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Madrugada em Manhattan: Onde o Platinado Perde o Prumo e a Naju dita o Jogo

— Porra, Naju, você quer me matar do coração ou é só um projeto de sadismo para essa Copa do Mundo? — perguntei, sentindo o ar fugir dos pulmões enquanto eu tentava, sem sucesso, manter uma postura minimamente digna no corredor do hotel.

Eu estava encostado na parede fria, passando as mãos no rosto numa tentativa desesperada de processar o que tinha acabado de acontecer no elevador. O cabelo platinado, que eu tinha deixado na régua antes de sair, agora estava uma bagunça completa porque as mãos da Ana Julia não paravam quietas. Lamba o lábio inferior, sentindo o gosto do batom dela misturado com o tabaco do último cigarro que dividimos na calçada da Grand Central.

— Calma aí, cara — ela disse, imitando meu sotaque e meu jeito de falar com uma perfeição irritante, enquanto girava o cartão do quarto entre os dedos. — Você não era o malandro do Rio? O jornalista que não se abala com nada? Tá nervoso por quê, Chico?

Ela deu um passo na minha direção, o corpo perfeito moldado por aquele vestido que, honestamente, deveria ser ilegal em todos os estados americanos. O perfume doce dela invadiu meu sistema, e eu senti aquela fisgada familiar no peito. A Naju é covardia pura. Ela sabe exatamente como me desestabilizar, como sussurrar no meu ouvido de um jeito que me faz esquecer até como se articula uma frase em português, quanto mais em inglês.

— Eu não tô nervoso, Ana Julia, eu tô possesso — respondi, puxando-a pela cintura com uma firmeza que a fez soltar um suspiro baixo. — Você passou o dia inteiro me provocando na frente daqueles animais. A mão na minha nuca enquanto o Cazé falava de tática, os beijos no pescoço na frente da Times Square... você tá querendo testar meu limite, é isso?

— E se eu estiver? — ela perguntou, arqueando uma sobrancelha e colando o corpo no meu. — Você gosta, Chico. Gosta de saber que eu sou a única que te deixa assim, sem palavras.

— Eu gosto é de você, porra — murmurei, perdendo a batalha contra a vontade de beijá-la. — Mas você me deixa maluco.

Antes que eu pudesse avançar, o som de portas de elevador se abrindo no final do corredor ecoou como um tiro.

— E LÁ VAMOS NÓS! O CASAL 20 NÃO CONSEGUE CHEGAR NO QUARTO! — A voz de trovão do Casimiro estourou o silêncio do andar. — Ô Chico! A gente tá indo pro quarto do Pigzada pedir pizza, a fome do homem atingiu níveis catastróficos! Bora ou vai ficar aí tateando a menina no corredor?

— Vai se foder, Casimiro! — gritei de volta, sem soltar a Naju, sentindo o sangue subir pro rosto. — Vai comer sua pizza e me deixa em paz, caralho! O homem não tem um minuto de privacidade nessa porra de grupo!

— Deixa os garotos, Cazé! — Alvinho apareceu logo atrás, rindo com aquela ironia fina dele. — O Chico tá em solo sagrado agora. Ele tá tentando convencer a Naju de que o platinado dele brilha no escuro.

— O platinado dele eu não sei, mas o olho dele tá brilhando igual farol de milha! — Pigzada completou, passando com uma sacola de refrigerantes. — Boa sorte, Naju! Se ele começar a falar de política monetária ou do Vasco no meio do ato, foge que é cilada!

— Cala a boca, Pigzada! — Naju gritou, rindo alto enquanto escondia o rosto no meu peito.

Eles passaram pelo corredor fazendo o caos de sempre, com o Beltrão provavelmente gravando tudo escondido com o celular. Senti o Maciel reclamando do preço da entrega da pizza lá no fundo e o Ramon apenas dando um joinha silencioso enquanto entrava no quarto. Quando a porta deles finalmente bateu, o silêncio voltou, mas a minha paciência tinha ido pro espaço.

— Porra, eu vou matar esses caras — suspirei, passando a mão no rosto de novo e sentindo o coração desacelerar. — Não dá, amor. A gente precisa de um retiro espiritual longe desses malucos.

— Calma aí, cara — Naju repetiu, me dando um selinho longo e sexy que fez meus joelhos fraquejarem. — Eles já foram. Agora é só a gente.

Ela finalmente abriu a porta do quarto e me puxou para dentro. O quarto estava quente, um contraste absurdo com o frio de rachar de Nova York. Joguei minha jaqueta em qualquer canto e vi a Naju chutar os saltos, ficando descalça no carpete. Ela se virou para mim, soltando o cabelo, e eu juro que o tempo parou por uns segundos.

— Você tá uma gostosa absurda hoje, sabia? — falei, caminhando até ela e envolvendo sua cintura, minhas mãos encontrando o lugar de sempre: a curva farta da bunda dela. — O dia inteiro eu só conseguia pensar em como eu queria te tirar desse bando de loucos e te ter assim, só pra mim.

— Eu também, Chico... — ela sussurrou, passando as mãos pelo meu peito e subindo até meu pescoço, puxando levemente os fios da minha nuca. — Mas você sabe que eu adoro o caos deles. E adoro como você fica protetor quando eles começam a zoar.

— Eu fico é com vontade de dar um soco no Cazé — brinquei, dando um beijo no topo da cabeça dela e descendo para o pescoço. — Mas ele é meu irmão, então eu relevo. Agora, você... você não tem perdão.

