PULGAR & CARRASCAL
Marcas de Tinta e Coração
O início das férias escolares transformou a rotina da casa em uma verdadeira maratona de pura energia. Santino havia entrado de vez na fase clássica e implacável dos porquês, transformando qualquer tarefa rotineira em um interrogatório detalhado. O café da manhã, que antes era marcado por olhares cúmplices e carícias discretas entre Jorge e Erick, agora vinha acompanhado de uma metralhadora de curiosidade infantil.
— Papá Erick, por que o seu braço é todo preto e o do meu papi tem partes coloridas? — perguntou o menino, com a boca suja de geleia de morango, apontando a colher diretamente para o antebraço colossal do chileno.
Erick ergueu os olhos do prato, ajeitando a postura. O olhar que impunha respeito a qualquer marmanjo no trânsito ou no estúdio suavizava-se no mesmo instante em que se voltava para a criança.
— Porque o meu estilo de tatuagem é mais voltado pro preto e cinza, com sombreamento pesado, pequeno — explicou Erick, esticando o braço sobre a mesa de granito para que Santino pudesse inspecionar as linhas com os dedinhos pequenos. — O seu papi gosta de desenhos mais vivos, mais chamativos. Que nem ele, que não consegue ficar quieto sem chamar atenção.
Jorge, que terminava de servir o suco de laranja natural, deu uma cotovelada suave nas costelas do marido antes de se sentar ao lado do filho.
— Não liga pra ele, meu amor. O seu papi tem ginga, tem estilo. O papá Erick só sabe fazer cara de bravo.
— Mas as duas são lindas — decretou Santino, olhando com veneração para o peito de Jorge, visível pela gola solta da camiseta regata. — A minha favorita ainda é a do meu nome aqui no seu peito, papi. Parece que eu fico guardado dentro do seu coração.
Jorge sentiu o peito arder de ternura, puxando a cabeça do filho para depositar um beijo estalado nos cabelos bagunçados.
— E você tá mesmo guardado aqui, mi vida. Pra sempre.
Santino deu mais uma mastigada na torrada e virou-se subitamente para Erick, com os grandes olhos castanhos brilhando em expectativa infantil.
— Papá Erick, você vai trabalhar hoje?
— Vou sim, garoto. Tenho duas sessões agendadas pra tarde.
— Eu posso ir com você? Por favorzinho? — pediu Santino, juntando as mãos em prece dramática, copiando com perfeição os trejeitos manhosos que Jorge usava quando queria dobrar o marido. — O papi disse que tem reunião de condomínio e projeto de engenharia pra desenhar no computador. O estúdio é muito mais legal! Eu quero ver onde você desenha nas pessoas!
Erick olhou para Jorge, buscando aprovação silenciosa. Jorge sorriu com cumplicidade, assentindo devagar.
— Por mim tudo bem, amor. Camila tá na recepção hoje, ela adora o Santino. E eu consigo adiantar as plantas daquela reforma sem esse furacão me pedindo pra ver vídeos de dinossauro a cada cinco minutos.
— Se você se comportar e não encostar em nada sem a minha autorização, pode vir comigo — sentenciou Erick, assumindo seu tom sério de figura de autoridade, embora o canto da boca traísse a satisfação.
— Eba! — comemorou o menino, pulando da cadeira com os braços para o alto.
Três horas mais tarde, o estúdio de Pulgar ganhou um assistente mirim muito compenetrado. Santino parecia ter entrado em um templo sagrado. O cheiro de álcool setenta, sabão germicida e decalque novo fascinavam o menino. Ele passou pela recepção cumprimentando Camila com um abraço e foi guiado por Erick para dentro da sala privativa principal.
Enquanto Erick organizava as tintas esterilizadas, as luvas pretas de nitrilo e montava a bancada de trabalho para o primeiro cliente que chegaria após o almoço, Santino inspecionava cada quadro pendurado nas paredes. Havia ilustrações de carpas orientais, leões imponentes, caveiras detalhadas e composições geométricas complexas.
— Você desenhou tudo isso na pele de gente de verdade? — sussurrou a criança, boquiaberta diante de uma prancheta de esboços.
