Voltar ao resumo

Sei lá

O Peso dos Velhos Hábitos

O cheiro de carvalho recém-serrado e café fresco disputava espaço com a brisa úmida da manhã. No meio da sala de estar, Dean martelava com uma ferocidade quase pessoal a última tábua de contenção sobre o batente destroçado da entrada. Ele ainda estava sem camisa, exibindo as costas largas riscadas por velhas cicatrizes de garras e salpicadas de poeira branca de gesso, vestindo apenas a calça jeans manchada e as botas surradas.

Clara estava sentada à mesa da cozinha, os dedos aquecidos ao redor de uma caneca fumegante. O curativo no antebraço ardia em um pulsar brando, mas a verdadeira dor de cabeça atendia pelo nome de Winchester.

— Se você bater esse prego torto mais uma vez — gritou Sam do outro lado do cômodo, onde passava uma vassoura recolhendo os cacos de vidro da janela —, o batente inteiro vai rachar e a gente vai ter que arrancar a parede.

— Eu sei o que tô fazendo, Sammy — resmungou Dean, sem diminuir o ritmo das marteladas. — A madeira é dura, só isso. O prego precisa de autoridade.

— Não precisa de autoridade, precisa de ângulo! Você tá usando um prego de seis polegadas numa viga de acabamento, seu animal.

Dean ignorou solenemente o irmão mais novo, posicionando mais um prego metálico e erguendo o braço musculoso para desferir outro golpe desastrado. Ele fez uma careta visível, a mão esquerda pressionando disfarçadamente a lateral das próprias costelas — um hematoma arroxeado e feio que Clara tinha visto na noite anterior, provavelmente cortesia de uma briga mal explicada antes de ele aparecer ali.

Sam soltou a vassoura contra a parede com um estalo irritado. Ele virou-se em direção à cozinha, cruzou os braços longos sobre o peito e olhou diretamente para Clara com aquela expressão clássica de cachorro abandonado pedindo socorro.

— Clara, por favor — pediu Sam, a voz carregada daquele cansaço fraternal que beirava o desespero. — Fala com ele antes que ele derrube a sua casa inteira achando que tá consertando.

Clara suspirou, pousando a caneca de café sobre a mesa de fórmica. Havia coisas que o tempo simplesmente não apagava. Durante os dois anos em que rodara o país amontoada com eles naquele maldito carro preto, aquela era a dinâmica universal dos irmãos Winchester: Sam tentava a lógica, Dean respondia com teimosia e estupidez, e cabia a Clara entrar na arena como a única criatura viva sobre a face da Terra capaz de domar o caçador mais teimoso da América.

Ela levantou-se, ajeitando o robe atoalhado que abraçava seu corpo curvilíneo, e caminhou descalça até a soleira da sala. Parou a dois passos de Dean, cruzando os braços sob o peito farto e erguendo uma sobrancelha.

— Dean Winchester.

O martelo parou no ar. Dean não se virou de imediato; apenas seus ombros travaram, e Clara pôde ver a nuca dele corar levemente.

— Eu tô quase acabando, docinho...

— Larga o martelo, Dean. Agora.

— Clara, é só mais um...

— Eu mandei largar — repetiu ela, não elevando a voz, mas usando aquele tom baixo, cortante e firme que ela reservava exclusivamente para as maiores burrices dele. — Você tá com as costelas arrebentadas, tá usando a ferramenta errada e vai estragar o alinhamento do piso. Se você der mais uma martelada nessa viga, eu juro que enfio esse pedaço de carvalho na sua orelha.

Dean piscou, baixando os olhos verdes para o chão como um garoto que acabara de levar uma bronca da diretora. Ele abriu a boca para protestar, encontrou o olhar impassível e escuro de Clara, e seus ombros desabaram em rendição.

— Tá legal, tá legal — resmungou ele, jogando o martelo na caixa de ferramentas com um estrépito metálico e esfregando a nuca. — Não precisa apelar pra violência. Eu só tava tentando ajudar.

