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Problemas

O Eclipse da Razão no Silêncio do Porão

A atmosfera no porão de Hyuna tornou-se subitamente pesada, mas não pelo frio. O ar parecia ter sido drenado do cômodo, substituído por uma tensão elétrica que fazia os pelos do corpo de Sua se arrepiarem. A mão de Mizi, que antes explorava com uma confiança quase insultante, parou abruptamente. O movimento circular contra o seio de Sua cessou, e a pressão sobre sua coxa desapareceu.

Mizi soltou um suspiro longo, quase um ruído de frustração contida, e se afastou. O calor que emanava de seu corpo foi levado embora, deixando Sua exposta ao ar gélido do porão. Sem dizer uma palavra, Mizi virou-se de costas, puxando o lençol cinza para cobrir os próprios ombros e se isolando em seu lado da cama.

Sua ficou estática. O silêncio que se seguiu foi pior do que qualquer provocação. Seu corpo ainda pulsava, a pele onde Mizi a tocara parecia estar em chamas, e o vazio repentino trouxe uma sensação de abandono que ela não soube processar. Mil pensamentos cruzaram sua mente: "Eu fiz algo errado?", "Ela se cansou de mim?", "Será que ela percebeu que eu sou inexperiente demais?". A vergonha começou a subir por seu pescoço, tingindo sua pele pálida de um vermelho vivo no escuro.

— Mizi? — A voz de Sua saiu pequena, quase um sussurro quebrado.

Não houve resposta imediata. Mizi permanecia imóvel, uma silhueta escura contra a penumbra.

— Por que você... por que parou? — Sua forçou as palavras a saírem, embora cada fibra de seu ser quisesse se encolher e fingir que nada tinha acontecido.

Mizi se mexeu levemente, mas não se virou.

— Você estava tensa, Sua — disse Mizi, a voz agora desprovida daquela malícia sedutora, soando quase cansada. — Eu não sou o Acorn. Não estou aqui para te forçar a nada ou te deixar desconfortável. Achei que você estivesse apenas tolerando por educação, ou por medo. E eu não brinco com quem não quer brincar de verdade.

Sua sentiu o coração apertar. O fato de Mizi ter parado por respeito à sua integridade era algo que ela nunca esperaria, especialmente vindo de alguém que acabara de "devorar" Lexy na festa. A honestidade daquela ação desarmou Sua completamente.

— Eu não estava desconfortável — confessou Sua, as palavras saindo em um fluxo rápido, como se ela tivesse medo de perder a coragem. — Eu só... eu nunca senti nada assim antes. Eu estava com medo, sim, mas não de você. Estava com medo do que eu estava sentindo. Eu queria que você continuasse. Eu quero que você continue.

O silêncio que se seguiu foi breve, mas pareceu uma eternidade. Então, o colchão rangeu.

Mizi virou-se com uma velocidade que fez Sua sobressaltar-se. No escuro, os olhos dourados da irmã de Luka pareciam captar a mínima luz que sobrava, brilhando com uma intensidade renovada. Antes que Sua pudesse reagir, Mizi já estava sobre ela.

O peso de Mizi entre suas pernas foi como um âncora, prendendo Sua ao colchão. Mizi apoiou os braços ao lado da cabeça de Sua, o rosto a milímetros do dela.

— Você tem certeza do que está pedindo, pequena observadora? — rosnou Mizi, a voz agora descendo para uma oitava profunda, carregada de um desejo que não tentava mais esconder. — Porque se eu começar de novo, eu não vou parar até você esquecer o próprio nome.

— Tenho — respondeu Sua, a determinação brilhando em seus olhos roxos.

Mizi não esperou uma segunda confirmação. Ela mergulhou o rosto no pescoço de Sua, e desta vez não houve sutileza. Ela mordeu a pele macia, marcando seu território, e sugou com uma força que arrancou um gemido alto de Sua.

— Eu vou te desmanchar inteira — murmurou Mizi contra a pele dela, a voz saindo perversa, sem qualquer filtro. — Vou fazer você implorar por cada toque, e vou te mostrar exatamente o que eu queria ter feito com você desde o momento em que te vi naquela mesa.

Mizi subiu o rosto e selou os lábios de Sua em um beijo devastador. Não foi um beijo de exploração; foi um beijo de posse. Sua língua invadiu a boca de Sua, encontrando a dela em uma dança frenética e úmida. Mizi a devorava, sugando sua alma através do beijo enquanto suas mãos, agora famintas, trabalhavam com agilidade.

Em um movimento brusco, Mizi puxou a blusa de Sua para cima, arrancando-a e jogando-a em algum lugar do chão. O sutiã seguiu o mesmo destino segundos depois. Quando a pele nua do peito de Sua encontrou o ar frio, Mizi não deu tempo para o calafrio se instalar. Ela desceu a boca para os seios de Sua, abocanhando um dos mamilos e usando a língua para torturá-lo, enquanto sua mão livre descia para o cós da calça de Sua.

