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Shes my woman

O Veneno Doce da Rendição

Dois dias haviam se passado desde o "incidente" no corredor, e a escola parecia ter se transformado em um grande formigueiro chutado. O beijo entre Mizi e Sua era o único assunto nos grupos de WhatsApp, nas mesas do refeitório e até nos sussurros entre os professores. A tensão entre o lado esquerdo e o direito da sala de aula do 3º ano atingira um nível tão crítico que o ar parecia prestes a entrar em combustão espontânea. Mizi, fiel à sua nova persona, agia como se nada tivesse acontecido, mantendo o sarcasmo afiado e a companhia constante de Marty, Lexy e Vianna. Sua, por outro lado, parecia flutuar em um estado de choque melancólico, com os olhos roxos perdidos em algum ponto inexistente do horizonte.

O intervalo do terceiro dia começou como qualquer outro, mas o destino tinha outros planos. Sua estava sentada em um dos bancos de cimento do pátio, tentando ler, com o cabelo preso em um coque frouxo que deixava alguns fios escaparem, emoldurando seu rosto pálido de uma forma que a tornava dolorosamente bonita. O grupo dela estava por perto, como uma guarda pretoriana.

Foi então que Acorn apareceu.

Ele não parecia o namorado popular de uma semana atrás; tinha olheiras, o maxilar ainda levemente inchado e uma expressão de quem tinha o ego ferido e precisava de uma compensação. Ele ignorou a presença de Till e Ivan e parou bem na frente de Sua.

— A gente precisa conversar, Sua. Agora — disse Acorn, a voz carregada de uma autoridade que ele não possuía mais.

— Eu já disse tudo o que tinha para dizer, Acorn — Sua respondeu, sem levantar os olhos do livro. — Acabou. Sai daqui.

— Não acabou porra nenhuma! — Acorn explodiu, segurando o braço de Sua e tentando puxá-la para cima. — Você não pode me dar um pé na bunda na frente de todo mundo e achar que vai ficar por isso mesmo. Você me deve uma explicação sobre aquela palhaçada com a Mizi no corredor.

Till levantou-se num salto, os olhos verdes faiscando de fúria. — Solta ela agora, seu merda, ou eu vou terminar o serviço que a Mizi começou!

Ivan também se levantou, a calma habitual dando lugar a uma frieza perigosa, enquanto bloqueava o caminho de Acorn. Hyuna e Luka já estavam prontos para intervir, mas, antes que a briga física estourasse, uma voz estridente e carregada de deboche cortou o ar.

— Mas que recepção calorosa! — Mizi surgiu do nada, caminhando com a confiança de uma rainha.

Ela não parou para discutir. Com um movimento rápido e inesperado, Mizi se enfiou entre Sua e Acorn, agarrando o colarinho do garoto com uma mão e passando o outro braço pelo ombro dele, como se fossem melhores amigos de infância.

— E aí, garotão? — Mizi disse, sorrindo de forma predatória. — Você parece tenso. Acho que você e eu precisamos de um passeio, não acha? Para colocar o papo em dia.

Acorn tentou protestar, mas o aperto de Mizi no seu colarinho era como uma pinça de aço. Ela começou a arrastá-lo para longe do grupo, forçando-o a caminhar ao seu lado pelos corredores laterais do pátio.

— O que você pensa que está fazendo, sua louca?! — Acorn sibilou, tentando se soltar.

Mizi inclinou-se para perto do ouvido dele, a voz baixando para um sussurro que faria o sangue de qualquer um congelar.

— Escuta aqui, seu pedaço de lixo — começou Mizi, o sorriso ainda no rosto, mas os olhos frios como gelo. — Se você chegar a menos de cinco metros da Sua de novo, eu não vou apenas te bater. Eu vou infernizar a sua vida de um jeito que você vai implorar para ser transferido. Eu tenho amigos no 2º ano que adorariam saber sobre as coisas que você tentou fazer com ela. Eu vou destruir a sua reputação, a sua cara e qualquer chance que você tenha de ter um dia de paz nesta escola. Você entendeu, ou eu preciso desenhar com o seu sangue no chão?