— Ajuda sentando a bunda naquela cadeira e parando de fingir que não tá com dor — disparou ela, apontando para a mesa.

Sam, ao fundo, soltou uma risadinha abafada que tentou disfarçar atrás de uma tosse falsa. Dean lançou um olhar assassino na direção do irmão mais novo, mas obedeceu a Clara sem chiar, arrastando as botas pesadas até a cozinha e afundando-se em uma cadeira, resmungando palavrões inaudíveis entre dentes.

— Obrigado — sussurrou Sam para Clara enquanto passava por ela com a pá de lixo. — Se dependesse de mim, ele só parava quando o teto caísse em cima da cabeça dele.

— Ele não mudou nada — comentou Clara, balançando a cabeça, embora um sorriso involuntário e cansado brincasse em seus lábios. — Continua o mesmo idiota suicida de sempre.

— Ei, eu ainda tô na mesma sala! — protestou Dean da cozinha, apanhando uma das rosquinhas açucaradas da caixa de papelão. — E eu ouço muito bem, obrigado.

Depois de mais meia hora de trabalho coordenado, a carcaça do ghoul devidamente queimada e enterrada nos fundos do terreno com litros de sal e gasolina, a casa parecia finalmente respirar. A porta provisória estava no lugar, a janela coberta com uma lona grossa e o cheiro de enxofre e carniça dissipado pela manhã límpida.

Sentados ao redor da mesa redonda da cozinha, o clima mudou. A leveza do pós-perigo deu lugar àquela densidade familiar que sempre acompanhava os Winchester onde quer que fossem.

Sam abriu uma pasta de couro gasta sobre a mesa. De dentro dela, deslizou várias folhas impressas, artigos de microfilmes antigos e fotografias em preto e branco de símbolos gravados em pedras funerárias.

Clara sentiu um nó apertar em seu estômago. Aquela visão trazia à tona uma avalanche de memórias. Nos velhos tempos, enquanto os dois irmãos afiavam facas, fundiam balas de prata e discutiam sobre a mecânica de espingardas, era ela quem ficava cercada por tomos empoeirados de latim, hebraico arcaico e dialetos esquecidos. Clara era a pesquisadora. Fora a mente metódica dela que descobrira a fraqueza de uma bruxa milenar no Kansas e decifrara o padrão de desova de uma ninhada de rougarous em Idaho.

— O que é isso, Sam? — perguntou ela, puxando a caneca de café para mais perto, os olhos já correndo instintivamente pelas cópias dos manuscritos.

— É por isso que eu tava em Lincoln — explicou Sam, inclinando-se para a frente, o tom sério e sombrio que indicava que não se tratava de uma caçada qualquer. — E é por isso que o Dean não devia ter saído de perto de mim pra vir bancar a babá aqui em Iowa.

Dean bufou, mas não disse nada, concentrado em devorar a rosquinha com uma postura defensiva.

— Sete mortes em duas semanas — continuou Sam, espalhando as fotos. — Todas no condado vizinho, a menos de sessenta milhas daqui. As vítimas não têm nada em comum: idades diferentes, rotinas diferentes. Mas os corpos... todos foram encontrados sem uma única gota de sangue, sem marcas de perfuração externa, e com a cavidade torácica colapsada, como se tivessem sido implodidos de dentro pra fora.

Clara franziu a testa. Puxou uma das folhas com a ponta dos dedos.

— Não é vampiro. Vampiros deixam marcas na jugular e não implodem órgãos internos. Nem demônios comuns fazem isso, a menos que estejam coletando almas sob um contrato específico.

— Exatamente — concordou Sam, os olhos brilhando com aquele entusiasmo acadêmico que só os dois compartilhavam. — E tem isso aqui. Todas as vítimas tinham esse padrão geométrico desenhado nas palmas das mãos, queimado a frio na pele.

Clara aproximou a fotografia da luz da cozinha. Eram quatro círculos entrelaçados por uma escrita cuneiforme diminuta. Seu cérebro de pesquisadora, adormecido por quase um ano de vida suburbana monótona, ligou todos os circuitos em uma fração de segundo.

