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Rintama high 2

O Alfabeto do Prazer e a Gramática do Silêncio

A manhã de segunda-feira na Escola Secundária Anaktos tinha um sabor diferente. O ar pesado e o cheiro de desinfetante industrial ainda estavam lá, mas para o grupo que atravessava os portões de ferro, o mundo parecia ter mudado de eixo. Após o fim de semana na casa de Hyuna, as olheiras profundas e os sorrisos contidos contavam histórias que os livros de história da biblioteca jamais ousariam registrar.

Eles haviam se despedido na porta de Hyuna ao amanhecer, cada um seguindo para sua casa para trocar o pijama pela armadura de algodão e poliéster do uniforme. Quando se reencontraram no corredor principal, a dinâmica era um caos fascinante.

Ivan e Till caminhavam a dois metros de distância um do outro, trocando olhares que poderiam derreter vigas de aço. Se no domingo eles pareciam ter encontrado uma trégua entre os lençóis, na segunda a máscara de hostilidade havia retornado com força total, embora houvesse uma tensão nova, elétrica, que fazia os pelos dos braços de Till se arrepiarem toda vez que Ivan passava perto demais.

— Você está no meu caminho de novo, seu idiota — rosnou Till, ajustando a alça da mochila com uma agressividade desnecessária.

— O corredor continua público, Till. Mas se quiser que eu te carregue no colo para abrir caminho, é só pedir — rebateu Ivan, a voz carregada de um sarcasmo que agora soava quase como um convite.

Luka e Hyuna, por outro lado, eram a imagem da doçura. Luka caminhava um pouco mais ereto, os óculos ajustados com menos nervosismo, enquanto Hyuna mantinha a mão levemente roçada na dele, trocando risadinhas sobre piadas internas que faziam Luka corar a cada cinco minutos.

Mas o verdadeiro espetáculo estava no fundo do pelotão.

Mizi e Sua pareciam ter fundido suas existências. Mizi, com sua energia caótica de sempre, não perdia uma oportunidade de reivindicar território. Ela caminhava com o braço passado pelos ombros de Sua, os dedos brincando com as pontas do cabelo preto da garota. De vez em quando, Mizi se inclinava e enterrava o nariz no pescoço de Sua, inalando o perfume de sabonete e pele com uma fome que não se escondia.

Sua, a "poetisa" gélida da Anaktos, estava irreconhecível. Ela não apenas permitia os avanços de Mizi, como parecia buscá-los. Ela se inclinava contra o corpo da garota rosa, fechando os olhos por breves segundos quando sentia os lábios de Mizi roçarem sua orelha. A carência de Sua era um abismo silencioso que Mizi estava mais do que disposta a preencher.

— Mizi, estamos no meio do corredor — murmurou Sua, embora sua mão estivesse firmemente agarrada à cintura de Mizi, puxando-a para mais perto.

— E quem vai nos impedir? O diretor? — Mizi deu uma risada baixa, descendo a mão para dar um aperto rápido e firme na bunda de Sua, arrancando um suspiro surpreso da garota. — Eu sou a dona deste lugar, lembra? E você é minha.

Sua mordeu o lábio inferior, os olhos roxos brilhando com uma mistura de vergonha e desejo.

— Idiota... — ela sussurrou, mas aproximou o rosto do de Mizi, pedindo silenciosamente por mais.

O sinal tocou, anunciando a aula de inglês. A professora, uma mulher de meia-idade com paciência de vidro, entrou na sala carregando uma pilha de papéis.

— Bom dia, turma. Hoje teremos uma avaliação em dupla. Escolham seus parceiros e sentem-se.

A movimentação foi imediata. Luka e Hyuna juntaram suas carteiras no meio da sala, trocando olhares encorajadores. Ivan e Till, após um momento de hesitação mútua que pareceu durar uma eternidade, arrastaram suas mesas para perto um do outro com um barulho ensurdecedor, bufando e fingindo que odiavam a ideia.

Mizi e Sua, sem trocar uma palavra, pegaram suas coisas e se dirigiram para a última fileira, no canto mais escuro e isolado da sala. As carteiras ali ficavam de costas para a maioria dos alunos, e a posição estratégica da estante de dicionários criava uma barreira visual quase perfeita.

— Aqui está bom — disse Mizi, sentando-se e puxando a cadeira de Sua para que ficassem coladas, ombro a ombro.

A prova foi distribuída. Era um questionário longo sobre gramática e interpretação de texto. Luka e Hyuna começaram a discutir os itens em sussurros baixos. Ivan e Till pareciam estar em uma competição de quem escrevia mais rápido sem olhar para o outro.

Sua pegou a caneta, tentando se concentrar na primeira questão. Ela era excelente em inglês, mas a presença de Mizi ao seu lado era uma distração monumental. Mizi não estava escrevendo. Ela apoiava o queixo na mão esquerda, fingindo ler a prova, enquanto a mão direita desaparecia sob a mesa.

Sua sentiu o toque antes mesmo de processar o que estava acontecendo.

A mão de Mizi subiu pela coxa de Sua, por baixo da saia do uniforme, com uma audácia que fez a caneta da garota falhar no papel. Os dedos de Mizi eram quentes e experientes, encontrando o caminho entre as pernas de Sua com uma precisão cirúrgica.

— Mizi... não — sussurrou Sua, a voz falhando, os olhos fixos na prova para não denunciar o que sentia.

