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O Piquenique de Detox e a Vingança das Fibras
A manhã de domingo no litoral começou com um silêncio sepulcral, interrompido apenas pelo som das ondas e pelo clique suave da cafeteira. Após o "apocalipse de queijo" da noite anterior, o apartamento parecia ter passado por um processo de purificação. Vitória tinha espalhado difusores de ambiente por todos os cantos, e o cheiro de lavanda francesa agora lutava bravamente contra os resquícios da pizza.
Vivi acordou sentindo-se estranhamente leve, mas sua barriga ainda emitia sons que lembravam um aquário borbulhando.
(09:00) — Ao se espreguiçar, um som longo e agudo cortou o ar do quarto. — *Pruuuuuuuuuuut!*
— Bom dia para você também, estômago — murmurou Vivi, rindo sozinha enquanto tateava em busca do celular.
Ela foi para a cozinha, onde Vitória já estava devidamente trajada com um conjunto de ioga branco, cortando frutas com uma precisão cirúrgica.
— Bom dia, Vivi. Dormiu bem ou ainda estava flutuando com os gases? — perguntou Vitória, sem desviar os olhos do mamão.
— Dormi como um anjo, Vi. Mas acho que meu sistema digestivo ainda está tentando processar a terceira fatia de quatro queijos — respondeu Vivi, sentando-se à mesa.
(09:12) — Assim que relaxou o corpo na cadeira de madeira, um estalo seco ecoou. — *Pof!*
— Vivi, por favor! — Vitória suspirou, embora um sorriso estivesse começando a surgir no canto de sua boca. — Hoje o dia é de detox. Nada de lactose, nada de gordura. Fiz um suco verde com muita fibra. A gente vai para a praia fazer um piquenique saudável.
Sofia apareceu na cozinha, ainda de pijama de nuvens, com o cabelo todo bagunçado.
— Eu ouvi a palavra "fibra"? — Sofia bocejou e se sentou ao lado de Vivi. — Porque se a gente comer muita fibra depois do que aconteceu ontem, esse apartamento vai decolar como um foguete da NASA.
(09:20) — Sofia nem bem terminou a frase e soltou um pum curto e ruidoso. — *Pu-tut!* — Ops... o café preto já está fazendo efeito.
— É uma reação em cadeia! — Vivi comemorou, batendo palmas. — A gente é tipo um conjunto musical de sopro.
— Chega! — Vitória decretou, entregando um copo de suco verde para cada uma. — Bebam isso. Vai limpar tudo. Vamos para a praia agora, antes que o calor aumente.
As três se arrumaram, pegaram suas cangas e uma cesta cheia de maçãs, barras de cereal de aveia e o famigerado suco detox. O dia estava glorioso, mas o trajeto no elevador foi tenso. Vivi tentava a todo custo manter a compostura, pois o vizinho bonitão do 402 entrou no meio do caminho.
(10:05) — Vivi sentiu uma pressão absurda. Ela apertou as bochechas do bumbum com tanta força que seu rosto ficou vermelho. O elevador parou no térreo e, assim que as portas se abriram e o vizinho saiu, ela não aguentou mais. — *BRAMMMMMMM-PRUUUUUT!*
— VIVI! — Sofia e Vitória gritaram em uníssono, saindo correndo para o saguão.
— Ele ainda estava no raio de alcance! — Vitória estava horrorizada, mas rindo. — Ele com certeza ouviu o estrondo!
— Foi o elevador que... que deu um tranco! — Vivi tentou mentir, mas a risada a traiu, resultando em mais dois "puns" curtos no ritmo dos seus passos. — *Put! Put!*
Elas chegaram à areia e estenderam as cangas em um local mais afastado da multidão. O sol estava perfeito. Sofia e Vivi decidiram entrar no mar para dar um mergulho, enquanto Vitória ficou lendo um livro de moda, tentando manter sua aura de sofisticação.
Dentro da água, a liberdade era total.
