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Star 5

O Silêncio antes do Primeiro Choro

A noite em Konoha não trazia o frescor habitual. O ar estava pesado, carregado com a eletricidade que precede as grandes tempestades de verão, mas para os dez ninjas espalhados pela vila e pelos arredores, a pressão não vinha do céu. Vinha de dentro.

No distrito Uchiha, Naruto Uzumaki estava no meio de um sonho confuso sobre ramen e pergaminhos de selamento quando foi despertado por um som que gelou seu sangue: o estalar seco de algo quebrando, seguido por um suspiro agudo de dor.

— Naruto... — a voz de Sasuke era um sussurro tenso, desprovido de qualquer traço de sua arrogância habitual. — Naruto, agora.

O loiro saltou da cama, os sentidos em alerta máximo. Ele viu Sasuke sentado na beira do colchão, as mãos agarrando os lençóis com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. O chão estava molhado.

— Sasuke! Tá tudo bem, dattebayo! Eu estou aqui! — Naruto tropeçou nas próprias pernas, tentando encontrar as sandálias e o kit médico de emergência que Sakura os obrigara a deixar pronto.

— Cale a boca e me ajude a levantar — sibilou Sasuke, curvando-se quando uma contração o atingiu. — Se você entrar em pânico, eu juro que te mato antes de irmos para o hospital.

Enquanto isso, na ala de cuidados intensivos do Hospital de Konoha, o monitor de chakra de Sai disparou um alarme estridente. Shikamaru, que dormia em uma cadeira desconfortável ao lado da cama, acordou em um solavanco.

— Sai! O que houve? — perguntou Shikamaru, vendo o artista pálido arquejar enquanto veias de tinta negra pareciam pulsar sob sua pele translúcida.

— O fluxo... — Sai tentou falar, mas sua voz falhou. — O fluxo de chakra está se invertendo. O pequeno humano... ele quer sair, Shikamaru.

Sakura Haruno entrou no quarto correndo, já vestindo suas luvas cirúrgicas e com o chakra verde brilhando nas mãos.

— Shikamaru, saia agora! A gestação do Sai é instável, o chakra de tinta está reagindo ao parto. Preciso de espaço para estabilizá-lo! — ordenou ela, com a autoridade de quem não aceitava discussões.

— Eu não vou deixá-lo! — protestou Shikamaru, o medo finalmente vencendo sua fachada de preguiça.

— Shikamaru, por favor — sussurrou Sai, olhando para o companheiro com uma vulnerabilidade que partiu o coração do Nara. — Confie na Sakura.

Shikamaru recuou, as mãos trêmulas, enquanto a equipe médica cercava o leito. Ele saiu para o corredor, encontrando Naruto e um Sasuke quase carregado pelo loiro chegando ao pronto-socorro.

— Shikamaru! — Naruto exclamou, vendo o estado do amigo. — É hoje? Estão todos vindo hoje?

— Parece que sim — murmurou Shikamaru, encostando-se na parede e deslizando até o chão. — É um saco... meu coração parece que vai sair pela boca.

Longe dali, em Suna, a situação era ainda mais dramática. Deidara estava no meio de uma discussão acalorada com Gaara sobre a temperatura da água da banheira quando sentiu a primeira dor verdadeira.

— EU VOU EXPLODIR TUDO, HM! — gritou Deidara, agarrando o braço de Gaara com uma força que teria esmagado os ossos de um ninja comum. — SÃO DOIS! EU SINTO ELES LUTANDO! GAARA, FAÇA ALGO!

Gaara, mantendo a compostura que o tornara Kazekage, envolveu Deidara com sua areia para dar suporte às suas costas, mantendo-o flutuando levemente para aliviar a pressão.

— Respire, Deidara. As parteiras já estão a caminho. Eu estou aqui. A areia está protegendo você.

— A AREIA NÃO DÓI, EU SIM, HM! — Deidara chorava e xingava, mas no fundo, ele apertava a mão de Gaara como se fosse sua única âncora no mundo.

De volta a Konoha, no clã Hyuuga, Neji tentava manter a dignidade enquanto era levado em uma maca improvisada por Rock Lee, que corria tão rápido que as rodas da maca quase pegavam fogo.

— LEE! MAIS DEVAGAR! — Neji gritou, o Byakugan ativado involuntariamente pela dor. — Você vai me derrubar antes de chegarmos!

— NÃO TEMA, NEJI-SAN! A CHAMA DA JUVENTUDE ESTÁ GUIANDO MEUS PÉS! NOSSO FILHO NASCERÁ NO HOSPITAL, NÃO NO MEIO DA RUA! — Lee gritava de volta, as lágrimas de emoção voando para trás.

— Se eu sobreviver a isso — murmurou Neji entre dentes, sentindo outra contração dilacerante —, eu vou te colocar em um genjutsu de silêncio eterno.

No hospital, Kakashi Hatake andava de um lado para o outro no corredor da ala de parto. Iruka já estava lá dentro há horas. O Sexto Hokage, o homem que enfrentara a Akatsuki e deuses, estava reduzido a um feixe de nervos.

— Kakashi, sente-se — disse Naruto, que agora esperava notícias de Sasuke em uma sala ao lado. — Você está abrindo um buraco no chão.

— Eu não consigo, Naruto. O chakra do Iruka... ele está tão cansado. Eu deveria estar lá ajudando — respondeu Kakashi, a voz abafada pela máscara.

De repente, um grito agudo ecoou da sala de Iruka, seguido por um silêncio que pareceu durar uma eternidade. Kakashi parou de andar. Então, o som mais doce que ele já ouvira rompeu o ar: o choro forte e insistente de um bebê.

