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Ecos de Nicotina e Veludo

O pátio da escola fervilhava com o burburinho matinal, mas para Luka e Ivan, o cenário parecia incompleto. Luka estava encostado em um pilar, os olhos amarelos varrendo a multidão com uma frieza analítica. Ivan, por sua vez, girava uma caneta entre os dedos, o sorriso de sempre um pouco mais tenso.

— Mizi ainda não apareceu — comentou Luka, ajustando os óculos. — Ela não é de se atrasar tanto sem avisar.

— Talvez tenha decidido que a cama é mais interessante que a sua cara, Luka — provocou Ivan, embora seus olhos pretos estivessem inquietos.

Ivan sabia de algo que não havia contado. Ele e Sua moravam na mesma casa — um arranjo conveniente e silencioso onde ambos respeitavam as escuridões um do outro. Ele vira Sua sair cedo, vestida impecavelmente, mas ela não estava em lugar nenhum do pátio. Estranho, ele pensou, mas guardou a observação para si. Se Sua estava tramando algo ou se perdera em sua própria obsessão, não era problema dele, desde que não interferisse em seus planos para com Till.

Falando em Till, ele também não estava lá. Nem Hyuna. O grupo oposto parecia ter evaporado, deixando um vácuo de tensão no ar.

Enquanto isso, longe dos olhares curiosos, o andar em manutenção da escola abrigava um segredo pulsante.

Mizi não havia faltado. Ela apenas chegara antes de todos. Quando viu Sua cruzando o portão, agiu por um impulso que queimava em suas veias desde a noite anterior. Sem palavras, sem explicações, ela puxou a garota de cabelos pretos para o interior do prédio, subindo as escadas até o refúgio de concreto e poeira.

Mizi empurrou Sua contra uma caixa de madeira grande e robusta, forçando-a a se sentar. Sem dar tempo para a menor processar a situação, Mizi se posicionou entre as pernas dela, as mãos agarrando as coxas de Sua com uma possessividade violenta.

— Você não sai da minha cabeça, porra — rosnou Mizi antes de atacar a boca de Sua.

O beijo era carregado de uma fome desesperada. Mizi usava a língua com uma agressividade que beirava o domínio total, explorando cada canto da boca de Sua como se estivesse reivindicando um território que sempre lhe pertencera. Sua soltou um gemido abafado, as mãos subindo para os ombros de Mizi, tentando encontrar equilíbrio em meio ao caos sensorial.

Mizi interrompeu o beijo por um segundo, a respiração quente batendo no rosto de Sua, e desceu para o pescoço. Suas mordidas eram firmes, deixando marcas que seriam impossíveis de esconder.

— Mizi... — sussurrou Sua, a voz falhando enquanto sua cabeça pendia para trás.

Sem responder, Mizi começou a desabotoar a blusa do uniforme de Sua com dedos ágeis e impacientes. A peça caiu pelos ombros, revelando o sutiã rendado. Mizi não hesitou; afastou o tecido e atacou os seios da garota. Ela mordia com força controlada e chupava a pele pálida como se estivesse tentando extrair algo vital dali, como se aquela fosse a única forma de silenciar os fantasmas que gritavam em sua mente.

Sua arqueava o corpo, os dedos enterrados no cabelo rosa de Mizi. O prazer era agudo, misturado a uma adoração que beirava o delírio. Ela estava sendo destruída e reconstruída pelas mãos da pessoa que mais amava e temia.

Mizi levantou a saia de Sua, os olhos dourados brilhando com uma intensidade predatória. Por um momento, Sua pensou: "Ela realmente vai fazer isso? Ela vai transar comigo aqui?".

Mas Mizi tinha outros planos. Ela tirou Sua de cima da caixa e a virou de costas.

— Apoie-se — ordenou Mizi, a voz rouca.

Sua obedeceu, as mãos espalmadas na madeira áspera, o corpo inclinado para frente. Ela sentiu Mizi se posicionar atrás dela, o calor do corpo da rosada envolvendo suas costas. Mizi desceu a calcinha de Sua até os joelhos e, com uma mão, abraçou a garota por trás, subindo para agarrar um de seus seios, apertando e beliscando o mamilo com uma crueza que fez Sua soltar um grito contido.

Com a outra mão, Mizi mergulhou dois dedos na intimidade de Sua, que já estava úmida e pronta.

— Ah! — Sua jogou a cabeça para trás, encontrando o ombro de Mizi. Seus olhos reviraram, a boca aberta em um suspiro silencioso.

Mizi começou um movimento rítmico, aumentando a velocidade e a pressão a cada segundo. Ela não era gentil; era eficaz e dominante. Entre os movimentos dos dedos, ela voltava a beijar e morder o pescoço de Sua, marcando-a novamente.

— Mizi... por favor... Mizi... — Sua gemia o nome dela como uma prece, o corpo tremendo violentamente.

O prazer subia como uma onda avassaladora. Sua sentia que estava prestes a perder o controle total, as pernas vacilando, a mente se desintegrando em cores douradas e rosas.

— Para... — Sua arquejou, segurando a mão de Mizi que estava em seu peito. — Para agora... se não... eu vou...

