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O Calor do Asfalto e o Ritmo do Desejo

O motor do carro de By roncava baixo, um som constante que preenchia o silêncio confortável entre os dois. O ar-condicionado tentava, sem muito sucesso, combater o calor que emanava não apenas do sol do meio-dia, mas da proximidade elétrica que ainda vibrava entre Is e By após o treino intenso. Is olhava pela janela, observando o movimento da cidade, mas seus pensamentos estavam presos naqueles minutos na barra de calistenia, na sensação do corpo dele contra o seu e na promessa silenciosa que pairava no ar desde a noite anterior.

By dirigia com uma mão no volante, a postura relaxada, mas o olhar atento. De vez em quando, ele desviava a atenção do trânsito para olhá-la. Is estava com as pernas cruzadas, a legging de academia moldando cada curva que ele agora conhecia não apenas de olhar, mas de sentir. O perfume de mel dos cabelos dela, levemente úmidos de suor e banho, tomava conta do interior do veículo, agindo como um combustível para a imaginação dele.

— Você está muito quieta — comentou By, a voz um pouco mais grave do que o normal. — O treino te deixou sem palavras ou é a fome?

Is deu um sorriso de canto, sem desviar o olhar da paisagem urbana.

— Um pouco de cada. E talvez eu esteja apenas processando o fato de que você é muito mais atrevido do que eu pensava há dois anos.

By soltou uma risada curta e, aproveitando um sinal vermelho que se aproximava, soltou a mão do câmbio. Ele não a devolveu ao volante. Em vez disso, pousou a palma da mão grande e quente sobre a coxa de Is, logo acima do joelho. O contato imediato fez a respiração dela falhar por um segundo.

— Atrevido? — ele repetiu, a voz baixinha. — Eu prefiro chamar de "recuperação de tempo perdido".

O sinal abriu, mas By não retirou a mão. Conforme ele acelerava o carro em direção ao restaurante, seus dedos começaram a se mover. Foi um movimento lento, quase imperceptível no início, uma carícia suave que subia milímetro a milímetro pela parte interna da coxa dela. Is sentiu um arrepio percorrer toda a sua espinha, uma corrente elétrica que parecia ignorar o tecido da legging.

— By... — ela murmurou, o nome dele saindo como um suspiro.

— O quê? — perguntou ele, fingindo inocência, embora o brilho em seus olhos denunciasse suas intenções.

A mão dele continuou a subida constante. Is sentia o calor da palma dele atravessando a roupa, a pressão dos dedos aumentando levemente a cada centímetro conquistado. Ela descruzou as pernas, permitindo que ele tivesse mais espaço, o que foi um convite silencioso que By não ignorou. A mão dele agora estava perigosamente perto da barra da camiseta cinza que ela ainda usava — a dele, que ela se recusara a devolver.

— A gente está indo almoçar, lembra? — ela tentou dizer, mas sua voz soou fraca, sem nenhuma convicção.

— O restaurante pode esperar dez minutos — ele respondeu, a voz agora carregada de uma urgência que ela reconhecia bem.

By olhou para os lados. Eles estavam em uma avenida arborizada, com algumas ruas laterais mais calmas e pouco movimentadas. Sem aviso prévio, ele girou o volante, entrando em uma dessas ruas sem saída, onde árvores antigas criavam uma sombra densa sobre o asfalto. Ele estacionou o carro sob a copa de uma mangueira frondosa, longe da vista de quem passava pela avenida principal.

O silêncio que se seguiu à batida da chave desligando o motor foi ensurdecedor. Is virou a cabeça para encará-lo, o coração martelando contra as costelas como se quisesse escapar. By soltou o cinto de segurança e se inclinou na direção dela, o olhar penetrante fixo em seus lábios carnudos.

— Eu não consegui parar de pensar no que aconteceu no meu quarto ontem à noite — ele confessou, a mão voltando para a coxa dela com uma firmeza que a fez arquear as costas. — O primo ligando, a chave esquecida... o universo tentou nos interromper, Is. Mas aqui, agora, não tem primo, não tem chave, não tem ninguém.

— By, aqui é um carro — ela sussurrou, embora suas mãos já estivessem subindo pelo peito dele, sentindo os batimentos cardíacos tão acelerados quanto os seus.

— Eu não me importo — ele disse, antes de selar seus lábios nos dela em um beijo profundo, faminto, que parecia querer consumir todo o oxigênio do lugar.

