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RAVE! ONE SHOTS

Sombras do Passado e a Fome do Monstro

A manhã em Londres tinha aquele tom cinzento e úmido que Tom tanto apreciava, mas o clima dentro da casa de Edd estava longe de ser pacífico. Liam — ou PK, como preferia ser chamado — estava sentado no balcão da cozinha, balançando as pernas e tentando ignorar o par de olhos prateados e o par de "buracos" negros que o vigiavam de cada lado da sala.

A tensão tinha um nome: Galaczor.

Um dos antigos companheiros de elite de PK na raça Arkops havia surgido do nada dois dias atrás. Ele não veio com naves ou exércitos, mas com uma arrogância silenciosa, aparecendo nos lugares que PK frequentava, sempre com o mesmo discurso de que o "grande Ymir" estava desperdiçando seu potencial genético vivendo como um animal de estimação de humanos inferiores.

— Eu já disse que não vou, Galaczor! — PK exclamou, saltando do balcão quando a figura alta e de pele azulada pálida se materializou na porta dos fundos, ignorando solenemente a tranca.

Galaczor ignorou Tom e Tord como se fossem mobília barata. Ele se aproximou de PK, sua presença emanando uma pressão gravitacional que fazia as luzes da cozinha piscarem.

— Ymir, olhe para você — disse Galaczor, a voz ecoando como metal raspando em pedra. — Vestido com essas cores berrantes, cercado por seres que morrem se ficarem sem oxigênio por três minutos. Você é o guerreiro que destruiu luas. Venha comigo. Seremos parceiros, conquistaremos este quadrante. Você não pertence a este... lixo.

PK deu um passo atrás, sentindo um calafrio. Ele não gostava de ser lembrado de quem era antes de cair na Terra. Ele gostava de ser Liam. Gostava de donuts, de música scene e de seus dois namorados idiotas.

— Ele disse para você cair fora, "Smurf" gigante — Tom se levantou da mesa, a voz saindo como um rosnado baixo.

Tom não estava em seu estado normal. Desde que Galaczor apareceu, o lado monstro de Tom estava à flor da pele. Suas mãos estavam permanentemente fechadas em punhos, e um brilho púrpura constante emanava do fundo de seus olhos negros.

— Thomas tem razão — Tord interveio, levantando-se do sofá. Ele não usava seu moletom vermelho habitual, mas sim uma regata preta que deixava seu braço robótico totalmente à mostra. O metal da prótese emitia um zumbido agudo, carregando energia. — Você está invadindo nossa propriedade e incomodando nosso namorado. Eu tenho mísseis no meu jardim que adorariam conhecer sua fisiologia alienígena.

Galaczor soltou uma risada seca, voltando os olhos para os dois.

— Vocês acham que são donos dele? Ele é uma força da natureza. Vocês são apenas... distrações temporárias.

O alienígena estendeu a mão para tocar o rosto de PK, um gesto de posse que foi o estopim para o caos.

Antes que os dedos de Galaczor alcançassem a pele de PK, Tom explodiu em movimento. Ele não apenas avançou; ele se transformou. Em um piscar de olhos, o corpo de Tom dobrou de tamanho, seus músculos rasgando as mangas do moletom azul, chifres negros e massivos brotando de seu crânio. Ele agarrou o pulso de Galaczor com uma força que fez o osso Arkops estalar.

— Não. Toque. Nele — o Monstro Tom rugiu, a voz fazendo os vidros da cozinha estourarem.

Ao mesmo tempo, Tord não ficou para trás. Com uma velocidade cirúrgica, ele sacou uma pistola de plasma modificada e a encostou na têmpora de Galaczor.

— Eu estava ansioso para testar o novo núcleo de energia desta belezinha — Tord sibilou, o sorriso de dentes afiados mais largo do que nunca. — Você quer ver como um cérebro Arkops reage ao calor de uma estrela anã?

PK observava a cena com o coração na boca. Ele odiava Galaczor, mas ver Tom e Tord agindo com aquela possessividade agressiva e territorial era assustador e, de uma forma que ele se envergonhava de admitir, excitante.

