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RAVE! ONE SHOTS

O Peso da Coroa de Neon

— Você está me dizendo — começou Tom, girando o copo de Smirnoff entre os dedos enquanto observava PK na cozinha — que aquele "incidente" na faculdade aconteceu porque você é... bom, um trator desgovernado?

PK, que estava ocupado tentando equilibrar três donuts em cima de uma caneca, parou o que estava fazendo e sentiu as bochechas esquentarem. As antenas, que ele mantinha escondidas na maior parte do tempo, deram um pequeno espasmo sob o cabelo neon.

— Eu não diria "trator" — PK murmurou, sem olhar para Tom. — É só que... a biologia Arkops não é muito boa em termos de "limite". Quando eu fico animado, a minha força física triplica. E o Tord... bem, ele era muito leve naquela época.

Tom soltou uma risada ruidosa, inclinando-se para frente com um brilho desafiador nos olhos negros.

— Eu não sou leve, Liam. E o Tord, por mais que eu deteste admitir, é bem resistente para um comunista de bolso. Se você dividir essa sua força entre nós dois, tenho certeza de que a geometria da coisa fica bem mais justa.

Tord, que estava sentado no canto do sofá lendo uma revista técnica sobre armas, quase engasgou com a própria saliva. Ele abaixou a revista, revelando um rosto que misturava terror e uma memória dolorosa de quadris roxos.

— Thomas, você está brincando com fogo — Tord alertou, a voz subindo uma oitava. — Você não tem noção. Ele morde. Ele aperta. Ele não para. Eu fiquei andando como um pinguim por uma semana! Você quer mesmo que a gente acabe no hospital tentando explicar para o Edd por que nossas colunas vertebrais foram realinhadas por um canadense?

— Ah, qual é, Tord! — Tom provocou, levantando-se e caminhando até PK, passando os braços pela cintura do menor. — Você não quer ver o PK no comando de novo? Onde está aquele seu espírito de liderança?

PK soltou um suspiro pesado, desvencilhando-se do abraço de Tom de forma gentil, mas firme.

— Não, Tom. Eu não vou fazer isso. Eu tenho medo de machucar vocês de verdade. Além do mais... — Ele fez uma pausa, olhando para os dois com uma expressão pensativa. — Eu nem tenho o "equipamento" necessário para dar conta de vocês dois ao mesmo tempo. Eu sou um só.

— Você tem os tentáculos — Tord deixou escapar, antes de se arrepender amargamente ao ver o sorriso malicioso que brotou no rosto de Tom.

— Tentáculos? — Tom ergueu uma sobrancelha. — Isso soa como um desafio logístico que eu estou muito disposto a enfrentar.

— Não! — PK exclamou, as mãos subindo para o rosto. — Sem tentáculos. Sem destruição de móveis. Eu sou o passivo dessa relação e pretendo continuar assim para a segurança estrutural deste prédio!

O dia prosseguiu, mas Tom não era homem de desistir fácil. Ele começou uma campanha de guerrilha sensorial que estava levando PK à loucura. Enquanto PK tentava desenhar no sofá, Tom sentava-se ao lado dele, deixando a mão "acidentalmente" subir pela coxa de PK, apertando o músculo com uma firmeza que fazia o alienígena perder o traço do desenho.

— Tom, para — PK pediu, a voz um pouco mais rouca.

— Parar o quê? — Tom sussurrou, aproximando-se do ouvido de PK e lambendo o lóbulo da orelha dele, sentindo o pequeno choque elétrico que a pele Arkops emitia quando estimulada. — Eu só estou sendo carinhoso.

PK respirou fundo, tentando manter o foco, mas Tom continuava. Ele se abaixava para pegar coisas no chão com uma lentidão desnecessária, garantindo que sua bunda ficasse bem na linha de visão de PK. Ele passava por trás de PK na cozinha e deixava o peito roçar nas costas dele, murmurando elogios sobre como o perfume de PK era "inebriante".

Vendo que PK ainda resistia bravamente, Tom decidiu que precisava de reforços. Ele puxou Tord para um canto da lavanderia enquanto PK estava no banho.

