Shes my woman
Labirintos de Orgulho e Saliva
O caminho até a casa de Sua foi um exercício de tortura psicológica para ambas. Mizi carregava a ex-namorada com uma facilidade que beirava o insulto, os braços firmes sustentando o peso de Sua como se ela fosse feita de papel. O cheiro de Sua — aquele perfume suave de lavanda e livros antigos — invadia as narinas de Mizi, despertando memórias que ela jurou ter enterrado sob camadas de cinismo e cigarros.
Quando finalmente entraram no apartamento, o silêncio era denso. Mizi depositou Sua no sofá de veludo azul com um cuidado quase irônico.
— Pronto, princesa. Entregue em segurança antes que seus cavaleiros de armadura de papelão quebrassem você ao meio — zombou Mizi, jogando a mochila de Sua em uma poltrona.
— Obrigada, Mizi — Sua respondeu, a voz melancólica e baixa, os olhos roxos seguindo cada movimento da garota de cabelos rosa. — Você não precisava ter feito isso.
— Eu sei que não precisava. Mas eu não suporto ver incompetência, e o Till e o Luka são a definição disso — Mizi caminhou até a cozinha, voltando momentos depois com uma bolsa de gelo.
Ela se ajoelhou entre as pernas de Sua, posicionando o gelo sobre o tornozelo inchado. O toque das mãos de Mizi na pele de Sua fez a atmosfera mudar instantaneamente. A provocação que Mizi carregava como uma arma estava prestes a disparar.
— Sabe, Sua... — Mizi começou, a voz caindo para um tom perigosamente rouco enquanto seus dedos subiam lentamente pela canela da outra. — Você sempre foi tão frágil. Tão dependente dessa sua aura de santinha sofredora.
Mizi inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos nas coxas de Sua, encurralando-a contra o encosto do sofá. O olhar de Mizi era puro veneno destilado em desejo.
— Eu fico pensando... se você é tão indefesa assim, como aguentou aquele lixo do Acorn? Ou será que você gostava que ele tentasse mandar em você? — Mizi soltou um riso baixo, a mão subindo mais, roçando a borda da saia do uniforme. — Porque eu sei que você gosta de ser dominada, Sua. Eu sei que esse seu rostinho de anjo esconde uma sujeira que só eu conheço.
Sua respirou fundo, os lábios tremendo. A dor no tornozelo era nada perto do fogo que começava a se espalhar pelo seu ventre.
— Você fala demais, Mizi — Sua sussurrou, e em um movimento súbito, agarrou a gravata frouxa de Mizi, puxando-a para baixo. — Por que não cala a boca e termina o que começou no corredor?
O desafio foi o estopim. Mizi não esperou. Ela atacou os lábios de Sua com uma ferocidade que fez os dentes baterem. Não havia doçura ali, apenas a fome de dois anos de isolamento e mentiras. Mizi arrastou Sua do sofá, ignorando o gemido de dor no tornozelo, e a guiou até o quarto, empurrando-a contra a cama.
— Você quer ver quem fala demais? — Mizi sibilou, subindo sobre Sua e prendendo os pulsos da garota acima da cabeça. — Eu vou fazer você esquecer como se fala. Vou fazer você gemer tanto que a sua garganta vai arder por uma semana.
Mizi desceu os beijos para o pescoço de Sua, mordendo a pele pálida exatamente acima da marca da queimadura que ela mesma havia deixado dias antes. A mão de Mizi desceu com rapidez, puxando a saia de Sua para cima e livrando-a da peça íntima com uma urgência brutal.
— Mizi... meu Deus, Mizi... — Sua já arqueava as costas, a respiração errática.
Mizi não deu tempo para preparos longos. Ela mergulhou dois dedos na intimidade de Sua, encontrando-a já úmida e quente. O primeiro movimento foi forte, um estocado rápido que fez a cama de molas antigas ranger alto contra a parede.
— *Nhmm...* devagar... Mizi, devagar... — Sua implorou, a cabeça jogada para trás, os olhos revirando.
— Devagar? — Mizi riu contra a pele da barriga de Sua, aumentando a velocidade. — Você não merece devagar. Você merece sentir cada centímetro do que perdeu por ser uma covarde.