— Desenhei. A pele é como uma folha em branco, garoto. Mas você tem que ter muito respeito por ela, porque depois que a agulha entra com a tinta, não sai mais. Fica pra vida inteira.
Santino aproximou-se da maca de couro preto onde os clientes se deitavam e sentou-se na beirada, balançando as perninhas que não alcançavam o chão. Ele olhou atentamente para Erick, que vestia uma camiseta preta justa de mangas cavadas.
— O meu papi tem o meu nome tatuado bem no peito, perto do coração. Você tem o nome de quem?
Erick parou o que estava fazendo. Limpou as mãos em uma toalha de papel e virou-se para a criança. Um silêncio afetuoso se instalou na sala ampla. O chileno caminhou devagar até a maca e se ajoelhou diante do garoto, ficando na altura dos olhos de Santino.
— Tenho o nome da minha mãe aqui no antebraço. Tenho datas dos meus irmãos e dos meus sobrinhos — começou Erick, apontando para as marcas na pele morena. — E tenho outra coisa que você nunca viu direito.
Com movimentos calmos, Erick puxou a lateral da camiseta para cima, expondo o lado esquerdo das costelas, próximo às linhas fortes do abdômen definido. Entre uma composição de sombras andinas e elementos geométricos, destacava-se uma caligrafia elegante, firme e perfeitamente cicatrizada: *Santino Carrascal*.
O menino arregalou os olhos. Piscou duas, três vezes, levando as mãozinhas trêmulas até a pele quente de Erick, tocando as letras desenhadas na carne do homem com uma delicadeza quase reverente.
— Esse... esse sou eu? — a voz de Santino saiu tão baixinha que mal superou o zumbido suave do ar-condicionado.
— É você — respondeu Erick, a voz ligeiramente embargada, algo raríssimo para o homem que muitos julgavam feito de pedra. — Eu tatuei o seu nome logo depois que eu e seu pai completamos três anos juntos. Eu não precisava do mesmo sangue que você pra saber que você já era da minha família. Você é meu garoto, Santino.
Os olhinhos da criança se encheram de lágrimas grossas e brilhantes. Santino não disse nada a princípio; simplesmente jogou o corpinho miúdo para a frente, laçando o pescoço de Erick com força total. O impacto fez o tatuador apoiar as mãos nas costas pequenas do garoto, puxando-o para um abraço apertado, sentindo o peito estremecer de uma forma que agulha nenhuma no mundo conseguiria provocar.
— Eu te amo, você é muito maneiro — fungou o garoto contra a gola de Erick.
— Também te amo, rapazinho. Agora chega de choro que daqui a pouco seu pai chega pra me trazer o almoço e vai achar que eu te fiz sofrer.
Erick levantou-se, disfarçando a umidade nos próprios olhos enquanto limpava a bancada. Santino, no entanto, parecia possuído por uma missão urgente.
— Papá Erick, me empresta aquelas canetinhas de desenho da recepção? As que a tia Camila usa pra marcar os papéis?
— Pra quê você quer canetinha agora?
— É um segredo de artista. Você não é artista? Eu também sou!
Erick deu uma risada baixa e autorizou. Santino correu para a recepção e voltou minutos depois com três canetas hidrográficas de ponta grossa: uma azul, uma vermelha e uma preta. Sentou-se compenetrado em uma cadeira de rodinhas em um canto da sala e começou a riscar os próprios braços com língua entre os dentes e concentração de cirurgião.
Quando a campainha da recepção tocou e a voz animada de Jorge ecoou no corredor trazendo duas embalagens de comida mexicana, Santino deu um salto.
— Papi! Chega aqui rápido! — gritou a criança.
Jorge entrou na sala com um sorriso aberto no rosto, os cabelos impecáveis com o topete loiro alinhado, vestindo uma camisa jeans desabotoada nos dois primeiros botões e calça preta. O perfume amadeirado do colombiano preencheu o espaço imediatamente.
— Que escândalo é esse, rapaz? Já tá perturbando o trabalho alheio? — brincou Jorge, pousando a sacola sobre o balcão alto e piscando para Erick, que observava a cena encostado na pia.