Is correspondeu com a mesma intensidade, puxando-o para mais perto, as unhas cravando levemente nos ombros largos de By. Ele a puxou pelo quadril, tentando diminuir o espaço impossível entre os dois bancos, e em um movimento ágil, Is se viu sentada de lado no colo dele, as pernas envolvendo a cintura de By, uma posição que se tornara perigosamente familiar para os dois.

A camiseta cinza subiu, e as mãos de By finalmente encontraram a pele nua das costas de Is, um contato que arrancou um gemido baixo da garganta dela. Ele desceu os beijos pelo pescoço dela, encontrando aquele ponto sensível perto da orelha que a fazia perder a razão.

— Você é perfeita — ele murmurou contra a pele dela. — Cada detalhe que eu imaginei por dois anos não chega nem perto da realidade.

Is sentia o calor do corpo dele, a força dos músculos que ela tanto admirava na academia agora servindo de apoio para o seu próprio desejo. Ela puxou a cabeça dele de volta para um beijo, as mãos perdidas nos cachos úmidos, sentindo que o mundo lá fora tinha deixado de existir. A tensão acumulada desde o primeiro encontro no hack, as provocações na adutora, o selinho na barra... tudo estava convergindo para aquele momento de entrega absoluta sob a sombra daquela árvore.

By começou a descer as mãos para a borda da legging dela, o olhar fixo no dela, buscando aquela permissão final silenciosa. Is fechou os olhos, a cabeça pendida para trás, entregue às sensações que ele provocava.

— By... agora... — ela começou a dizer, a voz falhando.

Mas, no auge da entrega, um som agudo e insistente cortou a atmosfera como uma lâmina de gelo. O celular de Is, jogado no console central, começou a tocar. Não era uma ligação comum; era o alarme de emergência que ela havia configurado para lembretes importantes de saúde.

Eles pararam, os rostos a centímetros de distância, as respirações misturadas e pesadas. O som era estridente e impossível de ignorar.

— Não pode ser — By disse, encostando a testa na de Is, soltando um suspiro que era metade risada, metade frustração pura. — O universo realmente tem algo contra a gente terminar o que começou.

Is soltou uma risada nervosa, tentando recuperar o fôlego enquanto o alarme continuava a tocar.

— É o meu remédio — explicou ela, com a voz ainda trêmula. — Se eu não tomar agora, depois do treino, eu fico com uma enxaqueca horrível o resto do dia.

By fechou os olhos, respirando fundo por alguns segundos antes de se afastar o suficiente para que ela pudesse pegar o celular. Ele a observou enquanto ela desligava o alarme, o rosto corado, os cabelos mel completamente bagunçados e os lábios inchados pelo beijo.

— Sabe — disse ele, ajeitando a camiseta dela com um gesto carinhoso —, eu estou começando a achar que o destino quer que a nossa primeira vez seja em um lugar digno de você. Sem pressa, sem alarmes e sem carros estacionados em ruas sem saída.

Is sorriu, sentindo uma ternura imensa por ele. Ela se inclinou e deu um selinho demorado em seus lábios.

— Você tem razão. Mas confesso que a "recuperação de tempo perdido" estava indo muito bem.

— Ah, estava? — ele arqueou uma sobrancelha, o brilho safado voltando aos olhos. — Bom saber. Vou guardar esse feedback para a próxima rodada.

Is voltou para o seu banco, ajeitando a roupa e o cabelo no espelho do quebra-sol. Suas pernas ainda pareciam gelatina, e não era por causa do treino de glúteos. By ligou o motor novamente, mas antes de engatar a marcha, ele pegou a mão dela e a beijou delicadamente.

— Vamos almoçar. Você precisa de energia. E eu preciso esfriar a cabeça antes que eu resolva ignorar todos os alarmes do mundo e te leve de volta para o meu apartamento agora mesmo.

— O restaurante é logo ali — ela disse, apontando para a avenida. — E depois... quem sabe a gente não vai ver se a minha janela realmente ficou aberta?

By soltou uma gargalhada, os olhos brilhando de antecipação.

— Você não existe, pequena.

O trajeto restante até o restaurante foi preenchido por uma nova camada de intimidade. A tensão sexual ainda estava lá, mas agora acompanhada de uma certeza reconfortante. Eles não eram mais apenas dois conhecidos de academia brincando de fazer trends. Eles eram duas pessoas cujas histórias haviam se cruzado de forma tortuosa e que finalmente estavam caminhando na mesma direção.

