Pedra papel tesoura
Sombras de Desejo e Domínio
A segunda-feira havia chegado com a promessa de uma rotina exaustiva, mas o clima dentro do apartamento em Londres ainda retinha o calor residual do final de semana. Eiden estava sentado em sua mesa de trabalho improvisada, os dedos voando sobre o teclado enquanto linhas de código subiam pela tela, mas sua mente não estava na depuração do sistema. Seus olhos verdes desviavam constantemente para o relógio no canto da tela. Eram quase oito da noite.
Kai havia passado o dia na clínica veterinária. Ele mencionara pela manhã, enquanto tomavam café, que teria uma cirurgia complicada em um Labrador idoso e que provavelmente chegaria em casa exausto. Eiden, sentindo uma mistura de adoração e aquela possessividade latente que nunca o abandonava, decidiu que a noite de segunda-feira não seria apenas sobre descanso. Seria sobre controle.
O som da chave girando na fechadura fez o coração de Eiden acelerar. Ele fechou o laptop abruptamente e caminhou até o corredor. Kai entrou, jogando a mochila no sofá com um suspiro pesado. Ele parecia magnífico mesmo cansado; a camisa azul clara estava com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando os antebraços fortes, e o cabelo castanho estava levemente bagunçado.
— Que dia, mon petit — murmurou Kai, abrindo os braços para receber o namorado. — Acho que nunca vi tanto bicho precisando de ajuda em doze horas.
Eiden aceitou o abraço, enterrando o rosto no pescoço de Kai, aspirando o cheiro de antisséptico misturado ao perfume amadeirado dele.
— Você trabalhou demais, doutor — disse Eiden, a voz suave, mas carregada de uma intenção que Kai ainda não havia decifrado. — Você precisa relaxar. De verdade.
— Um banho e cama soam como o paraíso agora — respondeu Kai, dando um beijo carinhoso na testa de Eiden.
— Eu tenho um plano melhor — sussurrou o francês, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos castanhos de Kai. — Vá tomar seu banho. Eu vou preparar o quarto. E Kai... não faça perguntas. Apenas obedeça.
Kai arqueou uma sobrancelha, um sorriso intrigado surgindo em seus lábios. Ele conhecia aquele tom de voz. Era o tom que Eiden usava quando o "programador sério" dava lugar ao homem que gostava de ditar as regras entre quatro paredes.
— Obedecer, é? — Kai riu baixo, a voz rouca. — Tudo bem. Estou nas suas mãos.
Vinte minutos depois, o quarto estava mergulhado em uma penumbra estratégica, iluminada apenas por algumas velas de baunilha que Eiden mantinha para ocasiões especiais. O som de jazz ambiente tocava baixinho ao fundo. Eiden estava sentado na beira da cama, vestindo apenas uma calça de pijama de seda preta, esperando.
Quando Kai entrou no quarto, usando apenas uma toalha em volta da cintura, ele parou, absorvendo a cena. Eiden segurava uma gravata de seda preta em uma das mãos e uma tira de cetim escuro na outra.
— Deite-se — comandou Eiden, apontando para a cabeceira de madeira escura da cama.
Kai obedeceu em silêncio, o coração batendo mais forte contra as costelas. Ele se deitou de costas, observando Eiden se aproximar com a elegância de um predador. O francês subiu na cama, posicionando-se sobre os quadris de Kai.
— Braços para cima — disse Eiden.
Com movimentos ágeis e precisos, Eiden usou a gravata para prender os pulsos de Kai na estrutura da cabeceira. Ele não apertou a ponto de machucar, mas o nó era firme o suficiente para que Kai sentisse que sua força física, geralmente tão superior, agora era inútil. Em seguida, Eiden deslizou a tira de cetim sobre os olhos de Kai, mergulhando-o na escuridão total.
— Eiden... — a voz de Kai saiu como um suspiro de antecipação.
— Shhh — sussurrou Eiden, inclinando-se para morder levemente o lóbulo da orelha de Kai. — Eu disse sem perguntas. Apenas sinta.
Privado da visão, os outros sentidos de Kai se aguçaram instantaneamente. Ele sentiu o peso do corpo de Eiden saindo de cima dele, e logo em seguida, o colchão afundando entre suas pernas. O toque das mãos frias de Eiden em suas coxas o fez estremecer.
Eiden des amarrou a toalha de Kai com uma lentidão torturante. Ele admirou por alguns segundos a perfeição do corpo do namorado sob a luz das velas — a pele quente, o abdômen rígido, a evidência clara do desejo de Kai por ele. O francês adorava essa inversão. No dia a dia, Kai era o protetor, o homem calmo que cuidava de todos. Mas ali, Eiden era o mestre de cerimônias.
Eiden inclinou-se para frente, deixando seus lábios roçarem a ponta do membro de Kai, ouvindo o suspiro entrecortado que escapou da boca do britânico.
— Você é tão lindo, Kai — murmurou Eiden contra a pele dele. — E é todo meu.
Eiden começou a usá-lo com uma devoção que beirava o religioso. Ele começou devagar, usando a língua para traçar caminhos úmidos, antes de envolver Kai completamente. Ele sabia exatamente o que Kai gostava; conhecia cada reação, cada som que o namorado fazia quando atingia o ápice do prazer.
Kai, de olhos vendados e braços presos, sentia-se em um redemoinho. A sensação da boca quente e habilidosa de Eiden era avassaladora. Ele tentou puxar as mãos, um reflexo instintivo de querer tocar o cabelo ondulado de Eiden, mas a gravata o lembrou de sua submissão. Ele soltou um rosnado baixo, a cabeça jogada para trás contra a madeira.
