PULGAR & CARRASCAL
Fogo Cruzado
O clima no Ninho do Urubu costumava ser leve depois das vitórias, mas a terça-feira de reapresentação ganhou um tempero diferente com a visita surpresa de Wesley. De férias do futebol italiano após uma temporada intensa pela Roma, o lateral-direito surgiu no centro de treinamento sorridente, abraçando os funcionários e os antigos companheiros de Flamengo. Entre todos, a reação de Erick Pulgar foi a que mais chamou a atenção. O chileno, sempre tão contido e sério com quase todo mundo, abriu um sorriso espontâneo, puxou o garoto para um abraço demorado e os dois engataram uma conversa animada que durou quase todo o intervalo das atividades físicas.
Jorge Carrascal observou tudo de longe, bebendo sua água com a mandíbula travada. Ele sabia muito bem que, antes de seu casamento se consolidar e antes de Wesley ser negociado com a Europa, os dois haviam tido um breve caso. Erick nunca escondera seu passado, mas ver a familiaridade palpável e o brilho descontraído nos olhos do marido fez uma pontada incômoda de ciúmes arder em seu peito.
A situação piorou no sábado. Giorgian De Arrascaeta reuniu o elenco em sua casa para um churrasco descontraído. Wesley, como convidado de honra das férias, estava lá. O que deveria ser uma tarde agradável virou um pesadelo silencioso para Jorge. Erick passou horas na beira da piscina rindo alto das histórias da Itália, gesticulando, dividindo cerveja e relembrando os velhos tempos com Wesley. O chileno parecia leve, solto, radiante — uma faceta que Jorge raramente via Erick exibir em público para qualquer outra pessoa.
Sentado em uma espreguiçadeira ao lado de Pedro e Luiz Araújo, Carrascal foi se fechando aos poucos. O colombiano, conhecido pela ginga, pela alegria contagiante e pelas piadas rápidas, perdeu o sorriso. Sentiu uma insegurança corrosiva invadir cada poro de seu corpo. Ver o marido tão relaxado ao lado de um ex-ficante despertou monstros que ele julgava já estarem enterrados.
O trajeto de volta para casa foi sepulcral. Erick ainda mantinha a energia nas alturas, cantarolando baixo com uma mão no volante e o celular no console central vibrando a cada poucos minutos. Ao entrarem na mansão, Jorge nem sequer tirou os tênis na entrada; marchou direto até o closet principal, abriu uma das gavetas altas e puxou um jogo completo de lençóis e travesseiros limpos.
Erick, que tirava a jaqueta jeans na entrada do quarto, franziu a testa tatuada ao ver o marido passar por ele carregando a roupa de cama.
— Que porra você tá fazendo, Jorge?
Jorge parou no corredor, virou-se devagar e soltou uma risada carregada de puro escárnio.
— O que parece que eu tô fazendo? Vou dormir no quarto de hóspedes. Assim não atrapalho a sua noite com a putinha do seu amante, já que vocês dois não conseguem largar esse WhatsApp nem por um minuto.
O semblante de Pulgar escureceu instantaneamente. O tom marrento e a veia saltada no pescoço denunciaram a irritação que subiu rápida.
— Lava a sua boca pra falar do Wesley. Não fala assim dele.
Jorge arregalou os olhos, soltando uma gargalhada histérica e amarga.
— Ah, pronto! Agora o maridão defende a antiga vagabunda que ele comia no time? Que lindo, Erick! Quer que eu aplauda ou prefere que eu saia logo de casa pra você matar a saudade do seu brinquedinho italiano?
— Cala a boca, Jorge! — Erick deu dois passos pesados à frente, invadindo o espaço do colombiano com sua postura colossal de pitbull. — Você tá passando de todos os limites aceitáveis. Ficou a porra do churrasco inteiro emburrado feito uma criança mimada e agora vem destilar essa merda dentro da nossa casa?
— Eu passei dos limites? Você passou o dia inteiro babando em cima dele! — disparou Jorge, a voz falhando em puro desespero e mágoa, os olhos escuros brilhando em ciúme desmedido. — Toda essa empolgação de hoje é o quê? Saudade da antiga putinha? Fala na minha cara se você queria estar na cama dele em vez de estar na minha!
Erick estancou, os olhos faiscando de uma fúria gélida e incredulidade. Ele respirou fundo, os nós dos dedos cerrados ao lado do corpo.
— Olha bem nos meus olhos, Jorge — ordenou o chileno, com a voz baixa, perigosa e cortante como aço. — Em todos esses anos juntos, alguma vez eu te dei qualquer motivo pra duvidar da minha fidelidade? Alguma vez eu olhei pra alguém que não fosse você desde o dia em que coloquei essa aliança no dedo? Responde!
