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Rintama high

O Eclipse de Sangue no Pátio Sul

A calmaria na Escola Secundária Anaktos era, na melhor das hipóteses, uma mentira bem contada. Uma semana havia se passado desde o retorno triunfal de Mizi, e os corredores pareciam ter voltado a uma normalidade anestesiada. Mas Mizi não era boba. Por trás de seus bocejos constantes e do jeito brincalhão com que tratava Ivan, ela sentia a eletricidade estática no ar. Havia algo se movendo sob o nariz dela, uma conspiração silenciosa que cheirava a testosterona ferida e desejo de vingança.

Ela não queria preocupar Ivan. Ele já tinha sofrido o suficiente na semana anterior, e ela sabia que ele não a deixaria lutar sozinha se soubesse do perigo. Por isso, Mizi agiu nas sombras. Durante uma aula de Educação Física, enquanto o professor estava ocupado demais gritando com os alunos do primeiro ano, ela deslizou para o depósito e roubou um taco de beisebol de madeira maciça. Com uma precisão cirúrgica, ela o escondeu no fundo de seu armário, atrás de pilhas de livros que nunca abria. Ninguém viu. Nem mesmo Ivan, que estava sempre ao seu lado, percebeu o peso novo que ela carregava no olhar.

Dois dias depois, o pavio finalmente queimou até o fim.

Era o intervalo. O sol batia forte no pátio, e Mizi estava sentada com Ivan em uma das mesas centrais. Ela balançava as pernas, mordendo um pirulito, enquanto Ivan reclamava de algum doce novo que tinha comprado e que "não era doce o suficiente".

— Eu juro, Mizi, se o açúcar não for pelo menos 80% da composição, não deveria ser permitido vender... — Ivan parou de falar bruscamente.

A sombra que caiu sobre a mesa não era de uma nuvem.

Krow estava lá. Mas ele não estava sozinho. Atrás dele, uma falange de líderes formava uma parede de jaquetas e olhares hostis. Eram cinco líderes de gangues menores, sedentos por subir na hierarquia, e dois líderes de gangues de elite — os "Lobos de Ferro" e a "Vipera" —, caras que não eram apenas brigões de rua, mas lutadores treinados que raramente se envolviam em picuinhas escolares.

Antes que Mizi pudesse reagir, dois dos líderes das gangues baixas avançaram sobre Ivan. Eles o arrancaram da cadeira com uma brutalidade desnecessária, segurando seus braços e o imobilizando no centro do pátio.

— Ivan! — Mizi gritou, tentando se levantar, mas quatro braços a cercaram imediatamente, prendendo-a no lugar.

Não foi Krow quem tomou a frente. Foi o líder da Vipera, um sujeito chamado Drake, que tinha a reputação de ser um sociopata completo. Ele não tinha medo da Mukuro, nem de Mizi, nem de ninguém. Ele caminhou até ela com uma calma aterrorizante.

Sem dizer uma palavra, Drake agarrou o pescoço de Mizi. Os quatro capangas a soltaram no mesmo instante, permitindo que ele a empurrasse contra a parede de tijolos com uma força que expulsou o ar de seus pulmões.

Mizi abaixou a cabeça. Seu cabelo rosa e azul caiu sobre o rosto, escondendo sua expressão. Ela sentia o aperto sufocante, a pressão dos dedos dele contra sua traqueia.

— Então essa é a grande rainha? — Drake sibilou, a voz carregada de um veneno machista. — Você parece tão pequena agora, Mizi. Tão frágil.

Ele começou a falar. Coisas baixas, perversas, promessas de como ele pretendia "colocá-la no seu lugar" e o que faria com ela e com a Mukuro assim que terminasse de humilhá-la na frente de todos. A escola inteira estava assistindo. O pátio estava em silêncio absoluto, apenas a voz de Drake ecoando, destilando misoginia pura.

Ivan lutava freneticamente contra os caras que o seguravam, os olhos transbordando ódio.

— SOLTA ELA, SEU FILHO DA PUTA! — Ivan rugiu, mas recebeu uma joelhada nas costelas que o fez perder o fôlego.

Drake apertou ainda mais o pescoço de Mizi.

— Levanta a cabeça, vadia — ele ordenou, a voz perversa. — Olha pra mim quando eu estiver falando do seu futuro como minha cadela.

