PULGAR & CARRASCAL
Pólvora, Sangue e Redenção
O silêncio que se instalou na mansão da Barra da Tijuca ao longo daquela semana era mais cortante do que qualquer lâmina italiana. Jorge permaneceu irredutível no quarto de hóspedes, e Erick afundou-se no trabalho até altas horas da madrugada, evitando cruzar os olhos do marido pelos corredores. O clima gélido não passou despercebido por Santino; aos dezoito anos e criado no coração de uma dinastia do crime, o garoto tinha faro apurado para perigo, mas os pais se limitavam a disfarçar com respostas evasivas.
Tudo atingiu o ponto de ruptura no sábado à tarde, véspera do retorno de Mateo Marcone para a Europa.
Enquanto a cúpula comemorava discretamente o avanço das rotas marítimas, os cartéis rivais da Baixada e de São Paulo, furiosos por terem perdido espaço no porto para a aliança internacional, farejavam fraqueza na divisão visível entre o chefe chileno e o comandante colombiano. E o alvo mais vulnerável nunca eram os galpões fortificados, mas sim a família.
Santino, alheio às movimentações do submundo e obstinado a mostrar a Mateo a verdadeira alma carioca antes de sua partida, arrastou o italiano para o Maracanã. Nem Jorge nem Erick puderam acompanhá-los devido a reuniões de emergência com fornecedores de armamento, mas Giorgian de Arrascaeta e Guillermo Varela foram escalados como escolta de elite, levando também o jovem Milano. O garoto insistira que o tio Mateo não podia voltar para a Sicília sem testemunhar a apoteose do Flamengo em dia de clássico.
O jogo terminou em festa, e o grupo decidiu encerrar a noite comemorando a vitória em uma churrascaria tradicional perto da orla da Tijuca. Quando atravessavam a avenida em direção aos carros blindados, entre risos altos e cantos rubro-negros entoados por Santino e Milano, o ronco estridente de uma moto esportiva sem placas cortou a noite.
O estalo seco de uma rajada de submetralhadora explodiu contra o asfalto.
Mateo, forjado nas guerras sangrentas de Palermo, agiu por puro instinto militar antes mesmo que os guarda-costas sacassem as pistolas. Em uma fração de segundo, ele projetou o próprio corpo sobre Santino e Milano, jogando os dois adolescentes contra o chão de concreto atrás de uma mureta de proteção. Varela e Arrascaeta reagiram de imediato, disparando contra os motoqueiros em fuga, mas sem poder descarregar os pentes completos pela presença massiva de civis na calçada.
Santino e Milano estavam ilesos, cobertos apenas de poeira. Mateo, no entanto, comprimia o braço esquerdo, com o linho fino de sua camisa empapado de sangue quente.
Na mansão, Jorge acabara de largar a pasta de couro sobre a bancada da cozinha, esfregando as têmporas para aliviar a enxaqueca, quando seu celular criptografado tocou com o toque personalizado do filho.
— Santino? Já estão voltando, meu amor? — atendeu Jorge, a voz cansada.
— Pai! Pai, por favor, vem rápido! — A voz do menino veio rasgada, entrecortada por soluços em pânico e sirenes de fundo. — Atiraram na gente! Tinha muito sangue, pai! Uma moto passou atirando... O tio Mateo pulou na nossa frente! Ele tomou um tiro, pai! Ele tá sangrando muito!
O sangue de Jorge congelou instantaneamente. O chão pareceu se abrir sob seus sapatos de couro.
— O que você tá dizendo, Santino?! Você tá ferido?! Fala comigo, porra!
— Eu tô bem, o Milano tá bem... Mas acertaram o braço dele! Tamo indo pro Copa D'Or com o tio Giorgian! Pai, vem logo!
— Tô indo agora! Não sai de perto do Arrascaeta, me ouviu?! — gritou Jorge, as mãos tremendo descontroladamente enquanto a ligação caía.
Ele correu para a sala em completo desespero, revirando gavetas e mesas de centro em busca das chaves do Porsche, a respiração presa na garganta em um nó sufocante.
Erick, que descia as escadas naquele exato segundo após ouvir os gritos ensurdecedores vindos da cozinha, parou no meio do caminho. Havia escutado pedaços da conversa: *Santino*, *tiro*, *sangue*. O coração do pitbull chileno disparou com uma violência aterradora, desmontando qualquer resquício de arrogância ou frieza mafiosa.
— Jorge! O que aconteceu com o Santino?! — rugiu Erick, descendo os últimos degraus em um salto e segurando o colombiano pelos ombros trêmulos. — Que porra foi essa de tiro?!