Jorge sentiu as pernas vacilarem sob a intensidade daquele olhar. A verdade queimava em sua garganta, mas o veneno do orgulho ferido falou mais alto.
— Não — respondeu Jorge, a voz trêmula de raiva e medo. — Até hoje.
O silêncio que se abateu sobre o corredor foi ensurdecedor. Erick não gritou, não quebrou nada e não gesticulou. Apenas encarou o marido por cinco longos segundos, com uma decepção tão profunda estampada no rosto que Jorge sentiu o chão sumir sob seus pés. Sem dizer uma única palavra, Pulgar deu meia-volta, desceu as escadas e saiu da casa, deixando apenas o som da porta batendo com firmeza.
O arrependimento bateu no mesmo instante. Jorge desabou contra a parede do corredor, abraçando os lençóis inúteis. Sabia perfeitamente que Erick era o homem mais leal do mundo; o chileno nunca dera brecha para nada, nem nos primeiros meses em que ainda eram apenas ficantes nos bastidores do clube. Falara pela dor cega da insegurança e quebrara a confiança do marido.
Nos dias seguintes, a punição veio em forma de gelo absoluto.
Erick dormiu no quarto de hóspedes. Não trocou uma palavra que não fosse estritamente profissional. Na quarta-feira, Wesley encerrou as férias e voltou para a Itália, mas o abismo entre o casal continuava intacto. No centro de treinamento, Pulgar mantinha a distância calculada de um volante experiente, focado e intratável. Jorge tentou puxar assunto duas vezes, mas recebeu apenas monossílabos secos e olhares impassíveis que cortavam mais do que qualquer bronca aos gritos.
O ápice da tensão aconteceu no domingo, no Maracanã lotado, pelo clássico contra o Botafogo.
Ambos entraram como titulares. O jogo estava tenso, truncado e empatado em 2 a 2 até os quarenta e dois minutos do segundo tempo. Após uma jogada trabalhada desde a defesa, Erick dominou no círculo central, quebrou a linha de marcação adversária com um passe milimétrico entre os volantes e encontrou Carrascal na entrada da grande área. O colombiano dominou com a categoria e a ginga que lhe eram naturais, cortou o zagueiro para a perna direita e acertou o ângulo do goleiro: um golaço antológico para selar a vitória por 3 a 2.
O estádio explodiu. Jorge correu para a bandeirinha de escanteio, deslizando de joelhos, apontando para o peito e sendo engolido pelo abraço caloroso do restante da equipe. Ele foi eleito o melhor em campo pelas emissoras. Mas, no meio do turbilhão de comemorações, Jorge procurou uma única pessoa.
Erick não veio. O chileno apenas deu dois tapas protocolares nas costas de Léo Pereira e caminhou de volta para a sua posição de marcação no meio de campo, esperando o reinício da partida com o semblante de pedra.
Aquilo rasgou o colombiano por dentro. Jorge lembrou-se imediatamente de uma história contada por Wesley no churrasco de Arrascaeta, sobre como Erick corria pelo campo inteiro para erguê-lo nos braços sempre que o lateral marcava um gol importante. Para Jorge, o próprio marido nem sequer se dera ao trabalho de dar um passo.
No vestiário pós-jogo, enquanto os jogadores se arrumavam e comemoravam o triunfo, Ayrton Lucas aproximou-se de Erick perto dos armários e perguntou em tom descontraído:
— Ô, Erick, que cara é essa, irmão? Nem foi comemorar a pintura do Jorge lá na bandeirinha!
Jorge, que guardava suas chuteiras no armário ao lado, não aguentou o peso da mágoa acumulada. Fechou a porta de metal com um estrondo violento que calou o vestiário inteiro e disparou, encarando Ayrton com os olhos vermelhos de raiva:
— Ele não comemorou porque esse gol não teve a menor importância pra ele. E principalmente porque não foi o Wesley que fez!
Sem esperar resposta, Jorge agarrou sua mala e saiu em passos firmes pelo corredor, deixando um silêncio constrangedor para trás.
Carrascal chegou em casa cerca de vinte minutos antes de Erick. Foi direto para a cozinha, ainda vestindo a calça de moletom do clube e descalço, revirando a geladeira sem fome alguma, apenas para ocupar as mãos trêmulas. Quando a porta principal bateu e os passos pesados ecoaram pelo piso de porcelanato, Jorge sabia que o acerto de contas havia chegado.
Erick entrou na cozinha feito um vendaval. Jogou a mochila esportiva na ilha central e parou a um palmo de Jorge, os olhos negros queimando em fúria pura.
