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Entre o Suor e o Sentimento

O sol da manhã entrava pelas janelas altas da academia, criando padrões de luz no chão emborrachado. Is estava sentada no banco do vestiário, terminando de amarrar o cadarço do seu tênis favorito. Ela olhou para o celular uma última vez, vendo as notificações do vídeo que postara na noite anterior. A trend da barra em casal estava explodindo. Os comentários variavam entre "meta de relacionamento" e "quem é esse deus grego do lado dela?". Ela sorriu para a tela, sentindo aquele frio na barriga que só By conseguia provocar.

Ao sair para a área dos pesos, ela o viu de longe. Ele estava de costas, fazendo remada curvada, e os músculos das costas dele trabalhavam em uma harmonia impressionante sob a regata cavada. Is respirou fundo, ajeitou o top e caminhou com aquela confiança que sabia que o desconcertava.

— Bom dia, "astro da internet" — disse ela, parando ao lado dele com as mãos na cintura.

By terminou a repetição, soltou a barra com um estrondo controlado e se virou. O suor brilhava em sua testa parda, e o sorriso que ele abriu ao vê-la foi tão solar quanto o dia lá fora.

— Bom dia, pequena. Vi que você não aguentou e postou o nosso "investimento". Meus amigos não param de me mandar mensagem perguntando quem é a gata que me fez de peso de academia.

— Ah, então agora eu sou apenas um "peso"? — Is arqueou uma sobrancelha, aproximando-se o suficiente para sentir o calor que emanava do corpo dele. — Achei que eu fosse o seu primeiro amor, a sua grande decepção...

By riu, aquela risada rouca que vibrava no peito, e deu um passo para frente, diminuindo a distância. O olhar penetrante dele desceu pelos lábios carnudos dela antes de voltar para os olhos mel.

— Você sabe que é muito mais que isso. Mas hoje, você vai ser minha parceira de treino sério. Nada de moleza só porque o vídeo viralizou.

— Eu nunca peço moleza, By. Inclusive, hoje eu que vou montar os seus pesos — ela provocou, dando um tapinha no braço dele e seguindo para a área de pernas.

O treino seguiu intenso. Eles tinham uma sincronia natural, uma dança entre trocar anilhas e ajustar bancos. Mas a tensão do dia anterior ainda pairava no ar, como uma promessa não totalmente cumprida. Toda vez que By a ajudava em uma série, suas mãos permaneciam um segundo a mais do que o necessário. Toda vez que Is passava por ele, seus olhos se buscavam no reflexo dos espelhos.

Quando chegaram à metade do treino, Is parou perto do hack de agachamento, recuperando o fôlego.

— By, você lembra mesmo de tudo daquela época? — perguntou ela, genuinamente curiosa. — Da escola, eu digo.

Ele se encostou em uma coluna, cruzando os braços.

— Lembro. Lembro que você usava um laço no cabelo às terças-feiras. Lembro que você odiava a aula de física e ficava desenhando no canto do caderno. E lembro de como o seu sorriso iluminava o corredor, mesmo quando você nem sabia que eu existia.

Is sentiu o rosto esquentar. Era desarmador o modo como ele falava dela, com uma mistura de nostalgia e um desejo que agora era presente.

— Eu me sinto mal por não ter te visto — confessou ela, baixando o olhar.

— Não sinta — ele disse, aproximando-se e erguendo o queixo dela com o dedo indicador. — O importante é que agora você está me vendo. E eu não pretendo sair da sua frente tão cedo.

O momento foi interrompido pelo primo de By, que passou brincando e chamando-os para focar no treino. Eles riram, mas a conexão permanecia intacta.

— Vamos para a cadeira extensora? — sugeriu Is. — Quero ver se você aguenta a carga que eu faço.

— Lá vem ela de novo com a competição de força — By revirou os olhos, mas a seguiu.

Enquanto ela fazia a série, By ficou de pé na frente do aparelho, observando a contração dos músculos das coxas dela. O olhar dele não era apenas de avaliação técnica; era um olhar carregado, profundo, que fazia Is perder a contagem das repetições.

— Está me distraindo — ela reclamou, rindo ao terminar a série.

— Só estou admirando o resultado do seu esforço — ele respondeu, com um tom de voz que a fez estremecer. — Você é dedicada, Is. Sempre foi.

Eles continuaram o revezamento, e a cada troca, a proximidade aumentava. Em um momento, enquanto Is ajustava o peso para ele, By se aproximou por trás, envolvendo-a com os braços para alcançar o pino da máquina. Por alguns segundos, ela ficou prensada entre o aparelho e o corpo musculoso dele. O cheiro dele a inundou, e ela fechou os olhos por um breve instante, aproveitando o contato.

— Pronto — sussurrou ele, perto do ouvido dela. — Está ajustado.

Is se virou, ficando de frente para ele, ainda dentro do espaço limitado.

— Você faz de propósito — acusou ela, com um sorriso travesso.

— Faço — admitiu ele, sem um pingo de remorso. — Tenho dois anos de atraso para compensar, lembra?

Ao final do treino, eles desceram as escadas da academia juntos, exatamente como no dia anterior. Mas dessa vez, a despedida não seria apenas um "até logo".

— Is, espera — By a chamou quando chegaram à calçada.

Ela se virou, os cabelos mel um pouco bagunçados pelo treino, o que a deixava ainda mais charmosa aos olhos dele.

— O que foi?

— O vídeo da trend... as pessoas estão perguntando se a gente é um casal de verdade — ele disse, dando um passo para mais perto.

— E o que você vai responder? — perguntou ela, o coração acelerado.

By sorriu, aquele olhar em triângulo voltando com força total: olho esquerdo, olho direito, boca.

— Eu vou responder que a gente está em fase de "testes intensivos" — ele brincou, antes de puxá-la pela cintura para um beijo de despedida que parou o tempo na calçada movimentada.

Is correspondeu com a mesma intensidade, sentindo que aquela história, que para ele começara há dois anos, estava apenas no prólogo para os dois. Quando se separaram, ela estava radiante.

— Testes intensivos, é? — ela riu, recuperando o fôlego. — Então acho melhor você se preparar, porque amanhã o treino é de glúteo e eu não vou ter piedade de você.

— Mal posso esperar — By respondeu, piscando para ela enquanto a via se afastar, sabendo que, finalmente, a menina do corredor da escola era a mulher que agora caminhava ao seu lado, entre pesos e medidas, mas principalmente, entre sentimentos que nenhum treino seria capaz de esgotar.