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primeira vez

O Despertar da Próxima Curva

A manhã em Monza nasceu com um céu límpido, mas o calor dentro do motorhome de Lando era de uma natureza completamente diferente. Alicia acordou sentindo o peso reconfortante do braço dele sobre seu peito, um lembrete silencioso de que, depois da noite anterior, não havia mais barreiras entre eles. Cada centímetro de sua pele parecia mais sensível, como se o toque de Lando tivesse despertado nervos que ela nem sabia que possuía.

Lando se mexeu, os cachos castanhos bagunçados contra o travesseiro branco. Ele abriu um dos olhos azuis e, ao ver Alicia observando-o, um sorriso preguiçoso e satisfeito surgiu em seus lábios.

— Bom dia, minha fotógrafa favorita — murmurou ele, a voz ainda rouca de sono. — Você está me olhando com essa cara de quem está processando muita coisa. Está tudo bem aí dentro dessa cabecinha?

Alicia sorriu, aproximando-se para esconder o rosto na curva do pescoço dele.

— Está tudo bem. Só estou... tentando me acostumar com o fato de que você realmente não se cansa de mim.

Lando soltou uma risada baixa, vibrando contra o peito dela. Ele a apertou mais forte, rolando o corpo para que ficasse parcialmente sobre ela, sustentando o peso nos cotovelos.

— Me cansar? Alicia, eu sinto que acabei de descobrir um mundo novo. E eu sou um piloto, lembra? Eu gosto de explorar cada limite, cada detalhe da pista. E você é a pista mais complexa e maravilhosa que já encontrei.

Ele começou a distribuir beijos lentos pelo maxilar dela, descendo até a clavícula. Alicia sentiu o corpo amolecer instantaneamente. A insegurança sobre seus seios, que antes a fazia querer se cobrir, parecia ter diminuído sob o olhar de adoração constante de Lando. Ele os tratava como tesouros, e isso estava, aos poucos, reescrevendo as mentiras que seu ex-namorado havia plantado em sua mente.

— Lando, a gente precisa levantar — disse ela, embora suas mãos estivessem ocupadas acariciando os músculos das costas dele. — Você tem reuniões com os engenheiros, e eu tenho que descarregar as fotos do pódio de ontem. O pessoal da McLaren vai me matar se eu atrasar.

— Deixa eles esperarem — respondeu Lando, subindo a mão pela coxa dela, parando na curva do quadril. — Eu sou o piloto número um, eles me perdoam. E você é a melhor fotógrafa que eles já tiveram. Ninguém captura a minha "essência" como você.

Ele piscou, e Alicia não pôde evitar o riso.

— Sua essência, é? Você é um convencido, Norris.

— Sou um homem apaixonado, o que é muito pior — corrigiu ele, tornando-se subitamente sério. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos. — Alicia, eu sei que às vezes você ainda se sente insegura. Eu vejo nos seus olhos quando você tenta se esconder. Mas eu quero que você saiba que, para mim, não existe nada mais bonito do que você exatamente assim. Sem filtros, sem poses. Só você.

Alicia sentiu os olhos marejarem. O contraste entre a crueldade do passado e a gentileza de Lando era, às vezes, avassalador.

— Obrigada, Lando. De verdade. Eu... eu nunca achei que pudesse me sentir assim. Desejada.

— Pois comece a acreditar, porque eu pretendo passar o resto do dia — e da vida — te provando isso.

Ele a beijou com uma ternura que logo evoluiu para algo mais urgente. A mão de Lando desceu para a bunda dela, apertando a carne macia com aquela possessividade carinhosa que ela aprendera a amar. Ele se lembrava de como ela tinha medo de ser "pequena demais" ali, e fazia questão de mostrar, em cada toque, o quanto aquela parte do corpo dela o levava à loucura.

— Sabe o que eu mais gosto? — sussurrou ele contra os lábios dela. — De como você se molda a mim. Como se tivéssemos sido feitos em um túnel de vento para encaixar perfeitamente.

