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Romance Proibido

Labirinto de Obsessão e Vidro

A atmosfera no Salão Comunal da Grifinória estava carregada de uma tensão que Eliane Epans achava quase cômica. Harry e Rony discutiam em sussurros sobre o comportamento "estranho" de Snape nas últimas aulas, enquanto Hermione tentava, sem sucesso, focar em um pergaminho de Aritmancia. Eliane, no entanto, estava recostada em uma poltrona, girando uma pequena ampulheta entre os dedos, seus pensamentos longe dali, perdidos na escuridão das masmorras.

Ela sentia o peso de um olhar sobre si. Não ali, no salão comunal, mas uma presença constante que parecia segui-la como uma sombra viva. Desde o incidente na Floresta Proibida, a dinâmica entre ela e Severus Snape havia sofrido uma mutação perigosa. O que antes era um jogo de sedução e desafio havia se transformado em algo mais denso, mais claustrofóbico e, para o deleite secreto de Eliane, imensamente mais possessivo.

— Você está indo para a detenção de novo? — perguntou Harry, interrompendo o devaneio dela. — Eliane, já faz cinco noites seguidas. Ele está te torturando?

Eliane soltou uma risadinha baixa, guardando a ampulheta no bolso das vestes.

— Digamos que o Professor Snape é muito meticuloso com a limpeza dos caldeirões, Harry. Ele não aceita nada menos que a perfeição.

— Ele está obcecado em punir você — rosnou Rony. — Ontem, no jantar, ele não tirou os olhos da nossa mesa. Parecia que ia lançar um *Avada* no Simas só porque ele sentou do seu lado.

Eliane sentiu um calafrio de excitação percorrer sua espinha. Ela sabia exatamente o que Rony tinha visto. Severus não estava apenas vigiando; ele estava marcando território. E ela adorava cada segundo daquela vigilância silenciosa e mortal.

— Não se preocupem comigo — disse ela, levantando-se e ajeitando os cabelos ondulados. — Eu sei exatamente como lidar com o morcego.

Ao descer para as masmorras, o ar esfriou drasticamente. Eliane não bateu na porta; ela simplesmente entrou, sabendo que ele estaria esperando. A sala estava mergulhada em uma penumbra iluminada apenas por algumas velas bruxuleantes. Snape não estava em sua mesa. Ele estava parado no canto da sala, as mãos cruzadas atrás das costas, observando um frasco de poção que brilhava com um azul doentio.

— Está atrasada, Srta. Epans — disse ele, sem se virar. A voz dele era um sussurro áspero que parecia vibrar nas paredes de pedra. — Três minutos.

— O tempo voa quando estamos nos divertindo, Severus — respondeu ela, fechando a porta com um estalo seco.

Snape virou-se bruscamente. Em um movimento que foi rápido demais para um homem de sua estatura, ele cruzou a sala e parou a centímetros dela. O cheiro de ervas amargas e o frio metálico de sua aura a envolveram instantaneamente. Ele não parecia calmo. Havia uma tempestade contida em seus olhos negros, uma fúria silenciosa que a prendia no lugar.

— Diversão? — Ele sibilou a palavra, aproximando o rosto do dela. — É assim que você chama o que estava fazendo no Salão Comunal? Rindo com o Sr. Longbottom? Permitindo que o Sr. Finnegan toque no seu ombro como se tivesse algum direito sobre você?

Eliane sentiu o coração martelar contra as costelas. Ela inclinou a cabeça para o lado, sustentando o olhar dele com uma ousadia que beirava a insanidade.

— O senhor estava vigiando, então? Achei que tivesse pergaminhos importantes para corrigir, Professor.

Snape segurou o queixo dela com uma mão firme, forçando-a a olhar para cima. Os dedos dele estavam frios, mas o toque era possessivo, quase doloroso.