Eu a conduzi até a cama, e nos sentamos na beirada. A luz dos outdoors da Times Square entrava pela fresta da cortina, pintando o quarto de azul e vermelho. Lamba o lábio, sentindo o desejo subir como uma maré. A Naju se inclinou para trás, apoiando-se nos cotovelos, e aquela posição valorizou tudo o que eu mais amava nela.

— No que você tá pensando, Chico? — ela perguntou, com aquele olhar de safada que me desarmava.

— No quanto eu sou um cara de sorte — confessei, a voz saindo mais rouca do que eu pretendia. — E no quanto eu quero te fazer perder a voz hoje, pra você parar de me provocar por pelo menos cinco minutos.

— Tenta a sorte, Moedas — ela desafiou, puxando-me pela gola da camisa.

O beijo que se seguiu não teve nada de calmo. Foi uma explosão de tudo o que tínhamos acumulado durante o dia. A língua dela explorava a minha com uma urgência que me deixava tonto. Minhas mãos percorriam o corpo dela, sentindo a pele macia, o encaixe perfeito. Eu a deitei no colchão, ficando por cima, sentindo o peso do meu corpo contra o dela.

— Chico... — ela murmurou entre um beijo e outro, as mãos dela apertando meus ombros. — Você tá muito assanhado hoje.

— É culpa sua, Ana Julia. Tudo culpa sua — respondi, descendo os beijos pelo colo dela, sentindo o cheiro de baunilha da pele. — Você me deixa assim, num estado de nervos que eu não sei nem onde começa o jornalismo e onde termina a minha sanidade.

— Pois esquece o jornalismo agora — ela disse, puxando minha camisa para fora da calça. — Esquece a Cazé TV, esquece a Copa... foca só em mim.

Eu foquei. Foquei em cada centímetro dela, em cada gemido baixo que ela soltava quando eu encontrava um ponto sensível. O tempo em Nova York parecia correr em outro ritmo ali dentro. Entre beijos longos e carícias que faziam o quarto parecer pequeno demais, a gente se perdia e se encontrava. Eu sussurrava coisas no ouvido dela, chamando-a de gostosa, de minha, sentindo o corpo dela estremecer sob o meu.

— Você é perfeita, porra — falei, olhando nos olhos dela, que estavam escuros de desejo. — Não existe nada no mundo que chegue perto do que eu sinto quando tô assim com você.

— Eu te amo, seu carioca safado — ela respondeu, puxando-me para mais um beijo profundo.

Algum tempo depois, estávamos jogados entre os lençóis bagunçados, recuperando o fôlego. O silêncio do quarto só era quebrado pelo som abafado das sirenes lá fora, na Sétima Avenida. Peguei o maço de cigarros na mesinha de cabeceira e acendi um, dando uma tragada longa e sentindo o peito relaxar.

— Me dá um pouco — Naju pediu, estendendo a mão.

Passei o cigarro para ela. Ficamos ali, dividindo a fumaça e o calor, enquanto ela se aninhava no meu peito. Eu passava a mão pelo cabelo dela, sentindo uma paz que só ela conseguia me dar no meio daquela vida caótica de cobertura de Copa.

— Sabe o que eu tava pensando? — ela disse, soltando a fumaça devagar. — Que a gente podia fugir amanhã de manhã. Antes do grupo acordar. Ir tomar um café naquele lugar perto do Central Park que eu te mostrei no TikTok.

— Café, Naju? — rime baixo, beijando a têmpora dela. — Você sabe que se o Cazé acordar e não me vir, ele vai achar que eu fui sequestrado pela máfia russa.

— Deixa ele achar. A gente merece umas horas de paz. Só eu e você. Sem câmera, sem live, sem o Pigzada perguntando onde tem o melhor hambúrguer da cidade.

— É tentador — admiti, lamba o lábio e sentindo o sono começar a chegar. — Mas você sabe que eu sou pau mandado daquele gordo. Se ele me ligar gritando, eu vou ter que ir.

— Você não é pau mandado dele, Chico. Você é meu — ela disse, sentando-se e me olhando com uma seriedade fingida que logo se transformou num sorriso. — Admite.

— Eu admito o que você quiser, pretinha — respondi, puxando-a para mais um abraço. — Eu sou seu, o platinado é seu, o cavanhaque é seu... até meu juízo, que eu já perdi faz tempo, é seu.

Ela riu, aquela risada que era minha música favorita.

— Então tá resolvido. Amanhã, só nós dois. E depois a gente aguenta a zoeira deles.

— Combinado — falei, apagando o cigarro no cinzeiro. — Mas agora, dorme um pouco. Porque se você continuar me olhando desse jeito, eu não vou te deixar sair dessa cama nem pra tomar café, nem pra ver a Taylor Swift, nem pra nada.

— Safado — ela sussurrou, dando-me um último selinho e se acomodando nos meus braços.

Fiquei ali, olhando para o teto, ouvindo a respiração dela ficar pesada. O grupo "Aqueles Caras" podia ser o caos, Nova York podia ser uma loucura e a Copa do Mundo podia ser a maior responsabilidade da minha carreira, mas ali, com a Naju dormindo no meu peito, eu sentia que tinha ganhado o campeonato.

— Calma aí, cara... — murmurei para mim mesmo, fechando os olhos com um sorriso no rosto. — O Chico Moedas realmente se apaixonou. Quem diria.

O sono veio rápido, embalado pelo barulho da cidade que nunca dorme, mas que, naquela noite, parecia respeitar o silêncio do quarto 402. Amanhã o caos voltaria, o Beltrão estaria com a câmera na mão e o Pigzada estaria com fome, mas por enquanto, o mundo era só nosso. E isso era mais do que suficiente.