Outro tempo
O Batismo das Águas e do Desejo
O choque térmico da água contra a pele nua de Mulan era uma punição que ela aceitava de bom grado, um sacrifício necessário para lavar a sujeira de uma vida que não lhe pertencia mais. Mas quando Shan Yu entrou no lago, o frio pareceu evaporar, substituído por uma tensão que fervia a cada centímetro que ele avançava. Ele era uma visão de poder absoluto, os músculos dos ombros e do peito movendo-se sob a pele bronzeada como placas de armadura natural.
Mulan sentiu a água deslocar-se quando ele a alcançou. O fundo do lago era irregular, e ela se viu forçada a dar um passo à frente para não perder o equilíbrio, o que a colocou diretamente no raio de alcance dele. Shan Yu não hesitou. Suas mãos, grandes e calejadas pelo cabo da espada e pelas rédeas de guerra, envolveram a cintura dela, puxando-a para o encontro inevitável de seus corpos.
— Você treme, Mulan — murmurou ele, a voz vibrando tão baixo que parecia vir das profundezas da terra. — Mas não é de frio.
— Você é um invasor — respondeu ela, embora sua voz soasse fraca, desprovida da convicção que um dia a sustentara. — Eu deveria estar tentando afogar você.
Shan Yu soltou uma risada sombria, aproximando o rosto do dela.
— Tente. Eu adoraria ver você lutar contra mim aqui, onde não há armaduras para nos proteger, apenas a verdade da nossa carne.
Ele inclinou a cabeça e capturou os lábios dela. O beijo foi uma colisão de vontades. Tinha o gosto da água gelada e o calor de uma fogueira que se recusava a apagar. Mulan sentiu as mãos dele subirem pelas suas costas, a carícia áspera fazendo sua pele formigar. Quando ele se afastou apenas alguns milímetros, seus olhos amarelos brilhavam com uma luxúria triunfante.
As mãos de Shan Yu desceram para os seios de Mulan. Ele os envolveu com uma possessividade que a fez arfar. Seus polegares encontraram os mamilos, endurecidos pelo frio e pela antecipação, e começaram a massageá-los com uma pressão firme. Mulan sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha, uma sensação tão nova e avassaladora que ela teve que se agarrar aos ombros dele para não afundar.
— Olhe para o que você faz comigo — disse ele, forçando-a a sentir a rigidez de seu membro pressionando contra o ventre dela sob a água.
Mulan arregalou os olhos, a respiração vindo em golfadas curtas. Ela nunca vira um homem daquela forma, nunca sentira o poder de um desejo tão bruto. A pele dele era quente, quase febril, e o contraste com a água gelada criava uma névoa de sensações que nublava seu raciocínio.
— Eu nunca... eu não sei o que fazer — confessou ela, a honestidade escapando antes que pudesse impedi-la.
— Você não precisa fazer nada — respondeu Shan Yu, sua voz tornando-se uma carícia perigosa. — Apenas sinta. Deixe que o seu corpo aprenda o que a China tentou lhe negar.
Ele deslizou uma das mãos para baixo, passando pelo ventre liso de Mulan até alcançar a curva de suas coxas. Com uma facilidade insultante, ele a ergueu levemente, forçando-a a entrelaçar as pernas ao redor de sua cintura. Mulan sentiu a dureza dele se encaixar perfeitamente contra sua intimidade, protegida apenas pela água que fluía entre eles.
Shan Yu começou a se mover, um roçar lento e rítmico que fazia o sangue de Mulan latejar. Ele apertou as nádegas dela, cravando os dedos na carne macia, enquanto sua outra mão voltava a torturar seus mamilos.
— Você é minha conquista, Mulan — sussurrou ele contra o pescoço dela, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha. — Cada centímetro deste fogo que queima em você me pertence agora.
Mulan jogou a cabeça para trás, um gemido baixo escapando de seus lábios. Ela tentou morder o lábio para conter o som, mas Shan Yu não permitiu.
