Problemas
Sinfonia de Êxtase e o Despertar da Pantera
O silêncio do porão de Hyuna era agora preenchido apenas pelo som rítmico de duas respirações pesadas. O ar fresco da manhã, que entrava timidamente por uma fresta no alto da parede, contrastava com o calor febril que emanava dos corpos entrelaçados na cama. Sua sentia-se flutuar em uma névoa de exaustão e prazer, seus membros pesando como chumbo, enquanto a adrenalina do primeiro orgasmo ainda formigava em suas extremidades.
Mizi, no entanto, parecia estar operando em uma voltagem diferente. Ela observava Sua com uma intensidade predatória, um sorriso de canto brincando em seus lábios inchados. A mão de Mizi voltou a percorrer a lateral do corpo de Sua, um carinho que começou suave, mas que logo ganhou uma intenção mais profunda.
— Você está tão relaxada, pequena observadora — sussurrou Mizi, a voz soando como um veludo perigoso contra o ouvido de Sua. — Gostou do que eu fiz com você?
— Eu... eu nunca... — Sua tentou formular uma frase, mas sua mente estava nublada. — Foi... sim.
Mizi riu, um som baixo e gutural que vibrou contra o pescoço de Sua. Ela se inclinou, deixando um rastro de beijos úmidos desde a clavícula de Sua até o lóbulo de sua orelha, onde deu uma mordida leve, mas firme o suficiente para arrancar um suspiro surpreso da morena.
— Que bom que gostou — murmurou Mizi, os olhos dourados brilhando com uma fome renovada. — Porque eu estava pensando... o que você acha de um segundo round?
Sua arregalou os olhos roxos, sentindo um choque de pânico misturado com incredulidade. Ela olhou para Mizi, que já estava começando a se sentar na cama, movendo-se com uma energia que parecia inesgotável.
— O quê? — Sua tentou se sentar também, mas suas pernas protestaram instantaneamente. — Mizi, eu... eu mal consigo respirar. Como você ainda quer mais?
— Eu sou insaciável, Sua — respondeu Mizi, um brilho perverso cruzando seu olhar. — E você é uma leitura fascinante demais para eu parar no primeiro capítulo.
Mizi começou a se posicionar para ir para cima de Sua novamente, mas a garota pálida estendeu as mãos trêmulas, apoiando-as nos ombros da irmã de Luka para detê-la. O rosto de Sua estava tingido de um vermelho profundo, uma mistura de desejo e puro esgotamento físico.
— Mizi, espera... por favor — disse Sua, a voz falhando. — Me desculpa, eu... eu realmente não aguento. Eu sou inexperiente, meu corpo não está acostumado com isso... eu nem consigo manter as pernas abertas agora, elas estão tremendo muito. Eu estou exausta.
Mizi parou o movimento no meio do caminho. Ela observou o rosto de Sua, notando as lágrimas de cansaço nos cantos dos olhos e a forma como a garota lutava para manter a consciência. O olhar de Mizi suavizou-se instantaneamente, perdendo a agressividade predatória e ganhando uma nota de carinho genuíno. Ela soltou uma risada baixa, mas desta vez era doce, quase maternal.
— Ei, está tudo bem — disse Mizi, acariciando o rosto de Sua com o polegar. — Não precisa pedir desculpas por isso. É normal, pequena. Eu me empolguei um pouco, esqueço que nem todo mundo tem o meu fôlego.
Mizi ajudou Sua a se sentar na cama, segurando-a com cuidado como se ela fosse feita de vidro soprado. Ela posicionou Sua de costas para a cabeceira da cama, mas então mudou de ideia, querendo algo mais íntimo. Mizi sentou-se atrás de Sua, encostando as próprias costas na madeira da cabeceira e abrindo as pernas para que Sua se aninhasse no meio delas.
Sua, completamente nua e vulnerável, deixou-se ser manobrada. Ela sentiu as costas encostarem no peito quente de Mizi, e o contraste da pele macia contra o corpo firme da outra garota a fez soltar um suspiro de alívio. Mizi pegou os braços de Sua e os levou para trás, guiando as mãos da morena até seus próprios cabelos rosa e azul.
— Segura aqui — instruiu Mizi, a voz voltando a cair para aquele tom sedutor que desarmava qualquer resistência. — Puxa, arranha minha nuca, faz o que você quiser. Eu vou cuidar de você agora, mas do meu jeito.
Sua obedeceu, seus dedos se enroscando nos fios coloridos e sedosos de Mizi. Ela sentiu a cabeça cair para trás, repousando no ombro da garota, enquanto o teto do porão parecia girar lentamente.
Mizi, com uma delicadeza que contrastava com a força de antes, usou as mãos para abrir as pernas de Sua. O toque era gentil, quase um convite silencioso. Quando Mizi inseriu dois dedos de uma vez, Sua soltou um lamento agudo, a cabeça jogando-se ainda mais para trás contra o ombro de Mizi.