Alicia riu da analogia técnica, puxando-o para mais perto.

— Você e suas referências de corrida...

— É a minha linguagem, anjo. E agora, minha linguagem diz que eu quero te sentir de novo.

Desta vez, o ato foi lento, uma celebração de descoberta. Lando a guiava com palavras sujas, mas carregadas de um afeto profundo, incentivando-a a tomar o controle, a dizer o que queria. Alicia, sentindo-se cada vez mais audaciosa, explorou o corpo dele com uma curiosidade faminta. Ela amava a definição de seu abdômen, a força de suas pernas e, sim, a bunda firme que ela agora apertava sem qualquer hesitação.

Quando finalmente se separaram, exaustos e felizes, o sol já estava alto no céu de Monza. O barulho dos motores começando a aquecer nos boxes distantes servia como trilha sonora para a realidade que voltava a bater à porta.

— Ok, agora é sério — disse Alicia, sentando-se e tentando ajeitar o cabelo loiro bagunçado. — Banho. Agora. E nada de brincadeiras sob a água, Norris. Nós temos trabalho.

Lando levantou as mãos em sinal de rendição, embora o brilho travesso em seus olhos dissesse o contrário.

— Prometo me comportar. Pelo menos até o jantar.

Depois de um banho rápido (onde Lando, apesar da promessa, não resistiu a dar alguns tapas carinhosos na bunda dela enquanto ela passava o sabonete), eles se vestiram. Alicia colocou seu uniforme da equipe e pegou seu equipamento fotográfico. Antes de saírem do motorhome, Lando a puxou para um último beijo rápido.

— Ei — disse ele, segurando a mão dela. — Você é incrível. Lembre-se disso o dia todo, ok? Se algum daqueles idiotas da internet ou qualquer lembrança ruim tentar te colocar para baixo, pensa no que a gente fez aqui. Pensa no quanto eu te quero.

Alicia assentiu, sentindo-se blindada pelo amor dele.

— Eu vou lembrar. Boa sorte nas reuniões, campeão.

O dia no paddock foi intenso. Monza sempre era um caos de fãs fervorosos, os *tifosi*, e a pressão sobre as equipes era enorme. Alicia passou horas circulando pelos boxes, capturando a tensão nos rostos dos mecânicos e a concentração dos pilotos. Sempre que cruzava com Lando, ele lhe lançava um olhar cúmplice ou uma piscadela rápida que ninguém mais notava, mas que fazia o coração dela disparar.

No final da tarde, enquanto ela revisava algumas fotos na sala de imprensa, seu celular vibrou. Era uma mensagem de Eric, seu irmão.

— "Vi as fotos do Lando no pódio. Estão ótimas, Ali. Mas ele parece... diferente. Mais feliz. O que você está fazendo com o meu amigo?"

Alicia sorriu para a tela, sentindo um calor no peito. Ela começou a digitar uma resposta, mas parou quando viu Lando entrar na sala, ainda vestindo a camisa polo da McLaren, parecendo cansado, mas radiante.

Ele caminhou direto até ela, ignorando os outros fotógrafos e jornalistas que ainda estavam por ali.

— Terminou? — perguntou ele, apoiando as mãos na mesa dela e inclinando-se para frente.

— Quase. Só faltam as do pôr do sol na chicane.

— Ótimo. Porque eu reservei um lugar para a gente jantar em uma vila perto do Lago de Como. Só nós dois. Longe de tudo isso.

Alicia olhou para ele, surpresa.

— Lando, isso é um pouco longe, não é? E amanhã temos o voo para a próxima corrida.

— Vale a pena — disse ele, pegando a mão dela e beijando os nós dos dedos. — Eu quero celebrar. Não a corrida, mas a gente. E eu quero um lugar onde eu possa te elogiar em voz alta sem que ninguém nos interrompa.

Alicia sentiu a timidez habitual tentar voltar, mas a confiança que Lando depositara nela era mais forte. Ela fechou o laptop e guardou a câmera na mochila.

