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Sobre um bagulho complicado

O Eclipse da Alma e do Corpo

O relógio digital na mesa de cabeceira de Asher brilhava em um vermelho neon, marcando quatro e meia da manhã. O silêncio do apartamento era denso, interrompido apenas pela respiração pesada de dois corpos que ainda tentavam encontrar o equilíbrio entre a exaustão e o desejo insaciável. Samara sentia seus músculos tremerem; cada fibra de seu ser parecia vibrar em uma frequência que ela desconhecia até poucas horas atrás. O suco de maracujá, agora esquecido e morno na mesa de centro, era o único vestígio da gentileza cotidiana que ela tentara manter, antes de ser arrastada para o turbilhão que era Asher.

Asher não era apenas um colega de classe que repetira o ano. Ele era uma força da natureza, uma tempestade que ela admirava de longe e que agora a mantinha prisioneira em um abraço de ferro e veludo. Ele se inclinou sobre ela, os cachos pretos e úmidos caindo sobre os olhos escuros que a devoravam.

— Você está chorando? — A voz dele baixou para um sussurro perigoso, a mão grande subindo para acariciar a bochecha de Samara.

Ela piscou, sentindo a umidade nos cantos dos olhos castanhos esverdeados. Não era uma lágrima de tristeza, mas de sobrecarga emocional. Samara estava acostumada a se esconder em seu próprio casulo, a engolir o choro para não incomodar, mas ali, sob o peso de Asher, não havia onde se esconder.

— Eu... eu nunca senti nada parecido — ela confessou, a voz saindo em um fio. — É demais, Asher. É tudo muito rápido.

— Para mim, foi uma eternidade — ele rebateu, a obsessão brilhando em suas pupilas. — Cada dia que eu te via no corredor, falando com aquelas pessoas que não te merecem, cada vez que você sorria para um professor e me ignorava... eu morria um pouco. Você acha que isso é rápido? Eu venho te possuindo na minha mente há meses, Samara.

Ele desceu o beijo para a curva do pescoço dela, sugando a pele delicada até deixar uma marca arroxeada, um selo de propriedade que ela levaria para a escola na segunda-feira.

— Lembra do desafio? — ele murmurou contra a pele dela. — Cinco minutos de beijo e eu teria direito a mais um favor.

Samara estremeceu, lembrando-se da festa de aniversário, do círculo de pessoas, da garrafa girando e do frio na barriga quando o gargalo apontou para ela e o fundo para ele. O que deveria ser uma brincadeira de adolescente se transformara no portal para aquele abismo de sensações.

— Eu lembro — sussurrou ela. — Mas achei que você já tinha cobrado esse favor... várias vezes esta noite.

Asher soltou uma risada curta e rouca, um som que vibrou no peito de Samara.

— Aquilo não foi o favor, Sam. Aquilo foi necessidade básica. Foi oxigênio. O favor... o favor eu vou cobrar agora.

Ele se afastou apenas o suficiente para olhá-la nos olhos, uma intensidade maníaca que faria qualquer outra pessoa recuar, mas que em Samara despertava uma sede correspondente.

— Eu quero que você prometa que nunca mais vai se esconder para chorar — ele ordenou, os dedos apertando levemente a cintura dela. — Se algo te machucar, se você estiver triste, você vem até mim. Você desmorona nos meus braços. Eu não vou deixar ninguém, nem você mesma, te isolar do mundo. Você é minha responsabilidade agora.

Samara sentiu o coração falhar uma batida. Era um pedido estranhamente gentil vindo de alguém que a estava tratando com tanta luxúria e possessividade.

— Por que você se importa com isso? — perguntou ela, curiosa.

— Porque eu vejo você — ele respondeu, a voz carregada de uma sinceridade brutal. — Eu vejo quando você finge que está tudo bem e depois corre para o banheiro ou para o jardim dos fundos da escola. Eu te sigo, Samara. Eu vejo o brilho dos seus olhos sumir e isso me deixa louco. Eu quero ser o único que conhece a sua dor, assim como sou o único que conhece o som que você faz quando chega ao ápice.

Ele não esperou por uma resposta verbal. Asher selou a promessa com um beijo que começou lento e exploratório, mas que rapidamente escalou para a urgência que definia a noite deles. Ele a virou de frente para o espelho que ele mesmo havia posicionado estrategicamente horas antes.

— Olhe — ele ordenou, segurando-a por trás, as mãos subindo para cobrir os seios dela. — Olhe como você fica quando eu te toco.

Samara foi forçada a encarar a própria imagem. Seus cabelos cacheados estavam uma bagunça selvagem, sua pele estava corada e seus olhos brilhavam com uma mistura de medo e êxtase. Asher estava atrás dela, um contraste sombrio com sua pele mais clara, os músculos dos ombros dele definidos sob a luz fraca.

— Você é linda, Samara — ele sussurrou no ouvido dela, enquanto sua mão descia, deslizando entre as coxas dela que ainda estavam úmidas. — E você é minha. Repita.

— Eu... eu sou sua — ela disse, a voz vacilante, vendo no espelho o momento em que ele a penetrou novamente, um movimento firme e possessivo que a fez arquear as costas.

