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Sempre estarei aqui com você

O Selo de Posesse e o Limite do Silêncio

A brisa matinal de Mônaco trazia o cheiro salgado do Mediterrâneo, mas para Oscar Piastri, o ar parecia subitamente mais pesado. Ele estava sentado à mesa da cozinha, observando Lily terminar de arrumar a lancheira de Lucas. O menino, alheio à tensão silenciosa do pai, tentava equilibrar um boneco de dinossauro no topo de sua cabeça enquanto esperava o café da manhã.

Oscar não era um homem de explosões. Sua marca registrada na Fórmula 1 era a "gelidez" sob pressão, a capacidade de manter a frequência cardíaca baixa enquanto o mundo ao seu redor pegava fogo a trezentos quilômetros por hora. Mas, nos últimos dias, algo vinha testando essa calma de uma maneira que nenhuma chicane em Spa-Francorchamps jamais conseguira.

Aquele homem. O Sr. Bennett.

Desde a reunião na escola, o descaramento daquele indivíduo parecia ter dobrado. Ele não apenas continuava a incentivar a hostilidade de Leo contra Lucas, como também havia transformado as manhãs de Lily em um campo minado de comentários inadequados e olhares invasivos.

— Oscar? — A voz de Lily o trouxe de volta à realidade. Ela o olhava com uma expressão suave, mas preocupada. — Você está encarando essa torrada há cinco minutos. Está tudo bem?

Oscar piscou, soltando o ar lentamente pelos pulmões.

— Só estava pensando no treino de hoje — mentiu ele, embora soubesse que Lily via através de suas máscaras.

— Papai, você vai me levar hoje? — Lucas perguntou, os olhos brilhando de expectativa.

Oscar sentiu uma pontada no peito. Ele queria ir. Queria estar lá para garantir que ninguém olhasse torto para o filho ou para a esposa. Mas ele tinha um compromisso inadiável com a equipe de engenharia da McLaren em Woking via videoconferência em menos de vinte minutos.

— Hoje não dá, mate. O papai tem uma reunião muito importante com os engenheiros para deixar o carro mais rápido — explicou Oscar, acariciando o cabelo castanho do filho. — Mas a mamãe vai te levar, e eu prometo que, quando você voltar, vamos terminar aquela pintura do vulcão.

Lucas fez um biquinho, mas assentiu. Ele era uma criança compreensiva, doce demais para o ambiente competitivo em que estava inserido.

— Eu levo ele, Oscar. Não se preocupe — disse Lily, aproximando-se e depositando um beijo rápido nos lábios do marido.

Oscar a segurou pela cintura por um segundo a mais do que o necessário. Seus olhos percorreram o rosto dela — a pele clara, o sorriso gentil, a força silenciosa que ela emanava. O pensamento de Bennett lançando aqueles olhares predatórios sobre ela fazia seu sangue ferver.

— Se ele disser qualquer coisa, Lily... — Oscar começou, o tom de voz baixando para um registro mais sombrio.

— Eu sei me cuidar, Oscar — ela o interrompeu com doçura, mas firmeza. — Ele é só um homem triste tentando se sentir importante. Não vamos dar a ele o que ele quer.

Oscar observou-os sair. O silêncio do apartamento parecia vazio sem a risada de Lucas. Ele tentou se concentrar nos gráficos de telemetria na tela do computador, mas sua mente viajava para o portão da escola.

Vinte minutos depois, o celular de Oscar vibrou sobre a mesa. Era uma mensagem de Lily.

*“Ele fez de novo. Estava no portão. Falou que eu parecia 'solitária' sem o meu campeão por perto e tentou tocar no meu braço. Eu me afastei e entrei no carro. Lucas não viu, estava distraído com os amigos. Mas estou tremendo de raiva, Oscar.”*

Oscar fechou o notebook com um estalo seco. A calma de piloto havia evaporado. Ele não era apenas um desportista profissional; ele era um marido e um pai. E havia limites que, uma vez cruzados, exigiam uma resposta que a diplomacia não podia oferecer.

Quando Lily voltou para casa, cerca de meia hora depois, encontrou Oscar parado na varanda, olhando para o mar. Ele não disse nada de imediato. Apenas caminhou até ela e a envolveu em um abraço esmagador, escondendo o rosto em seu pescoço.

— Eu odeio que você tenha que passar por isso sozinha — sussurrou ele contra a pele dela.

— Está tudo bem, Oscar. Ele é inofensivo no sentido físico, só é... nojento.

— Ele não é inofensivo, Lily. Ele está desrespeitando você. Ele está tentando marcar território onde não tem direito — Oscar se afastou um pouco, seus olhos claros agora escurecidos pela possessividade.