— Aramaico antigo — murmurou ela, os lábios se movendo enquanto tentava traduzir os glifos mentais. — Não... não é aramaico puro. É uma derivação mesopotâmica. Fala sobre 'os que caminham no vácuo entre as costelas'.

— O quê? — Dean interrompeu, a boca cheia de açúcar de confeiteiro, franzindo o cenho. — Que diabos isso quer dizer?

— Quer dizer que é algo velho, Dean. Muito velho — respondeu Clara, levantando os olhos para ele com gravidade. — Se eu me lembro dos textos da biblioteca dos Homens de Letras que você me deixou copiar... isso parece a invocação de um Qareen pré-babilônico. Eles não se alimentam de carne, eles consomem o desejo mais profundo da vítima até que o corpo entre em colapso espiritual e físico.

Sam soltou um longo suspiro de alívio e bateu palmas fracas na mesa.

— Eu sabia. Eu passei três noites em claro tentando cruzar as referências de Lincoln e não cheguei a lugar nenhum. Eu precisava de você, Clara. Ninguém decifra essa porcaria mais rápido que você.

— Sam... — interveio Dean, o tom de voz mudando subitamente, tornando-se mais pesado, mais protetor. Ele jogou o resto da rosquinha na caixa e encarou o irmão mais novo com ferocidade. — A gente conversou sobre isso. A Clara tá fora do jogo. Ela quase morreu ontem à noite por minha causa. A gente resolve isso sozinhos.

— Vocês não vão resolver nada sozinhos se não souberem como matar a criatura! — rebateu Clara, virando-se para Dean, a indignação faiscando em seus olhos castanhos. — Olha pra esses símbolos, Dean! Uma lâmina comum não vai fazer nada. Tiro de sal grosso vai apenas fazer cócegas. Vocês precisam de um selo de banimento gravado em pedra de rio e consagrado com mirra e óleo antigo. E adivinha só quem sabe como traçar o selo?

Dean cerrou os dentes, os músculos do maxilar saltando. Ele odiava quando ela tinha razão, e odiava ainda mais quando ela se colocava voluntariamente na linha de fogo.

— Não vou deixar você se meter nisso de novo — rosnou ele, o peito nu subindo e descendo com força. — Você queria uma vida normal, Clara. Uma casa, um emprego onde pessoas não viram comida no café da manhã. Foi por isso que a gente... que você me mandou embora. Agora você quer pular no meio de um caso mesopotâmico suicida?

— Eu te mandei embora porque você se recusava a construir um futuro comigo, Dean! — disparou ela, sem rodeios, o peso de meses de mágoa acumulada explodindo na pequena cozinha. — Não foi por causa dos livros ou dos monstros. Eu amava ajudar vocês. Eu era boa nisso! O que eu não aguentava era ser tratada como uma bagagem que você deixava em motéis baratos enquanto decidia se ia voltar vivo ou não!

O ar na cozinha ficou tão rarefeito que parecia difícil respirar.

Dean engoliu em seco, desviando o olhar, desarmado pela verdade crua daquelas palavras. Ele não tinha resposta para aquilo. Nunca tivera.

Sam pigarreou baixinho, olhando para o teto, claramente arrependido de estar fisicamente presente para aquele momento, mas ciente de que a caçada dependia daquela trégua.

— Tem uma sociedade histórica e um museu de antiguidades em Omaha — disse Sam, quebrando o silêncio com a cautela de quem desarmava uma bomba. — Fica a duas horas daqui. Eles têm a coleção de tabletes de argila que Clara precisa pra confirmar o ritual de banimento. Se a gente sair agora, conseguimos o texto até o meio-dia e podemos caçar o ninho antes do anoitecer.

Clara olhou para Sam, depois para Dean. A vida segura e pacata que ela tentara construir naquela cidadezinha do Meio-Oeste estava temporariamente estilhaçada junto com a janela da sala. A adrenalina que correra em suas veias na noite anterior ainda não havia sumido. Havia vidas em perigo, pessoas que seriam consumidas por uma criatura que ela sabia exatamente como parar.