Ao chegarem no restaurante, By fez questão de abrir a porta para ela novamente. Enquanto caminhavam para a entrada, ele passou o braço pelos ombros dela, trazendo-a para perto.

— Sabe o que eu estava pensando? — ele perguntou, enquanto esperavam pela mesa.

— No quê?

— Naquela trend do supino. Acho que a gente devia gravar uma versão... estendida. Mas só para o meu arquivo pessoal.

Is deu um tapinha no braço dele, rindo.

— Você não perde uma, né, By?

— Nunca. Especialmente quando se trata de você.

Eles se sentaram e o almoço foi repleto de conversas sobre tudo e nada. By contou histórias da época da escola que Is nem imaginava, detalhes de como ele ficava nervoso só de passar por ela no refeitório. Is, por sua vez, confessou que, embora não o tivesse notado naquela época, sentia que agora ele preenchia todos os espaços que ela nem sabia que estavam vazios.

— Eu sempre achei que precisava de alguém que fosse exatamente como eu — disse Is, mexendo no suco com o canudo. — Mas percebi que eu precisava de alguém que me desafiasse. Que me fizesse querer ser mais forte, mas que também soubesse me segurar quando eu ficasse tonta.

By segurou a mão dela sobre a mesa, os dedos entrelaçados.

— Eu vou estar sempre aqui para te segurar, Is. Seja na academia, na rua ou em qualquer lugar que a vida nos leve.

O resto da tarde passou como um borrão de risadas e olhares cúmplices. Quando finalmente voltaram para o prédio de Is, a sorte parecia ter mudado. A colega de quarto de Is, Bela, havia voltado mais cedo porque os pais decidiram viajar para outro lugar de última hora.

— Parece que a janela não vai ser necessária — comentou By, enquanto parava o carro na frente do prédio.

Is olhou para ele, um brilho travesso nos olhos.

— A Bela está lá em cima agora. Mas ela vai sair para um encontro em uma hora.

By sorriu, aquele sorriso de canto que fazia o coração de Is disparar.

— Uma hora? — ele repetiu. — Bom, eu acho que consigo esperar sessenta minutos. Desde que eu possa esperar lá dentro, com você.

— Eu acho que isso pode ser arranjado — ela piscou.

Eles subiram juntos, o silêncio do elevador carregado de uma nova promessa. Ao entrarem no apartamento, Bela já estava de saída, trocando apenas algumas palavras rápidas e elogios sobre o casal antes de fechar a porta atrás de si.

Finalmente, estavam sozinhos. Sem alarmes, sem carros, sem interrupções.

By caminhou até Is, que estava parada no meio da sala, e a envolveu em um abraço apertado, enterrando o rosto em seu pescoço.

— Dois anos, Is — ele sussurrou. — Valeu a pena cada segundo de espera.

— Não vamos mais esperar, By — ela respondeu, puxando-o para o seu quarto.

Naquela tarde, entre as paredes do apartamento de Is, a história que começou com olhares silenciosos em um corredor de escola e se fortaleceu entre anilhas e suor, finalmente ganhou seu capítulo mais íntimo. Não foi apenas sobre o desejo físico, embora ele estivesse presente em cada toque e cada suspiro; foi sobre o encontro de duas almas que se reconheceram no meio do caos de uma academia lotada.

E enquanto o sol começava a se pôr, tingindo o quarto de tons de laranja e violeta, Is percebeu que By não era apenas o seu "primeiro amor tardio" ou o seu parceiro de treinos favorito. Ele era o reflexo de tudo o que ela era e de tudo o que ela queria ser. E, pela primeira vez na vida, ela não estava preocupada com a próxima série ou com o próximo peso a levantar. Porque, nos braços de By, ela já tinha encontrado toda a força de que precisava.

A trend de casal no celular podia ter batido milhares de visualizações, mas a vida real, ali naquele quarto, era o único vídeo que ela queria viver em loop, para sempre. E By, observando-a adormecer em seu peito horas depois, soube que aquela era a única "vitória" que realmente importava em toda a sua vida. A jornada do hack para o coração dela tinha sido longa, mas o destino final era, sem dúvida, o lugar mais bonito onde ele já estivera.