— Você precisa me ajudar, Larsson.

— Eu não vou ajudar você a cometer suicídio pélvico, Thomas — Tord retrucou, cruzando os braços.

— Ah, para de ser covarde! — Tom revirou os olhos. — Olha para ele. Você sabe que ele quer tanto quanto a gente, só está com medo. E você... — Tom deu um passo à frente, diminuindo a distância. — Você tem um corpo bonito, Tord. Essas coxas, essa cintura... se nós dois provocarmos ele juntos, ele não vai aguentar dez minutos.

Tord sentiu o rosto esquentar. Ele odiava quando Tom usava aquele tom de voz e, mais ainda, odiava o fato de que Tom estava certo. O desejo de ver PK assumindo o controle, com aquela aura de poder Arkops, era um vício que ele tentava esconder.

— Se eu te ajudar... — Tord sibilou, olhando para os lados para garantir que estavam sozinhos — você cala a boca sobre aquele incidente com a colher de pau?

— Fechado — Tom sorriu.

A tarde transformou-se em um campo de batalha de sedução. Quando decidiram ir ao shopping para comprar novos materiais de desenho para PK, o plano entrou em sua fase final. No meio da praça de alimentação, Tord comprou um picolé de morango e começou a chupá-lo com uma atenção aos detalhes que fazia as antenas de PK vibrarem furiosamente sob o boné.

— Está gostoso, Tord? — Tom perguntou, com um sorriso de lado.

— Está... gelado. E macio — Tord respondeu, olhando diretamente para PK enquanto passava a língua pelo doce.

PK apertou as alças da mochila, sentindo o suor frio escorrer pelas costas.

— Eu vou... eu vou ver os cadernos — PK murmurou, tentando fugir.

Mas Tom foi mais rápido. Ele "deixou cair" uma moeda propositalmente bem na frente de PK e se abaixou para pegar, esticando o tecido da calça de forma que PK literalmente esbarrou nele. O contato físico foi como um curto-circuito.

— Opa! — Tom disse, levantando-se devagar, ainda muito perto de PK. — Desculpa, Liam. Eu sou tão desastrado.

Eles estavam em uma loja de eletrônicos agora. Tom e Tord cercaram PK entre uma prateleira de televisores e uma de caixas de som.

— Liam — Tom sussurrou, a voz carregada de uma necessidade real agora. — Por favor. Fode a gente. Eu quero sentir o que o Tord sentiu. Eu quero que você perca o controle.

— É — Tord adicionou, a respiração pesada, encostando o peito no braço de PK. — Deixa o monstro sair, PK. A gente aguenta. Nós queremos isso. Imploramos por isso.

PK olhou de um para o outro. O "gay panic" atingiu níveis galácticos. Sua biologia Arkops, sobrecarregada por horas de estímulos e pela pressão psicológica de seus dois namorados, atingiu o ponto de ebulição. Um pulso eletromagnético invisível emanou de seu corpo.

*BUM.*

Três lâmpadas de LED do teto do shopping estouraram ao mesmo tempo, e as televisões da prateleira começaram a exibir estática colorida.

— Chega! — PK rugiu, a voz ecoando com um tom metálico que não era humano. — Vamos para casa. Agora!

A viagem de volta foi feita em um silêncio sepulcral. Tom e Tord estavam sentados no banco de trás do carro, trocando olhares de "o que foi que a gente fez?". PK dirigia com as mãos apertando o volante com tanta força que o couro estava rangendo.

Ao chegarem em casa, PK nem esperou que eles fechassem a porta da frente.

— Pro quarto — ordenou PK, sem olhar para trás. — Os dois.

— PK, a gente só queria... — Tom tentou começar um pedido de desculpas, mas PK se virou, e seus olhos estavam completamente negros, com faíscas púrpuras dançando nas pupilas.

— Eu disse: pro quarto. E eu só espero que vocês não se arrependam, porque eu não vou parar quando vocês pedirem.