— Que porra foi aquela no vestiário, Jorge?! Você enlouqueceu de vez? Me expor daquele jeito na frente dos nossos companheiros de time? Você passou de todos os limites caralho!
— Eu passei dos limites?! — Jorge explodiu de volta, largando um pote de vidro sobre a bancada com força, encarando o marido com o peito arfando. — Você me ignorou a semana inteira! Não olha na minha cara dentro da nossa própria casa! Eu faço um gol decisivo no clássico, sou o melhor em campo, e o meu próprio marido me trata como se eu fosse um estranho invisível! Eu cansei desse teatrinho, Erick! Cansei do jeito que você ficou todo derretido quando o Wesley pisou no Rio, cansei da intimidade de vocês dois e cansei de me sentir um lixo comparado ao seu passado!
Erick encarou o colombiano, o peito subindo e descendo com força, mas aos poucos a raiva em sua feição deu lugar a uma exaustão densa.
— Eu não fui comemorar aquele gol porque eu ainda estava sangrando por dentro por causa do que você me falou, Jorge! — a voz de Erick saiu rouca, dolorosamente honesta. — Você duvidou do meu caráter. Você me chamou de traidor barato depois de tudo o que construímos juntos! Eu nunca olhei pra ninguém desde que me apaixonei por você, e você acha mesmo que eu ia jogar a minha vida fora por causa de um passado que já morreu?
Jorge recuou um passo, a respiração entrecortada, engolindo o nó na garganta.
— O Wesley não é nada disso que essa sua cabeça doente inventou — continuou Erick, aproximando-se com passos firmes, mantendo o olhar cravado no marido. — Quando eu cheguei ao Brasil, Jorge... eu não falava uma palavra de português direito. Eu tava sozinho, longe da minha família, inseguro pra caralho com a pressão dessa torcida. O Wesley foi o primeiro cara que me estendeu a mão. Ele me levou pra casa dele, me apresentou a cidade, me abraçou como um irmão de verdade. A gente teve um lance rápido? Teve. Mas durou duas semanas até a gente ver que não tinha química nenhuma de relacionamento e que a nossa irmandade era dez vezes maior. Ele é meu parceiro de vida, Jorge. É gratidão, é amizade limpa. E você reduziu isso a uma baixaria ridícula.
As palavras caíram sobre Jorge como blocos de concreto. Todo o castelo de cartas da sua paranoia desabou. A verdade era cristalina, pura e escancarada: ele havia sido cego, imaturo e venenoso por pura insegurança.
Jorge baixou a cabeça, as bochechas queimando de vergonha. As mãos tatuadas tremiam.
— Me... me desculpa — sussurrou Jorge, a voz quase inaudível, o sotaque colombiano arrastado pela vergonha. — Eu fui um idiota completo. Um mimado do caralho. Eu surtei de ciúmes porque... porque eu tenho pavor de te perder, Erick. Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida e ver você tão feliz com ele me fez achar que eu não era suficiente. Me perdoa... por favor?
Erick soltou um longo suspiro, passando a mão pelo rosto cansado. A rigidez em seus ombros começou a ceder, mas ele não perdeu a oportunidade de punir o colombiano com o próprio jogo.
— Eu não sei, não... — disse Erick, cruzando os braços tatuados sobre o peito e arqueando uma sobrancelha. — Acho que um pedido de desculpas assim, tão seco, não paga o escândalo no vestiário e nem a semana de inferno que você me fez passar.
Jorge ergueu os olhos e pescou na hora a faísca de malícia e provocação brilhando no fundo das pupilas escuras do chileno. A pose de durão de Pulgar ainda estava ali, mas a brecha havia sido aberta. E Jorge Carrascal sabia exatamente como desarmar a fera.
O sorriso arteiro e malandro, a arma mais perigosa do colombiano, brotou lentamente nos lábios carnudos. Ele deu um passo lento à frente, os olhos fixos nos de Erick, balançando os quadris com aquela ginga natural que deixava o marido louco.
— Ah, é? Meu pitbull acha que eu não mereço o perdão dele? — ronronou Jorge com a voz rouca, melodiosa e dengosa, colando o peito no peito maciço do marido.
Jorge deslizou as mãos pelas costelas tatuadas de Erick, subindo pelos ombros largos e entrelaçando os dedos na nuca raspada do chileno. Ele começou a distribuir beijinhos estalados e úmidos pela mandíbula quadrada de Pulgar, roçando a ponta do nariz pelo pescoço quente, descendo até a jugular e dando uma mordidinha precisa bem onde a pulsação batia descompassada.
