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Sexo virtual

Sinfonia de Toques e o Silêncio do Reencontro

O som dos pneus do táxi contra o asfalto molhado de Seul era o último acorde de uma longa espera. Maria Clara observava as luzes da cidade passando pela janela, um borrão de neon e movimento que contrastava com a quietude ansiosa que crescia em seu peito. Sua mala, pesada com os tesouros de Chicago, parecia mais leve agora que o destino final estava a poucos metros.

Quando o carro parou em frente ao prédio de Yoongi, o coração dela falhou uma batida. Ela pagou o motorista com as mãos levemente trêmulas e, assim que desceu, sentiu o ar frio da Coreia atingir seu rosto, mas desta vez não era o frio solitário de Chicago. Era o ar que ele respirava.

O elevador parecia subir em câmera lenta. Cada número que brilhava no painel era um segundo a menos de distância. Quando as portas se abriram, ela nem sequer hesitou. Caminhou até a porta familiar e digitou a senha que ele nunca mudara, a combinação que era o segredo dos dois.

O apartamento estava na penumbra, iluminado apenas por algumas luzes baixas e pelo brilho azulado que vinha do estúdio ao fundo. O cheiro dele — uma mistura de sândalo, café e aquele perfume cítrico sutil — a envolveu como um abraço antes mesmo de ela o ver.

— Yoongi? — chamou ela, sua voz saindo em um sussurro carregado de emoção.

Houve um barulho de cadeira sendo arrastada e, em segundos, a silhueta dele apareceu no corredor. Ele parou por um instante, como se quisesse ter certeza de que ela não era mais uma projeção de pixels em uma tela de retina. Yoongi usava um casaco de tricô largo e o cabelo estava bagunçado, exatamente como ela vira na chamada de vídeo horas antes.

— Maria... — O nome dela saiu como uma prece.

Ele não esperou. Yoongi atravessou a distância entre eles em passos rápidos e a envolveu em um abraço tão apertado que o ar pareceu fugir dos pulmões de Maria. Ela enterrou o rosto no pescoço dele, sentindo o calor real de sua pele, a textura do tecido de sua roupa e, acima de tudo, a pulsação forte de seu coração contra o dela.

— Você está aqui — murmurou ele, a voz vibrando contra o ouvido dela. — Você é real.

— Eu sou real, Yoongi — ela respondeu, apertando-o com a mesma intensidade. — Chega de telas. Chega de fuso horário.

Ele se afastou apenas o suficiente para segurar o rosto dela entre as mãos. Seus dedos longos e pálidos, que ela tanto admirara através de câmeras, agora mapeavam cada curva de sua face com uma reverência quase religiosa. Os olhos de Yoongi estavam escuros, brilhando com uma mistura de alívio e um desejo que vinha sendo represado por dias.

— Eu quase esqueci como você é bonita pessoalmente — disse ele, o polegar traçando o lábio inferior dela. — A câmera não captura o jeito que seus olhos brilham quando você me olha assim.

Maria sorriu, sentindo as lágrimas de cansaço e felicidade finalmente transbordarem.

— E você é muito mais teimoso pessoalmente — brincou ela, embora sua voz estivesse embargada. — Por que você ainda está de pé? Eu disse para você descansar.

— Como eu poderia dormir sabendo que você estava cruzando o oceano para chegar até mim? — Ele inclinou a cabeça, aproximando o rosto do dela. — Eu contei cada minuto, Maria. Cada um deles.

O beijo que se seguiu não foi suave. Foi um encontro faminto, uma colisão de saudades que não precisava mais de palavras. O gosto de Yoongi era exatamente como ela se lembrava, mas intensificado pela presença física. Ele a puxou para mais perto, as mãos descendo pelas costas dela, apertando sua cintura como se quisesse fundir seus corpos em um só.

— O quarto... — sussurrou ele entre os beijos, a respiração ofegante. — Agora.

Ele não a soltou nem por um segundo enquanto caminhavam. No quarto, os lençóis novos que ele mencionara estavam impecáveis, mas não por muito tempo. Yoongi a deitou na cama com uma delicadeza que contrastava com a urgência de seus movimentos anteriores. Ele se posicionou sobre ela, os braços sustentando o peso do corpo enquanto ele a observava sob a luz suave do abajur.

— Eu disse que não deixaria você sair daqui por doze horas — lembrou ele, um meio sorriso possessivo surgindo em seus lábios. — Eu menti. Acho que vamos precisar de muito mais tempo.

