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sequestro

O Eclipse da Razão

O silêncio do porão foi quebrado pelo som metálico da tranca pesada sendo liberada. S/N não se moveu. Suas costas doíam pela posição rígida na cadeira de metal, e o frio do concreto parecia ter se infiltrado em seus ossos durante as horas de escuridão. Quando a luz cegante do corredor invadiu o ambiente, ela apenas semicerrou os olhos, recusando-se a dar a Jungkook a satisfação de vê-la implorar por misericórdia.

— Você parece mais calma agora — observou Jungkook, descendo os degraus com uma elegância que desmentia a crueldade de suas ações. Ele trazia uma bacia com água morna e uma toalha limpa. — A escuridão costuma colocar as coisas em perspectiva.

Ele se aproximou e começou a soltar as tiras de couro. S/N sentiu o sangue fluir para suas extremidades, uma dor aguda que a fez morder o lábio. Assim que suas mãos ficaram livres, ela tentou empurrá-lo, mas Jungkook a segurou pelos ombros com uma força desproporcional.

— Não tente — avisou ele, a voz baixa e vibrante. — Eu não estou com humor para jogos hoje. Temos visitas.

S/N congelou.

— Visitas? Quem?

— Um antigo conhecido. Ele veio tratar de alguns... negócios — Jungkook sorriu, mas o brilho em seus olhos era gélido. — E ele teve a audácia de perguntar sobre a "mulher da cafeteria". Parece que você deixou uma impressão duradoura em muita gente, S/N.

Ele a guiou escada acima, mantendo um aperto possessivo em seu braço. No andar superior, a casa estava impecável, iluminada por candelabros que lançavam sombras longas nas paredes. Jungkook a levou até a sala de jantar, onde um homem de terno cinza aguardava, segurando uma taça de vinho.

— Então esta é a famosa S/N — disse o homem, aproximando-se com um olhar que percorreu o corpo dela de forma lenta e invasiva. — Jeon, você tem bom gosto. Ela é muito mais bonita de perto do que nas fotos que você tirou.

Jungkook tencionou o braço ao redor da cintura de S/N. O ambiente mudou instantaneamente; o ar tornou-se denso, carregado de uma hostilidade palpável.

— Mantenha a distância, Minho — sibilou Jungkook, a voz soando como o rosnado de um predador protegendo sua presa. — Você veio aqui para os documentos, não para admirar o que me pertence.

— Ora, não seja tão possessivo — Minho riu, dando mais um passo à frente, ignorando o perigo iminente. Ele estendeu a mão para tocar o rosto de S/N. — Eu só queria ver se ela é tão corajosa quanto dizem.

Antes que os dedos do homem pudessem tocar a pele dela, Jungkook agiu. Com uma rapidez sobre-humana, ele largou S/N e agarrou o pulso de Minho, torcendo-o até que o som do osso estalando ecoasse pela sala. O grito de dor do homem foi abafado pela mão de Jungkook que agora apertava sua garganta.

— Eu disse para não tocar — sussurrou Jungkook, os olhos negros dilatados pela fúria. — Se você olhar para ela de novo, eu arranco seus olhos. Se pensar nela, eu abro sua cabeça para limpar seus pensamentos. Saia. Agora.

Minho, pálido e trêmulo, recolheu sua pasta e fugiu pela porta da frente sem olhar para trás. Jungkook permaneceu parado por um momento, a respiração pesada, os ombros subindo e descendo enquanto tentava conter o monstro que rugia dentro dele.

S/N observava a cena, o coração martelando contra as costelas. Ela nunca tinha visto Jungkook tão descontrolado. O ciúme dele não era algo humano; era uma força da natureza, destrutiva e absoluta.

— Você está louco? — exclamou ela, a voz falhando. — Você quase o matou por nada!

Jungkook virou-se para ela. O rosto dele estava transformado pela possessividade. Ele caminhou em sua direção, e S/N recuou até que suas costas batessem na mesa de carvalho da sala de jantar.

— Por nada? — Ele riu, uma risada sombria que a fez estremecer. — Ele desejou você. Eu vi nos olhos dele. Ele queria o que é meu.

— Eu não sou sua, Jungkook! — gritou ela, tentando empurrá-lo. — Eu não sou um objeto que você guarda em uma caixa e mata quem olha!

Jungkook a prensou contra a mesa, suas mãos prendendo os pulsos dela contra a madeira com uma força que beirava a dor. Ele se inclinou, o rosto a centímetros do dela, o cheiro de sândalo e fúria a envolvendo.

— Você é minha — disse ele, cada palavra saindo como uma sentença. — Cada centímetro desse corpo, cada pensamento nessa cabeça teimosa... tudo pertence a mim. E se o mundo inteiro tiver que queimar para que você entenda isso, eu mesmo acendo o fósforo.

— Você me dá nojo — sibilou S/N, embora seu corpo estivesse reagindo à proximidade dele de uma forma que ela odiava admitir. A adrenalina do medo estava se misturando a uma tensão elétrica e perigosa.

— O seu nojo é o que me mantém acordado à noite — respondeu ele, descendo o rosto para o pescoço dela, inalando o perfume de sua pele. — Mas eu sinto seu coração, S/N. Ele está batendo tão rápido... e não é só de medo.

