Pesadelos de Guy
O Alvorada de Gelo e o Segredo sob a Seda
A névoa quente subia das águas termais privadas de Guy, criando uma atmosfera etérea que contrastava com a crueza da noite que haviam compartilhado. Rimuru sentia cada músculo de seu corpo protestar enquanto Guy a mergulhava na água infundida com sais raros e essências relaxantes. Ele não a soltou; manteve-a entre suas pernas, usando uma esponja de seda para limpar, com uma lentidão quase reverente, os vestígios de sua própria luxúria que decoravam a pele dela.
— Você está muito silenciosa, pequena slime — comentou Guy, sua voz ecoando suavemente nas paredes de mármore. — Arrependida de ter me deixado ir tão longe?
Rimuru inclinou a cabeça para trás, apoiando-a no ombro sólido de Guy, e soltou um suspiro que era metade cansaço e metade satisfação.
— Arrependimento não é a palavra, Guy. Mas minhas pernas ainda parecem feitas de água — ela riu baixo, sentindo o latejar nostálgico em seus seios e coxas. — E temos uma reunião do Octagrama em menos de uma hora. Como você espera que eu mantenha a compostura quando sinto o seu cheiro em cada poro e cada marca dói quando eu me movo?
— Essa é a melhor parte — Guy deslizou a esponja pela curva do quadril dela, parando exatamente sobre a marca de seus dedos. — Saber que, enquanto você discute a política do mundo, você estará secretamente vibrando com a lembrança do que eu fiz com você. É o meu tipo favorito de caos.
Após o banho, a tarefa de vestir Rimuru tornou-se um ritual à parte. Guy, que normalmente deixava tais tarefas para os servos, insistiu em ajudá-la. Ele sabia que Veldora não estaria presente desta vez — Rimuru fora firme ao enviar o irmão de volta para Tempest sob o pretexto de "assuntos urgentes de estado", para poupar a sanidade do dragão e a integridade do salão de reuniões. Sem a vigilância fraternal, Guy sentia-se ainda mais audacioso.
O vestido escolhido era uma obra-prima de design etéreo, algo que parecia ter sido tecido por elfos sob a luz da lua. O azul-céu suave desbotava para um creme delicado nas bordas, e o tecido era tão leve que parecia flutuar ao redor de Rimuru.
— Este vestido... — Rimuru murmurou, observando-se no espelho enquanto Guy ajustava as alças finas sobre seus ombros marcados. — Ele parece tão inocente por fora.
— Esse é o objetivo — Guy sorriu, seus dedos roçando propositalmente a pele sensível da nuca dela enquanto prendia o fecho. — Por fora, você será a visão de uma princesa elfa, pura e divina. Mas nós dois saberemos o que está escondido sob esse decote em V profundo.
Guy ajudou-a a passar os braços pelas mangas longas e soltas, feitas de um tule transparente que agia como uma capa fluida. Rimuru estremeceu quando o tecido roçou seus mamilos sensíveis, que ainda estavam escurecidos e inchados pelas mordidas de Guy. Cada movimento era um lembrete elétrico.
— Os recortes laterais... — Rimuru notou, passando a mão pela própria cintura — ...eles mostram exatamente onde você me segurou com mais força.
— Exatamente — Guy concordou, admirando como a silhueta dela ficava fina e marcada. — E as correntes finas nas costas... elas combinam com o brilho nos seus olhos quando você implora por mais.
Ele se ajoelhou à frente dela para calçar os sapatos de bico fino. Eram joias para os pés, com correntes e pingentes que subiam pelo tornozelo de Rimuru, integrando-se ao visual como se ela estivesse envolta em gelo encantado. Guy demorou-se ali, beijando a parte interna do tornozelo dela, onde uma pequena marca de sucção ainda era visível.
— Guy, pare — ela pediu, embora sua voz estivesse falhando. — Se você continuar, não chegaremos à reunião nunca.
