Star 5
O Florescer do Destino e o Peso das Cores
O sétimo mês chegou a Konoha não como uma brisa suave, mas como uma tempestade de hormônios, preparativos frenéticos e corpos que já não respondiam aos comandos ninjas como antes. A vila, outrora palco de batalhas épicas, agora testemunhava uma guerra diferente: a luta para montar berços, escolher nomes que honrassem clãs e sobreviver a pés inchados que desafiavam qualquer jutsu de cura.
No distrito Uchiha, o silêncio habitual fora substituído pelo som rítmico de lixas contra madeira. Sasuke estava sentado no chão da varanda, o cenho franzido em uma concentração absoluta, lixando as bordas de um berço de carvalho escuro. Sua túnica estava aberta, revelando o ventre proeminente que agora limitava seus movimentos.
— Sasuke, você está aí há três horas. O Kurama diz que você vai acabar com uma inflamação nos tendões antes do bebê nascer — disse Naruto, aproximando-se com dois copos de suco de melancia gelado.
— O Kurama deveria se preocupar com o próprio chakra e parar de opinar na mobília do meu clã — rebateu Sasuke, sem desviar os olhos do trabalho. Ele parou por um momento, soltando um suspiro pesado enquanto tentava encontrar uma posição que não esmagasse seus pulmões. — Nada mais serve em mim, Naruto. Minhas capas não fecham, minhas calças apertam e eu sinto que tenho um pergaminho de invocação gigante selado no meu estômago.
Naruto sentou-se ao lado dele, rindo baixinho. Ele colocou a mão sobre a barriga de Sasuke, sentindo um chute vigoroso que quase derrubou o copo de suco.
— Ele é forte, Sasuke. Olhe só isso! — Naruto brilhou, os olhos azuis cheios de uma calma que Sasuke ainda achava irritante, mas secretamente necessária. — Já pensou no nome? Eu estava pensando em algo como... Menma?
— Nem pensar — Sasuke cortou imediatamente, finalmente olhando para o loiro. — Não vou dar ao herdeiro dos Uchiha o nome de um ingrediente de ramen. Eu estava pensando em Itachi... mas ainda dói pronunciar. Talvez Mikoto, se for menina. Ou algo que signifique "esperança", já que é um milagre estarmos aqui.
Naruto sorriu, inclinando a cabeça no ombro de Sasuke.
— O que acha de Daisuke? "Grande ajuda". Porque ele certamente vai precisar de ajuda para lidar com um pai rabugento como você.
Sasuke ameaçou empurrá-lo, mas acabou apenas encostando a cabeça na de Naruto.
— Pode ser. Daisuke Uchiha. Soa... aceitável.
Enquanto a paz reinava entre os dois, o Hospital de Konoha enfrentava uma atmosfera de urgência controlada. Sai estava internado há duas semanas para observação. Sua pele, outrora pálida, agora tinha um tom quase translúcido, e as veias de seus braços pulsavam com um chakra azulado que Sakura monitorava constantemente.
Shikamaru estava sentado ao lado da maca, cercado por catálogos de nomes e amostras de tecidos para o quarto. Ele parecia ter envelhecido dez anos, mas havia uma determinação em seu olhar que substituíra a antiga apatia.
— Shikamaru, você não precisa escolher a cor das cortinas agora — disse Sai, a voz fraca, mas carregada de sua honestidade habitual. — Eu sinto que meu corpo está se tornando um desenho inacabado. É difícil manter a forma.
— Não diga isso — Shikamaru apertou a mão de Sai, sentindo a fragilidade dos ossos do companheiro. — Sakura disse que o bebê está estabilizando o seu fluxo de tinta. Você só precisa aguentar mais oito semanas. Eu já escolhi o nome, se você concordar.
Sai inclinou a cabeça, curioso.
— Shikadai. Quero que ele tenha o "Shika" do meu clã, mas que seja algo novo. Algo que não carregue o peso das minhas sombras ou das suas tintas.
— Shikadai... — Sai repetiu, testando a palavra. — Soa como uma composição equilibrada. Eu gosto. Mas você terá que ensiná-lo a sorrir de verdade, Shikamaru. Eu ainda sou um pouco falho nessa técnica.