— Ah... Mizi... — Sua choramingou, lágrimas de puro êxtase começando a escorrer por seu rosto.
— Shhh... só sente — sussurrou Mizi. Ela começou a mover os dedos com uma maestria que beirava a crueldade, encontrando os pontos exatos que faziam Sua perder o fôlego. — Eu sei que você está cansada, mas seu corpo diz outra coisa. Olha como você está molhada para mim... olha como você me aperta.
Sua sentia-se no limite da sanidade. A posição a deixava completamente exposta, e o fato de não conseguir ver o que Mizi estava fazendo tornava cada sensação dez vezes mais intensa. O ritmo começou a aumentar, e Sua, apesar de ter dito que estava cansada, começou a buscar desesperadamente por mais.
— Mais... por favor, Mizi... mais forte — implorou Sua, os dedos apertando o couro cabeludo de Mizi com força, as unhas arranhando a nuca da garota em um reflexo de necessidade pura.
Mizi sorriu contra a pele do pescoço de Sua, sentindo o poder que exercia sobre a outra. Ela era uma pervertida nata, e ver a fria e contida Sua desmoronar em seus braços era o maior troféu que poderia desejar.
— Você quer mais, é? — Mizi provocou, a voz carregada de uma malícia sombria. — Você quer que eu te quebre de novo? Você é uma garotinha gananciosa, Sua. Tão faminta por algo que nunca se permitiu ter.
Sem aviso, Mizi inseriu o terceiro dedo.
O gemido que escapou de Sua foi algo que Mizi guardaria na memória por muito tempo. Foi um som gutural, carregado de uma satisfação tão profunda que parecia vir da alma. Sua perdeu completamente a capacidade de formar frases coerentes.
— Isso... sim... por favor... Mizi, Mizi, Mizi! — Sua repetia o nome dela como um mantra, uma oração desesperada em meio ao caos de sensações.
Mizi aumentou a velocidade e a força, movendo os três dedos com uma rapidez que fazia o corpo de Sua ter espasmos rítmicos. Ela brincava com a vulnerabilidade da morena, alternando a pressão e o ângulo, ouvindo cada som sem nexo que saía da boca de Sua.
— É isso que você queria? — perguntou Mizi, rindo baixo enquanto sentia as paredes internas de Sua pulsarem ao redor de seus dedos. — Você gosta quando eu te trato assim? Quando eu te mostro quem manda em você?
Sua não conseguia responder. Ela estava babando levemente, a cabeça jogada para trás, os olhos fechados com tanta força que via estrelas. Seus dedos cravaram-se na nuca de Mizi, arranhando a pele com uma intensidade que certamente deixaria marcas, mas Mizi parecia não se importar — na verdade, parecia adorar.
O ápice veio como uma explosão devastadora. Sua sentiu o mundo se dissolver em luz branca enquanto seu corpo se arqueava violentamente no colo de Mizi. Ela gritou o nome de Mizi uma última vez, um som que ecoou pelas paredes do porão e pareceu selar o destino das duas ali mesmo.
Os espasmos duraram muito tempo, deixando Sua em um estado de choque catatônico de prazer. Ela desabou completamente contra o peito de Mizi, seus braços caindo sem forças ao lado do corpo, os dedos soltando finalmente os cabelos coloridos.
Mizi retirou os dedos lentamente, sentindo o calor residual do orgasmo de Sua. Ela abraçou a garota por trás, envolvendo-a em um casulo de proteção e calor.
— Você foi perfeita, pequena — sussurrou Mizi, beijando o ombro suado de Sua. — Absolutamente perfeita.
Sua não disse nada. Ela não conseguia nem mesmo abrir os olhos. O carinho que Mizi começou a fazer em seus cabelos era a única coisa que a mantinha ancorada à realidade. Era um toque suave, rítmico, que agia como um sedativo poderoso sobre seus nervos exauridos.
Com muito esforço, Mizi ajudou Sua a se deitar de verdade na cama. Elas se acomodaram sob o lençol cinza, com Sua aninhada no peito de Mizi, os rostos tão próximos que podiam sentir a respiração uma da outra.
— Dorme agora — disse Mizi, a voz agora doce e tranquila. — Eu não vou a lugar nenhum.
Sua sentiu o peso do cansaço finalmente vencê-la. Sob o carinho constante de Mizi, ela apagou em questão de segundos, mergulhando em um sono profundo e sem sonhos, sentindo-se mais segura e completa do que jamais estivera em toda a sua vida.
Mizi permaneceu acordada por mais alguns minutos, observando o rosto sereno de Sua sob a luz da manhã que agora inundava o porão. Ela sorriu, sentindo uma satisfação que ia muito além do físico. Ela viera para aquela festa em busca de diversão, mas acabara encontrando algo muito mais intrigante. Com um suspiro de contentamento, Mizi fechou os olhos e deixou-se levar pelo sono, pronta para enfrentar o que quer que a segunda-feira reservasse para elas.