— Paciência, minha rainha — ele se levantou e começou a colocar os acessórios finais. A tiara prateada com correntes que caíam sobre os cabelos azuis-prateados, o colar com o pingente central em formato de floco de neve e os brincos longos.
Quando Rimuru terminou de se vestir, ela parecia uma deusa do inverno. O bordado dourado e as pedrinhas prateadas capturavam a luz, e a grande pedra azul no centro do busto brilhava como o coração de uma geleira. No entanto, quando ela tentou dar o primeiro passo em direção à porta, seus joelhos cederam.
Guy a segurou pela cintura antes que ela caísse, puxando-a contra seu peito.
— Parece que eu realmente te quebrei ontem à noite — ele sussurrou com um orgulho indisfarçável.
— Você é um exagerado — Rimuru retrucou, embora estivesse se apoiando pesadamente nele. — Mas sim... eu ainda estou tremendo. Você vai ter que me ajudar a andar, Guy. E não ouse se aproveitar disso para me tocar de forma imprópria na frente dos outros Lordes Demônios.
— Eu? — Guy fingiu uma ofensa mortal, embora sua mão já estivesse descendo para a fenda alta da saia, roçando a pele da coxa dela. — Eu sou um cavalheiro, Rimuru. Vou apenas garantir que minha esposa não caia.
Eles caminharam em direção ao salão do Octagrama. Guy mantinha um braço firme ao redor da cintura de Rimuru, oferecendo-lhe o suporte necessário enquanto ela tentava coordenar seus passos hesitantes. A cada passo, o atrito do tecido fino contra sua pele marcada fazia Rimuru morder o lábio para não soltar um suspiro.
Ao entrarem no salão, o silêncio caiu sobre os membros presentes. Sem a presença barulhenta de Veldora, o foco estava inteiramente no casal que se aproximava. Luminous Valentine foi a primeira a notar os detalhes, seus olhos de vampira estreitando-se com um misto de diversão e reconhecimento.
— Ora, ora — Luminous disse, cruzando as pernas elegantemente. — Rimuru-sama, você parece... radiante. Embora eu note uma certa dificuldade em seu caminhar. O ar do continente gelado não está lhe fazendo bem?
— Pelo contrário, Luminous — Rimuru respondeu, sua voz recuperando o tom sarcástico e calmo, apesar da mão de Guy estar apertando sua cintura de forma possessiva. — O ar é revigorante. Eu apenas... exagerei nos exercícios noturnos.
Milim Nava inclinou a cabeça, observando as correntes que decoravam o vestido de Rimuru.
— Rimuru! Você está linda! Parece um floco de neve gigante! Mas por que o Guy está te segurando como se você fosse fugir?
— Porque se eu a soltar, ela pode simplesmente derreter — Guy respondeu, conduzindo Rimuru até sua cadeira.
Ele a ajudou a se sentar com uma delicadeza exagerada, mas, enquanto o fazia, inclinou-se sobre ela, fingindo ajustar o colar. Sua respiração quente atingiu a orelha de Rimuru.
— Seus seios estão pressionando contra esse bordado dourado — ele sussurrou, baixo o suficiente para que apenas ela ouvisse. — Eu posso ver o formato dos seus mamilos através do tule. Você está me deixando louco novamente, e a reunião nem começou.
— Guy Crimson, sente-se agora — Rimuru ordenou, sentindo o rosto esquentar, mas mantendo um sorriso triunfante nos lábios.
Guy finalmente ocupou seu lugar ao lado dela, mas não antes de deslizar a mão pela fenda do vestido dela uma última vez, deixando um rastro de calor que fez Rimuru estremecer visivelmente.
— Bem — começou Leon Cromwell, tentando manter o foco na pauta do dia —, agora que o casal real terminou suas... demonstrações de afeto, podemos prosseguir com o tratado de segurança das rotas comerciais?