— Eu vou — declarou Clara, decidida, levantando-se da mesa. — Vou me vestir. Cinco minutos.

Dean abriu a boca para contra-argumentar, mas Clara lançou-lhe um olhar tão fulminante que ele simplesmente fechou os lábios, cruzou os braços e afundou ainda mais na cadeira, derrotado.

***

Vinte minutos depois, Clara trancava o novo cadeado improvisado na porta dos fundos. Ela vestia uma calça jeans escura e confortável, botas resistentes e uma jaqueta de lã forrada sobre uma blusa de gola alta que escondia o curativo e as marcas arroxeadas que Dean deixara em seu pescoço algumas horas antes.

Ao descer os degraus da varanda, ela encontrou o trio de sempre: o sol pálido da manhã refletindo na lataria impecavelmente preta do Chevy Impala 1967, o motor roncando baixo em marcha lenta com aquele som grave e reconfortante que ela conhecia tão bem.

Dean estava encostado na porta do motorista, já devidamente vestido com sua clássica camisa xadrez sobre a camiseta cinza e a jaqueta de couro gasta. Ele jogou a bituca de um cigarro no chão e pisou em cima quando viu Clara se aproximar. Seus olhos verdes desceram pelas curvas dela com uma fome mal disfarçada, lembrando-se exatamente de cada centímetro daquele corpo que ele segurara contra si a noite toda.

Sam estava parado ao lado do carro, mas, estranhamente, não havia aberto a porta do passageiro.

Na verdade, Sam olhava para o Impala como se o veículo estivesse amaldiçoado por uma legião de demônios de alto escalão. Ele mantinha uma distância de segurança de pelo menos dois metros da porta traseira.

— Sam? — chamou Clara, ajustando a bolsa a tiracolo com os cadernos de anotações. — O que você tá fazendo aí parado? Entra no carro.

Sam estremeceu de leve, puxando o colarinho do casaco. Ele olhou para Clara, depois para Dean, que exibia um sorrisinho de canto absolutamente cínico e provocador.

— Eu não vou atrás — disse Sam categoricamente, apontando o dedo longo para o veículo. — De jeito nenhum. Nem pensar.

Clara franziu a testa, sem entender a princípio.

— Como assim não vai atrás? Você sempre vai na frente com o Dean por causa do tamanho das suas pernas gigantes. Eu não me importo de ir no banco de trás, Sam.

— Não! — Sam quase gritou, os olhos arregalados de horror. — Você não tá entendendo, Clara. O problema não são as minhas pernas. O problema é que eu nunca mais, em sã consciência, vou sentar naquele banco de trás sabendo que vocês dois passaram a noite inteira juntos!

O rosto de Clara ardeu em chamas em uma fração de segundo. Um calor violento subiu por suas bochechas arredondadas, pintando sua pele de um vermelho escarlate.

— Sam! — repreendeu ela, mortificada de vergonha.

— Ah, qual é, Sammy — zombou Dean, rindo abertamente, batendo com a palma da mão no teto de metal de Baby. — O estofamento de couro é original, foi limpo e impermeabilizado. Qual é o trauma?

— O trauma — começou Sam, a voz subindo uma oitava na mais pura indignação —, é que faz exatamente dezesseis meses que eu cometi o erro terrível de voltar mais cedo daquela lanchonete em Columbus, Ohio. Eu comprei a torta de maçã idiota que você me pediu, Dean! Estava chovendo, o vidro do Impala tava todo embaçado por dentro, e eu, na minha mais profunda inocência, achei que vocês tinham sido atacados por um metamorfo!

Clara cobriu o rosto com as duas mãos, soltando um gemido abafado de humilhação.

— Sam, por Deus, cala a boca... — implorou ela entre os dedos.

— Não, eu não vou calar! — continuou Sam, gesticulando no ar como um pastor fervoroso em um culto. — Eu abri aquela porta traseira no escuro! E o que eu vi gravou na minha retina pra sempre! Você, Dean, sem camisa nenhuma, segurando os quadris da Clara contra o encosto do banco, e a Clara... meu Deus, eu nem sabia que você conseguia alcançar aquele tom de voz, Clara! Parecia um gato sendo estrangulado!

