Por acaso
O Segredo dos Reis e a Liberdade da Rainha
O tempo em Auradon parecia correr de uma forma diferente quando se estava no centro do furacão. Já havia se passado um ano desde que a vida de Hanna mudou completamente. Ben agora carregava a coroa de Rei, e o que antes era um emaranhado de "quases" e beijos escondidos, transformara-se em um compromisso eterno. Eles haviam se casado em uma cerimônia que parou o reino, e para a surpresa de muitos — mas não de Hanna —, a família real a acolheu de braços abertos. A Fera e Bela viam nela a faísca de vida e a inteligência estratégica que Ben precisava ao seu lado.
No entanto, nem tudo era perfeição nos jardins do castelo. A Fada Madrinha, que Hanna sempre soube ser um pouco "obcecada" por Ben, não lidou nada bem com o fato de ter sido deixada de lado. A situação ficou tão insustentável que Ben, com sua nova autoridade, decidiu que era hora de uma mudança no corpo docente e místico de Auradon. Ele a substituiu, mas a nova fada madrinha trouxe consigo um tipo diferente de problema: ela não tinha olhos para o jovem rei, mas sim para o pai dele.
Hanna estava jogada em sua cama, o corpo relaxado sobre os lençóis de seda, enquanto Ben estava ao seu lado. Eles assistiam a um filme qualquer, mas a atenção de Hanna estava longe da tela.
— Ben, você já parou para pensar na reação que a sua mãe vai ter quando descobrir a verdade? — Hanna comentou, soltando uma risadinha maliciosa enquanto brincava com uma mecha de seu cabelo preto.
Ben desviou o olhar da TV, arqueando uma sobrancelha.
— Que verdade, meu amor?
— Ah, por favor! — Hanna sentou-se, cruzando as pernas. — A nova fada madrinha não disfarça nem um pouco que está caidinha pelo seu pai. E o pior: ele parece estar adorando a atenção. Esses dias eu vi os dois entrando em um quarto vazio na ala oeste e trancando a porta. Se eu vi, é só questão de tempo até a Bela notar.
Ben soltou uma risada alta, balançando a cabeça.
— Meu pai? Hanna, ele é devoto à minha mãe. Mas eu confesso que aquela fada tem um jeito... persistente.
— Persistente é apelido — Hanna retrucou, com um brilho travesso nos olhos. — Ela olha para ele como se ele fosse o último pedaço de bolo de chocolate do reino. Se a Arlequina estivesse aqui, ela diria que isso vai acabar em uma explosão digna de fogos de artifício.
Ben levantou-se da cama com um sorriso sugestivo.
— Bom, se o castelo vai explodir com dramas familiares, é melhor garantirmos nossa própria paz.
Ele caminhou até a porta do quarto e girou a chave, o som do clique ecoando no silêncio do aposento. Hanna observou cada movimento dele, sentindo aquele frio na barriga que nunca desaparecia, não importa quantos meses de casados tivessem. Ela se levantou, decidindo que era hora de se livrar das roupas formais do dia.
Sem qualquer hesitação, Hanna começou a se trocar ali mesmo. Ela nunca teve vergonha de Ben; desde o início, a conexão entre eles era crua e honesta. Ela deslizou o vestido pelos ombros, deixando-o cair no chão, e caminhou até o closet dele, pegando uma de suas camisetas cinzas favoritas. Ela a vestiu, sentindo o cheiro de Ben no tecido, e completou o visual com um short jeans curtíssimo que mal aparecia sob a barra da blusa.
Ela voltou para a cama e se deitou, sentindo-se a própria definição de conforto e provocação. Ben a observava com um olhar escuro, uma mistura de adoração e desejo que sempre fazia Hanna se sentir a mulher mais poderosa de Auradon.
— Você sabe o que faz comigo quando usa minhas roupas, não sabe? — Ben murmurou, aproximando-se da cama.
— Eu? Sou apenas uma esposa dedicada querendo se sentir perto do marido — Hanna brincou, mas sua voz saiu mais baixa, carregada de intenção.
Ben não esperou mais. Ele subiu na cama, posicionando-se sobre ela, seus braços sustentando o peso do corpo enquanto ele a encarava.
— Eu amo ver você assim — ele sussurrou contra os lábios dela. — Parece que você finalmente pertence a este lugar, mas sem perder aquela sua essência selvagem.
— Eu nunca vou ser uma rainha comportada, Ben — Hanna respondeu, passando as mãos pelo pescoço dele. — Você sabia disso quando me pediu em casamento.
