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Problema com coco

O Peso do Silêncio e o Toque do Alívio

A madrugada em Los Angeles tinha um silêncio particular, uma quietude que parecia amplificar cada pequeno ruído dentro do quarto. O relógio digital na mesa de cabeceira marcava três e meia da manhã, projetando um brilho azulado suave que delineava os contornos dos móveis. Eu estava mergulhada em um sono profundo e sem sonhos, o tipo de descanso que só vem depois que uma dor física extenuante finalmente vai embora.

No entanto, algo quebrou aquela bolha de paz. Senti o colchão afundar e ranger levemente. Não era um movimento comum de alguém se ajeitando para dormir; era um movimento hesitante, repetitivo e carregado de uma tensão que eu conseguia sentir mesmo através do meu torpor.

Abri os olhos devagar, piscando contra a penumbra. Walker estava sentado na beira da cama, de costas para mim. Suas costas largas estavam curvadas e ele segurava os lençóis com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos. Ele soltou um suspiro trêmulo, um som que beirava o choro, mas que era contido por uma óbvia tentativa de não me acordar.

— Walker? — sussurrei, minha voz saindo rouca pelo sono. — O que houve, amor?

Ele deu um sobressalto, os ombros subindo até as orelhas como se tivesse sido pego em flagrante fazendo algo errado. Ele não se virou de imediato.

— Nada... não é nada. Volta a dormir — ele respondeu, mas sua voz entregava tudo. Estava embargada, tensa e cortada por uma pontada de dor evidente.

Eu me sentei na cama, arrastando-me para mais perto dele. Coloquei a mão em seu ombro, sentindo a pele quente e suada, apesar do ar-condicionado ligado.

— Ei, olha para mim. Você está com dor de novo, não está?

Walker finalmente se virou. Seus olhos azuis, geralmente tão brilhantes e cheios de vida, estavam opacos e marejados. Ele parecia exausto, mas, acima de tudo, parecia profundamente envergonhado. Ele mordeu o lábio inferior, desviando o olhar para o tapete.

— Está doendo muito — ele confessou, a voz quase sumindo. — Eu tentei ignorar, juro que tentei. Eu não queria te acordar depois de tudo o que você passou hoje. Mas parece que tem... parece que tem brasas ali atrás. Eu não consigo nem ficar sentado.

Meu coração se apertou. Walker tinha passado o dia inteiro sendo o meu herói, sendo a força que eu não tinha, e agora ele estava ali, desabando por causa da mesma vulnerabilidade que ele me ajudou a enfrentar.

— Não peça desculpas por sentir dor, Walker. Nunca — eu disse, segurando seu rosto com as duas mãos e forçando-o a encontrar meu olhar. — Lembra do que combinamos no banheiro? Cuidado mútuo.

Ele assentiu levemente, mas a timidez ainda o vencia.

— Eu tentei passar a pomada sozinho agora há pouco — ele disse, soltando uma risada sem graça e amarga. — Mas eu não enxergo nada, e acho que acabei irritando mais a fissura. Eu sou um desastre, não sou?

— Você é humano, Walker — respondi com ternura. — Agora, deite-se. De bruços. Eu vou cuidar disso.

Ele hesitou por um longo segundo. Vi a batalha interna em seu rosto: o desejo de alívio contra o pavor da exposição. Por fim, a dor venceu. Com movimentos lentos e nitidamente dolorosos, ele se arrastou para o centro da cama e se virou, enterrando o rosto no travesseiro.

— Eu me sinto tão ridículo — ele abafou contra a fronha.

— Walker, para com isso. Eu vou acender o abajur, preciso ver o que está acontecendo.

— No escuro não dá? — ele pediu, a voz suplicante.

— Não, amor. Eu preciso garantir que não está sangrando ou piorando. Confia em mim, como eu confiei em você.

Acendi a luz suave da luminária lateral, criando um círculo de claridade amarela sobre nós. Aproximei-me e, com movimentos que buscavam transmitir toda a segurança que ele me deu horas antes, comecei a baixar o moletom cinza que ele usava.

Walker tencionou cada músculo do corpo. Suas nádegas se contraíram e ele agarrou as bordas do travesseiro com as mãos.

— Relaxa, Walker — pedi, passando a mão levemente pela base de sua coluna. — Se você ficar tenso assim, vai doer mais quando eu tocar. Respira fundo.

— É difícil — ele resmungou, a voz abafada. — Eu me sinto... muito exposto. É diferente de quando eu fiz em você. Eu não sabia que era tão... intimidante estar desse lado.

— Eu sei exatamente como é — respondi, terminando de baixar a roupa até os joelhos dele. — Mas eu prometo que só estou vendo o homem que eu amo e que precisa de ajuda. Nada mais.

Afastei as nádegas dele com cuidado. A visão me fez soltar um suspiro de pena. A pequena fissura que eu tinha visto antes parecia mais inflamada, provavelmente pelo esforço que ele fez tentando se tratar sozinho no escuro. A pele ao redor estava muito vermelha e brilhante de irritação.