— Uma emboscada na saída do Maracanã... — soluçou Jorge, com os olhos castanhos inundados de pavor genuíno, algo que Erick quase nunca vira na vida. — Atiraram neles, Erick! Ele disse que tinha sangue... O Mateo se jogou na frente do Santino e do Milano! Estão no Copa D'Or! Eu não acho a chave, caralho!
— Entra no carro. Agora! — ordenou Erick com a voz rouca e firme, puxando o molho de chaves de seu próprio bolso e arrastando o marido pela mão até a garagem.
A travessia da Barra até Copacabana foi feita em velocidade suicida. Erick cortou o trânsito costurando pistas, furando sinais vermelhos com os pneus cantando, sem soltar a mão de Jorge por um segundo sequer. O medo de perder o filho calou qualquer mágoa, qualquer ressentimento, qualquer ferida de ego.
Ao entrarem pelas portas automáticas da emergência particular do hospital, a visão que encontraram desarmou os dois chefes. Santino estava sentado na sala de espera ao lado de Milano, ileso, com os olhos vermelhos de chorar, enquanto Arrascaeta e Varela faziam a segurança na porta.
— Papai! — gritou o garoto, correndo e se jogando nos braços de Jorge.
Jorge envolveu o rapaz com uma força desesperada, beijando seus cabelos, seus ombros, conferindo cada centímetro de pele para ter certeza de que não havia perfurações.
— Você tá inteiro, meu Deus... Você tá bem, meu filho — murmurava Jorge, a voz trêmula.
Erick aproximou-se, envolvendo os dois em um abraço esmagador com seus braços colossais, fechando os olhos e respirando fundo pela primeira vez em quase uma hora. Ele beijou a testa de Santino com ternura crua.
— Graças a Deus, meu garoto... Graças a Deus.
Quando se afastaram, Jorge procurou ao redor, o pânico dando lugar à preocupação pelo amigo.
— Onde está o Mateo? Cadê ele, Santino?
— Tá lá dentro tomando ponto — explicou o garoto, fungando. — Pai Erick... Ele salvou a gente. A moto veio do nada, apontando a pistola na minha cara. O tio Mateo se jogou por cima de mim e do Milano. A bala pegou no braço dele de raspão, atravessou a carne... Se não fosse ele, a gente tava morto.
Erick engoliu a seco. O peso daquelas palavras caiu sobre seus ombros como chumbo derretido. O homem que ele olhara com tanto desdém, o rival de quem sentira um ciúme doentio e quase destrutivo, havia colocado o próprio corpo na linha de fogo para salvar a vida de seu filho.
Minutos depois, as portas do corredor médico se abriram. Mateo saiu acompanhado por um cirurgião, com uma tipoia preta imobilizando o braço esquerdo devidamente enfaixado. O italiano parecia pálido, mas mantinha o sorriso irônico e elegante de sempre.
— Mateo! — Jorge avançou, segurando o ombro são do homem com delicadeza extrema. — Meu Deus, você tá bem? Como foi isso?
— Um arranhão, Jorgito — desdenhou o italiano, rindo fraco. — Os atiradores cariocas têm uma mira péssima. Não se preocupe. O médico disse que não pegou osso nem artéria importante.
— Você vai pra nossa casa agora mesmo — exigiu Jorge, firme. — Eu vou colocar meus médicos particulares para cuidarem de você.
— Não precisa, meu amigo — recusou Mateo gentilmente, balançando a cabeça. — Meu jato particular pousa no Galeão às oito da manhã. Eu vou voltar para Palermo como planejado. Lá eu termino o tratamento com a minha própria equipe. Está tudo sob controle.
Jorge segurou a mão de Mateo com devoção e gratidão infinitas, os olhos brilhando.
— Eu não tenho como te pagar por isso, Mateo. Você salvou o que eu tenho de mais precioso neste mundo. A minha vida e a minha organização têm uma dívida de sangue eterna com você. Qualquer coisa que você precisar na América do Sul... É só pedir.
— O Santino tem o sangue de Don Santiago correndo na história dele — disse Mateo, comovido. — Eu faria de novo mil vezes.
Atrás de Jorge, Erick deu um passo à frente. O gigante chileno, sempre tão imponente e assustador, parecia visivelmente constrangido. Ele estendeu a mão direita, ainda marcada pela cicatriz do soco no espelho, e sustentou o olhar de Mateo.
