Voltar ao resumo

sla

O Brilho da Broadway e o Xeque-Mate da Naju

— Porra, Beltrão, se você der foco nesse telão da Taylor Swift mais uma vez e me deixar embaçado, eu vou pedir pro Cazé descontar do teu cachê, caralho! — gritei, tentando manter o equilíbrio enquanto um grupo de turistas alemães me atropelava na escadaria vermelha da Times Square.

— Calma aí, cara! — Beltrão riu, a câmera balançando no ombro. — O contraste tá foda, Chico. A loira lá em cima, gigante, e você aqui embaixo, platinado e com cara de quem não dormiu porque tava "estudando" o roteiro com a Naju. O público se identifica com o homem apaixonado!

Passei a mão no rosto, sentindo o vento gelado de Nova York cortar a minha pele. Eu tava exausto, mas o meu corpo parecia ligado no 220. Lamba o lábio inferior, sentindo o gosto do cigarro que eu tinha acabado de apagar, e olhei pro lado. A Naju tava encostada num poste de sinalização, rindo da minha desgraça. Ela usava um cachecol que escondia metade do rosto, mas os olhos dela... porra, aqueles olhos tavam brilhando mais que todos os outdoors da Broadway juntos.

— Deixa o garoto trabalhar, Chico — ela disse, aproximando-se e passando os braços pela minha cintura, por dentro do meu casaco. — Você fica lindo quando tá estressadinho e com esse nariz gelado.

— Lindo o caralho, Ana Julia — sussurrei, puxando ela pra mais perto e sentindo o calor do corpo dela contra o meu. — Eu tô é com uma vontade absurda de te levar de volta pro hotel e esquecer que a Copa do Mundo existe por umas três horas. Você me deixou no veneno hoje cedo, sabia?

— Ih, lá vai o Chico Moedas de novo! — A voz de trovão do Casimiro ecoou, atraindo a atenção de metade dos pedestres. — O homem não pode ver um palmo de distância da namorada que já quer iniciar os trabalhos de reprodução humana! Ô Chico, a gente tá ao vivo pro Brasil todo, mantém a postura de jornalista sério, por favor!

— Vai se foder, Cazé! — respondi, rindo e mostrando o dedo do meio, mas sem soltar a cintura da Naju. Minha mão, por puro instinto, desceu e se acomodou com firmeza na bunda dela, apertando o tecido grosso do casaco. — Eu tô mantendo a postura, você que tá com o brilho nos olhos de quem quer comer um hot dog de cinco dólares!

— E eu quero mesmo! — Pigzada surgiu do nada, brotando entre os táxis amarelos. — Porra, Chico, essa caminhada abriu um buraco no meu estômago que nem a live da seleção vai preencher. Vamos achar um lugar pra comer ou eu vou começar a desmaiar aqui mesmo, no meio da Sétima Avenida.

— O Pigzada é uma entidade, bicho — Maciel reclamou, ajustando o fone de ouvido. — O cara tá num dos lugares mais icônicos do mundo e a única coisa que ele consegue processar é a taxa de glicose no sangue.

— Deixa o cara, Maciel — Alvinho interveio, irônico. — O Ramon tá ali quieto, sofrendo em silêncio porque o vento tá batendo na calvície dele, e não reclama tanto.

Ramon só deu um aceno de cabeça, concentrado em não congelar, enquanto a gente tentava se organizar no meio do caos. A Times Square é um liquidificador de gente, e o nosso grupo era o ingrediente mais barulhento da mistura.

A Naju se inclinou e sussurrou no meu ouvido, a voz rouca e provocadora:

— Se você conseguir terminar essa entrada ao vivo sem gaguejar, eu deixo você escolher o que a gente vai fazer depois do jantar. E eu prometo que não envolve nenhuma música da Taylor.

Senti um arrepio que não tinha nada a ver com o frio de Nova York. Olhei pra ela, pro batom vermelho impecável e pro sorrisinho de quem sabia exatamente o poder que tinha sobre mim.

— Você joga sujo, Ana Julia — murmurei, dando uma lambida no lóbulo da orelha dela que a fez estremecer. — Tá querendo me foder o juízo no meio do trabalho?

— Talvez — ela piscou, afastando-se um pouco quando o Beltrão fez o sinal de "três, dois, um".

— Fala, galera da Cazé TV! — comecei, assumindo a voz de locutor, mas ainda sentindo o perfume dela impregnado no meu nariz. — Estamos aqui no coração do mundo! A Times Square tá bombando, e o clima pra Copa não podia ser melhor. O Brasil tá chegando firme, e a gente tá aqui pra mostrar que o samba e o futebol dominam até a Broadway!

Enquanto eu falava, o Casimiro começou a fazer palhaçada atrás da câmera, fingindo que tava sambando com um gringo que passava, e o Pigzada apareceu no fundo do enquadramento devorando um pretzel gigante. O caos era total. Eu tentava manter a seriedade, mas a Naju tava logo atrás do Beltrão, fazendo gestos obscenos de brincadeira e mandando beijos soprados que me faziam querer rir no meio da notícia.