— Saiam da frente — PK pediu, tentando intervir. — Galaczor, vá embora. Agora. Antes que eles realmente matem você.

— Eles não podem me matar, Ymir — Galaczor zombou, mesmo com o braço sendo esmagado por Tom. — Eles são apenas...

Ele não terminou a frase. Tom o arremessou através da parede da cozinha como se ele fosse um boneco de pano. O estrondo foi ensurdecedor. Tord não perdeu tempo e saltou pelo buraco na parede, disparando rajadas de plasma que iluminaram o quintal em tons de carmesim.

O que se seguiu foi uma execução brutal. Galaczor era forte, mas não estava preparado para a fúria combinada de um monstro movido a ciúme e um ditador militar com tecnologia de ponta. Tom, em sua forma de monstro, agia como um animal protegendo sua cria, dilacerando a armadura de Galaczor com as garras, enquanto Tord flanqueava, garantindo que o alienígena não tivesse para onde fugir.

— Por favor! — Galaczor gritou, sua arrogância desaparecendo conforme o sangue azul manchava a grama de Edd. — Ymir, ajude-me!

PK apareceu no buraco da parede, observando a cena. Ele viu o olhar de Tom — um olhar de fome e proteção absoluta. Viu Tord rindo enquanto recarregava a arma, a face salpicada de azul.

— Você escolheu o planeta errado, parceiro — Tord disse, dando o tiro final no peito do alienígena, vaporizando o que restava de sua essência.

O silêncio caiu sobre o quintal. Tom permaneceu parado sobre o corpo por alguns segundos, bufando fumaça púrpura pelas narinas, antes de se virar para PK. Ele ainda estava transformado, uma massa de músculos e fúria.

Tord guardou a arma e caminhou até PK, passando a mão robótica pelo cabelo neon do garoto.

— Ele não vai mais te incomodar, *kjæreste* — Tord sussurrou, mas não havia doçura em sua voz. Havia uma promessa sombria.

Tom caminhou em direção a eles, cada passo fazendo o chão tremer. Ele não voltou à forma humana. Ele parou na frente de PK, sua sombra cobrindo o canadense completamente.

— Pro quarto — Tom rosnou, a voz vibrando no peito de PK.

— Tom... — PK começou, mas o olhar púrpura de Tom o calou.

— Agora, Liam — Tord reforçou, segurando o braço de PK com uma firmeza que não admitia discussões.

Eles o levaram para cima. A atmosfera no quarto era pesada, carregada de testosterona, magia de monstro e o cheiro de ozônio das armas de Tord. PK sentia que o ar estava eletrizado.

Tom fechou a porta com um estrondo, e a tranca de titânio — que Tord havia instalado após o incidente da cama quebrada — se encaixou com um clique final.

— Você gostou da atenção dele, não gostou? — Tom perguntou, aproximando-se de PK. Ele ainda era o monstro, mas sua voz estava recuperando uma cadência humana, embora ainda fosse gutural. — Ficou lá, deixando ele falar aquelas coisas sobre ser seu "parceiro".

— Eu não gostei! Eu estava tentando fazer ele ir embora! — PK defendeu-se, recuando até suas costas baterem na cabeceira da cama.

— Você foi muito "mole", Liam — Tord disse, sentando-se na beirada da cama e começando a tirar as botas. — Deixou que ele chegasse perto demais. Deixou que ele achasse que tinha um direito sobre você.

— Eu sou de vocês! Vocês sabem disso! — PK exclamou, as antenas brotando de seu cabelo e brilhando intensamente em resposta ao estresse.

Tom subiu na cama, engatinhando como um predador sobre PK. Seus chifres quase tocavam o teto. Ele segurou os pulsos de PK e os prendeu contra o colchão.

— Sabe, PK... — Tom sibilou, seu rosto a centímetros do de Liam. — Aquela noite em que você resolveu ser o "ativo" e nos quebrar... foi divertida. Mas hoje, nós fomos lembrados de que você é algo que precisa ser guardado. Protegido. E domado.