— Perdoa o seu menino, amor... — sussurrou Jorge contra a pele do marido, soprando o ar quente no ouvido dele antes de morder o lóbulo com volúpia. — Eu fiquei tão carente sem você... A minha boca passou a semana inteira sonhando com o seu pau. Eu tô morrendo de saudade do meu macho.
A postura inflexível de Erick ruiu como pó. Um rosnado baixo vibrou na garganta do chileno. Com as duas mãos pesadas, Erick agarrou Jorge pela cintura fina e o empurrou para trás, conduzindo o colombiano para fora da cozinha até a sala ampla. Em um tranco decidido, Erick deitou o marido de costas no sofá de linho escuro.
Jorge abriu as pernas bronzeadas imediatamente, laçando o quadril forte de Erick entre suas coxas musculosas. Erick desabou sobre ele, calando qualquer resquício de conversa com um beijo brutal, faminto e desesperado. As línguas se entrelaçaram com força; Erick sugou a língua macia de Jorge, arrancando um gemido abafado do colombiano enquanto fingia estocadas pesadas contra o quadril do marido, esfregando o volume crescente de sua calça contra a virilha de Carrascal.
Jorge levou a mão direita até a calça de moletom de Erick, apertando a ereção monstruosa que pulsava contra o tecido grosso, acariciando com firmeza e audácia.
— Olha como você tá duro pra mim... — provocou Jorge com a respiração entrecortada, os olhos cheios de malícia. — Não aguentava mais ficar de greve, né? Minha boca tá esperando por isso desde o clássico.
Erick afastou o rosto, o peito arfando, os olhos dilatados de puro tesão. Ele enfiou os dedos grossos nos cabelos descoloridos de Jorge, puxando a cabeça do colombiano para trás com força calculada.
— Cala a porra dessa boca e faz o que você sabe fazer de melhor — rosnou o chileno, a voz rasgada. — Me chupa, Jorge. Me chupa gostoso que nem você fez no banheiro do hotel depois daquela final de Libertadores. Agora.
Um calafrio violento percorreu a espinha de Jorge ao lembrar daquela noite histórica. Ele escorregou do sofá com a agilidade de um felino, caindo de joelhos sobre o tapete felpudo da sala, bem entre as pernas abertas do marido. Com dedos ágeis e urgentes, desamarrou o cordão da calça de Erick, puxou o tecido para baixo junto com a cueca boxer e libertou o membro grosso, latejante e escuro.
Jorge não perdeu um segundo. Envolveu a glande intumescida com lábios macios e mornos, soltando um gemido guloso contra a pele sensível. Ele cobriu o pau de saliva abundante, deslizando a língua pelo comprimento antes de abrir a garganta e engolir tudo até a base, sentindo a ponta bater fundo no final da boca.
Erick jogou a cabeça para trás no encosto do sofá, os nós dos dedos ficando brancos enquanto enterrava as mãos nos cabelos do colombiano, guiando o ritmo violento da sucção. O som molhado e obsceno da saliva ecoava pela sala alta. Jorge sustentava o olhar de baixo para cima, os olhos marejados pelo reflexo da garganta profunda, devorando cada centímetro daquele pau com uma fome insana. Sentindo os músculos do quadril de Erick enrijecerem, Jorge intensificou o movimento da boca e das mãos, ordenhando o chileno com ferocidade até que Erick soltou um palavrão rouco e descarregou jatos grossos e quentes no fundo da boca de Carrascal.
Jorge engoliu tudo sem hesitar, limpando o canto dos lábios com as costas da mão tatuada com um estalo lascivo. Ele levantou-se com agilidade, subiu no colo de Erick no sofá e sentou-se sobre a virilha do marido, rebolando a bunda macia contra o membro que ainda pulsava rijo.
— Agora me come, papá... — manhou Jorge, mordiscando o lábio inferior, os olhos febris. — Me fode bem gostoso.
Erick ergueu a mão pesada e desferiu um tapa sonoro no rosto bronzeado do colombiano. O estalo seco fez a cabeça de Jorge virar para o lado, mas o efeito foi puramente incendiário. Carrascal voltou o rosto lentamente, com um sorriso debochado, perverso e insaciável nos lábios.
— Se for pra bater, bate feito homem de verdade que fode com força — sussurrou Jorge, desafiador.
Erick levantou-se em um impulso poderoso, erguendo Jorge pelo quadril sem o menor esforço e caminhando a passos largos em direção à escada.
— Pro quarto. Agora.