Uma enfermeira saiu da sala, sorrindo.

— Sexto Hokage? É um menino. Um pequeno Sakumo muito saudável. O Sensei Iruka está exausto, mas bem.

Kakashi não disse nada. Ele apenas entrou na sala, as pernas vacilantes. Viu Iruka deitado, pálido e suado, segurando um pequeno embrulho de mantas azuis. Quando o bebê abriu os olhos, Kakashi viu o brilho de Iruka ali, mas também a promessa de um novo começo para o clã Hatake.

— Ele é lindo, Kakashi — sussurrou Iruka, sorrindo através das lágrimas.

Kakashi inclinou-se e beijou a testa de Iruka, depois a do bebê, sentindo uma paz que nunca conhecera.

Mas a paz durou pouco no corredor. Sakura saiu da sala de Sai com uma expressão solene. Shikamaru levantou-se num salto.

— Sakura? Como ele está?

— Foi difícil, Shikamaru. O chakra de tinta quase causou uma hemorragia — disse ela, fazendo o coração do Nara parar. — Mas o Sai é mais forte do que imaginávamos. Ele se recusou a apagar até ouvir o choro.

— E o bebê? — Shikamaru perguntou, a voz falhando.

— Venha ver seu filho, Shikadai. Ele tem exatamente a sua expressão de tédio, o que é assustador para um recém-nascido.

Shikamaru entrou no quarto e encontrou Sai acordado, embora muito fraco. O artista segurava um bebê pequeno, de cabelos espetados e olhos que observavam tudo com uma calma analítica.

— Ele é... perfeito, Sai — disse Shikamaru, sentando-se na cama e abraçando os dois.

— Ele é a nossa melhor obra de arte — respondeu Sai, fechando os olhos, finalmente permitindo-se descansar.

Na sala ao lado, o drama de Sasuke e Naruto chegava ao seu ápice. Sasuke se recusava a gritar, mesmo que suas unhas estivessem cravadas nos braços de Naruto, deixando marcas profundas.

— Sasuke, você precisa liberar o chakra! — Naruto pedia, suando tanto quanto ele. — Kurama está tentando ajudar a estabilizar a conexão, mas você está bloqueando por orgulho!

— Eu... não... preciso... de ajuda! — Sasuke rosnou, mas então uma dor avassaladora o dobrou.

— Sasuke, olhe para mim! — Naruto segurou o rosto dele com as duas mãos. — Faça isso por ele. Pelo nosso filho. Pelo futuro dos Uchiha.

Sasuke olhou nos olhos azuis de Naruto e, pela primeira vez na vida, soltou todo o controle. Ele gritou, um som que carregava anos de dor, solidão e, finalmente, libertação. Poucos minutos depois, um choro potente, quase um rugido, preencheu a sala.

Era um menino. Tinha os cabelos negros e espetados de Sasuke, mas quando abriu os olhos por um breve momento, Naruto viu o azul profundo dos Uzumaki.

— Daisuke — sussurrou Sasuke, a voz falhando enquanto a enfermeira colocava o bebê em seu peito. — Ele tem a sua cara de idiota, Naruto.

— E o seu temperamento, Sasuke! — Naruto chorava abertamente, sem qualquer vergonha. — Ele é perfeito.

Enquanto isso, em Suna, o sol começava a nascer quando os gritos de Deidara finalmente cessaram. Gaara estava sentado na beira da cama, segurando um dos gêmeos, enquanto Deidara segurava o outro.

— Akari e Katsu — disse Deidara, olhando para os dois pequenos seres loiros que agora dormiam pacificamente. — Eles realmente são uma explosão de vida, hm.

— Eles são a paz que eu nunca achei que Suna teria — respondeu Gaara, tocando a mão minúscula da filha. — Obrigado, Deidara.

— Não me agradeça, Kazekage. Só garanta que eles tenham argila suficiente para brincar quando crescerem, hm.

De volta a Konoha, Neji e Lee finalmente recebiam seu pequeno Hizashi. O bebê era a imagem de Neji, mas tinha a energia inquieta de Lee, chutando as mantas com uma força impressionante.

— Veja, Neji-san! Ele já está praticando o Furacão da Folha! — Lee exclamava, as lágrimas jorrando como fontes.

— Ele está apenas tentando se cobrir, Lee — disse Neji, exausto, mas com um olhar de pura ternura. — Ele é... a nossa liberdade.

Ao amanhecer, a Vila da Folha estava diferente. Cinco novos choros se juntavam ao som do vento nas árvores. O Jutsu do Lótus Carmesim, que começara como uma maldição biológica e uma névoa de confusão, terminara por florescer na forma mais pura de redenção.

Naruto e Sasuke, agora na semi-escuridão do quarto de hospital, observavam Daisuke dormir entre eles.

— Sabe, Sasuke — começou Naruto, a voz baixa — o mundo vai mudar muito agora.

— Eu sei — respondeu Sasuke, fechando os olhos e sentindo o peso reconfortante do filho em seus braços. — Mas, pela primeira vez, eu não estou com medo do que vem a seguir.

— Nem eu — disse Naruto, entrelaçando seus dedos nos de Sasuke.

Lá fora, o sol subia no horizonte, iluminando uma nova geração que não carregaria o ódio do passado, mas o amor nascido de uma noite de névoa rosa e da coragem de dez ninjas que aprenderam que a maior força de um shinobi não reside na destruição, mas na capacidade de dar a vida.