Acorn empalideceu. Ele olhou para Mizi e percebeu que ela não estava brincando. Havia uma loucura genuína e uma proteção feroz naqueles olhos bicolores. Mizi deu a volta completa pelos corredores, mantendo a encenação de "amizade" para quem olhasse de longe, e terminou exatamente onde haviam começado, diante de Sua e do grupo atônito.

Mizi soltou Acorn com um empurrão desdenhoso. — Agora vaza. O lixo passa às seis, e você está atrasado.

Acorn não esperou uma segunda ordem. Ele saiu quase correndo, desaparecendo entre os outros alunos.

Mizi suspirou, ajeitando o cabelo solto que caía em ondas rosa e azul sobre seus ombros. Ela se virou para Sua, que ainda estava sentada, observando-a com uma mistura de adoração e confusão. Mizi não perdeu a chance. Ela se inclinou sobre Sua, apoiando as mãos nos joelhos da outra garota.

— E aí, princesa? — Mizi flertou abertamente, a voz carregada de sarcasmo. — Gostou do show? Por um acaso você está querendo um beijo de agradecimento?

Sua soltou uma risada fraca, balançando a cabeça. — Não, Mizi. Definitivamente não.

Mizi deu um sorriso de canto e, sem aviso, deu um selinho rápido e estalado nos lábios de Sua. Quando ela começou a se endireitar para ir embora, sentiu um puxão firme. Sua havia agarrado a gravata de Mizi e a puxado de volta, forçando-as a ficarem cara a cara, a poucos centímetros de distância.

— Por quanto tempo você planeja continuar brincando comigo assim, Mizi? — Sua perguntou em voz baixa, um desafio brilhando em seus olhos roxos.

O sorriso de Mizi mudou. Tornou-se pervertido, profundo, carregado de uma luxúria que ela não se dava mais ao trabalho de esconder. Ela se inclinou ainda mais, o hálito quente batendo no rosto de Sua.

— Oh, Sua... — Mizi sussurrou, a voz vibrando de forma provocante. — Eu posso brincar com você o dia inteiro, se você quiser. Eu posso te levar para lugares que o seu cérebro de nerd nem consegue imaginar. Eu posso fazer você esquecer o próprio nome enquanto eu te mostro exatamente o que significa ser minha. Eu posso ser muito, muito má com você, do jeito que eu sei que você secretamente deseja desde o primeiro ano.

Mizi desceu o olhar para a boca de Sua, a língua lambendo os próprios lábios de forma sugestiva.

— Mas tudo isso depende de você — continuou Mizi, o tom de voz ficando ainda mais grave e perigoso. — É só você admitir. Admite que você foi uma idiota por acreditar naquela farsa. Admite que você passou cada maldito segundo desses últimos dois anos sentindo falta do meu toque. Diz que você ainda me ama, Sua. Porque nós duas sabemos que eu sou completamente louca por você, e que eu morreria e mataria só para ter você gemendo o meu nome de novo.

O silêncio que se seguiu foi denso. Mizi estava entregando tudo, sua vulnerabilidade disfarçada de perversão, seu amor doentio que nunca morreu. Ela esperava uma resposta, um grito, uma negação.

Em vez disso, Sua apenas deu um sorriso enigmático. Ela soltou a gravata de Mizi, mas, antes de deixá-la ir, inclinou-se e deu um selinho demorado e doce nos lábios da garota de cabelos rosa.

— A gente se vê na aula, Mizi — disse Sua, sem responder a nenhuma das provocações, soltando-a e voltando a abrir seu livro como se nada tivesse acontecido.

Mizi ficou parada por um momento, processando o contra-ataque. Ela soltou uma risada curta, incrédula, e passou a mão pelo cabelo.

— Você ainda vai ser a minha morte, Sua — murmurou Mizi para si mesma, antes de se virar e caminhar de volta para o seu grupo, com o coração disparado e a certeza de que, não importava o quanto tentasse odiar, ela estava irremediavelmente presa àquela garota melancólica.

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