— Então vamos. Eu adoraria um jantar romântico.

O trajeto até o Lago de Como foi feito no carro de luxo que a equipe cedera a Lando. Ele dirigia com a mesma precisão da pista, mas com uma mão sempre repousando na coxa de Alicia. O silêncio entre eles era confortável, preenchido apenas pelo som do rádio e pela expectativa do que a noite reservava.

O restaurante era pequeno, escondido entre oliveiras e com uma vista deslumbrante para as águas escuras do lago. Eles jantaram massa fresca e vinho tinto, conversando sobre tudo e sobre nada. Lando contou histórias engraçadas dos seus tempos de kart, e Alicia falou sobre seus sonhos de expor suas fotos em uma galeria em Barcelona.

— Você vai conseguir — disse Lando, segurando a taça de vinho. — Você tem um olhar que ninguém mais tem. Você vê a alma das coisas, Alicia. Foi por isso que eu me apaixonei por você antes mesmo de te tocar.

Alicia sentiu o rosto esquentar, mas desta vez ela sustentou o olhar dele.

— E eu me apaixonei por você porque você viu a minha alma quando eu mesma estava tentando escondê-la.

Depois do jantar, eles caminharam por um pequeno cais de madeira. O ar estava fresco, e o som da água batendo suavemente nos pilares era hipnótico. Lando a abraçou por trás, envolvendo-a em seu casaco.

— Sabe — começou ele, a voz baixa perto do ouvido dela —, eu andei pensando no que você disse sobre o seu ex. Sobre como ele te fazia sentir pequena e inadequada.

Alicia ficou tensa por um momento, mas o aperto de Lando era seguro.

— Eu quero que Mônaco e Monza sejam apenas o começo de uma nova história para você — continuou ele. — Quero que, sempre que você se olhar no espelho, você veja a mulher que eu vejo. A mulher que é apertada porque é preciosa, a mulher que tem curvas que são o meu paraíso pessoal, a mulher que é forte o suficiente para superar o passado.

Ele a virou de frente para ele, a luz da lua refletindo nos olhos azuis que brilhavam com uma sinceridade absoluta.

— Você não é o seu passado, Alicia. Você é o meu presente. E, se você permitir, o meu futuro também.

Alicia não conseguiu responder com palavras. Ela o puxou para um beijo que selava aquela promessa. Ali, sob as estrelas da Itália, ela finalmente entendeu que a intimidade não era apenas sobre o corpo, mas sobre a coragem de ser vista por inteiro.

— Eu te amo, Lando Norris — sussurrou ela contra os lábios dele.

— Eu te amo mais do que o DRS na reta final, Alicia Garcia — brincou ele, fazendo-a rir antes de beijá-la novamente.

Enquanto caminhavam de volta para o carro, Alicia sentiu um peso saindo de seus ombros. A insegurança não desapareceria da noite para o dia, ela sabia disso, mas com Lando ao seu lado, ela tinha um navegador em quem podia confiar. A próxima curva da vida poderia ser perigosa ou desconhecida, mas ela estava pronta para acelerar, sabendo que, no final de cada volta, os braços dele seriam sempre o seu lugar de vitória.

— Ei, Lando? — chamou ela, enquanto ele abria a porta do carro para ela.

— Sim, anjo?

— Aquela ideia de testar se a cama do motorhome é resistente... acho que a gente ainda não terminou os testes de durabilidade.

Lando parou, um sorriso predatório e encantado iluminando seu rosto.

— Fotógrafa, você está aprendendo rápido demais. Vamos logo, antes que eu decida testar a suspensão deste carro aqui mesmo.

Alicia riu, entrando no carro com uma leveza que nunca experimentara. Ela era Alicia Garcia, era fotógrafa, era amada, e pela primeira vez, ela se sentia completa em sua própria pele. O motor roncou, e eles partiram em direção à noite, prontos para escrever o próximo capítulo de uma história onde a única regra era o amor, sem freios e sem medo.

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