Mizi parou abruptamente. Ela retirou os dedos e se afastou, respirando pesadamente. Ela não queria lidar com a bagunça de um orgasmo ali, naquele chão sujo; daria trabalho demais para limpar e elas ainda tinham que fingir normalidade em poucos minutos.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som das respirações descompassadas. Mizi ajudou Sua a se vestir, fechando os botões da blusa com uma calma que contrastava com a violência de instantes atrás. Sua estava em transe, os olhos roxos nublados, observando Mizi com uma mistura de choque e gratidão submissa.

Quando terminaram, Mizi se sentou no caixote, pegou seu maço de cigarros e acendeu um. A fumaça azulada começou a subir, criando uma barreira entre elas.

Sua, tomando uma coragem que não sabia que possuía, caminhou até ela e sentou-se ao seu lado. Ela sabia que Mizi detestava perguntas, que o sarcasmo era sua armadura, mas a vulnerabilidade do momento a impulsionou.

— Mizi... — Sua começou, a voz baixa. — Por que você fica assim? Estranha... desse jeito?

Sua esperava um xingamento, uma risada cínica ou que Mizi simplesmente fosse embora. Mas Mizi permaneceu imóvel, olhando para o nada.

— Você quer saber da merda toda, Sua? — Mizi soltou a fumaça lentamente. — Você quer saber por que eu sou um desastre?

E então, as comportas se abriram. Mizi começou a falar. Ela contou sobre o carro, sobre a discussão, sobre o momento exato em que o volante girou e a vida de sua mãe parou. Ela descreveu a culpa que sentia todos os dias, o peso de acreditar que era uma assassina aos sete anos de idade.

Sua ouvia em silêncio absoluto, sentindo o coração se despedaçar. Ela via a tristeza profunda nos olhos dourados, uma dor que nenhuma piada sarcástica ou palavrão poderia esconder. A Mizi que todos conheciam era uma fachada; a Mizi real era aquela criança quebrada no banco de trás de um carro acidentado.

Movida por um instinto de proteção, Sua se levantou e sentou-se no colo de Mizi. Ela passou os braços ao redor do pescoço da rosada, acariciando os fios coloridos com uma ternura infinita.

— Não foi sua culpa, Mizi — sussurrou Sua, encostando a testa na dela. — Você era uma criança. Coisas ruins acontecem sem que a gente possa impedir. Você não é um monstro.

Mizi fechou os olhos, permitindo-se ser acolhida por um momento. O toque de Sua era o único consolo que parecia atravessar a barreira de gelo que ela construíra.

— Você fala demais — resmungou Mizi, mas não a afastou. Ela estendeu o cigarro para Sua. — Quer?

Sua nunca havia fumado. Ela sabia que fazia mal, que o cheiro grudava e que era um hábito autodestrutivo. Mas era Mizi quem oferecia. Ela pegou o cigarro e tragou, tentando parecer experiente.

No segundo seguinte, Sua estava dobrada em dois, tossindo violentamente, o rosto vermelho e os olhos lacrimejando.

— Que porra... isso é horrível! — reclamou ela, devolvendo o cigarro. — Tem gosto de asfalto queimado!

Mizi soltou uma risada nasalada, a primeira manifestação de alegria genuína em dias. Ela tragou uma última vez, apagou o cigarro no chão e abraçou Sua com força, escondendo o rosto no ombro da menor.

Sua ficou estática, o coração disparado. Ela sentia a fragilidade de Mizi naquele abraço, a forma como a garota "perfeita" se agarrava a ela como se fosse sua única âncora.

— Fica quieta um pouco — pediu Mizi, a voz abafada.

— Eu não vou a lugar nenhum — prometeu Sua, retribuindo o abraço.

Elas ficaram ali, no andar em manutenção, enquanto o resto do mundo continuava sua rotina banal lá embaixo. Ivan continuaria vigiando Till, Luka continuaria manipulando Hyuna, e as máscaras voltariam a ser usadas assim que cruzassem a porta. Mas, naquele momento, em meio à poeira e ao cheiro de nicotina, Mizi e Sua encontraram uma verdade distorcida e dolorosa que pertencia apenas a elas.

— A gente precisa descer — disse Mizi, finalmente se afastando, embora suas mãos ainda demorassem um pouco mais na cintura de Sua. — O Luka vai começar a deduzir que eu fui sequestrada por alienígenas.

— E eu vou ser a suspeita número um — brincou Sua, tentando aliviar o clima.

Mizi deu um sorriso de canto, um daqueles que faziam Sua perder o chão.

— Você já é minha cúmplice, Sua. Não esquece disso.

Elas desceram as escadas separadamente, com alguns minutos de intervalo. Quando Sua entrou na sala, Hyuna a interceptou imediatamente, os olhos arregalados.

— Onde você estava? E por que você está com esse cheiro de... Mizi?

Sua apenas deu um sorriso enigmático e sentou-se em seu lugar, abrindo o livro de Geografia. Ela sentia o peso da marca no pescoço e o calor remanescente no corpo.

Lá na frente, Mizi entrou logo em seguida, jogando a mochila na mesa e soltando um palavrão baixo sobre o calor da sala. Ivan a olhou de soslaio, percebendo o leve brilho nos olhos dela que não estava lá antes.

— Divertiu-se no andar de cima? — perguntou Ivan, baixo o suficiente para que apenas ela ouvisse.

— Vai cuidar da sua vida, Ivan — respondeu Mizi, mas sem a agressividade habitual.

O dia continuou, mas o equilíbrio entre os dois grupos havia mudado irrevogavelmente. As sombras haviam se tocado, e agora, o escuro não parecia mais tão solitário.

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