— É isso aí, Cazé! — finalizei, passando a mão no rosto e tentando recuperar o fôlego. — Voltamos com vocês no estúdio, porque aqui o frio tá de foder e o Pigzada já tá querendo comer o cenário!

— Cortou! — gritou Beltrão.

— Graças a Deus — suspirei, pegando o maço de cigarros no bolso. — Alguém tem um isqueiro? O meu decidiu que não quer trabalhar no frio.

Naju se aproximou, já com o isqueiro na mão. Ela acendeu o meu cigarro e, em seguida, pegou ele da minha boca, deu uma tragada funda e soltou a fumaça na minha cara, com um olhar desafiador.

— Você foi bem, Moedas — ela disse, devolvendo o cigarro. — Quase não deu pra perceber que você tava pensando em outra coisa.

— Eu tô sempre pensando na mesma coisa quando você tá por perto, amor — respondi, puxando-a pela nuca e dando um beijo longo, com gosto de tabaco e menta. — Vamos sair daqui antes que eu resolva te sequestrar pra um beco desses.

— Ô CASAL! — O grito do Casimiro interrompeu o momento. — Vamos pro Bryant Park! O Pigzada disse que lá tem umas feiras de comida e o Maciel quer ver a biblioteca pra ver se aprende a ler o roteiro direito!

— Vai tomar no cu, Casimiro! — Maciel gritou de volta.

Caminhamos pela 42nd Street, o grupo se espalhando pela calçada. A Naju ia saltitando, tirando foto de cada cartaz de musical que via, e eu ia logo atrás, como um guarda-costas apaixonado, mantendo a mão possessiva na cintura dela.

— Chico, olha aquele! — ela apontou pra um outdoor imenso do musical de "Wicked". — A gente podia ir, né?

— Musical, Naju? — Olhei pra ela com uma careta. — Eu prefiro ver o jogo do Cazaquistão sub-20 do que ficar três horas vendo gente cantar em cima de um palco, amor.

— Ah, é? — Ela parou de andar e se virou pra mim, cruzando os braços. O casaco se abriu um pouco, revelando a blusa justa que realçava os seios fartos que me deixavam maluco. — Então você prefere o jogo do Cazaquistão do que me ver feliz e depois, quem sabe, ser muito bem recompensado no hotel?

Lamba o lábio inferior, passando a mão no rosto de novo. Aquela mulher era covardia pura. Ela sabia os meus pontos fracos e apertava todos ao mesmo tempo.

— Calma aí, cara... — murmurei, sentindo o calor subir. — Você não vale o que o gato enterra. Tá bom, a gente vê o musical. Mas eu quero um camarote ou qualquer porra que tenha banco macio, porque se eu dormir, você não pode reclamar.

— Combinado — ela riu, pulando no meu pescoço e me dando uma sequência de selinhos que me deixaram tonto. — Você é o melhor namorado do mundo, sabia?

— Eu sou um otário, isso sim — resmunguei, mas com um sorriso bobo no rosto, apertando a bunda dela com vontade na frente de uma loja da Disney.

Chegamos ao Bryant Park e o caos se intensificou. O Pigzada literalmente correu em direção a uma barraca de waffles, enquanto o Beltrão tentava filmar os esquilos do parque como se fossem uma descoberta científica. O Casimiro sentou num banco e começou a ler os comentários da live no celular, rindo alto.

— O pessoal tá perguntando se o Chico já foi preso por importunação amorosa — Cazé gritou, mostrando a tela pra gente. — "Chico não solta a menina", "O homem é um carrapato", "Alguém dá um banho de água fria no Moedas".

— O povo não tem o que fazer, Cazé! — respondi, abraçando a Naju por trás e apoiando meu queixo no ombro dela. — Eles têm inveja porque eu tô aqui em Nova York com a mulher mais gostosa do planeta e eles tão lá no chat digitando com a mão suja de Cheetos.

— Arrasou, amor — Naju riu, virando o rosto pra me dar um beijo rápido. — Mas ó, o povo tem razão. Você tá muito carente hoje. O que foi? O frio te deixou sensível?

— O frio me deixou com vontade de ficar grudado em você o tempo todo — confessei, baixinho, no ouvido dela. — E esse teu perfume tá me deixando com a cabeça em Marte. Eu não tô conseguindo focar em nada que não seja o teu corpo, Ana Julia.

Ela se virou nos meus braços, ficando de frente pra mim. O Bryant Park tava cheio, mas parecia que só existia a gente ali. Ela passou as mãos pelo meu pescoço, brincando com os fios platinados da minha nuca.

— Então foca aqui — ela sussurrou, e me puxou pra um beijo de verdade.

Foi um beijo lento, profundo, daqueles que fazem você esquecer onde está. Eu sentia a língua dela explorando a minha, o calor da respiração dela, e minhas mãos apertavam a cintura dela com uma urgência que eu não conseguia esconder. Eu tava completamente entregue, as mãos descendo praquela bunda perfeita que era o meu porto seguro em Nova York.