O som do quarto era uma sinfonia caótica: o *nhec-nhec* rítmico da cama, o som úmido do atrito e os gemidos cada vez mais altos de Sua. Mizi era experiente, sabia exatamente onde o ponto de prazer se escondia e o castigava com uma precisão cruel.
— M-Mizi! Mais... por favor, mais! — Sua agora não pedia mais para ir devagar. Ela babava levemente, o rosto vermelho, as pernas tremendo enquanto tentava envolver a cintura de Mizi.
— Pede, Sua. Pede como a vadiazinha arrependida que você é — provocou Mizi, adicionando o terceiro dedo e girando a mão lá dentro com uma força que fazia Sua delirar.
— Me fode... me fode mais forte! — Sua gritou, o pudor melancólico completamente destruído pelo prazer. — Eu quero gozar, Mizi! Agora!
Mizi sentiu as paredes internas de Sua se contraírem violentamente. Com um sorriso de triunfo, ela acelerou o ritmo até o limite, ouvindo Sua gritar seu nome em um orgasmo que pareceu durar uma eternidade. O corpo de Sua amoleceu, a respiração pesada ecoando no quarto silencioso.
Mas Mizi não tinha terminado. Ela desceu o corpo, mergulhando a cabeça entre as pernas de Sua.
— O que você... — Sua tentou dizer, mas foi interrompida pela língua de Mizi, que lambeu o excesso de gozo com uma avidez animalesca.
Mizi chupou o clitóris de Sua com força, fazendo a garota voltar a se contorcer. A língua de Mizi trabalhava com uma agilidade que fazia Sua choramingar, alternando entre lambidas longas e sucções rítmicas. Quando Sua estava prestes a atingir o segundo ápice, Mizi parou bruscamente.
Ela se levantou, ficando cara a cara com Sua, o queixo brilhando com a umidade da outra. Ela inseriu apenas um dedo, brincando levemente na entrada, mantendo Sua no limite da frustração.
— Você quer mais, princesa? — Mizi perguntou, o olhar carregado de um sadismo doce.
— Sim... por favor, Mizi, eu preciso... — Sua implorava, as mãos tateando o lençol.
— Eu não ouvi você pedir com carinho. E eu acho que você ainda não se desculpou o suficiente pelas mentiras do primeiro ano — Mizi retirou o dedo, observando a expressão de desespero de Sua.
— Eu sinto muito! — Sua soluçou, puxando Mizi para um beijo desesperado, o gosto de si mesma passando para a boca da outra. — Eu te amo, Mizi. Eu sou sua. Me fode, por favor, me fode mais forte!
Mizi sorriu. Ela mergulhou a mão novamente, indo fundo e forte por um minuto ininterrupto de pura brutalidade prazerosa. A cama rangia tão alto que parecia que ia quebrar. Sua atingiu o segundo orgasmo com um grito que morreu em um beijo abafado.
Minutos depois, Mizi se levantou. Ela ajeitou a própria roupa, limpou a boca com as costas da mão e olhou para Sua, que estava jogada entre os lençóis bagunçados, exausta e trêmula.
— A gente se vê amanhã na escola, Sua. Tenta não mancar muito — disse Mizi, com a voz fria de novo, embora seus olhos traíssem um brilho de satisfação profunda.
Ela saiu do quarto e bateu a porta da frente sem olhar para trás.
Horas mais tarde, Sua já havia tomado banho e trocado os lençóis. Ela estava deitada, com um livro de poesias aberto, mas seus olhos não processavam as palavras. Sua mente estava presa em cada toque de Mizi, no som da cama rangendo, na força dos dedos dela e na forma humilhante e maravilhosa como Mizi a havia "limpado". Ela sentia um calor residual que a fazia sorrir involuntariamente.
Enquanto isso, em sua própria casa, Mizi estava deitada no escuro, olhando para o teto. Seus dedos ainda pareciam formigar com a memória da textura de Sua. Ela queria odiá-la, queria que aquilo tivesse sido apenas uma vingança, mas o aperto no seu peito dizia o contrário. Ela tinha amado cada segundo daquela rendição.
Nenhuma das duas admitiria em voz alta, mas naquela noite, o 3º ano havia mudado para sempre. O labirinto de orgulho entre elas ainda existia, mas agora, ele estava manchado de saliva, suor e uma verdade que nenhuma mentira poderia apagar.