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Sob o peso das estrelas

O Pacto do Luar e o Cetim Esmeralda

O ambiente no dormitório da Sonserina era sempre carregado de uma frieza aristocrática, mas, para Regulus, o ar parecia ter se tornado rarefeito desde que a verdade — ou parte dela — fora exposta. A reunião na Sala Precisa, dias antes, ainda ecoava em sua mente. Jhe fora magistral. Com uma elocução que misturava a audácia dos Potter e a frieza que ela adquirira nas masmorras, ela convencera James e Sirius de que Peter Pettigrew era o elo fraco, o traidor em potencial que entregaria a todos. Ela não mencionara o futuro, mas falara de "intuição mágica" e "observação de padrões" com tanta convicção que até mesmo Sirius, em um momento de rara vulnerabilidade, abraçara o irmão mais novo, selando uma trégua frágil, porém real.

Agora, o plano para derrubar Voldemort estava em movimento. Horcruxes — um termo que fizera o sangue de Regulus congelar — estavam sendo discutidas em sussurros. Mas, naquela noite, Regulus não queria pensar em guerras, em marcas negras ou em traições. Ele estava sentado em sua poltrona de couro junto à lareira apagada do quarto, observando as sombras dançarem nas paredes de pedra, tentando processar o fato de que, pela primeira vez na vida, ele tinha algo pelo qual valia a pena desertar.

O estalo suave da porta se abrindo o tirou de seus pensamentos. Ele não se virou de imediato, assumindo que era um de seus colegas de quarto retornando tarde, mas o perfume que invadiu o recinto era inconfundível: baunilha, pergaminho antigo e o frescor da chuva.

— Jhe? — Ele murmurou, girando a cadeira. — Você sabe que se o monitor de plantão te pegar aqui, nem o Dumbledore vai conseguir...

As palavras morreram em sua garganta.

Jhe estava parada sob a luz pálida da lua que atravessava as águas do Lago Negro. Ela havia deixado o uniforme da Sonserina de lado. Em seu lugar, vestia uma lingerie de cetim esmeralda, tão profunda quanto a cor de sua nova casa, com rendas negras que desenhavam arabescos delicados sobre sua pele clara. O contraste era devastador. Ela parecia uma ninfa das águas, perigosa e irresistível.

Um sorriso tímido, quase travesso, brincava em seus lábios, mas seus olhos brilhavam com uma determinação que Regulus conhecia bem.

— As regras nunca me impediram antes, Reg — disse ela, a voz um sussurro aveludado que fez os pelos da nuca dele se arrepiarem. — Por que me impediriam agora, quando finalmente posso dizer que você é meu?

Regulus levantou-se lentamente, como se estivesse em transe. Ele sentia o coração martelar contra as costelas, um ritmo frenético que contrastava com sua postura usualmente composta.

— Você é... — Ele começou, mas a voz falhou. Ele pigarreou, tentando recuperar a dignidade aristocrática. — Você é absolutamente impossível, Jhe Potter.

— Eu prefiro o termo "persistente" — ela deu um passo à frente, e a luz da lua deslizou pelo cetim, realçando cada curva. — E agora que os Marotos estão ocupados demais planejando como salvar o mundo, achei que merecíamos um tempo para salvar apenas a nós mesmos.

Regulus diminuiu a distância entre eles, seus olhos fixos nos dela. Ele estendeu a mão, os dedos roçando delicadamente o ombro dela, onde a alça fina de renda repousava. A pele dela estava quente, uma promessa de vida em meio ao frio das masmorras.

— Eu ainda não consigo acreditar que você fez tudo isso — ele sussurrou, a mão descendo pela curva do braço dela. — A reclassificação, o confronto com o Sirius, a mentira para o James... tudo por um Black.

— Não por "um Black" — ela o corrigiu, aproximando-se o suficiente para que ele sentisse o calor de seu corpo. — Por você. O Regulus que lê poesia escondido, o Regulus que protege os elfos domésticos quando ninguém está olhando. O homem que eu escolhi amar em qualquer tempo.

Regulus a puxou pela cintura, colando seus corpos. O cetim era frio contra suas mãos, mas o corpo de Jhe era puro fogo. Ele mergulhou o rosto na curva do pescoço dela, inspirando o cheiro que se tornara seu vício.

— Jhe... — ele murmurou contra a pele dela. — Se algo acontecer nessa guerra... se eu não conseguir cumprir minha parte...

— Não ouse — ela o interrompeu, afastando-se apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos, sua expressão subitamente séria. — Nós mudamos o roteiro, Reg. Peter está sendo vigiado, James e Sirius estão alertas e nós temos a informação. O futuro que eu vi não existe mais. Nós o queimamos no momento em que você me beijou na Torre de Astronomia.

Regulus sorriu, um sorriso genuíno que raramente mostrava ao mundo.

— Você tem essa confiança absurda que me assusta e me fascina ao mesmo tempo.

— É o lado Potter em mim — ela brincou, passando os braços pelo pescoço dele e puxando-o para baixo. — Mas o lado Sonserino... ah, o lado Sonserino sabe exatamente como conseguir o que quer. E agora, eu quero esquecer o mundo lá fora.

O beijo que se seguiu foi profundo, carregado de uma urgência que vinha da consciência de que cada momento era um presente roubado do destino. Regulus a carregou em direção à cama, o dossel de prata e verde parecendo um santuário sagrado.

Enquanto a envolvia nos braços, sentindo a maciez do cetim e a força daquela mulher que cruzara o tempo por ele, Regulus sentiu que a Marca Negra, que antes parecia uma sentença inevitável, agora não passava de uma sombra dissipada.

— Eu te amo — ele sussurrou contra os lábios dela, uma confissão que soava como a magia mais poderosa que já executara.

— Eu sei — ela respondeu com um suspiro, puxando-o para mais perto. — E é por isso que vamos vencer.

Naquela noite, sob as águas escuras do lago, não havia profecias, não havia Lordes das Trevas e não havia o peso dos sobrenomes. Havia apenas dois jovens reescrevendo a história com a ponta dos dedos, em um silêncio que prometia que, desta vez, o final seria feliz.