— Olha, papi! Olha o que eu fiz! — Santino esticou os dois bracinhos magros para a frente, com o queixo erguido e um orgulho descomunal estampado no rosto.
No antebraço direito, desenhado em letras garrafais azuis e ligeiramente tortas, estava escrito: **PAPAI JORGE**. No antebraço esquerdo, contornado com vermelho vibrante e preto, brilhava a inscrição: **PAPAI ERICK**, acompanhada por uma tentativa admirável de desenho de um coração e uma carinha sorridente.
O ar sumiu da sala por uma fração de segundo.
Jorge paralisou no lugar, a respiração entrecortada, os olhos fixos na tinta de canetinha lavável que decorava a pele do filho. Mas o choque verdadeiro veio de Erick.
O apelido de carinho até então sempre havia sido "papá Erick", algo trazido pela convivência carinhosa e pelo bilinguismo da casa. Mas ler "Papai Erick" escrito com a inocência crua da infância, colocado em pé de igualdade absoluta com Jorge, fez a muralha de concreto do chileno desabar por completo.
A famosa pose de pitbull se desmanchou. Erick cobriu a boca com a mão pesada e tatuada, os olhos escuros marejando sem qualquer pudor. Ele deu um passo à frente, abaixou-se novamente e puxou Santino para os braços, escondendo o rosto no ombro pequeno da criança para que ninguém o visse perder a compostura de vez.
— Ficou... perfeito, meu filho — murmurou Erick, a voz rouca falhando vergonhosamente. — O desenho mais bonito que já entrou nesse estúdio.
Jorge levou as mãos ao peito, sentindo o coração bater descompassado contra as costelas. As lágrimas desceram livres por sua pele bronzeada. Ver o homem colossal que compartilhava sua cama, seu corpo e sua alma chorando de emoção pura ao ser reconhecido como pai pelo menino que ele gerara era uma cena que nenhuma vitória profissional jamais superaria.
Jorge aproximou-se devagar, envolvendo os dois em um abraço coletivo apertado. O colombiano beijou o topo da cabeça de Santino e, em seguida, depositou um beijo suave e molhado na têmpora de Erick, sussurrando contra a pele do marido:
— Você é o melhor pai que esse menino poderia ter no mundo inteiro. Eu te amo tanto que chega a doer, Erick.
Erick ergueu a cabeça, enxugando os olhos rapidamente com as costas da mão, mas mantendo Santino seguro em seu colo.
— Hoje a gente vai comemorar — disse o chileno, tentando recuperar o tom firme, embora o sorriso desarmado ainda o traísse por completo. — Fecho a última sessão mais cedo. A gente vai comer pizza. A maior que tiver no cardápio.
— Com borda de queijo e chocolate de sobremesa! — exigiu Santino, vitorioso, beijando as bochechas dos dois homens ao mesmo tempo.
A noite caiu sobre a cidade trazendo uma brisa fresca. Por volta das oito e meia, o restaurante tradicional italiano do bairro nobre estava movimentado, com famílias e casais ocupando as mesas da varanda iluminada por luzes quentes e cordões de lâmpadas vintage.
Como a vaga em frente ao estabelecimento estava ocupada por uma caminhonete de entrega, Erick precisou dar a volta no quarteirão para estacionar na garagem subterrânea credenciada.
— Desçam vocês dois e garantam a mesa da nossa reserva — orientou Erick pelo vidro aberto do SUV preto. — Demoro três minutos.
— Não demora, amor, tô varado de fome — respondeu Jorge, ajeitando o casaco leve de Santino.
Jorge e o menino caminharam até a entrada do salão externo. Carrascal estava impecável: usava uma calça de alfaiataria escura bem ajustada, tênis brancos impecáveis e uma jaqueta bomber que destacava seus ombros largos e o bronzeado natural de sua pele. O topete loiro estava perfeitamente alinhado, e a postura malandra e cheia de ginga colombiana atraía olhares inevitáveis por onde passava.