— EITA, PORRA! — Alvinho passou do lado, carregando dois copos de chocolate quente. — Vai pro quarto, Chico! Tem criança patinando no gelo ali, seu tarado!

— Deixa os garotos, Alvinho! — Pigzada gritou, com a boca cheia de waffle. — O Chico tá só garantindo o aquecimento global com esse fogo todo!

A gente se separou, rindo. A Naju tava com o rosto corado, e eu tava com a respiração pesada, passando a mão no rosto pra tentar disfarçar o estado em que ela me deixava.

— Calma aí, cara — eu disse pros moleques, tentando recuperar a pose. — Vocês não dão um descanso, caralho.

— Descanso é pra quem tá morto, Moedas! — Casimiro levantou do banco. — Bora que a gente tem que gravar o encerramento do dia lá perto da Grand Central. E o Chico vai ter que falar sobre a tática do Tite sem citar a Taylor Swift nenhuma vez, senão eu corto o microfone dele!

— Eu não prometo nada! — gritei de volta, enquanto a Naju pegava minha mão e me puxava pra continuar a caminhada.

O resto da tarde foi uma maratona de trabalho e diversão. Gravamos, rimos, o Maciel reclamou da fila do metrô, o Ramon continuou sendo o nosso guia silencioso, e a Naju continuou sendo o centro do meu universo. Em cada intervalo, a gente se escondia atrás de uma coluna ou de uma banca de jornal pra trocar beijos e carícias rápidas, como se fôssemos adolescentes fugindo dos pais.

Quando o sol começou a baixar e as luzes de Nova York ficaram ainda mais intensas, a gente tava exausto, mas feliz. O grupo decidiu parar num bar de jazz perto da Grand Central pra fechar a noite com uma rodada de cerveja e hambúrguer — pra alegria eterna do Pigzada.

Sentamos numa mesa grande no fundo do bar. O clima era de camaradagem pura. O Casimiro contava histórias de coberturas passadas, o Beltrão mostrava as melhores imagens do dia, e a gente brindava à Copa e à nossa amizade caótica.

A Naju tava sentada no meu colo, já que o bar tava lotado. Eu tava com um braço em volta dela, e o outro segurando um copo de cerveja gelada.

— Tá cansada, amor? — perguntei, dando um beijo no ombro dela.

— Um pouco. Mas valeu cada segundo — ela respondeu, encostando a cabeça no meu peito. — Nova York com vocês é uma experiência... única. No mínimo.

— É um hospício itinerante, isso sim — completei, rindo.

— Mas é o nosso hospício — ela disse, levantando o rosto pra me olhar. — E eu não trocaria esse caos por nenhuma rua silenciosa do mundo.

— Nem eu — confessei, sentindo um aperto no peito de pura felicidade. — Mas agora, fala sério... a gente ainda vai naquele musical ou eu posso te levar pro hotel e fazer o meu próprio show particular?

Ela deu um sorriso malicioso, aquele que me dizia que o meu destino já tava traçado.

— O musical fica pra amanhã, Chico. Hoje... hoje eu acho que o jornalista da Cazé TV merece uma entrevista exclusiva no quarto 402.

Lamba o lábio inferior, sentindo o coração disparar. Olhei pro grupo, que tava distraído discutindo se o Neymar devia jogar mais centralizado ou não.

— Galera! — chamei, levantando com a Naju ainda nos braços. — A gente vai nessa. O dever me chama.

— O dever ou o prazer, Moedas? — Alvinho zoou, levantando o copo.

— Os dois, caralho! — respondi, rindo e puxando a Naju em direção à saída.

— Juízo, Chico! — Casimiro gritou lá do fundo. — Lembra que amanhã tem live às dez! Não vai me aparecer lá com as pernas bambas!

— Pode deixar, Cazé! — gritei de volta, já na calçada.

Pegamos um táxi e o trajeto de volta pro hotel foi um borrão de luzes e mãos bobas no banco de trás. Eu não conseguia parar de beijar a Naju, e ela não parava de me provocar, sussurrando coisas que me deixavam louco.

Quando finalmente entramos no quarto, eu nem esperei a porta fechar direito pra prensar ela contra a parede. O frio de Nova York tinha ficado lá fora. Ali dentro, o clima era de final de Copa do Mundo, e eu tava pronto pra dar o sangue em campo.

— Calma aí, cara... — ela imitou minha voz, rindo entre os beijos.

— Calma o caralho, Naju — respondi, enterrando o rosto no pescoço dela. — Agora é só eu e você. E a Taylor Swift que fique lá na Times Square, porque aqui quem manda é o Moedas.

E no silêncio do quarto, entre o barulho abafado da cidade que nunca dorme, a gente se perdeu um no outro, confirmando que, no meio de todo o caos da Copa e do grupo "Aqueles Caras", o nosso amor era a única vitória que realmente importava.