Ele a conduziu até o sofá, sentando-a em seu colo. Havia uma intensidade em Oscar que raramente vinha à tona. Ele sempre fora o porto seguro, o homem paciente. Mas o ciúme, quando misturado com o instinto de proteção, era uma força potente.

— Amanhã eu vou levar o Lucas — declarou Oscar. — E você vai comigo.

— Oscar, você tem voo para o Japão amanhã à tarde.

— Eu não me importo. Eu vou deixar claro para aquele infeliz a quem você pertence. E a quem o Lucas pertence.

Lily suspirou, passando as mãos pelo peito dele. Ela sentia o coração de Oscar batendo forte, uma batida rápida que contrastava com sua postura externa imóvel.

— Você não precisa descer ao nível dele — disse ela.

— Eu não vou brigar, Lily. Eu não sou um bárbaro — Oscar deu um sorriso de lado, algo que beirava o predatório. — Mas eu vou deixar um aviso.

Naquela noite, o clima no quarto do casal estava carregado. Não de tensão negativa, mas de uma necessidade mútua de reafirmação. Oscar foi mais fervoroso, mais presente. Ele beijou cada centímetro da pele de Lily como se estivesse gravando sua assinatura nela.

Perto da clavícula de Lily, onde a pele era mais fina e sensível, Oscar parou. Ele olhou para ela, um pedido silencioso em seus olhos. Lily, entendendo a necessidade dele de exteriorizar aquele sentimento de posse que ele normalmente guardava a sete chaves, apenas assentiu levemente, puxando-o para mais perto.

Oscar pressionou os lábios ali, sugando a pele com uma intensidade deliberada. Ele queria que a marca fosse visível. Queria que, quando Lily estivesse no portão da escola no dia seguinte, não houvesse dúvida alguma de que ela era amada, protegida e, acima de tudo, comprometida com um homem que não aceitava intrusos.

No dia seguinte, o despertador tocou cedo. Oscar ajudou Lucas a se vestir, fazendo brincadeiras para distrair o menino. Lucas estava radiante por ter o pai presente na rotina matinal.

— Papai, você vai usar o boné da McLaren hoje? — perguntou Lucas, calçando seus tênis pequenos.

— Vou sim, mate. E você também. Somos uma equipe, lembra?

Lily saiu do banheiro usando um vestido de gola levemente aberta, mas a marca que Oscar deixara na noite anterior estava ali, um rubor arroxeado perfeitamente visível contra sua pele clara. Ela olhou para o espelho e depois para Oscar, que ajustava o relógio no pulso.

— Você tem certeza disso? — perguntou ela, apontando para o pescoço.

Oscar caminhou até ela, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha de Lily para que a marca ficasse ainda mais exposta.

— Absoluta. Deixe que ele olhe. Deixe que ele entenda que o que ele deseja está muito além do alcance dele.

O trajeto até a escola foi animado. Lucas cantava músicas da Disney no banco de trás, enquanto Oscar e Lily trocavam olhares cúmplices na frente. Ao chegarem, a cena era a mesma de sempre: fotógrafos distantes, pais apressados e, como um relógio, o Sr. Bennett encostado em seu carro esportivo perto da entrada principal.

Oscar estacionou o SUV com precisão. Ele desceu primeiro, contornando o carro para abrir a porta para Lucas. O menino saltou, segurando a mão do pai com força. Em seguida, Oscar estendeu a mão para Lily.

Quando Lily saiu do carro, o sol de Mônaco iluminou seu rosto e, consequentemente, a marca em seu pescoço.

Oscar não se apressou. Ele colocou o braço ao redor dos ombros de Lily, caminhando com ela e Lucas em direção ao portão. Bennett, ao ver a aproximação da família, endireitou a postura, um sorriso convencido começando a se formar em seu rosto.

— Bom dia, Sra. Piastri — disse Bennett, ignorando deliberadamente a presença de Oscar. — Você parece... revigorada hoje.

Ele deu um passo à frente, seus olhos descendo para o pescoço de Lily. O sorriso dele vacilou instantaneamente. O olhar de Bennett fixou-se na mancha arroxeada, o sinal inequívoco de uma noite de paixão e posse.

Oscar parou exatamente na frente dele. Ele era ligeiramente mais alto e muito mais em forma que o outro homem. O piloto não disse uma palavra agressiva. Ele apenas sustentou o olhar de Bennett com uma frieza que faria qualquer engenheiro de pista tremer.

— Bom dia, Bennett — disse Oscar, sua voz saindo como um trovão contido. — Espero que o Leo tenha um bom dia hoje. E espero que o senhor comece a prestar mais atenção na sua própria vida. A minha família está muito bem cuidada, como você pode ver.

Oscar apertou levemente o ombro de Lily, trazendo-a para mais perto de seu corpo. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Bennett abriu a boca para retrucar, mas a intensidade no olhar de Oscar — o mesmo olhar que ele usava para ultrapassar rivais em curvas perigosas — o fez recuar um passo.