— E foi exatamente por isso que eu pedi.
Ele a beijou. Foi um beijo profundo, que começou com a doçura de um reencontro e rapidamente evoluiu para algo mais faminto. Hanna retribuiu com a mesma intensidade, puxando-o para mais perto, sentindo o calor do corpo dele contra o seu. Ben desceu os beijos para o pescoço dela, encontrando aquele ponto sensível logo abaixo da orelha que sempre a fazia perder o juízo.
— Ben... — ela suspirou, sentindo a mão dele deslizar por baixo da camiseta larga.
Os dedos dele subiram pela sua pele, mapeando cada curva com uma familiaridade possessiva. Quando ele pressionou o seio dela por cima do sutiã, Hanna soltou um gemido audível que ecoou pelo quarto.
— Ainda bem que mandei reforçar o isolamento acústico deste quarto quando fizemos a reforma — Ben brincou contra a pele dela, sua voz vibrando contra o pescoço de Hanna.
— Pensou em tudo, majestade — ela ofegou, sentindo uma mordida leve no ombro que a fez arquear as costas.
Ben deixou uma marca avermelhada no pescoço dela, um "chupão" que Hanna sabia que teria que esconder com o cabelo ou maquiagem no dia seguinte, mas no momento, ela não poderia se importar menos. Ele voltou a beijá-la, mas desta vez o beijo era mais exigente, as línguas se entrelaçando em uma dança frenética.
Ele começou a descer novamente, criando uma trilha de beijos quentes e úmidos pelo abdômen dela, passando por cima do tecido fino da camiseta até chegar à linha do short. Hanna segurou os cabelos dele, os dedos se enterrando nos fios curtos e bem cortados, enquanto mordia o próprio lábio para conter o som de sua respiração acelerada.
— Você é perfeita — Ben murmurou, subindo novamente para olhá-la.
Em um movimento ágil, ele tirou a camiseta dela, deixando-a apenas de sutiã. Hanna aproveitou a mudança de ritmo e, com um empurrão leve, trocou as posições. Agora ela estava por cima dele, sentada em seu colo, enquanto Ben já se livrava da própria camisa, revelando o peito definido que Hanna tanto amava explorar.
— Minha vez de comandar — Hanna disse com um sorriso travesso, inclinando-se para morder o lábio inferior dele.
— O trono é todo seu, rainha — Ben provocou, as mãos descendo pelas costas dela e parando com firmeza em sua bunda, apertando-a com força.
Hanna sentiu o desejo subir como uma maré alta. Ela começou a distribuir beijos pelo peito dele, descendo até a cicatriz que ele tinha perto da costela, um lembrete de uma das muitas aventuras que viveram juntos. Ben gemia baixo, a cabeça jogada para trás no travesseiro, enquanto as mãos dele continuavam a explorar o corpo dela com uma urgência crescente.
— Às vezes eu esqueço que somos o Rei e a Rainha de Auradon — Hanna comentou entre um beijo e outro. — Aqui dentro, parece que ainda somos apenas aquela filha de vilã e o príncipe que não sabia bater na porta.
— Talvez seja por isso que funcionamos tão bem — Ben respondeu, puxando-a para um beijo que selava aquela promessa. — Porque nunca deixamos de ser quem somos de verdade quando estamos sozinhos.
Hanna sorriu contra os lábios dele. Ela sabia que, lá fora, o mundo de Auradon continuava com suas regras, suas fadas madrinhas intrometidas e os dramas da corte. Mas ali, naquele quarto à prova de som, sob o olhar intenso de Ben, ela não precisava de títulos ou de aprovação. Ela tinha o caos em seu sangue e o amor do rei em seu coração, e para a filha da Arlequina, isso era mais do que um final feliz; era o começo da melhor parte da história.
— Ben? — ela sussurrou, enquanto ele voltava a acariciar seu rosto.
— Sim?
— Se o seu pai e a fada madrinha forem pegos... eu quero estar na primeira fila para ver a reação da sua mãe.
Ben soltou uma risada curta e a puxou para baixo, envolvendo-a em um abraço protetor.
— Você não existe, Hanna.
— Eu existo, sim. E sou toda sua.
E assim, entre risadas baixas e o calor de um amor que desafiou todas as linhagens de heróis e vilões, eles se perderam um no outro, prontos para enfrentar qualquer escândalo que o amanhecer pudesse trazer. Afinal, em Auradon, nada era tão poderoso quanto uma rainha que sabia exatamente como quebrar as regras.