— Marcone... — começou Pulgar, com a voz grave falhando por um breve instante antes de recuperar a solenidade. — Eu preciso te pedir desculpas. Pela forma como te tratei na cúpula... Pela minha arrogância barata. Eu fui um idiota cego. Mas nada no mundo se compara ao que você fez pelo meu filho hoje. Você protegeu a minha família com o seu próprio sangue. A partir de hoje, você não tem só a lealdade do Jorge. Você tem a minha. A máfia chilena e os meus homens estão às suas ordens para sempre.
Mateo encarou a mão estendida de Pulgar e depois olhou nos olhos do chileno. O italiano soltou uma risada baixa, quase divertida pelo constrangimento evidente daquele homem perigoso, e apertou a mão de Erick com firmeza.
— Um verdadeiro homem sempre protege a sua família, Pulgar — disse Mateo com respeito sincero. — Eu sei que você faria o mesmo. Cuide bem do Jorgito e desse garoto de ouro. Ele vale mais que qualquer império nosso.
Após as despedidas e a garantia de que uma escolta pesada levaria o italiano em segurança para o hotel e depois ao aeroporto, a família retornou para a mansão.
Santino, esgotado pelo choque da adrenalina, comeu algo rápido trazido por dona Olga, abraçou demoradamente os pais e subiu para o quarto, caindo no sono quase que imediatamente.
A casa mergulhou em uma calmaria pesada.
Jorge entrou na sala principal e desabou sobre o sofá de couro italiano, jogando a cabeça para trás contra o encosto macio. Ele soltou um suspiro tão longo e profundo que pareceu esvaziar toda a alma, fechando os olhos enquanto os músculos finalmente relaxavam da tensão da quase tragédia.
Erick observou a cena da entrada do cômodo. Vendo a guarda do marido completamente baixa, despida de qualquer marra ou pose de líder mafioso, o chileno caminhou a passos lentos e silenciosos até parar diante dele. Lentamente, Erick dobrou os joelhos e se sentou no chão, bem em frente a Jorge, ficando em uma altura mais baixa do que o colombiano.
Jorge sentiu a aproximação e abriu os olhos devagar, encarando o marido com um olhar cansado, mas despido de raiva.
Erick inclinou o tronco, pegando as mãos tatuadas de Jorge entre as suas. Seus dedos calejados acariciaram a pele macia dos pulsos do marido com uma reverência quase devota. Ele ergueu os olhos escuros, deixando transparecer toda a vulnerabilidade que passara a vida inteira escondendo do mundo.
— Me perdoa, meu amor — sussurrou Erick, a voz embargada e sincera. — Me perdoa por todas as merdas imperdoáveis que eu falei pra você naquele quarto. Pelas insinuações nojentas que eu fiz... Você nunca, em doze anos de casados, me deu um único motivo pra eu duvidar da sua lealdade ou do seu amor. Eu fui um covarde.
Jorge continuou em silêncio, mas seus dedos se entrelaçaram aos de Erick, retribuindo o toque suave.
— Eu passei por cima da sua autoridade na cúpula porque eu fiquei cego — continuou o chileno, a garganta seca. — Eu vi aquele homem tão perto de você, tão íntimo... E a única coisa que passou pela minha cabeça doentia foi que ele já tinha tido você antes de mim. Que ele era elegante, que ensinou você, que poderia facilmente tomar o meu lugar se você quisesse. Eu senti um medo desgraçado de te perder, Jorge. E esse medo virou ódio e ciúme sujo. Eu quase destruí nós dois por causa da minha mente podre.
Jorge sentiu uma pontada doce e dolorosa no peito. Ele soltou uma das mãos e levou os dedos até o rosto de Erick, acariciando a barba rala e a maçã do rosto marcada pelas tatuagens tradicionais.
— Você é um brutamonte burro, sabia? — disse Jorge em tom suave, a voz melodiosa voltando a preencher o ambiente. — Eu nunca precisei olhar pra homem ou mulher nenhuma desde o dia em que eu decidi me amarrar em você, Erick. Você me deu tudo. Você me deu respeito, me ajudou a erguer meu nome, criou o Santino como se tivesse saído de dentro de você... Você sempre supriu cada necessidade da minha vida, na cama e fora dela.
O colombiano inclinou o corpo para a frente, aproximando o rosto do do marido, com os olhos brilhando em uma mistura de ternura e malícia.
— O Mateo foi uma parte da minha vida de quando eu não sabia porra nenhuma do mundo — continuou Jorge, a voz descendo para um tom rouco e manhoso. — Aquele Jorge queria curtir, queria aventura. Mas aquele Jorge morreu faz muito tempo. O Jorge de hoje só quer o marido marrento dele... Esse chileno ciumento e idiota que me tira do sério, mas que é o único dono dessa porra toda aqui.