— Oh, Walker... está bem irritado mesmo — comentei, tentando manter a voz calma para não assustá-lo.

— Está muito feio? — ele perguntou, a voz trêmula de ansiedade.

— Está inflamado, só isso. Vou limpar o excesso de pomada que você passou e colocar uma camada nova, com calma.

Peguei os lenços umedecidos e o tubo de creme na gaveta. Quando o primeiro toque frio do lenço atingiu a área sensível, Walker deu um solavanco, soltando um som que foi metade gemido, metade exclamação.

— Ai! Caramba... — ele arqueou as costas, tentando se afastar.

— Shh, calma. Sou eu. Fica paradinho, amor. As meninas não estão aqui para te segurar, então você precisa me ajudar colaborando, tá?

— Desculpa... é que ardeu demais — ele disse, tentando relaxar os quadris de volta no colchão. — Eu vou tentar ficar parado. Prometo.

— Isso, bom menino — incentivei, usando o mesmo tom encorajador que ele usava comigo.

Limpei a área com toques curtos e leves, removendo a crosta de pomada mal aplicada. Walker permanecia em um estado de alerta constante, os músculos das coxas tremendo ocasionalmente. Era uma intimidade crua, desprovida de qualquer erotismo, focada puramente no alívio da dor. Era o tipo de momento que definia um relacionamento real.

— Vou passar a pomada agora — avisei. — Vai ser um pouco gelado no começo, mas depois vai acalmar.

— Tá bom... só vai logo com isso — ele pediu, a voz carregada de uma vulnerabilidade que partia meu coração.

Coloquei uma quantidade generosa de creme no dedo e comecei a aplicar sobre a fissura. Walker soltou um suspiro longo, o corpo finalmente cedendo ao alívio conforme os componentes analgésicos da pomada começavam a fazer efeito. Ele relaxou o rosto no travesseiro, os ombros caindo.

— Melhor? — perguntei, continuando a massagear suavemente a área para garantir que o remédio penetrasse na pequena ferida.

— Sim... — ele murmurou, a voz agora mais lenta, o sono começando a tentar recuperá-lo. — O ardor está parando. Obrigado.

— Não precisa agradecer. Eu vou ficar aqui segurando um pouco, para garantir que o remédio não saia na roupa de imediato.

Ficamos assim por alguns minutos. O quarto voltou ao silêncio absoluto, exceto pela respiração de Walker, que se tornava mais rítmica. Eu observava a curva de suas costas, a força que emanava dele mesmo em um momento de fraqueza, e sentia um amor que transbordava.

— Você ainda está aí? — ele perguntou baixinho, sem se mexer.

— Estou aqui. Não vou a lugar nenhum.

— Sabe... — ele começou, hesitando — ...eu sempre achei que precisava ser o cara que resolve tudo. O cara que cuida, que protege. Estar assim, precisando que você faça isso por mim... é estranho. Mas, ao mesmo tempo, é a primeira vez que eu sinto que não preciso carregar o mundo sozinho.

Eu sorri, inclinando-me para beijar a pele quente de suas costas.

— Você não precisa carregar nada sozinho, Walker. A gente é uma equipe. Se você precisa que eu cuide do seu bumbum às quatro da manhã, é isso que eu vou fazer. Sem perguntas, sem julgamentos.

Ele soltou uma risada curta, a primeira risada genuína desde que acordamos.

— Você é a melhor namorada do mundo.

— Eu sei — brinquei, ajudando-o a subir as calças agora que o remédio já tinha agido um pouco. — Agora, vira de lado. Vamos tentar dormir o resto da noite.

Walker se virou, puxando-me para seus braços assim que me deitei. Ele me apertou contra o peito, escondendo o rosto no meu cabelo. O cheiro dele, uma mistura de sabonete e do calor da pele, era o meu lugar favorito no mundo.

— Está doendo menos? — perguntei uma última vez.

— Muito menos. Acho que o "toque mágico" funcionou — ele brincou, o humor voltando aos poucos. — Mas, sério, amor... obrigado por não rir de mim. Eu sei que eu estava agindo como um bebê.

— Você não estava agindo como um bebê. Você estava com dor. E dor é uma coisa solitária se você não tiver alguém para dividir.

Ele não respondeu com palavras, apenas me apertou mais forte. Poucos minutos depois, a respiração pesada dele indicou que ele tinha finalmente caído no sono. Eu fiquei ali, acordada por mais algum tempo, sentindo os batimentos do coração dele contra o meu.

A manhã logo chegaria, e com ela as obrigações, as câmeras, o trabalho e a vida pública. Mas ali, naquele quarto, éramos apenas dois jovens aprendendo que o amor não se manifesta apenas em jantares românticos ou declarações públicas. O amor estava na coragem de pedir ajuda, na paciência de cuidar de uma ferida, e na quebra total de qualquer barreira de vergonha em nome do bem-estar do outro.

Fechei os olhos, sentindo o calor do corpo de Walker me envolver. O ritual do cuidado estava completo, e nossa ligação, agora, era algo que nem o tempo e nem a fama poderiam desgastar. Estávamos curados, de todas as formas possíveis.