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Sexo

Semente de Magia e Promessa

A névoa matinal de Storybrooke ainda abraçava a mansão na Mifflin Street quando Regina acordou, sentindo um peso reconfortante sobre o corpo. Cora não estava apenas ao seu lado; ela a envolvia como uma raiz antiga que reivindica a terra. O calor que emanava da pele de sua mãe era quase febril, uma lembrança constante da noite de êxtase e das promessas sombrias que haviam trocado entre os lençóis de seda.

Regina sentia-se diferente. Havia uma vibração estranha em seu baixo ventre, um formigamento que não era apenas o resíduo do prazer, mas algo mais denso, como se sua própria magia estivesse se reorganizando. Ela se virou lentamente, encontrando os olhos escuros de Cora já abertos, observando-a com uma lucidez predatória.

— Você sente, não sente? — sussurrou Cora, a voz rouca pelo sono e pela satisfação. — A semente já criou raízes.

Regina levou a mão ao próprio ventre, os dedos tremendo levemente.

— É impossível, mãe... Mesmo para nós. A biologia...

— A biologia é uma limitação para os fracos, Regina — interrompeu Cora, sentando-se na cama com a elegância de uma divindade pagã. — Eu sou a Rainha de Copas. Eu moldei corações e mentes. Você acha que eu não seria capaz de moldar a vida dentro de você usando o meu próprio sangue como combustível?

Cora inclinou-se sobre a filha, prendendo-a contra os travesseiros. O perfume de rosas e poder que emanava dela era inebriante.

— Ontem à noite, quando eu a possuí, eu não estava apenas buscando prazer — continuou Cora, seus dedos traçando círculos hipnóticos sobre o abdômen de Regina. — Eu estava transferindo a essência da nossa linhagem. Eu fundi a minha magia com a sua fertilidade. Você carrega agora o que há de mais puro em nós duas.

Regina soltou um suspiro trêmulo. A ideia de carregar um filho que era puramente Mills, gerado pelo toque e pela vontade da mulher que a criara, era a transgressão final contra o destino. E, no entanto, ela nunca desejara algo com tanta intensidade.

— Eu quero ver — murmurou Regina, os olhos brilhando com uma mistura de medo e fascinação. — Quero que você me mostre que é real.

Cora sorriu, um sorriso que prometia tanto dor quanto glória.

— Eu vou mostrar a você, minha querida. Mas a criação exige paixão. A vida que cresce em você precisa ser alimentada pelo fogo do nosso desejo.

Sem mais palavras, Cora afastou as cobertas, expondo a nudez de ambas à luz pálida da manhã. Ela não foi gentil. Cora nunca fora adepta da gentileza quando a dominação servia melhor aos seus propósitos. Ela reivindicou os lábios de Regina com uma fúria renovada, suas mãos explorando cada curva do corpo da filha com uma autoridade que fazia Regina arder.

— Cada gemido seu é um batimento cardíaco para o que virá — sussurrou Cora entre os beijos.

Regina entregou-se totalmente. Ela se abriu para a mãe, deixando que a magia de Cora fluísse através dela como um rio de ouro derretido. O sexo era visceral, um ato de criação primitiva que transcendia o físico. Regina sentia a presença de Cora em cada célula, uma invasão completa que a deixava sem fôlego e sem vontade própria, apenas o desejo de ser preenchida pela mulher que era sua origem e agora seu futuro.

Quando o clímax as atingiu, foi como uma explosão de luz escarlate atrás das pálpebras de Regina. Ela sentiu um puxão profundo em seu útero, um selo mágico sendo fechado.

Horas depois, após um banho compartilhado onde a água quente serviu apenas para novos toques e carícias possessivas, elas desceram para o café da manhã. Henry já estava à mesa, terminando suas torradas. O menino olhou para a mãe e para a avó, percebendo imediatamente a mudança na atmosfera. Regina parecia radiante, uma aura de vitalidade quase sobrenatural a rodeava, enquanto Cora caminhava com uma satisfação silenciosa.

— Vocês estão... diferentes — comentou Henry, franzindo a testa. — Aconteceu alguma coisa?

Regina olhou para Cora, buscando um sinal silencioso. A mãe assentiu levemente, encorajando-a. Regina sentou-se ao lado do filho, pegando sua mão com uma ternura que raramente demonstrava com tanta transparência.

— Henry, querido... — começou Regina, sua voz suave. — Você sabe que a nossa família sempre foi... única. E que a magia permite que coisas maravilhosas aconteçam.