— Mizi... — Sua arqueou as costas, as mãos perdidas nos cabelos rosa e azul de Mizi, puxando-a para mais perto.

— Shhh — sibilou Mizi, desabotoando a calça de Sua e empurrando-a para baixo junto com a calcinha, até que as peças ficassem presas nos tornozelos da morena. — Fica quietinha e aproveita o show.

Mizi subiu novamente, prendendo os pulsos de Sua acima da cabeça dela com apenas uma das mãos. A força de Mizi era surpreendente, uma demonstração de domínio que fazia o estômago de Sua dar voltas.

— Posso? — perguntou Mizi, embora seus dedos já estivessem posicionados na entrada úmida de Sua.

Antes que Sua pudesse articular um "sim", Mizi enfiou dois dedos de uma vez.

O grito de Sua foi abafado pelo travesseiro que ela mordeu instintivamente. A sensação de preenchimento era avassaladora, um choque de prazer que fez suas pernas tremerem incontrolavelmente.

— Vai devagar... por favor... — implorou Sua, as lágrimas de prazer começando a embaçar sua visão. — Alguém pode... alguém pode ouvir...

Mizi soltou uma risada sombria, movendo os dedos em um ritmo implacável, explorando cada curva interna de Sua com uma precisão cirúrgica.

— Ninguém vai ouvir, Sua — disse Mizi, inclinando-se para morder o ombro da garota. — O Luka está apagado, a Hyuna não acorda nem se a casa cair, e o Ivan... bom, o Ivan está ocupado demais com o próprio ego. Você é só minha agora. Grita o quanto quiser.

Sua não conseguiu evitar. Os gemidos escapavam de sua garganta em ondas, ritmados pelo movimento dos dedos de Mizi, que pareciam saber exatamente onde pressionar para fazê-la perder a razão. Ela via Mizi acima dela, uma visão que ficaria gravada em sua mente para sempre: a garota estava suando, o cabelo colorido grudado na testa, os olhos dourados fixos nela com uma fome insaciável. Mizi não parecia mais a garota "gente boa" que Luka descrevera; ela era uma força da natureza, uma predadora que acabara de encontrar sua presa favorita.

— Mais... Mizi, por favor, mais — Sua começou a buscar o contato, tentando mover os quadris contra a mão de Mizi, o desejo superando qualquer resquício de timidez.

— Você quer mais? — Mizi provocou, aumentando a velocidade e a profundidade, usando o polegar para estimular o clitóris de Sua com uma pressão que a levava ao limite. — Então me mostra o quanto você quer.

Sua perdeu o controle. O mundo ao redor desapareceu, restando apenas o calor de Mizi, o cheiro de sexo e a pulsação frenética entre suas pernas. Ela sentiu a tensão acumular-se, um ápice que prometia explodir a qualquer momento. Suas unhas cravaram-se no braço de Mizi que prendia seus pulsos, e seu corpo inteiro tencionou.

— Mizi! — O nome saiu como um grito sufocado quando Sua finalmente atingiu o orgasmo.

As ondas de prazer eram tão intensas que Sua sentiu a consciência vacilar. Seu corpo teve espasmos violentos, e ela desabou contra o colchão, a respiração saindo em ganidos curtos e exaustos. Mizi continuou o movimento por mais alguns segundos, saboreando as contrações de Sua, antes de finalmente retirar os dedos.

O silêncio voltou ao porão, mas agora era um silêncio de exaustão. Mizi levou os dedos à boca, limpando-os com uma lentidão provocativa enquanto observava o estado da garota à sua frente.

Sua era uma imagem de destruição total. O cabelo preto estava espalhado pelo travesseiro, os olhos roxos estavam desfocados e úmidos, e sua pele pálida estava coberta de marcas vermelhas e suor. Ela parecia muito mais "deplorável" — no sentido mais excitante da palavra — do que Lexy jamais parecera.

Mizi deitou-se ao lado dela, puxando Sua para o seu peito e passando o braço por cima dela, voltando à posição inicial, mas com uma intimidade que agora era absoluta.

— Eu disse — sussurrou Mizi, beijando o topo da cabeça de Sua. — Você é muito mais interessante do que qualquer outro capítulo desse livro.

Sua não teve forças para responder. Ela apenas se aninhou no calor de Mizi, sentindo-se, pela primeira vez na vida, completamente preenchida. O sol agora iluminava as frestas das janelas altas do porão, mas para as duas, a noite estava apenas começando a fazer sentido. Sua fechou os olhos, sabendo que, na segunda-feira, ela não seria mais a mesma garota fria que se escondia atrás de livros. Ela agora pertencia a algo muito mais real, e o gosto de Mizi ainda estava em seus lábios, prometendo que aquela era apenas a primeira de muitas lições que ela teria o prazer de aprender.