as marcas da negligência do irmão. Ele a salvara, e ao fazê-lo, salvara a si mesmo de uma vida de arrependimentos.

Ao sair do banho, com uma toalha amarrada na cintura e os cabelos ainda pingando, ele voltou para o quarto. Liana estava começando a despertar. Ela se espreguiçou, o lençol escorregando e revelando a pele parda que ele tanto adorava. Quando ela abriu os olhos e o viu parado ali, um sorriso tímido e doce iluminou seu rosto.

— Bom dia — sussurrou ela, a voz ainda rouca de sono.

— Bom dia, minha vida — respondeu Gabriel, sentando-se na beira da cama e inclinando-se para beijar sua testa. — Como você está se sentindo?

Liana olhou para ele, e por um momento, a sombra da realidade tentou se infiltrar em seus pensamentos, mas ela a afastou. Ela se sentia viva. Pela primeira vez em muito tempo, ela se sentia desejada e real.

— Eu estou bem, Gabriel — disse ela, segurando a mão dele e levando-a aos lábios. — Eu nunca estive tão bem.

Gabriel sorriu, sabendo que o caminho à frente seria difícil, mas que, enquanto estivessem juntos, nenhuma tempestade seria capaz de apagá-los novamente. A noite incrível que tiveram fora apenas o começo de uma revolução silenciosa que estava prestes a mudar suas vidas para sempre.