— Shh... faz a prova, poetisa. Você é inteligente, não é? — a voz de Mizi era um sussurro pecaminoso no ouvido de Sua.

Mizi deslizou um dedo para dentro da intimidade de Sua, encontrando-a já úmida e pronta. Ela começou um movimento de bombeio lento, ritmado, seus olhos dourados fixos na lateral do rosto de Sua, observando cada pequena reação.

Sua sentiu o mundo girar. Ela cravou a mão livre na borda da mesa, os nós dos dedos ficando brancos. A gramática inglesa tornou-se um labirinto impossível. Ela tentava ler as frases, mas o prazer que subia em ondas pelo seu corpo nublava sua visão.

— Questão dois... — murmurou Sua, a respiração ficando curta. — "Complete com o tempo verbal correto..." Ah...

Mizi sorriu, um sorriso predatório e satisfeito. Ela adicionou o segundo dedo, aumentando a velocidade e a profundidade do movimento. Ela sentia as paredes de Sua se contraírem ao redor de seus dedos, um convite silencioso que ela não pretendia ignorar.

— Você está indo muito bem, Sua. Continua escrevendo — provocou Mizi, inclinando-se para fingir que apontava algo na folha da prova, enquanto sua mão trabalhava incansavelmente sob a saia.

Sua estava em transe. Ela escrevia as respostas quase por instinto, a mente dividida entre o intelecto e o desejo bruto. O som da sala — o giz no quadro, o sussurro de Luka, o bufo de Till — parecia estar a quilômetros de distância. Só existia o toque de Mizi e o calor crescente em seu ventre.

Ela sentiu o ápice se aproximando, uma tensão insuportável que ameaçava fazê-la gritar no meio da sala silenciosa. Mizi era implacável; ela conhecia o corpo de Sua, sabia exatamente onde pressionar e como mover os dedos para levá-la ao limite.

Sua terminou a última questão com uma caligrafia trêmula. Ela largou a caneta e, em um movimento desesperado para se esconder, pegou o livro de inglês e o levantou na altura do rosto, fingindo revisar alguma regra. Por trás da capa do livro, seus olhos estavam revirados, as pupilas dilatadas, e ela mordia o lábio inferior com tanta força que sentiu o gosto de sangue.

Mizi percebeu que Sua estava no limite. O corpo da garota de cabelos pretos tremia levemente contra o dela, e os espasmos internos em seus dedos tornaram-se frenéticos.

— Mizi... tira... eu vou... — Sua balbuciou, a voz abafada pelo livro.

Gozo na sala de aula não era uma opção. A exposição seria o fim de tudo o que restava de sua fachada. Mizi, percebendo a urgência e a seriedade no tom de Sua, retirou a mão lentamente. O vazio súbito fez Sua soltar um suspiro trêmulo, o corpo relaxando contra a cadeira como se todos os seus ossos tivessem virado líquido.

Mizi limpou a mão discretamente em um lenço que tirou do bolso, mantendo a expressão de tédio absoluto para qualquer um que olhasse. Ela pegou a própria caneta e assinou o nome na prova, entregando-a para a professora junto com a de Sua.

— Terminamos, professora — disse Mizi, a voz perfeitamente normal.

— Podem aguardar o sinal em silêncio — respondeu a mulher, sem levantar os olhos de suas correções.

Sua permaneceu com a cabeça abaixada sobre a mesa, os braços cruzados escondendo o rosto. Ela sentia o coração martelar nos ouvidos, o calor da excitação ainda pulsando em seu corpo. Ela estava exausta, mas havia uma paz estranha em seu peito.

Mizi, vendo a vulnerabilidade da namorada, mudou de atitude. A provocação deu lugar ao afeto. Ela estendeu a mão esquerda sobre a mesa e Sua, sem hesitar, entrelaçou seus dedos nos dela.

Com a mão direita, Mizi começou a fazer um carinho suave no topo da cabeça de Sua, os dedos enredando-se nos fios pretos com uma delicadeza que contrastava violentamente com a agressividade de minutos atrás.

— Você foi ótima, poetisa — sussurrou Mizi.

Sua não respondeu com palavras. Ela apenas apertou a mão de Mizi com mais força, escondendo um sorriso contra o tampo de madeira da carteira.

Do outro lado da sala, Ivan observava a cena de soslaio. Ele viu a postura relaxada de Mizi e o jeito como Sua parecia ter se fundido à mesa. Ele deu um sorriso de canto, captando exatamente o que tinha acontecido.

— Perdeu alguma coisa, Ivan? — perguntou Till, percebendo o olhar do outro.

— Nada, Till. Só admirando como algumas pessoas sabem aproveitar o tempo de prova melhor do que outras — respondeu Ivan, voltando a encarar o teto.

— Você é um esquisito.

— E você adora isso.

O sinal finalmente tocou, libertando a sala do silêncio opressor. Mizi levantou-se, ajudando Sua a se recompor. Elas caminharam em direção à porta, o grupo se reunindo novamente no corredor.

A Anaktos continuava a mesma, com suas gangues, suas regras de giz e sua geometria de poder. Mas para Mizi e Sua, o alfabeto do prazer tinha sido a única lição que realmente importava naquele dia. E enquanto caminhavam juntas em direção à próxima aula, o peso do "Quarto Ano" parecia, por um breve momento, mais leve que uma página de poesia.