Mizi estava entrando em pânico. O oxigênio estava escasso, a visão começando a escurecer nas bordas. Mas, no fundo de seu peito, a impulsividade que a tornava líder da Mukuro rugiu de volta. Ela processou tudo em um segundo. Se ela lutasse ali, os outros cairiam em cima dela. Ela precisava de espaço. Precisava de sua arma.

Ela levantou a cabeça.

Seus olhos dourados estavam predatórios, uma faísca de loucura brilhando no fundo das pupilas. Ela não parecia uma vítima. Ela parecia uma assassina que estava apenas esperando o momento certo.

— É só isso que você tem, Drake? — Mizi murmurou, a voz saindo em um sussurro arranhado, mas carregado de uma perversidade fingida que o pegou de surpresa. — Eu achei que você fosse mais... criativo.

Ela deu um sorriso de lado, um olhar que sugeria que ela estava, de alguma forma, gostando daquela situação humilhante. Drake, pego pela própria arrogância e crente de que tinha quebrado o espírito dela, afrouxou o toque por um milésimo de segundo, jurando que tinha ganhado a briga psicológica.

Foi o erro dele.

Mizi desferiu um chute brutal entre as pernas de Drake. O som do impacto fez metade dos garotos no pátio encolherem-se. Enquanto ele dobrava de dor, Mizi se soltou e disparou em direção aos corredores da escola.

— PEGUEM ELA! — Krow gritou, recuperando o juízo.

A perseguição começou. Mizi corria como um animal acuado, mas seu destino era certo. Drake, recuperado e furioso, liderava o grupo, seguido por Krow e os outros sete líderes. A escola inteira os seguia, uma procissão de caos que culminou no corredor dos armários do terceiro ano.

Mizi parou diante do seu armário. Ela estava ofegante, o peito subindo e descendo, o pescoço marcado pelos dedos de Drake. Ela olhou para os agressores que se aproximavam, cercando-a.

— Vocês realmente acharam que eu ia deixar barato? — Mizi perguntou, a voz agora firme e fria.

Ela abriu o armário. O taco de beisebol deslizou para sua mão com uma naturalidade assustadora.

O silêncio que caiu sobre o corredor foi sepulcral. Dois dos líderes das gangues baixas recuaram um passo, o instinto de sobrevivência falando mais alto. Sobraram oito.

— Um taco de madeira contra oito de nós? — Drake riu, limpando o suor da testa. — Você é patética.

— Não é o taco, Drake — Mizi disse, girando a madeira no ar com uma destreza impressionante. — É quem está segurando ele.

Os três líderes das gangues baixas avançaram primeiro. Mizi não esperou. Ela girou o corpo com a força de uma mola solta. O primeiro golpe atingiu o estômago do agressor, e com o impulso do movimento, ela o empurrou contra uma lixeira grande de metal. O garoto ficou preso, as pernas balançando no ar.

O segundo veio pela direita. Mizi usou o taco para desviar o soco dele e, com a mão livre, agarrou o rosto do garoto, batendo-o contra a porta de metal de um armário. O som de metal amassando ecoou pelo corredor. O terceiro recebeu um chute frontal na face que o fez voar para trás, derrubando alguns espectadores.

— Minha vez — disse um dos líderes de elite, um cara enorme chamado Gorth.

Gorth era rápido. Ele se esquivou do primeiro golpe de Mizi e conseguiu acertar um soco no ombro dela. Mizi sentiu o braço latejar, mas não soltou o taco. Ela escorregou entre as pernas dele quando ele tentou um agarrão, girou e desferiu uma tacada certeira na parte de trás dos joelhos dele. Quando ele caiu, ela não teve piedade: bateu a cabeça dele contra o armário três vezes, um ritmo macabro de *bang-bang-bang*, antes de chutá-lo para longe.

O segundo líder de elite avançou, mas escorregou no sangue que já começava a manchar o piso. Mizi aproveitou a abertura e acertou o taco diretamente em sua mandíbula. O estalo foi seco. O cara desabou como um saco de batatas.

Sobraram Krow e Drake.

— Agora — Mizi disse, apontando o taco ensanguentado para eles —, o prato principal.

Eles foram juntos. Krow era o distraído, tentando cercá-la, enquanto Drake era a força bruta. Mizi apanhou. Apanhou feio. Um soco de Krow atingiu sua boca, cortando seu lábio. Drake conseguiu desferir um chute em suas costelas que a fez cair de joelhos.