— Eu não preciso ser domado — PK desafiou, embora sua respiração estivesse acelerada.

Tord aproximou-se por trás de PK, sussurrando em seu ouvido enquanto suas mãos exploravam a cintura do canadense.

— Precisa sim. Para você não esquecer a quem pertence. Para que, da próxima vez que um Arkops aparecer, você não hesite em dizer que já tem donos.

Tom soltou um rosnado de aprovação. Ele começou a morder o pescoço de PK, não com a agressividade da luta lá fora, mas com uma fome possessiva que fez PK soltar um gemido involuntário. As presas de Tom arranhavam a pele de PK, marcando-o profundamente.

— Hoje você vai pagar por aquela noite, Liam — Tom disse contra a pele dele. — Eu vou te mostrar o que acontece quando o monstro está com fome.

PK sentiu o peso de Tom sobre ele. Era massivo, quente e dominante. Tom não teve a delicadeza habitual. Ele era bruto, movido pelo instinto territorial que Galaczor havia despertado. Ele usou sua força de monstro para virar PK de bruços, pressionando-o contra o colchão de titânio.

— Tord... ajude-me — Tom pediu, a voz vibrando.

Tord não precisou de um segundo convite. Ele segurou as mãos de PK, usando sua força para mantê-lo imóvel, enquanto Tom começava a tomar o que era seu por direito de conquista.

A experiência foi avassaladora. Tom, em sua forma de meio-monstro, possuía uma resistência e uma força que desafiavam a biologia de PK. Cada movimento era carregado de uma energia púrpura que fazia os nervos de PK arderem de prazer e agonia. Tom não parava; ele era uma máquina de movimento constante, reivindicando cada centímetro do corpo de PK como seu território.

— Diga — Tom ordenou, a voz abafada pelo travesseiro onde PK escondia o rosto. — De quem você é, Ymir?

— De... de vocês — PK ofegou, as lágrimas de êxtase escorrendo pelo rosto. — Eu sou de vocês!

— De quem? — Tord insistiu, mordendo a orelha de PK e puxando seu cabelo com força. — Diga os nomes.

— De Tom... e de Tord — PK gritou, quando Tom atingiu um ponto que o fez ver estrelas. — Eu sou seu, Tom! Eu sou seu, Tord! Por favor... mais!

A noite transformou-se em um borrão de sensações extremas. Quando Tom finalmente atingiu seu limite, a explosão de energia púrpura foi tão forte que fez as luzes da casa inteira queimarem. Ele desabou sobre PK, sua forma de monstro regredindo lentamente, mas ainda mantendo os chifres e as garras.

Tord, exausto mas satisfeito, deitou-se ao lado deles, puxando o corpo trêmulo de PK para perto de si.

— Bom garoto — Tord murmurou, limpando o suor da testa de PK. — Viu como é melhor quando você apenas aceita?

Tom, voltando totalmente à forma humana, mas ainda com os olhos negros brilhando de possessividade, abraçou PK por trás, enterrando o rosto em seu pescoço.

— Se outro alienígena chegar perto de você... — Tom murmurou, a voz rouca de cansaço — eu não vou apenas matá-lo. Eu vou fazer ele assistir enquanto eu te marco na frente dele.

PK, sentindo o calor de seus dois namorados, sentindo-se seguro e completamente pertencente, soltou um suspiro longo. Ele estava dolorido, marcado e exausto, mas nunca se sentira tão amado.

— Eu não vou a lugar nenhum — PK prometeu, fechando os olhos. — Eu sou o alienígena de vocês. Só de vocês.

Lá fora, os restos de Galaczor eram levados pelo vento frio de Londres, uma lembrança silenciosa de que, naquela casa, o amor não era apenas um sentimento, mas uma força territorial que não conhecia limites, nem humanos, nem intergalácticos. E enquanto Edd gritava lá embaixo sobre o buraco na parede da cozinha, o trisal dormia o sono dos conquistadores, unidos pelo sangue azul nas mãos e pelo amor roxo no coração.