— Nós vamos ensinar juntos — prometeu Shikamaru, beijando a testa de Sai enquanto uma lágrima solitária, que ele rapidamente limpou, insistia em cair.
Do outro lado da vila, na residência Hatake, a empolgação de Kakashi atingira níveis estratosféricos. Iruka estava deitado no sofá, com as pernas para cima, enquanto Kakashi lia em voz alta um dicionário de nomes antigos, anotando cada um em um pergaminho que já tinha três metros de comprimento.
— Kakashi, por favor, pare no "S" — pediu Iruka, rindo. — Já temos opções suficientes.
— Mas Iruka, e se ele tiver inclinação para o ninjutsu médico? Precisamos de um nome que inspire confiança! — Kakashi levantou a máscara, revelando um rosto radiante. — O que acha de Sakumo? Em homenagem ao meu pai?
Iruka sentiu o coração derreter. Ele sabia o quanto aquele nome significava para Kakashi e o quanto o Sexto Hokage lutara para redimir a memória do Canino Branco.
— Eu acho perfeito, Kakashi. Sakumo Umino Hatake.
Kakashi parou, os olhos brilhando. Ele se ajoelhou ao lado de Iruka e encostou o ouvido na barriga do professor.
— Ouviu isso, pequeno? Você já tem um nome. Agora, por favor, pare de chutar as costelas do seu pai, ou eu terei que colocar você de castigo antes mesmo de nascer.
Iruka acariciou os cabelos prateados de Kakashi, sentindo uma paz que nunca imaginou ser possível para dois ninjas que viram tanta guerra.
Enquanto Konoha se preparava, nos alojamentos de Suna, a situação era um pouco mais... explosiva.
— EU NÃO CONSIGO VER MEUS PÉS, GAARA! ISSO NÃO É ARTE, É UM INSULTO À MINHA ESTÉTICA, HM! — gritou Deidara, tentando se equilibrar enquanto olhava para baixo.
Gaara permanecia parado, segurando uma bandeja com frutas cítricas e um óleo especial para estrias que Kankuro havia trazido de uma viagem.
— Deidara, você está carregando gêmeos. É natural que o seu centro de gravidade mude — explicou Gaara com sua paciência infinita. — Por que não senta e me deixa passar o óleo? Sua pele está esticada demais, deve estar doendo.
— Dói? Dói como se eu estivesse sendo desintegrado por um Jinton, hm! — Deidara sentou-se com um baque na poltrona, bufando. — E esses nomes que você sugeriu? Sabaku? Sério? Você quer que eles sejam confundidos com dunas de areia?
Gaara sentou-se aos pés dele, começando a massagear o ventre de Deidara com movimentos circulares e suaves. O toque da areia, que ele controlava para ser quente e reconfortante, fez Deidara relaxar contra a vontade.
— Eram apenas sugestões — disse Gaara calmamente. — O que você sugere, então?
— Algo que exploda! Algo com impacto! — Deidara pensou por um momento, a expressão suavizando. — O que acha de Akari e Katsu? Luz e Explosão. Um casal de nomes que mostra que eles vieram para brilhar, hm.
Gaara olhou para Deidara, admirando a paixão que ele colocava em tudo, até na escolha de nomes para os filhos que ele passara meses xingando.
— Akari e Katsu. Gosto disso. Eles serão a luz de Suna e a explosão de vida que este deserto precisava.
Deidara desviou o olhar, o rosto ficando vermelho.
— Não seja tão sentimental, Kazekage. É brega, hm. Mas... continue com a massagem. Está ajudando.
Longe dali, nos jardins do clã Hyuuga, Rock Lee estava realizando o que ele chamava de "A Maratona da Paternidade". Ele carregava dez bolsas de compras, um berço portátil e um conjunto de pesos de treinamento para bebês, tudo enquanto corria em volta de Neji.
— Neji! Veja! Eu comprei macacões com chamas verdes! Eles vão exalar a juventude desde o primeiro dia! — exclamou Lee, parando para fazer uma pose de "cara legal".