— Eu vejo tudo, Eliane. Cada sorriso que você desperdiça com aqueles idiotas, cada vez que você permite que a proximidade de outro homem contamine o que é meu. Você acha que isso é um jogo? Que pode flertar com a mediocridade enquanto carrega a minha marca?

— Eu não tenho marca nenhuma, Severus — provocou ela, embora sua respiração estivesse curta. — Pelo menos não uma que os outros possam ver.

O aperto dele no queixo dela intensificou-se por um segundo antes de ele descer a mão para o pescoço dela, não para apertar, mas para sentir a pulsação frenética que a traía.

— Você é minha — disse ele, a voz caindo para um tom perigosamente baixo e possessivo. — Cada pensamento travesso, cada batida desse coração imprudente. Eu não tolero intrusos no meu domínio. Se eu vir outro aluno tocando em você daquela maneira, eu farei com que a detenção dele seja a última coisa de que ele se lembrará antes de ser enviado para o St. Mungus.

Eliane soltou um suspiro trêmulo, fechando os olhos por um momento. A possessividade dele não a assustava; pelo contrário, alimentava algo sombrio e faminto dentro dela. Ela gostava de saber que ele estava à beira do abismo por causa dela, que o homem mais controlado de Hogwarts perdia as estribeiras ao vê-la sorrir para outro.

— E o que você vai fazer sobre isso? — perguntou ela, abrindo os olhos e desafiando-o. — Vai me trancar aqui? Vai me proibir de falar com meus amigos?

Snape soltou-a abruptamente, dando um passo para trás, mas a intensidade de sua presença não diminuiu.

— Eu deveria — murmurou ele, virando-se para a estante de ingredientes. — Deveria manter você sob uma redoma de vidro, onde ninguém pudesse sequer respirar o mesmo ar que você. Você é um caos ambulante, Epans. Uma tentação que eu nunca deveria ter permitido que florescesse.

— Mas você permitiu — disse ela, aproximando-se dele e abraçando-o por trás, pressionando o rosto contra o tecido negro e pesado de suas vestes. — E agora não há mais volta. Você está viciado em mim tanto quanto eu estou viciada nesse seu veneno.

Snape congelou sob o toque dela. Lentamente, ele se virou dentro do abraço, envolvendo-a com seus braços longos e prendendo-a contra o balcão de pedra fria. Ele a olhou com uma mistura de adoração e ódio, como se ela fosse a coisa mais preciosa e a mais detestável de sua vida.

— Você gosta disso, não gosta? — perguntou ele, traçando o contorno dos lábios dela com o polegar. — Gosta de saber que eu poderia destruir este castelo se alguém tentasse tirar você de mim. Gosta de ver o monstro que você despertou.

— Eu gosto de saber que sou a única que pode acalmar esse monstro — respondeu Eliane, puxando-o pela gola da túnica para um beijo que sabia a desespero e posse.

O beijo foi bruto, desprovido de qualquer delicadeza. Snape a segurava como se ela fosse escapar, como se o mundo estivesse prestes a acabar e ela fosse sua única âncora. Havia uma urgência sombria em cada movimento, uma necessidade de reafirmar que ela pertencia a ele, e apenas a ele.

— Se eu descobrir que você está me provocando de propósito — murmurou ele contra os lábios dela, a respiração pesada —, eu vou garantir que você não consiga sair desta masmorra por uma semana.

— Isso é uma ameaça ou uma promessa, Severus? — Eliane riu entre os beijos, sentindo-se mais viva do que nunca sob o controle dele.

— É um fato — respondeu ele, afastando-se apenas o suficiente para olhá-la com uma seriedade mortal. — Você brinca com fogo, Eliane, mas esquece que eu sou o incêndio. Eu não sou um dos seus amigos da Grifinória que vai implorar por sua atenção. Eu vou exigi-la. Vou consumi-la até que não reste nada para mais ninguém.

— Então me consuma — desafiou ela, os olhos brilhando com uma ousadia ousada.