— Certamente — Rimuru disse, cruzando as pernas com elegância. A fenda do vestido abriu-se, revelando as joias que decoravam seu pé e a pele marcada de sua panturrilha. — Eu estou toda ouvidos.
Durante a reunião, o jogo de provocações continuou de forma subterrânea. Guy, sob a mesa, mantinha a mão na coxa de Rimuru, seus dedos traçando padrões circulares sobre as marcas que ele mesmo havia deixado. Rimuru, por sua vez, usava seu intelecto afiado para dominar a discussão política, mas ocasionalmente deixava escapar um suspiro mais profundo quando os dedos de Guy subiam um pouco demais.
— A estabilidade de Tempest é primordial — Rimuru dizia, sua voz firme enquanto sentia a mão de Guy roçar a borda de sua intimidade por baixo da seda. — Não aceitaremos incursões em nosso território sem retaliação imediata.
— Concordo plenamente — Guy interveio, sua voz carregada de um duplo sentido que apenas Rimuru entendia. — A proteção de um território precioso deve ser absoluta. E eu garanto que nada entra ou sai de onde eu decidi colocar minha marca.
Luminous soltou uma risada abafada atrás de sua taça de vinho, enquanto Milim parecia mais interessada em comer as frutas da mesa. Ramiris, sentada no ombro de Milim, observava a cena com curiosidade.
— Rimuru, por que você está apertando tanto o braço da cadeira? — perguntou Ramiris. — Você parece estar com calor. Quer que eu use uma magia de vento?
— Não é necessário, Ramiris — Rimuru respondeu rapidamente, lançando um olhar mortal para Guy, que apenas sorriu com uma arrogância divina. — Eu estou apenas... concentrada.
A reunião prosseguiu por horas. Rimuru manteve sua máscara de líder impecável, mesmo quando Guy tornou-se mais audacioso, deslizando um dedo por baixo da alça fina de seu vestido ou descrevendo "sem querer" como certas táticas de guerra exigiam uma "penetração profunda e persistente para garantir a rendição".
Ao final da sessão, quando os outros Lordes Demônios começaram a se retirar, Rimuru permaneceu sentada, sentindo-se exausta e completamente tomada pelo desejo que Guy continuava a alimentar.
— Onde está o seu irmão protetor agora, Rimuru? — Guy perguntou, levantando-se e caminhando até ela. Ele a puxou pela mão, fazendo-a ficar de pé, embora suas pernas ainda estivessem instáveis.
— Em Tempest, provavelmente destruindo algum campo de treinamento para aliviar o estresse — ela respondeu, envolvendo o pescoço de Guy com os braços. — Você é impossível, Guy. Você quase me fez perder a linha na frente do Leon.
— E seria uma visão gloriosa — Guy a pegou no colo, a cauda do vestido azul fluindo como uma cascata de gelo sobre seus braços. — Mas agora que a política acabou, temos assuntos pendentes. Você mencionou algo sobre uma roupa que eu só veria em particular...
Rimuru riu, escondendo o rosto no peito dele, sentindo o cheiro de poder e possessão que emanava do marido.
— Você não se cansa nunca, não é?
— Com você? Jamais — Guy Crimson começou a caminhar em direção aos seus aposentos privados, ignorando os olhares curiosos dos servos que ainda limpavam o salão. — Hoje, Rimuru, eu vou te mostrar que, não importa o quão divina você pareça nesse vestido, você sempre será a slime que pertence ao meu caos.
E enquanto as portas do quarto se fechavam novamente, isolando o casal do resto do mundo, Rimuru soube que a Tempestade e o Orgulho haviam finalmente encontrado seu equilíbrio perfeito: um ciclo eterno de poder, provocação e um desejo que nem mesmo o tempo poderia esfriar. A reunião do Octagrama fora um sucesso, mas a verdadeira vitória, para Rimuru, era saber que ela era a única capaz de fazer o demônio mais orgulhoso da existência ajoelhar-se aos seus pés, apenas para implorar que ela o deixasse marcá-la mais uma vez.