(11:30) — Vivi sentiu uma bolha subindo pela lateral do biquíni enquanto boiava. — *Blub, blub, blub...* — O som abafado pela água fez Sofia rir tanto que ela quase engoliu água salgada.
— Vivi, você está fazendo hidromassagem na praia? — Sofia perguntou, dando risada.
— É o mar, Sofi! As ondas estão revoltas hoje! — Vivi brincou, soltando outra rajada subaquática que criou pequenas bolhas na superfície. — *Blub-pruuut!*
(11:45) — Sofia, inspirada pela amiga, também relaxou. — *Pruuuuuuuuu!* — A bolha foi tão grande que subiu até a superfície e estourou com um som nítido.
— Essa foi potente! — Vivi comentou, impressionada. — O peixe que passar por aqui agora vai sair flutuando de barriga para cima.
Elas voltaram para a areia, secas e famintas. Foi quando o erro estratégico aconteceu: elas atacaram a cesta de piquenique. A aveia das barras de cereal e o suco verde de Vitória começaram a interagir com os resquícios da pizza de ontem. O resultado foi uma reação química instantânea.
(13:10) — Vitória, que estava sentada elegantemente com as pernas cruzadas, sentiu a primeira pontada. — Gente... eu acho que o suco detox foi forte demais.
— A "leidon" vai liberar o gás? — Vivi provocou, mastigando uma maçã.
Vitória não respondeu. Ela apenas inclinou levemente o quadril para o lado.
(13:12) — Um som fino, como um apito de chaleira, escapou por baixo da canga. — *Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...*
— Nossa, Vitória! Esse foi afinado! — Sofia gargalhou. — É o soprano da nossa ópera.
— Calem a boca! — Vitória estava morta de vergonha, mas a pressão não parava. — É a fibra! Meu Deus, eu sinto como se tivesse um motor de trator dentro de mim.
(13:30) — Vivi, sentada de pernas abertas na canga, soltou um que sacudiu a areia debaixo dela. — *VRAAAAAAP!*
— MEU DEUS! — Sofia gritou, apontando. — Vivi, você levantou poeira! Literalmente!
— Eu sou uma força da natureza, meninas! — Vivi gritava entre risos, a barriga doendo de tanto rir. — Eu avisei que o dia ia ser agitado!
(13:45) — Sofia tentou se levantar para ir buscar um picolé, mas a cada esforço físico, seu corpo respondia. — *Pof!* (passo) — *Pruut!* (passo) — *Bram!* (quase caiu na areia).
— Parece que a gente está andando em cima de plástico bolha! — Vitória comentou, não conseguindo mais segurar a própria risada.
O clima no piquenique estava cada vez mais pesado, no sentido literal. As pessoas em volta começaram a olhar desconfiadas, achando que o cheiro de maresia estava estranhamente misturado com algo mais... orgânico.
— A gente precisa sair daqui — sussurrou Vitória, tentando manter a dignidade enquanto soltava um pequeno *pft* (14:05). — Estamos criando uma zona de exclusão aérea.
— Espera, eu preciso terminar minha barra de aveia — disse Vivi, maliciosamente.
(14:20) — Assim que terminou de comer, Vivi sentiu o golpe final. Ela se deitou de bruços na canga e soltou um peido tão longo e grave que parecia o ronco de uma Harley-Davidson. — *BRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRUM-PUT!*
— VIVI! — Sofia e Vitória rolaram na areia de tanto rir. — As pessoas estão olhando! Elas acham que é um terremoto!
— Eu não aguento mais! — Vivi chorava de rir. — Minha barriga está vazia agora, eu juro! Eu sinto que sou apenas pele e osso, o resto saiu tudo nesse aí!
As três começaram a juntar as coisas, mas o festival de gases não dava trégua. Era como se a fibra tivesse destrancado um portal que a pizza de quatro queijos tinha construído.
(15:00) — No caminho de volta para o carro, Sofia soltou um que soou como um rasgo de papelão. — *TRRRRRRRAP!*
— Isso foi a sua bermuda ou foi você? — perguntou Vitória, preocupada.