— Foi um momento romântico, seu desgraçado insensível — retrucou Dean, gargalhando com a falta de pudor típica de quem não tinha vergonha de absolutamente nada no mundo. — A gente tava comemorando que não tinha morrido pro ninho de chupacabras.

— Vocês tavam profanando o carro da família! — rebateu Sam, enojado. — E hoje de manhã a história se repetiu! A casa dela tá em ruínas, tinha um ghoul decapitado no meio da sala e vocês dois tavam lá no quarto fingindo que não tinham nada pra consertar! Eu não vou sentar naquele banco. Eu me recuso a respirar o ar rarefeito das lembranças libidinosas de vocês dois.

Clara abaixou as mãos, respirando fundo, embora a cor carmesim ainda tomasse conta do seu rosto. Ela olhou para Dean, que continuava achando a situação a coisa mais divertida que acontecera no mês.

— Dean — disse ela, a voz perigosamente doce. — Entra no carro antes que eu arranque esse seu sorriso idiota com uma chave inglesa.

Dean piscou, percebendo o perigo iminente nos olhos brilhantes dela. Ele limpou a garganta, engoliu o riso e abriu a porta do motorista com uma pressa repentina.

— Sim, senhora. Entrando.

Clara virou-se para Sam.

— Eu vou na frente — declarou ela num tom que não admitia contestação. — Você vai atrás, Sam. E você vai se sentar no meio, olhando fixamente pro painel, sem tocar em nada que te cause colapso mental. Se você reclamar mais uma vez sobre Columbus, eu não traduzo uma única linha daquele texto babilônico e deixo esse bicho arrancar o seu coração pelo esôfago. Fui clara?

Sam engoliu em seco, olhando para a estatura sólida e a postura inabalável da amiga. Mesmo sendo mais de trinta centímetros mais baixo que ele, Clara conseguia emanar uma aura de autoridade que fazia qualquer Winchester pensar duas vezes antes de discutir.

— Perfeitamente clara — murmurou Sam, derrotado.

Ele deu a volta no carro com passos medidos, abriu a porta traseira com a ponta dos dedos como se manuseasse material radioativo e deslizou para o interior do banco de couro, espremendo os joelhos compridos e encarando rigidamente o vidro da frente, recusando-se a encostar na parte de trás dos assentos.

Clara abriu a porta do carona e acomodou-se no banco macio. O cheiro imediatamente a envolveu: tabaco velho, café requentado, óleo de motor e a loção pós-barba barata de Dean. Era o cheiro do lar que ela passara um ano inteiro tentando esquecer.

Dean ligou a ignição. O motor V8 rugiu com uma força vibrante que fez todo o chassi tremer contra o asfalto úmido. Ele apoiou o braço direito no encosto do banco de Clara, inclinando-se para dar ré. No processo, seu rosto ficou a poucos centímetros do dela, seus olhos verdes fixando-se nos lábios de Clara antes de subirem devagar para encontrar seu olhar.

— Bom te ter de volta no banco da frente, docinho — murmurou ele, a voz rouca e baixa, quente contra a pele dela.

Clara revirou os olhos, mas não conseguiu conter o pequeno sorriso que curvou o canto de sua boca.

— Cala a boca e dirige, Winchester. A gente tem uma pesquisa pra fazer.

— Se vocês começarem a se beijar — gritou a voz traumatizada de Sam vinda do banco de trás —, eu juro por Deus que me jogo desse carro em movimento na rodovia!

Dean gargalhou, engatou a primeira marcha e pisou fundo no acelerador. O Impala disparou pelo asfalto de Sioux City, cortando a névoa da manhã e deixando para trás a vida comum que Clara tanto almejara, arrastando-a de volta para a única estrada que, por mais perigosa e imperfeita que fosse, nunca deixava de ser o seu lugar.

Entrar com Telegram

Confirme o login no bot.