Enquanto aguardavam a recepcionista verificar a reserva no tablet, Jorge sentou-se em uma mureta baixa de madeira na área de espera, segurando a mão de Santino, que admirava o forno a lenha através do vidro do salão.
— Com licença... — uma voz masculina e aveludada surgiu logo atrás de Jorge.
Jorge virou-se, deparando-se com um homem alto, de cabelos escuros penteados para trás, vestindo uma camisa social cara e segurando uma taça de vinho tinto. O sujeito sustentava um sorriso presunçoso que Jorge reconheceu na hora: era a clássica investida de quem achava que podia comprar qualquer coisa.
— Boa noite — respondeu Jorge de forma educada, mas seca, voltando a atenção para o filho.
O homem, no entanto, deu um passo a mais, invadindo o espaço pessoal do colombiano.
— Eu estava sentado ali na mesa da esquina e não pude deixar de reparar em você. Você é lindo demais pra ficar esperando sozinho em pé. Quer sentar comigo enquanto espera quem quer que esteja atrasado?
Jorge arqueou uma sobrancelha, soltando uma risadinha nasalada de pura incredulidade.
— Não tô sozinho, companheiro. Tô com o meu filho e o meu marido tá vindo estacionar o carro. Dá um espaço, por favor.
O sujeito olhou para Santino com desdém disfarçado e deu de ombros, sem recuar um único centímetro. Pelo contrário, esticou a mão livre e apoiou a palma com intimidade indevida diretamente no ombro de Jorge, inclinando-se para falar mais perto de seu ouvido.
— Marido não é parede, gato. E uma conversa agradável nunca matou nin...
A frase morreu engasgada no fundo da garganta do indivíduo.
Uma mão grande, pesada e completamente coberta por tatuagens negras fechou-se como uma tenaz de ferro sobre o pulso do homem, apertando os tendões com uma força que fez os dedos do sujeito se abrirem involuntariamente, quase derrubando a taça de cristal no chão.
— Tira a porra da sua mão do meu marido agora — rosnou uma voz tão baixa, gutural e ameaçadora que o ar ao redor pareceu gelar.
Erick Pulgar havia surgido como uma sombra colossal. O chileno vestia uma camisa preta de linho de mangas compridas dobradas até os cotovelos, revelando a musculatura tensa dos antebraços. As veias de seu pescoço saltavam sob a pele tatuada, e o olhar escuro e assassino fixado no rosto do estranho fez a cor sumir instantaneamente das bochechas do homem.
— Solta... você tá machucando! — gemeu o desconhecido, tentando puxar o braço, mas a força de Pulgar era intransponível.
— Erick, calma! Não faz uma cena, por favor — interveio Jorge no mesmo segundo, levantando-se e colocando a mão espalmada no peito de Erick, sentindo o coração do marido trovejando de fúria e puro ciúme protetor. — Ele já tava saindo. Solta ele, amor.
O estalo do perigo iminente era palpável. O salão ao redor começava a prestar atenção no confronto, e a mandíbula travada de Erick indicava que ele estava a um milímetro de arrebentar o sujeito contra o piso de cerâmica.
Foi então que um toque pequeno e suave mudou tudo.
Santino deu dois passos à frente, passou os bracinhos ao redor da perna comprida de Erick e enterrou o rostinho na coxa do chileno, apertando-o com carinho infantil.
— Papá Erick, não fica nervoso — pediu o menino com a voz mansa, olhando para cima com olhinhos suplicantes. — A gente veio comemorar a minha tatuagem. Vamos comer pizza, por favorzinho?
O efeito foi instantâneo e avassalador.
A fera indomável desarmou-se em meio segundo. Erick piscou, respirou fundo e o fogo homicida que ardia em suas pupilas se dissipou. Ele soltou o pulso do homem com um empurrão brusco, fazendo o sujeito cambalear dois passos para trás, esfregando a pele marcada em silêncio antes de dar meia-volta e sumir covardemente para o interior do restaurante.
Erick baixou os olhos para o menino grudado em sua perna. O chileno soltou o ar pesado pela boca, agachou-se no chão ali mesmo na entrada da pizzaria e passou as duas mãos pelos cabelos de Santino, trazendo o garoto para a segurança de seu peito.