Neji estava sentado em um banco de pedra, usando um quimono largo que mal conseguia esconder o volume de sua gestação. Ele mantinha os olhos Byakugan ativados, observando o fluxo de chakra do bebê com uma preocupação silenciosa.
— Lee, por favor, tire essas chamas verdes da minha frente. O bebê já está agitado o suficiente sem o seu estímulo visual — disse Neji, embora houvesse um pequeno sorriso brincando em seus lábios. — E eu já decidi o nome. Não aceito discussões.
Lee congelou, os olhos brilhando de expectativa.
— Diga, Neji-san! Qual será o nome do nosso pequeno gênio?
— Hizashi. Em honra ao meu pai — Neji baixou o olhar, a mão repousando sobre o ventre. — Quero que ele cresça em um mundo onde não existam selos na testa ou destinos pré-traçados. Quero que ele seja o sol que meu pai não pôde ser.
Lee sentiu as lágrimas inundarem seus olhos. Ele se jogou aos pés de Neji, abraçando suas pernas com cuidado para não apertar a barriga.
— É o nome mais bonito que eu já ouvi! Hizashi será o ninja mais amado de toda a história! Eu vou treiná-lo para que ele brilhe mais que o sol do meio-dia!
Neji revirou os olhos, mas permitiu que Lee beijasse sua mão.
— Só não o ensine a usar essas roupas colantes, Lee. Isso é uma exigência inegociável.
A noite caiu sobre as vilas, trazendo consigo o silêncio e as dores típicas do terceiro trimestre. No distrito Uchiha, Sasuke acordou no meio da noite com uma cãibra terrível na panturrilha. Ele tentou se levantar, mas o peso da barriga o impediu, fazendo-o soltar um gemido de dor.
Instantaneamente, Naruto estava acordado. Ele não precisou de palavras; suas mãos brilharam com um chakra verde suave e ele começou a massagear a perna de Sasuke.
— Melhor? — perguntou Naruto, a voz rouca de sono.
— Um pouco — murmurou Sasuke, relaxando contra o travesseiro. — Isso é um inferno, Naruto. Eu sinto que perdi o controle de tudo. Meu corpo, meu chakra, minha dignidade... tudo pertence a esse ser agora.
Naruto sentou-se ao lado dele e puxou Sasuke para um abraço lateral, deixando que o Uchiha descansasse a cabeça em seu peito.
— Você não perdeu o controle, Sasuke. Você está compartilhando ele. — Naruto beijou o topo da cabeça de Sasuke. — Nós estamos criando um futuro. O clã Uchiha não vai ser mais sobre ódio ou vingança. Vai ser sobre esse garotinho que está chutando sua bexiga agora.
Sasuke soltou uma risada curta e seca, a primeira em dias.
— Ele realmente não tem respeito nenhum.
— Como o pai dele — provocou Naruto.
Eles ficaram ali, no escuro, ouvindo a respiração um do outro. Sete meses haviam se passado desde a névoa do Lótus Carmesim. O susto inicial dera lugar a uma rotina de cuidados, medos e uma expectativa que nenhum deles sabia descrever.
Em cada canto de Konoha e Suna, os preparativos continuavam. Shikamaru passava as noites estudando como fortalecer o chakra de Sai; Kakashi e Iruka liam contos de fadas para uma barriga que respondia com movimentos suaves; Gaara aprendia a ser o suporte de um Deidara que, apesar das reclamações, já bordava pequenas nuvens vermelhas em mantas de bebê; e Neji e Lee planejavam um mundo de liberdade.
A gestação masculina era um desafio que desafiava a lógica e a biologia, mas, enquanto o sétimo mês avançava para o oitavo, ficava claro que o jutsu proibido não criara apenas vidas. Ele forçara esses ninjas a encararem suas próprias vulnerabilidades, a curarem feridas antigas e a entenderem que a maior força de um shinobi não estava no jutsu que ele lançava, mas na vida que ele era capaz de proteger e nutrir.
— Naruto? — chamou Sasuke, quase dormindo.
— Sim?
— Se ele nascer loiro... eu vou queimar todas as suas camisas laranjas.
Naruto riu, fechando os olhos e sentindo-se o homem mais sortudo do mundo.
— Combinado, Sasuke. Combinado.