— Fui eu! Mas a bermuda sobreviveu por um milagre! — Sofia respondeu, apertando o passo.
(15:15) — Vitória, já no estacionamento, ao abrir o porta-malas, relaxou totalmente a guarda. — *Pruuuuuuuuuuuuuuuuut-ta!*
— A "leidon" atacou novamente! — Vivi comemorou, entrando no carro.
Dentro do veículo, o perigo era iminente. O ar-condicionado demorava a gelar e o espaço era confinado.
— Ninguém peida aqui dentro! — Vitória ordenou, assumindo o volante. — É uma ordem! Se alguém soltar um gás nesse carro, eu abro a porta com ele em movimento!
— Eu prometo tentar — disse Vivi, com uma expressão de dor.
(15:30) — Três minutos depois, o silêncio do carro foi quebrado por um ruído abafado vindo do banco do passageiro onde Vivi estava. — *Pfffffffffffft...*
— VIVI! O QUE EU DISSE? — Vitória gritou.
— Foi silencioso! Não conta! — Vivi se defendeu.
— Silencioso, mas mortal! — Sofia reclamou lá de trás, abrindo a janela desesperadamente. — Meu Deus, Vivi! O que tem dentro de você? Isso cheira a... a... repolho com ovo!
— É a mistura da fibra com o queijo! — Vivi gargalhava. — É a alquimia da digestão!
(15:45) — Sofia, sentindo-se desafiada, soltou um estrondoso pum no banco de trás, que fez o estofado vibrar. — *BROMMMM!*
— SOFIA! — Vitória estava à beira de um ataque de nervos. — Eu vou bater esse carro!
— Foi a vibração do motor que me estimulou! — Sofia justificou, morrendo de rir.
Finalmente, elas chegaram ao prédio. O elevador estava vazio, para a sorte de todos os vizinhos. Ao entrarem no apartamento, as três se jogaram no sofá, exaustas.
— Chega de detox. Chega de pizza. Amanhã a gente só come alface e água — declarou Vitória, jogando a cabeça para trás.
(16:30) — Vivi, sentada no chão, soltou um último e sonoro suspiro gástrico. — *Pruuuuuuut!* — Acho que agora, finalmente, a quatro queijos se despediu de vez.
— Você disse isso às dez da manhã, Vivi — lembrou Sofia, jogando uma almofada nela.
— Mas agora é sério. Eu me sinto... oca.
(16:45) — Sofia, deitada no sofá, soltou um curto. — *Pof!* — Eu também. Acho que a sinfonia acabou.
Vitória olhou para as duas e, pela primeira vez no dia, relaxou completamente, sem se importar com a etiqueta ou com o cetim de suas roupas.
(17:00) — Ela soltou um peido longo e ruidoso, que ecoou pela sala agora mobiliada. — *Pruuuuuuuuuuuuuuuuuuut!*
Sofia e Vivi olharam para ela em choque por um segundo e depois explodiram em gargalhadas.
— A VITÓRIA GANHOU O DIA! — Vivi gritava. — ESSE FOI O MELHOR DE TODOS!
— Se vocês contarem para o Lucca ou para o Pedro, eu mato vocês — disse Vitória, limpando as lágrimas de tanto rir.
— O segredo está guardado com a gente — prometeu Sofia. — E com as paredes deste apartamento, que já viram mais gases nessas 24 horas do que em toda a história da construção civil.
A noite caiu sobre o litoral. As meninas, finalmente em paz com seus estômagos, decidiram assistir a um filme de comédia. O apartamento estava calmo, o cheiro de lavanda finalmente vencia a batalha e a amizade delas estava mais forte do que nunca. Afinal, nada une mais três mulheres do que sobreviver a uma ressaca de quatro queijos e a um piquenique de fibras com muita risada e, claro, muitos "trovões".
(20:00) — Vivi, quase dormindo, soltou um último e minúsculo ruído. — *pt.*
— Boa noite, peidonas — sussurrou Vitória.
— Boa noite, leidon — responderam as outras, fechando os olhos para um sono profundo e, esperamos, sem ruídos.