— Tá tudo bem, meu filho. O papá tá calmo. Ninguém vai estragar a nossa noite.
Jorge suspirou aliviado, mordendo o lábio inferior com um sorriso apaixonado se formando em seu rosto. O pitbull mais perigoso da cidade virava manteiga derretida na mão daquela criança de sete anos.
— Mesa pronta para a família Pulgar-Carrascal? — anunciou o maître, aproximando-se com elegância e ignorando com discrição o quase tumulto que acabara de ser evitado.
— Prontíssima — respondeu Jorge, estendendo a mão para entrelaçar os dedos nos de Erick assim que o chileno se ergueu com Santino confortavelmente sentado em seu quadril.
O jantar transcorreu em perfeita harmonia. Entre fatias imensas de pizza de quatro queijos, fatias doces cobertas de morango e muitas risadas com as piadas sem pé nem cabeça inventadas por Santino, qualquer resquício de tensão foi completamente esquecido. Erick não desgrudou a mão da coxa de Jorge por baixo da toalha de mesa, reafirmando com pequenos apertos possessivos que aquele corpo, aquela família e aquele amor eram territórios invioláveis.
Quando finalmente voltaram para casa, o cansaço cobrou seu tributo. Santino tomou um banho rápido — com o cuidado rigoroso de não molhar os antebraços para não apagar as preciosas tatuagens de canetinha — e colocou seu pijama de dinossauro.
Na suíte master do casal, a cama king-size estava forrada com edredom limpo e macio. A televisão de sessenta e cinco polegadas na parede transmitia o menu de um filme clássico dos Vingadores, que Santino havia implorado para assistir antes de dormir.
O arranjo sobre o colchão não poderia ser mais aconchegante. Erick estava encostado na cabeceira estofada, sem camisa, as costas largas relaxadas contra os travesseiros grossos. Santino estava esparramado exatamente no meio da cama, com a cabeça apoiada na curva da costela tatuada de Erick — exatamente onde o seu próprio nome brilhava desenhado na pele do homem.
Do outro lado, Jorge não ficava atrás na carência. O colombiano vestia apenas um calção fino de seda preta, colando seu corpo bronzeado contra o flanco direito de Erick, passando uma das pernas compridas por cima das coxas do marido e repousando o queixo no peito largo de Pulgar.
— Papá Erick, me faz cafuné? — pediu Santino com uma voz manhosa, puxando a mão grande de Erick em direção aos seus cabelos castanhos.
— Faço, meu pequeno — murmurou Erick com ternura, deslizando os dedos compridos pelo couro cabeludo do garoto em um ritmo compassado e hipnótico.
Jorge ergueu os olhos escuros e fez um bico irresistível, batendo com a ponta dos dedos no ombro tatuado de Erick.
— Ei... e o meu carinho? Eu também quase fui paquerado na sua frente hoje, mereço atenção redobrada.
Erick virou o rosto para o lado, soltando uma risada rouca e deliciada com o ciúme infantil do marido. Com o outro braço livre, envolveu os ombros de Jorge, puxando o colombiano para ainda mais perto, enterrando o nariz na curvatura macia daquele pescoço cheiroso, beijando a tatuagem de lábios que pertencia unicamente a ele.
— Você é o homem mais manhoso desse continente, Jorge Carrascal — sussurrou Erick contra a pele do marido, mordiscando de leve a base da orelha de Jorge, fazendo o colombiano estremecer de prazer nos seus braços. — Dois moleques dengosos disputando espaço. Não sei quem é mais pidão.
— Eu sou o primeiro da fila — rebateu Jorge em tom de troça, fechando os olhos e se aconchegando mais fundo no calor daquele abraço.
Na tela da televisão, heróis salvavam o mundo entre explosões e trilhas sonoras orquestradas, mas dentro daquele quarto nada mais importava. O som da respiração ritmada de Santino, que adormecia sob o cafuné paciente de Erick, misturava-se ao suspiro tranquilo de Jorge. Ali, cercado por tinta indelével, mãos protetoras e o calor de quem se pertencia por inteiro, o amor era a única certeza que importava.