— Eiden, por favor... eu não vou aguentar muito tempo — ofegou Kai, o corpo tenso como uma corda de piano.
Eiden parou abruptamente, deixando Kai em um estado de suspensão agonizante. Ele subiu novamente pelo corpo do namorado, espalhando beijos pelo abdômen e pelo peito, até chegar ao rosto de Kai. Ele desamarrou a venda por um momento, apenas para que Kai pudesse ver o brilho possessivo em seus olhos verdes.
— Eu ainda não acabei com você — disse Eiden, um sorriso travesso dançando em seus lábios.
Eiden pegou o lubrificante na mesa de cabeceira e preparou-se com paciência, seus olhos nunca deixando os de Kai. Ele gostava de ver a vulnerabilidade e o desejo absoluto refletidos nas pupilas dilatadas do namorado. Quando se sentiu pronto, Eiden posicionou-se e, lentamente, começou a descer sobre Kai.
O encaixe foi perfeito. Eiden soltou um suspiro longo, fechando os olhos enquanto sentia a plenitude de ter Kai dentro de si. Ele começou a se mover, cavalgando com um ritmo que alternava entre a lentidão provocante e a urgência desesperada.
Kai, ainda preso, assistia à cena com uma intensidade febril. A visão de Eiden sobre ele, com os cabelos pretos caindo sobre o rosto, a pele brilhando de suor e a expressão de puro prazer, era a coisa mais linda que ele já tinha visto. Ele tentava impulsionar o quadril para cima para encontrar os movimentos de Eiden, mas a restrição de seus braços tornava tudo mais intenso, focando toda a sua energia no ponto onde seus corpos se uniam.
— Você está indo tão bem, mon petit — murmurou Kai, a voz falhando. — Você é incrível.
Eiden inclinou-se para frente, apoiando as mãos no peito de Kai para ganhar mais alavancagem. O prazer estava se tornando insuportável, uma onda que ameaçava arrastá-los a qualquer momento.
— Eu amo... o jeito que você... me olha — arquejou Eiden, acelerando o ritmo. — Eu amo que você me deixa fazer isso.
— Eu deixaria você fazer qualquer coisa — respondeu Kai, a tensão em seus músculos chegando ao ponto de ruptura.
Os movimentos de Eiden tornaram-se frenéticos. Ele buscava o prazer de Kai tanto quanto o seu próprio, movendo-se com uma maestria que só anos de intimidade poderiam proporcionar. O som da respiração pesada de ambos e o ritmo constante da carne contra a carne preenchiam o quarto.
— Kai! — gritou Eiden, seu corpo inteiro tremendo quando a primeira onda do orgasmo o atingiu.
Ele desabou sobre o peito de Kai, ainda se movendo espasmodicamente, enquanto Kai, com um último esforço, seguiu-o para o abismo, seu próprio prazer explodindo com uma força que o deixou sem fôlego.
Por vários minutos, o único som no quarto era o bater sincronizado de dois corações e as respirações que voltavam ao normal. Eiden permanecia deitado sobre Kai, a cabeça descansando no ombro do namorado, sentindo o calor reconfortante da pele dele.
Com dedos agora suaves, Eiden desamarrou os nós da gravata, libertando os pulsos de Kai. O britânico imediatamente trouxe os braços para baixo, envolvendo Eiden em um abraço apertado, quase protetor.
— Você está tentando me matar, Eiden? — perguntou Kai, a voz voltando ao tom calmo e gentil, mas ainda carregada de afeto.
Eiden deu uma risadinha abafada contra o peito dele.
— Eu disse que ia fazer você relaxar. Funcionou?
— Eu me sinto como se tivesse sido atropelado por uma manada de elefantes, e foi a melhor sensação da minha vida — brincou Kai, acariciando as costas de Eiden. — Obrigado, mon petit. Eu precisava disso.
Eiden levantou a cabeça, olhando para Kai com uma expressão fofa que contrastava totalmente com o homem dominante de poucos minutos atrás.
— Você sabe que eu mando em você, né? — perguntou Eiden, fazendo beicinho.
Kai sorriu, puxando Eiden para um beijo terno e profundo.
— Sim, você manda. Em todos os sentidos que importam.
Eles ficaram ali, aninhados sob os lençóis, enquanto as velas terminavam de queimar. Charlie, percebendo que o "tempo privado" havia acabado, entrou no quarto silenciosamente e deitou-se no tapete aos pés da cama. Dorian Gray, fiel ao seu estilo, saltou para a cabeceira e começou a lamber a própria pata, ignorando a gravata de seda que ainda pendia ali.
— Sabe o que falta agora? — perguntou Kai, fechando os olhos, quase pegando no sono.
— O quê?
— Nada. Absolutamente nada. Eu tenho tudo o que preciso bem aqui.
Eiden sorriu, sentindo uma paz profunda. A segunda-feira tinha sido longa, o trabalho era estressante e a vida em Londres era agitada, mas dentro daquele quarto, entre o veterinário gentil e o programador ciumento, o mundo era exatamente como deveria ser.
— Durma, Kai — sussurrou Eiden. — Amanhã a gente tira pedra, papel ou tesoura para ver quem faz o café.
Kai soltou uma risada sonolenta.
— Eu vou jogar papel.
— Então eu vou jogar tesoura. Boa noite, querido.
— Boa noite, mon petit.
E no silêncio da noite londrina, o amor deles continuava sua dança silenciosa, um equilíbrio perfeito entre o controle e a entrega, entre o francês e o britânico, unidos por laços muito mais fortes do que qualquer gravata de seda.