Erick sentiu os olhos arderem de alívio, um meio sorriso começando a quebrar a dureza de seus lábios.
— Então eu tô perdoado, meu cheiro? — perguntou Erick, a voz mansa, fitando a boca carnuda do marido.
Jorge recolheu a mão, cruzou os braços e fez um biquinho dengoso, empinando o queixo bronzeado e fingindo indiferença.
— Não sei, não... — provocou o colombiano, com a manha típica que sempre desmanchava a postura de pitbull de Pulgar. — Você me magoou muito, sabia? Quebrou a casa toda, me chamou de tudo quanto foi nome... Acho que você vai ter que suar muito pra ter meu perdão de verdade.
Erick soltou uma risada baixa, rouca e profundamente aliviada. Sabia exatamente como jogar aquele jogo.
— É mesmo, é? — murmurou o chileno, subindo os joelhos e se aproximando do rosto de Jorge.
Erick começou a distribuir beijos macios e estalados pelas bochechas de Carrascal, subindo para a têmpora, descendo para a linha do maxilar. Ele deslizou o nariz pelo pescoço bronzeado do colombiano, aspirando o perfume adocicado com avidez e deixando mordiscadas suaves que arrancavam arrepios da pele tatuada.
— Para, Erick... — Jorge manhava baixinho, virando o rosto de lado em uma falsa resistência que só atiçava o marido. — Eu ainda tô bravo com você, seu desgraçado...
— Para porra nenhuma — rosnou Erick contra a pele da garganta dele, usando o peso do corpo colossal para empurrar Jorge devagar contra os estofados até que o colombiano estivesse completamente deitado no sofá.
Jorge abriu as pernas bronzeadas, encaixando o quadril forte de Erick entre as suas coxas. O chileno avançou sobre a boca dele com urgência faminta, tomando seus lábios em um beijo profundo, molhado e possessivo, sugando a língua atrevida de Jorge enquanto as mãos grandes desciam para apertar a cintura fina do marido.
Jorge gemeu contra a boca de Erick, passando as pernas ao redor das costas largas do chileno e esfregando seu membro, já rígido por baixo do tecido da calça de linho, contra a ereção pulsante e pesada de Pulgar. O atrito fez ambos arfarem em desespero.
Erick ergueu ligeiramente a cabeça, simulando estocadas secas e ritmadas contra a virilha de Jorge, fazendo o colombiano arquear as costas no sofá com os olhos nublados de luxúria.
— Porra, Erick... — suplicou Jorge, a voz manhosamente arrastada, puxando o colarinho do marido. — Me come... Fode seu maridinho logo, por favor...
Erick encarou aquela boca atrevida pedindo arrego e, sem aviso, desferiu um tapa estalado e firme na bochecha corada de Jorge. O som ecoou na sala silenciosa.
Longe de se assustar, Jorge abriu um sorriso lascivo e perverso, a ginga colombiana brilhando crua sob a luz tênue.
— Só isso? — sussurrou Carrascal entre dentes, os olhos faiscando em desafio puro. — Bate igual a homem se for me foder de verdade, caralho. Não fica de carinho agora não.
— Cala essa boca suja antes que eu te arrebente aqui mesmo — rosnou Erick, as pupilas totalmente dilatadas de tesão.
O limite do sofá já não bastava. Tomados por uma febre incontrolável, os dois se levantaram aos tropeços, derrubando almofadas pelo caminho, e subiram as escadas aos beijos e empurrões urgentes até invadirem o quarto do casal.
A porta bateu com violência. Erick prensou Jorge contra a parede lisa do quarto, arrancando a camisa de seda do colombiano em um rasgão seco de botões se soltando pelo carpete. Suas bocas se devoravam com ferocidade primal enquanto as mãos de Pulgar desciam sem paciência, livrando o marido de cada peça de roupa até deixá-lo completamente nu e exposto sob a luz dourada do abajur.
— Você é meu — ditava Erick em tom gutural, virando Jorge de costas contra a parede fria e descendo beijos pesados pelas vértebras tatuadas. — Só meu, Jorge. Cada pedaço dessa sua carne gostosa pertence a mim, entendeu?
— Sou seu, porra... Vai, Erick... — gemia Jorge, apoiando as palmas espalmadas contra a parede, a respiração entrecortada pela queimação doce no baixo ventre.