A escola assistia em choque. Ninguém, nem mesmo Ivan — que tinha conseguido se soltar e agora assistia da entrada do corredor, paralisado pela cena —, jamais tinha visto Mizi lutar assim. Ela não era apenas uma brigona; ela era uma força da natureza.

Mizi cuspiu sangue no chão e se levantou, usando o taco como apoio.

— É só isso? — Ela riu, uma risada maníaca que arrepiou os cabelos de quem ouvia. — Meu pai bate mais forte que vocês dois juntos.

Ela avançou. Desta vez, não havia defesa. Mizi entrou em um estado de transe violento. Ela desviou de um soco de Krow e acertou o taco em suas costelas com tanta força que todos ouviram o osso quebrar. Krow caiu, gemendo, mas ela não parou. Ela se virou para Drake.

Drake tentou segurar o taco, mas Mizi soltou a arma e avançou para o combate corpo a corpo. Ela desferiu uma sequência de socos no rosto dele, rápidos e precisos, cada golpe carregado com o ódio de cada palavra perversa que ele tinha dito no pátio. Ela o agarrou pelos cabelos e começou a esmurrar sua face contra a quina de um armário aberto.

Foi brutal. Foi épico. Foi uma carnificina.

Quando Mizi finalmente parou, Drake estava no chão, o rosto irreconhecível, e Krow estava encolhido em posição fetal. Mizi estava coberta de sangue — a maior parte não era dela. Ela pegou o taco do chão, a respiração pesada, os cabelos rosa grudados no rosto pelo suor.

Ela olhou para a multidão de alunos.

— Escutem bem — ela disse, a voz trêmula pela adrenalina, mas firme o suficiente para silenciar o prédio inteiro. — Eu cansei de ser boazinha. Eu cansei desse machismo barato e dessas revoltas de merda só porque vocês não aceitam que uma mulher manda nessa porra. Ou vocês param agora, ou o próximo vai acabar em um saco plástico. Eu não vou mais me segurar atrás de "diplomacia". Entenderam?

Ninguém ousou respirar.

Mizi começou a caminhar em direção à saída, mancando levemente. Ela cruzou os dedos atrás das costas, um tique nervoso que ninguém entendia, mas que era sua forma de processar o choque da violência que acabara de cometer.

Todos a observavam ir, a imagem da rainha caída que se levantou como um demônio.

Foi então que uma garota do segundo ano se aproximou. Ela era conhecida na escola por ser a personificação da delicadeza: cabelos brancos longos como seda, olhos vermelhos profundos e uma aura de pureza que parecia deslocada naquele corredor sangrento. Era a "garota popular" que todos julgavam ser frágil demais para o mundo das gangs.

— Você está ferida — a garota disse, a voz doce, aproximando-se de Mizi e oferecendo o ombro como apoio. — Deixe-me ajudar você.

Mizi parou. Ela olhou para a garota. No off, Mizi sentiu o coração falhar uma batida — a garota era linda pra caralho. Sendo lésbica e impulsiva, Mizi não viu motivos para recusar a proximidade de alguém tão atraente, mesmo que seu orgulho gritasse para ela andar sozinha.

— Tudo bem, gracinha — Mizi murmurou, passando o braço pelo ombro da garota.

A escola inteira assistiu, chocada. Para a maioria, a garota de branco estava sendo apenas uma "trouxa" ou uma alma caridosa ajudando a líder da gangue, já que todos acreditavam piamente que Mizi era heterossexual. Alguns viram ali um interesse oportunista da garota popular em se aproximar do poder.

Ivan, assistindo de longe, permaneceu calado. Ele sabia a verdade. Ele viu o olhar de Mizi para a garota e soube exatamente o que estava passando na cabeça da amiga. Ele não disse nada, apenas suspirou, sentindo uma mistura de alívio por ela estar viva e irritação por ela ser tão óbvia quando se tratava de mulheres bonitas.

Mizi e a garota de branco desapareceram pelo corredor, deixando para trás um rastro de destruição e a certeza de que a hierarquia da Anaktos tinha sido reescrita com sangue e madeira. A rainha não estava apenas de volta; ela tinha queimado o trono antigo e construído um novo sobre os corpos daqueles que ousaram desafiá-la.