Ele mordeu o lóbulo da orelha dela, um gesto que começou agressivo, mas terminou em uma carícia úmida que fez as pernas de S/N fraquejarem. Ela tentou lutar contra a sensação, mas a intensidade de Jungkook era avassaladora. Ele não era apenas um captor; ele era uma tempestade que exigia ser sentida.

— Me solta... — pediu ela, mas o protesto soou fraco, quase como um convite.

Jungkook soltou os pulsos dela, mas apenas para agarrar sua mandíbula, forçando-a a olhar para ele.

— Olhe para mim — ordenou ele. — Diga que você quer que eu pare. Diga que você prefere a escuridão do porão ao meu toque. Diga!

S/N abriu a boca para responder, mas as palavras morreram em sua garganta. O olhar de Jungkook era um abismo de desejo e possessividade doentia. Ele a desejava com uma fome que parecia capaz de consumi-la viva. Em um ato de rebeldia final contra a própria sanidade, ela não recuou. Ela o puxou pela gola da camisa preta, colando seus lábios nos dele em um beijo que era mais uma batalha do que uma carícia.

Jungkook soltou um som gutural, um misto de surpresa e triunfo. Ele a levantou, sentando-a na borda da mesa e posicionando-se entre suas pernas. O beijo era violento, carregado de meses de tensão, medo e uma atração distorcida que nenhum deles conseguia mais negar. As mãos de Jungkook percorriam o corpo dela com urgência, reivindicando cada curva como se estivesse marcando seu território.

— Você é minha — ele repetiu entre os beijos, a voz rouca de desejo. — Diga.

S/N sentiu as lágrimas arderem em seus olhos enquanto suas unhas cravavam nos ombros dele.

— Eu odeio você — sussurrou ela, enquanto puxava a camisa dele para fora da calça.

— Odeie — respondeu ele, atacando o pescoço dela com beijos vorazes. — Mas seja minha enquanto faz isso.

Ele a despiu com uma eficiência brutal, seus olhos devorando cada detalhe da pele dela sob a luz dos candelabros. Quando ele se livrou das próprias roupas, S/N viu as cicatrizes em seu corpo, marcas de uma vida dedicada à violência. Mas ali, naquele momento, não havia armas, apenas a pele contra a pele.

Jungkook a possuiu com uma intensidade que refletia sua mente perturbada. Não era um ato de amor, era um ato de conquista. Cada movimento dele era uma afirmação de poder, uma tentativa de fundir a alma dela à dele através da carne. S/N arqueou o corpo, sua mente embaçada pelo prazer que lutava contra sua consciência. Ela o enfrentava até no prazer, devolvendo cada toque com a mesma ferocidade.

— Olhe para mim — ele exigiu, os olhos fixos nos dela enquanto se movia dentro dela. — Eu quero ver você quando souber que não há volta.

S/N o encarou, as mãos segurando o rosto dele. Naquele momento de vulnerabilidade extrema, ela viu o que Jungkook realmente era: um homem quebrado que só sabia amar através da dor e do controle. E ela, em sua coragem suicida, era a única pessoa que ousava olhar para o monstro e não desviar o olhar.

Quando o clímax os atingiu, foi como uma explosão de estilhaços. Jungkook desabou sobre ela, escondendo o rosto em seu pescoço, o corpo tremendo enquanto a respiração voltava ao normal. Por alguns segundos, o silêncio retornou à sala de jantar, quebrado apenas pelo som dos corações batendo em uníssono.

Lentamente, Jungkook se afastou, recuperando sua máscara de frieza, embora seus olhos ainda guardassem um brilho de possessividade renovada. Ele a ajudou a se levantar, seus dedos traçando suavemente as marcas vermelhas que ele havia deixado nos ombros dela.

— Agora você entende — disse ele, a voz agora calma, quase melancólica. — Não importa para onde você vá ou o que tente fazer. Você carrega a minha marca.

S/N ajeitou as roupas com as mãos trêmulas, sentindo o peso do que acabara de acontecer. Ela não se sentia derrotada; sentia-se como alguém que acabara de atravessar um campo minado e saíra viva, mas mudada para sempre.

— Você acha que isso muda as coisas, Jungkook? — perguntou ela, encarando-o com uma firmeza que o surpreendeu. — Você acha que só porque você me possuiu, eu vou parar de lutar?

Jungkook deu um meio sorriso, um gesto que quase parecia humano.

— Eu espero que não. Se você parasse de lutar, você não seria a S/N. E eu teria que encontrar outra pessoa para destruir.

Ele caminhou até a porta e a trancou, guardando a chave no bolso.

— Vá para o quarto. Eu vou preparar o jantar. E desta vez, S/N... coma. Eu não quero que você perca as forças para a nossa próxima batalha.

Enquanto ele se afastava em direção à cozinha, S/N permaneceu na sala de jantar, observando as sombras nas paredes. Ela sabia que estava presa em uma teia perigosa, mas também sabia algo que Jungkook ainda não havia percebido. Ele achava que a tinha conquistado através do sexo e do medo, mas ao deixá-la entrar em seu mundo de sombras, ele também dera a ela as armas para destruí-lo de dentro para fora.

O jogo tinha mudado. O aroma do café era agora apenas uma lembrança de uma vida que não existia mais. No lugar dele, havia o cheiro de suor, poder e uma guerra de vontades onde não haveria vencedores, apenas sobreviventes. E S/N, com o gosto de Jungkook ainda em seus lábios, jurou a si mesma que seria a última a cair.