Erick ajoelhou-se atrás do marido, segurando suas coxas firmes e abrindo espaço. Ele não queria apenas possuí-lo; queria purificar cada centímetro daquele corpo de qualquer sombra do passado, queria venerá-lo como o rei que ele era. Com um cuidado devocional e lascivo, Pulgar desceu a boca para as nádegas empinadas de Jorge, distribuindo mordidas fortes antes de mergulhar a língua quente e experiente na intimidade mais proibida do colombiano.
Um grito rouco escapou da garganta de Jorge quando o beijo grego molhado e profundo o atingiu em cheio. Os dedos do colombiano se cravaram no gesso da parede, o quadril tremendo descontroladamente enquanto a língua de Erick explorava, dilatava e acariciava seu ponto mais sensível sem pressa alguma.
— Caralho... Erick! Deus, Erick! — Jorge arqueava o corpo, choramingando de puro prazer, perdendo toda e qualquer pose de chefe temido enquanto a boca do marido o despia de qualquer dignidade. — Que delícia... Puta que pariu, me fode... Me come agora!
Erick ergueu-se devagar, com a respiração pesada e a boca brilhando com a umidade do marido. Ele puxou Jorge pelos quadris e o jogou de bruços sobre o colchão macio da cama king-size, montando sobre suas coxas e posicionando a cabeça de sua ereção colossal e latejante na entrada já preparada.
Sem esperar mais um segundo, Erick enterrou-se até o talo em uma estocada profunda e impiedosa.
Jorge arfou alto, afundando o rosto no travesseiro enquanto era preenchido por inteiro. A sensação esmagadora de ter o marido de volta dentro de si arrancou lágrimas de puro êxtase de seus olhos.
— Olha pra mim, porra — comandou Erick, segurando os cabelos com mechas loiras de Jorge e puxando sua cabeça para trás, forçando-o a virar o rosto de perfil. — Olha na minha cara enquanto eu te rasgo no meio. De quem você é, Jorge? Fala pra mim!
— Sou seu, seu desgraçado! — gritou Jorge, gemendo a cada estocada violenta que fazia a cabeceira da cama bater ritmicamente contra a parede. — Sempre fui seu! Fode... Fode essa tua putinha, Erick! Me fode forte!
O chileno perdeu o resto da sanidade. Apoiando uma mão na lombar suada do marido e a outra guiando o ritmo selvagem das estocadas, Erick começou a foder Jorge com uma fúria visceral, acertando o ponto exato que fazia o colombiano se desmanchar em tremores e súplicas desordenadas. A cama parecia pequena para a intensidade dos dois corpos em colisão; mudaram de posição na poltrona, na beirada do colchão, em pé contra a janela fechada com vista para a noite do Rio de Janeiro.
A dirty talk corria solta e baixa entre sussurros e mordidas: insultos doces, promessas possessivas, juras de amor manchadas pela adrenalina e o som úmido e constante do prazer atingindo seu ápice.
Quando Erick o deitou de costas novamente na cama, erguendo as pernas tatuadas de Jorge sobre os próprios ombros maciços, os dois se encararam olho no olho. Não havia mais máfia, não havia rivais, não havia fantasmas italianos. Havia apenas a entrega total de dois homens que queimavam na mesma fogueira há mais de uma década.
Com três estocadas brutais e certeiras, Jorge atingiu um orgasmo violento que espirrou sobre seu próprio abdômen trêmulo, gritando o nome de Erick enquanto as paredes internas de seu corpo ordenhavam o membro do marido em espasmos incontroláveis. Segundos depois, com um rosnado gutural que vibrou no peito, Erick descarregou-se inteiramente dentro dele, pulsando fundo, colando a testa na do marido enquanto ambos tentavam recuperar o fôlego roubado pela tempestade.
Minutos depois, envolvidos pelo silêncio reconfortante da madrugada, Jorge repousava o peito sobre os braços cruzados no tórax largo de Erick. O chileno mantinha um braço protetor ao redor da cintura do marido, acariciando os reflexos loiros de seu topete agora totalmente desarrumado.
Jorge ergueu os olhos pesados de sono e soltou um sorriso manhoso, mordiscando de leve a ponta do queixo de Erick.
— Acho que você ainda me deve um espelho novo pro closet — murmurou o colombiano, a voz rouca e derretida de prazer.
Erick sorriu, apertando o corpo do marido com carinho infinito antes de beijar seus lábios inchados.
— Eu compro cem espelhos novos pra você, meu amor. Contanto que em todos eles você só veja a mim.