— Mais alto — ele exigiu, o ritmo aumentando, o som da carne colidindo ecoando pelo quarto.

— Eu sou sua, Asher! — ela gritou, as mãos agarrando o lençol, os olhos fixos no reflexo daquela entrega total.

O tempo parecia ter se dobrado sobre si mesmo. A cada trinta minutos, como ele prometera, o ciclo recomeçava. Não era apenas sexo; era uma cerimônia de reivindicação. Asher a levava ao limite da exaustão física, apenas para trazê-la de volta com carícias que beiravam a adoração. Ele estudava cada reação dela, memorizando onde ela era mais sensível, qual tom de voz a fazia estremecer e como seu corpo se moldava ao dele.

Por volta das cinco e meia, a luz cinzenta da manhã começou a filtrar pelas cortinas. O quarto estava impregnado com o cheiro de ambos, um aroma de suor, desejo e uma intimidade que ultrapassava qualquer conversa que tivessem tido nos últimos três anos de escola.

Asher estava deitado de costas, o peito subindo e descendo, enquanto Samara descansava a cabeça em seu ombro. Ele passava os dedos pelos cachos castanhos dela, um gesto possessivo, mas estranhamente calmo.

— Você vai para a escola hoje? — perguntou ela, a voz rouca de tanto gritar.

— Se você for, eu vou — disse ele. — Mas não pense que as coisas vão ser como antes. Eu não vou mais aceitar apenas "frases em trabalhos escolares".

— O que as pessoas vão dizer? — Samara se preocupou, a gentileza nata aflorando. — Seus amigos, os meus... eles vão achar estranho.

Asher se virou para ela, o olhar negro novamente intenso.

— Eu não dou a mínima para o que eles pensam, e você também não deveria dar. Eles não sabem quem você é. Eles veem a garota gentil e engraçada. Eu vejo a mulher que quase quebrou as minhas costas agora há pouco.

Ele deu um sorriso de lado, aquele sorriso "safado" que a deixava sem fôlego.

— Além disso — continuou ele —, eu quero que todos saibam. Quero que todos vejam as marcas no seu pescoço e saibam exatamente de quem você é. Se algum daqueles idiotas do time de futebol chegar perto de você, eu não respondo por mim.

— Você é maluco, Asher — Samara riu, uma risada cansada, mas genuína.

— Maluco por você — ele corrigiu, sério. — Obsessivo. Doido. Escolha o adjetivo, Samara. Mas não ouse dizer que eu não avisei.

Ele a puxou para cima de seu corpo, fazendo-a sentar em seu colo. A proximidade imediata despertou novamente o desejo que parecia não ter fim. Samara sentiu a rigidez dele contra sua intimidade e arqueou as sobrancelhas.

— De novo? — perguntou ela, embora seu próprio corpo já estivesse respondendo ao estímulo.

— Eu disse a cada trinta minutos — ele lembrou, as mãos descendo para as nádegas dela, apertando-as com força. — E ainda faltam dez minutos para o sol nascer completamente. Temos tempo para mais uma rodada.

Desta vez, Asher foi mais lento, quase torturante. Ele queria que ela sentisse cada milímetro do preenchimento, cada movimento calculado. Ele a beijava com uma devoção que contrastava com a força de suas mãos. Samara sentia que estava se fundindo a ele, que a barreira entre suas almas estava se desintegrando.

Ela pensou em como sua vida mudara em apenas uma noite. A garota que chorava sozinha, que se isolava para não incomodar, agora estava sendo "salva" por um rapaz que muitos considerariam perigoso. Mas nos braços de Asher, ela se sentia vista. Pela primeira vez, ela não precisava ser perfeita ou gentil; ela podia ser apenas desejo, podia ser vulnerável, podia ser dele.

Quando finalmente terminaram, o sol já banhava o quarto com uma luz dourada. Eles estavam exaustos, os corpos entrelaçados em um emaranhado de lençóis e membros. Asher a abraçou por trás, colando o peito nas costas dela, e sussurrou em seu ouvido:

— Dorme um pouco, Sam. Eu vou estar aqui quando você acordar. E vou estar aqui amanhã, e depois.

Samara fechou os olhos, sentindo o calor dele a protegendo do mundo lá fora. Ela sabia que a segunda-feira seria diferente. Sabia que os olhares na escola seriam de julgamento ou surpresa. Mas, pela primeira vez, ela não se importava. Ela tinha Asher, e Asher a tinha. E, no final das contas, aquela obsessão era o único lugar onde ela finalmente se sentia em casa.

— Trinta minutos... — ela murmurou, quase pegando no sono.

— Descanse, pequena — ele respondeu, beijando-lhe o ombro. — O cronômetro só volta a correr quando você abrir os olhos.

E assim, sob a luz do novo dia, o segredo deles deixou de ser um desejo silencioso para se tornar uma realidade vibrante, sombria e absolutamente irresistível. O último ano do ensino médio não seria sobre notas ou formaturas; seria sobre a sobrevivência de dois corações que, em meio à luxúria e à obsessão, encontraram a cura para a própria solidão.