— Não se silencie — ordenou ele. — Eu quero ouvir você. Quero que as montanhas saibam que a guerreira do Imperador está clamando pelo nome do seu inimigo.
A mão dele desceu novamente, mas desta vez seus dedos encontraram o caminho entre as pernas dela. Quando ele a tocou ali, no centro de seu calor, Mulan soltou um grito abafado contra o ombro dele. O toque era experiente, calculadamente lento, explorando a sensibilidade que ela nem sabia que possuía. Ele brincava com ela, seus dedos mergulhando e deslizando, encontrando o ritmo que a fazia arquear as costas em busca de mais.
— Você gosta disso, não gosta? — perguntou ele, o ego inflado pela reação dela. Ele podia sentir o pulso dela acelerado, o modo como ela se apertava contra ele, instintivamente buscando o prazer que ele oferecia.
— Sim... — ela admitiu, a palavra saindo como um suspiro quebrado.
Shan Yu intensificou o movimento, seu membro se esfregando contra ela com uma urgência crescente. Ele sentia a luxúria latejar em suas veias, o desejo de tomá-la ali mesmo, sobre as pedras molhadas, era quase incontrolável. Mas ele era um caçador que sabia apreciar a antecipação. Ele queria que Mulan estivesse completamente rendida, que cada pensamento dela fosse preenchido por ele antes de reivindicar sua virgindade.
— Não aqui — murmurou ele, a voz carregada de uma promessa sombria. — O lago é apenas o batismo. Eu vou levar você para minha casa, para minhas terras. Lá, eu farei de você uma mulher de verdade. Lá, você será minha rainha de sangue e seda.
Ele a apertou com mais força, um último roçar profundo que fez Mulan tremer violentamente em seus braços. Ela sentiu uma onda de prazer tão intensa que sua visão escureceu por um segundo, e ela se enterrou no pescoço dele, escondendo o rosto enquanto as pulsações de seu ápice começavam a diminuir.
Shan Yu ficou parado por um longo tempo, sustentando o peso dela na água, sentindo o coração de Mulan bater contra o seu. Ele estava satisfeito. Ele vira a força dela no campo de batalha, e agora vira a paixão dela no lago. Ela era perfeita.
— Amanhã cruzaremos a fronteira — disse ele, sua voz voltando ao tom de comando, embora houvesse uma nota de suavidade que ele nunca usara com ninguém. — Você deixará a China para trás, Mulan. E tudo o que sobrar de você será meu.
Ele a carregou para fora da água, sua nudez imponente desafiando o ar frio. Mulan, ainda tonta e com o corpo vibrando, olhou para as montanhas ao redor. Ela sabia que o que acabara de acontecer no lago era o fim de sua antiga vida. Ela não era mais a garota que buscava honra para a família; ela era a mulher que encontrara seu destino nas mãos de um lobo.
Enquanto ele a colocava suavemente sobre as peles secas e começava a vesti-la, Mulan percebeu que não tinha medo do que viria a seguir. O fogo que Shan Yu acendera nela era mais forte do que qualquer exército, e ela estava pronta para queimar o mundo ao lado dele.
— Eu não sou um troféu, Shan Yu — disse ela, recuperando um pouco de sua voz enquanto ele a envolvia na capa de pele.
Ele parou e olhou para ela, um meio sorriso surgindo em seus lábios cruéis.
— Eu sei. Troféus ficam parados na prateleira. Você... você é a espada que eu vou usar para conquistar o que resta deste mundo.
Ele a beijou uma última vez, um selinho rápido e carregado de promessa, antes de se levantar para recolher suas próprias roupas. Mulan observou-o, sabendo que a verdadeira batalha ainda não havia começado, mas que a rendição de seu coração já estava completa. O Norte os esperava, e com ele, a consumação de um desejo que mudaria o curso da história.