Tom e Tord engoliram em seco, mas a excitação superava o medo. Eles subiram e se posicionaram na cama de titânio que Tord havia construído. PK entrou logo depois, chutando a porta para fechar. Ele tirou a camisa, revelando as marcas luminescentes que começavam a brilhar intensamente em seu torso.

— Vocês passaram o dia brincando com um predador — PK disse, a voz agora profunda e ríspida, totalmente dominante. — Agora vocês vão aprender que um Arkops não divide. Um Arkops conquista.

O que se seguiu foi uma demonstração de poder que deixou Tom e Tord sem fôlego. PK não era mais o garoto animado e caótico; ele era um comandante. Ele usou a força física para subjugar Tom primeiro, prendendo os braços do britânico acima da cabeça com uma única mão, enquanto usava a outra para silenciar os protestos de Tord.

— Você queria o monstro, Thomas? — PK sibilou, mordendo o pescoço de Tom com força suficiente para deixar uma marca que duraria semanas. — Aqui está ele.

PK foi ríspido e grosso. Ele não pediu permissão; ele tomou o que queria com uma autoridade que fazia o sangue de Tord ferver de prazer e pavor. Quando os tentáculos translúcidos emergiram de suas costas, Tom soltou um grito de surpresa que foi rapidamente abafado pelo beijo possessivo de PK.

Os tentáculos agiam como extensões da vontade de PK, envolvendo os pulsos e tornozelos de Tom e Tord, mantendo-os exatamente onde PK queria. Era uma sinfonia de pele, suor e o som rítmico da cama de titânio finalmente sendo testada ao seu limite máximo.

— Olhem para mim — PK ordenou, e eles obedeceram, hipnotizados pelo brilho das antenas que chicoteavam o ar. — Vocês são meus. Entenderam?

— Sim... — Tord ofegou, as unhas cravadas no colchão.

— Sim, senhor — Tom respondeu, a voz trêmula, completamente entregue ao domínio do menor.

PK não teve piedade. Ele explorou cada fraqueza, cada ponto sensível, usando sua força superior para garantir que nenhum dos dois tivesse um segundo de descanso. Ele alternava entre eles com uma eficiência militar, garantindo que ambos estivessem no limite da sanidade antes de permitir que qualquer um chegasse ao ápice.

Horas depois, o brilho luminescente de PK começou a diminuir. Ele se afastou, voltando à sua forma humana, e desabou entre os dois, exausto.

Tom estava deitado de lado, sentindo como se tivesse sido atropelado por um caminhão de gliter e eletricidade. Tord estava de barriga para cima, olhando para o teto com os olhos vidrados, sentindo que seus músculos tinham se transformado em geleia.

— Então... — PK murmurou, a voz voltando ao tom doce habitual, embora estivesse rouca. — Foi como vocês imaginaram?

Tom tentou levantar um braço, mas desistiu na metade do caminho.

— Eu sinto que meus órgãos internos mudaram de lugar — Tom disse, sua voz saindo como um guincho.

— Eu não consigo sentir minhas pernas — Tord adicionou, fechando os olhos. — Acho que uma das minhas costelas está flutuando.

PK deu uma risadinha, abraçando os dois.

— Eu avisei. A biologia Arkops é intensa.

Houve um longo silêncio no quarto, quebrado apenas pelo som da respiração pesada dos três.

— Tord? — Tom chamou baixinho.

— O quê?

— Nunca mais.

— Concordo plenamente — Tord respondeu, com uma firmeza que não admitia discussões. — Da próxima vez que você tiver uma ideia dessas, Thomas, eu mesmo te dou um tiro de laser para te poupar do sofrimento.

PK sorriu, fechando os olhos e se aconchegando no peito de seus dois "conquistados". Ele sabia que, apesar das reclamações, eles estavam felizes. Mas, no fundo, ele também concordava. Ser o ativo dava muito trabalho, e ele preferia muito mais ser o centro das atenções de forma mais preguiçosa.

A cama de titânio tinha sobrevivido, mas os egos de Tom e Tord precisariam de muito mais tempo para se recuperar daquela lição de humildade intergaláctica.