— Vamos, mate — disse Oscar para Lucas, ignorando Bennett como se ele fosse apenas um obstáculo na pista.

Eles deixaram Lucas na porta da sala de aula. O menino deu um abraço apertado em ambos.

— Tchau, papai! Ganha a corrida no Japão!

— Vou fazer o meu melhor, campeão. Fique com o nosso escudo ligado, tá bom?

— Tá bom!

Ao voltarem para o carro, a tensão finalmente se dissipou. Lily soltou uma risada nervosa, encostando a cabeça no banco de couro.

— Você viu a cara dele? Ele ficou roxo de raiva.

— Ele precisava de um choque de realidade — disse Oscar, ligando o motor. — Eu não gosto de ser esse tipo de cara, Lily. Mas eu não vou permitir que ninguém falte com o respeito com você. Nunca.

— Eu sei, meu amor. E, embora eu ache que o chupão foi um pouco... adolescente da sua parte, eu confesso que adorei a proteção.

Oscar sorriu, o primeiro sorriso relaxado do dia. Ele estendeu a mão e entrelaçou seus dedos nos dela.

— Às vezes, o método mais simples é o mais eficaz.

Eles voltaram para o apartamento para que Oscar pudesse terminar de arrumar sua mala para Suzuka. O clima de despedida sempre trazia uma certa melancolia, mas depois do confronto na escola, havia um sentimento de vitória no ar.

Enquanto Oscar dobrava suas camisetas da equipe, Lucas entrou no quarto com um novo desenho. Desta vez, era um carro de corrida, mas não estava em uma pista. Estava estacionado na frente de uma casa, e havia um grande coração pintado no capô.

— Para você levar no avião, papai — disse Lucas, entregando o papel.

Oscar sentiu os olhos umedecerem. Ele pegou o filho no colo e sentou-se na cama, deixando as malas de lado por um momento.

— Obrigado, mate. Isso vai me dar muita sorte.

— Papai? — Lucas olhou para ele com curiosidade. — Por que o seu pescoço está vermelho também?

Lily, que estava na porta, soltou uma risadinha abafada. Oscar tossiu, tentando manter a compostura.

— Ah... isso? É só... um sinal de que a mamãe também gosta muito do papai — explicou ele, lançando um olhar brincalhão para Lily.

Lucas deu de ombros, satisfeito com a resposta, e se aninhou no peito de Oscar.

— Eu queria que você não fosse — sussurrou o menino.

— Eu também queria não ir, pequeno. Mas eu volto logo. E quando eu voltar, vamos passar o final de semana inteiro na praia, só nós três. Sem câmeras, sem escolas, apenas o nosso escudo.

A tarde chegou rápido demais. No heliporto de Mônaco, Oscar se despediu de Lily e Lucas. Ele abraçou o filho por longos minutos, sentindo o peso reconfortante do menino. Depois, beijou Lily com uma intensidade que prometia um retorno fervoroso.

— Cuide deles — disse Oscar para o segurança que os acompanhava, um homem de confiança que ele havia contratado recentemente para reforçar a privacidade da família.

— Com a minha vida, Sr. Piastri.

Oscar subiu no helicóptero e observou, da janela, as duas figuras diminuírem lá embaixo. Lily acenava, com Lucas em seus braços. Ele sabia que, por mais que estivesse indo para o outro lado do mundo para competir no mais alto nível do automobilismo, seu verdadeiro coração permanecia naquele pequeno pedaço de terra entre as montanhas e o mar.

Durante o voo longo para Tóquio, Oscar não conseguiu dormir muito. Ele ficou olhando para o desenho de Lucas e pensando na marca que deixara em Lily. Ele sabia que a fama trazia sombras, que a exposição era um preço alto a pagar. Mas ele também sabia que, enquanto tivesse aquela conexão inquebrável com sua família, nenhuma sombra poderia escurecer o mundo de Lucas.

Dentro dele, o piloto frio e o pai protetor haviam entrado em um acordo perfeito. Ele correria com tudo o que tinha, mas sua maior vitória não seria o troféu de Suzuka. Seria o momento em que, daqui a uma semana, ele abriria a porta do apartamento em Mônaco e ouviria o grito de "Papai!", sentindo o peso doce de Lucas em seus braços e o abraço acolhedor de Lily.

Porque para Oscar Piastri, a vida era uma sucessão de curvas rápidas, mas o destino final era sempre o mesmo: o porto seguro onde ele era apenas um homem amado, longe dos flashes, protegido pelo escudo invisível de uma família que ele defenderia contra tudo e contra todos. E se para isso ele tivesse que deixar marcas, impor limites e enfrentar o mundo, ele o faria sem hesitar. Afinal, no grid da vida, Lucas e Lily eram a sua única e verdadeira pole position.

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