Snape a pegou pela cintura e a sentou no balcão de pedra, espalhando alguns frascos vazios que se quebraram no chão com um tilintar cristalino. Ele não se importou. Nada importava além da garota à sua frente que parecia não ter medo do abismo que ele representava.

— Você é uma criatura perigosa — disse ele, as mãos subindo para as bochechas dela. — E eu sou um homem condenado.

— Estamos condenados juntos, então — disse Eliane, envolvendo o pescoço dele com as pernas, puxando-o para mais perto.

Naquela noite, a detenção não teve nada a ver com caldeirões ou raízes de asfódelo. Foi um ritual de pertencimento, uma dança no limite da sanidade onde o ciúme de Snape se manifestava em cada toque possessivo, em cada olhar que prometia consequências severas para qualquer insubordinação.

Horas depois, quando Eliane se preparava para sair, Snape a segurou pela mão na porta. Ele limpou uma mancha de fuligem da testa dela, seu olhar voltando a ser a máscara fria de sempre, mas com um brilho de possessividade que não se apagava.

— Amanhã, no café da manhã — disse ele, a voz baixa e imperiosa —, você se sentará de costas para a mesa da Sonserina. E não quero ver você trocando confidências com o Sr. Malfoy.

Eliane sorriu, dando um beijo rápido na palma da mão dele.

— Draco é meu amigo, Severus.

O aperto dele na mão dela aumentou.

— Ele é um homem, Eliane. E ele olha para você de uma maneira que me faz querer extrair os olhos dele. Obedeça-me, ou a detenção de amanhã será muito menos... prazerosa.

— Sim, meu mestre das poções — zombou ela, mas havia uma obediência genuína e excitada em seu tom.

Ela saiu correndo pelos corredores escuros, sentindo o olhar dele queimando em suas costas até que ela virasse a esquina. Eliane sabia que o que eles tinham era tóxico, que o ciúme dele era uma jaula de ferro e que a possessividade dele beirava a loucura. Mas, enquanto subia para a Torre da Grifinória, ela não conseguia parar de sorrir.

No dia seguinte, conforme as instruções, Eliane sentou-se exatamente onde ele queria. Ela sentia o olhar de Snape vindo da mesa dos professores, uma pressão constante sobre seus ombros. Quando Draco tentou se aproximar para comentar sobre um dever de Transfiguração, Eliane foi breve e educada, sentindo um prazer quase doentio ao ver Snape apertar o cabo de seu cálice de prata até que os nós de seus dedos ficassem brancos.

— O que houve com você? — perguntou Hermione, observando a amiga. — Você está agindo como se estivesse sob um feitiço de vigilância.

— Talvez eu esteja, Mione — respondeu Eliane, olhando de relance para a mesa dos professores e encontrando os olhos negros de Severus. — Mas é o melhor feitiço que já lançaram em mim.

Harry e Rony trocaram olhares preocupados, mas Eliane não se importava. Ela vivia agora em um mundo de sombras e vidros quebrados, um labirinto onde Severus Snape era o minotauro e o dono das chaves. E ela não tinha a menor intenção de encontrar a saída.

A possessividade dele era sua âncora; o ciúme dele era seu combustível. Entre o fogo da Grifinória e o veneno da Sonserina, Eliane Epans havia encontrado seu lugar. E aquele lugar era nos braços de um homem que preferiria ver o mundo queimar a deixá-la escapar de suas mãos.

Ao final do dia, uma pequena coruja entregou um bilhete para ela durante a aula de Herbologia. A caligrafia era afiada como uma navalha:

*"Oito horas. Não me faça ir buscar você."*

Eliane guardou o papel, sentindo o calor subir por seu rosto. O jogo continuava, e ela estava pronta para perder-se novamente na escuridão possessiva de Severus Snape, o homem que a amava como se ela fosse seu único pecado e sua única redenção.