Henry largou o talher, a curiosidade brilhando em seus olhos.

— O que quer dizer, mãe?

— Quer dizer que a nossa linhagem vai crescer — interveio Cora, sentando-se à cabeceira com a autoridade de uma matriarca. — Regina está esperando um bebê. Um novo membro para a família Mills.

O silêncio que se seguiu foi tenso, mas não por muito tempo. Henry arregalou os olhos, processando a informação. Ele olhou para o ventre da mãe e depois para o rosto de Cora. Sendo o autor e uma criança criada em meio a feitiços e maldições, ele não questionou a lógica biológica; ele sentiu a verdade na magia que emanava das duas.

— Um bebê? — Henry perguntou, um sorriso começando a surgir em seus lábios. — Eu vou ser... um irmão mais velho?

— Sim, Henry — respondeu Regina, sentindo um alívio imenso ao ver a reação positiva dele. — Você terá um irmão ou uma irmã. Alguém para protegermos e ensinarmos.

Henry levantou-se e abraçou Regina com força.

— Isso é incrível! A nossa família... ela sempre foi tão pequena, só nós dois por tanto tempo. E agora com a vovó aqui... vai ser perfeito.

Cora observava a cena com um brilho triunfante. Ela havia conseguido o que queria: a união absoluta. Henry estava integrado, Regina estava vinculada a ela por um laço inquebrável, e um novo herdeiro estava a caminho.

— Eu vou cuidar dele, mãe — prometeu Henry, soltando-se do abraço e olhando para Regina com seriedade. — Eu vou ensinar tudo sobre Storybrooke e sobre como ser um herói... ou um rei.

— Ele será um rei, Henry — corrigiu Cora, sua voz carregada de uma promessa antiga. — Um rei nascido da magia mais pura que este mundo já viu.

Mais tarde, após Henry sair para a escola, a mansão mergulhou novamente em um silêncio carregado. Regina estava na biblioteca, observando os jardins através da vidraça, quando sentiu os braços de Cora envolverem sua cintura por trás.

— Você viu como ele aceitou? — murmurou Cora, descansando o queixo no ombro da filha. — Ele sente o poder que está vindo. Ele sabe que este bebê é o que faltava para consolidar o nosso lugar aqui.

— Eu nunca imaginei que pudesse me sentir assim — confessou Regina, inclinando a cabeça para trás. — É como se tudo o que eu busquei em outros lugares estivesse aqui o tempo todo.

— Estava — afirmou Cora, virando Regina para encará-la. — Estava no seu sangue. No meu toque. O mundo tentou nos dizer que o que sentimos é errado, mas veja o que o nosso "erro" criou. Criou vida. Criou esperança.

Cora ajoelhou-se diante de Regina, algo que ela nunca fizera para ninguém. Ela pressionou o ouvido contra o ventre da filha, fechando os olhos.

— Eu posso ouvi-lo — sussurrou Cora. — O coração dele bate no ritmo da minha magia.

Regina acariciou os cabelos de sua mãe, sentindo uma onda de devoção que a assustava e a completava simultaneamente. Ela sabia que a cidade de Storybrooke nunca entenderia. Sabia que Emma Swan olharia para elas com horror e que os encantados tentariam intervir. Mas, enquanto Cora estivesse ali, ajoelhada diante dela, adorando o fruto da união delas, nada mais importava.

— O que faremos quando eles descobrirem? — perguntou Regina.

Cora levantou-se, seus olhos brilhando com uma determinação feroz.

— Deixe que tentem nos desafiar. Nós não somos mais apenas uma mãe e uma filha tentando sobreviver. Somos uma dinastia. E ai de quem tentar se colocar entre nós e o que é nosso por direito.

Cora puxou Regina para um beijo profundo, um beijo que selava o pacto de sangue e solo. O bebê dentro de Regina era a prova final de que elas eram deusas em seu próprio microcosmo.

— Agora — disse Cora, guiando Regina em direção ao sofá de couro — deixe-me cuidar de você. A gestação de um ser mágico exige muita... energia. E eu tenho prazer em fornecê-la.

Regina deitou-se, entregando-se novamente às mãos habilidosas de sua mãe. O sol de Storybrooke continuava a brilhar lá fora, mas dentro da mansão Mills, uma nova era havia começado. Uma era de sombras, de luz escarlate e de um amor que não conhecia limites, nem leis, nem fim. A rainha e sua criadora haviam vencido o tempo, e o herdeiro que crescia no ventre de Regina era a garantia de que o legado Mills jamais seria esquecido.