Eles atravessaram a porta da suíte aos tropeços, derrubando camisas e tênis pelo chão. Erick empurrou o marido de costas sobre o colchão king-size e avançou com brutalidade controlada, abrindo os botões do short jeans de Jorge. No momento em que Erick puxou o cós para baixo, Jorge soltou uma risadinha safada e mordeu os lábios.
Os olhos de Erick se arregalaram. As pupilas do chileno dilataram ao extremo e o ar pareceu sumir de seus pulmões.
Jorge estava vestindo uma lingerie rendada de tiras finas, minúscula, de um vermelho escarlate berrante e provocativo. Era a mesma peça que Erick havia apontado na vitrine de uma boutique sofisticada de um shopping da Barra semanas atrás, confessando ao pé do ouvido do colombiano que ficaria louco se o visse usando aquilo.
— Seu filho da puta... — rosnou Erick, a voz embargada de pura luxúria.
— Gostou, meu pitbull? — provocou Jorge, virando-se de bruços na cama com um requebrado lento, empinando a bunda redonda e torneada. A calcinha vermelha destacava a pele morena e as tatuagens intrincadas que cobriam suas coxas. — Comprei pra você me comer hoje.
Erick perdeu qualquer resquício de sanidade. Ele se jogou sobre o marido, desferindo uma sequência de tapas pesados e estalados nas nádegas expostas de Carrascal. A carne macia foi tingindo-se rapidamente de um vermelho vivo, da exata cor da lingerie de renda. Jorge enterrava as unhas nos lençóis de cetim, soltando gemidos roucos e desesperados a cada impacto, implorando em espanhol para ser fodido.
Pulgar puxou o tecido fino da calcinha para o lado, expondo a intimidade do marido. Sem aviso, afundou a língua quente, firme e molhada na entrada apertada de Jorge. O beijo grego foi voraz, profundo e desavergonhado. Erick explorou cada terminação nervosa com voracidade carnal, sugando e lambendo a carne sensível com tanta intensidade que Jorge arqueou a coluna feito um arco, gritando descompassado. O colombiano não aguentou a sobrecarga de prazer: estremeceu em espasmos violentos e gozou sozinho sobre o lençol, derramando-se em jatos quentes durante as preliminares.
Erick ergueu o tronco suado, as feições retorcidas pelo tesão primitivo. Ele colou o peito tatuado nas costas de Jorge e mordeu a orelha do colombiano com força, sussurrando com crueldade obscena:
— Você achou que ia se livrar tão fácil só porque gozou na cama, sua putinha? Você não vai sair desse quarto até eu arrebentar todinha essa sua bunda atrevida. Porque eu só tenho uma puta na minha vida, Jorge. E é você.
Com agilidade experiente, Erick alcançou o lubrificante na gaveta da cabeceira, besuntou os próprios dedos e a extensão colossal do seu pau rígido. Alinhou a glande úmida na entrada latejante do marido e, sem hesitar, enterrou-se até a raiz em uma estocada profunda e impiedosa.
Jorge soltou um grito rasgado de pura luxúria, as mãos cravadas na cabeceira de couro.
— Isso, porra! Me rasga todinho, Erick! Me fode!
O quarto foi engolido por uma tempestade de carne, suor e palavras imundas. Erick fodeu seu marido sem trégua: empurrou-o de quatro, depois virou o colombiano de barriga para cima, apoiando as pernas tatuadas de Jorge sobre seus ombros largos para atingir o ponto mais profundo a cada investida violenta. A base da cama rangia contra o piso a cada estocada ritmada. Pulgar despejava dirty talk no ouvido do marido, chamando-o de cadela, de putinha exclusiva do seu meio-campo, lembrando a cada segundo a quem aquele corpo dourado e esculpido pertencia.
Eles se amaram na cama, contra o espelho do closet e no chão macio do quarto. Erick venerou cada tatuagem, cada curva e cada centímetro da pele de Jorge com beijos brutos e marcas de dentes, reivindicando seu território até que a exaustão finalmente cobrasse o preço.
Quando a madrugada deu lugar aos primeiros raios de sol, a calcinha vermelha jazia rasgada aos pés da cama. Deitados de conchinha entre os lençóis desfeitos, Erick mantinha o nariz afundado no pescoço cheiroso de Jorge, ouvindo a respiração pesada do marido.
Jorge deu uma risadinha fraca, manhosa, ajeitando a bunda dolorida contra o quadril do chileno.
— Da próxima vez que eu tiver ciúmes... — murmurou o colombiano com a voz completamente rouca — ... você me fode desse jeito de novo?
Erick sorriu contra a pele morena do marido, apertando a cintura de Jorge possessivamente.
— Cala a boca e dorme, Carrascal. Você é meu, porra. E de mais ninguém.