As roupas foram deixadas de lado como obstáculos desnecessários. Quando a pele finalmente se encontrou sem barreiras, houve um suspiro coletivo, um reconhecimento de que a tortura da distância havia acabado. Yoongi explorou o corpo de Maria com uma lentidão deliberada, como se estivesse redescobrindo um território amado. Cada toque dele era uma resposta às promessas feitas através do microfone.

— Lembra do que eu disse em Chicago? — Maria perguntou, a voz trêmula enquanto as mãos dele subiam por suas coxas. — Que eu queria sentir o seu peso?

— Eu lembro de cada detalhe, Maria Clara — disse ele, a voz descendo para aquele tom rouco que a fazia derreter. — E eu vou te dar exatamente o que você pediu. E muito mais.

O sexo não era apenas uma liberação física; era uma conversa profunda. Cada movimento de Yoongi era carregado de uma intensidade que dizia "eu senti sua falta" e "você é minha" simultaneamente. Ele era atento, focado inteiramente nela, observando suas reações, buscando seus olhos no meio da penumbra. Quando ele a penetrou, o tempo pareceu parar. Não havia mais Seul, não havia mais Chicago, não havia mais BTS ou fama. Havia apenas dois corações tentando encontrar o mesmo ritmo.

Maria arqueou as costas, as unhas cravando-se nos ombros largos de Yoongi enquanto o prazer subia em ondas avassaladoras. Ele gemia o nome dela contra seu pescoço, um som cru e honesto que ele nunca deixaria ninguém mais ouvir.

— Olha para mim — ele pediu, a voz falhando.

Ela abriu os olhos e encontrou o olhar dele. Havia uma vulnerabilidade ali que a desarmou. Min Yoongi, o homem que o mundo via como inabalável, estava ali, entregue, buscando nela o seu porto seguro. O clímax veio como uma explosão de cores e sensações, um ápice que os deixou exaustos e trêmulos, agarrados um ao outro como se o mundo fosse acabar se eles se soltassem.

Minutos depois, o silêncio do quarto era preenchido apenas pelas respirações que voltavam ao normal. Yoongi se deitou ao lado dela, puxando o edredom para cobri-los, mas mantendo Maria colada ao seu peito. Ele beijou o topo da cabeça dela, inalando o cheiro de seu cabelo.

— Você está bem? — perguntou ele, a voz agora suave e carinhosa.

— Melhor do que eu estive em meses — respondeu ela, descansando a mão sobre o coração dele. — O ritmo está voltando ao normal.

Yoongi soltou uma risada curta e relaxada.

— O meu ainda está acelerado. Acho que você teve um efeito permanente em mim, Maria.

Eles ficaram ali, mergulhados em uma preguiça gostosa. Maria começou a contar sobre os detalhes da viagem que não puderam ser ditos por vídeo, e Yoongi ouvia tudo com uma atenção absoluta, ocasionalmente interrompendo com um beijo ou uma carícia.

— Eu trouxe seus presentes — disse ela, o sono começando a pesar. — Os cadernos de Chicago... o vinil...

— Esqueça os presentes por enquanto — murmurou ele, fechando os olhos e aconchegando-a mais. — O único presente que eu queria já está nos meus braços. O resto pode esperar até amanhã. Ou depois de amanhã.

— Você realmente cancelou tudo? — perguntou ela, surpresa.

— Tudo. O mundo pode girar sem mim por alguns dias. Mas eu não posso girar sem você.

Maria sorriu, sentindo uma paz imensa. Ela lembrou-se da solidão do quarto de hotel em Chicago e da frieza da tela do laptop. Tudo aquilo parecia uma vida passada agora.

— Yoongi? — chamou ela baixinho.

— Oi?

— Obrigada por me esperar.

Ele abriu os olhos, a expressão séria e profunda.

— Eu esperaria uma eternidade, Maria Clara. Mas fico feliz que só tenham sido algumas semanas.

Ele a beijou uma última vez, um selinho demorado e doce, antes de apagar a luz. No escuro total, não havia mais pixels, não havia mais atrasos na conexão. Havia apenas a realidade sólida e quente de estarem juntos. E enquanto o sono os levava, Yoongi segurou a mão dela, entrelaçando os dedos com firmeza, como se estivesse selando uma promessa de que, a partir de agora, a única distância entre eles seria apenas a necessária para um suspiro.

Naquela noite, Min Yoongi não sonhou com músicas ou palcos. Ele sonhou com o som da respiração de Maria ao seu lado, a melodia mais bonita que ele já tivera o privilégio de compor.