Suiça
Sob o Manto de Neve e Desejo
O dia amanheceu com um céu de um azul tão límpido que parecia pintado à mão. O frio da Suíça era cortante, mas dentro do nosso chalé, o calor que emanava de Giovanna era tudo de que eu precisava. Ela havia planejado uma surpresa para aquela tarde, algo que, segundo ela, me faria sentir "no topo do mundo".
Saímos bem agasalhadas. Giovanna usava um sobretudo de lã escura que realçava seu porte imponente, enquanto eu me perdia em camadas de cashmere e um gorro felpudo. Pegamos um teleférico privado que nos levou a um dos pontos mais altos e exclusivos da região. Quando as portas se abriram, o cenário era de tirar o fôlego: um terraço panorâmico esculpido na rocha, com mesas postas com cristais que brilhavam sob o sol refletido na neve.
— Gi, isso é surreal — murmurei, sentindo o ar rarefeito e gelado entrar nos meus pulmões.
— O melhor para a melhor — ela respondeu, passando o braço pela minha cintura e me guiando até a mesa.
Passamos horas ali, bebendo champanhe e saboreando iguarias locais enquanto observávamos os picos nevados. A conversa fluía leve, sem o peso das sombras que deixamos no Brasil. Giovanna ria, uma risada solta que eu raramente via em meio às reuniões de negócios. Ela estava relaxada, e eu me sentia, pela primeira vez, verdadeiramente livre.
— Sabe o que eu mais gosto daqui? — perguntei, observando o horizonte.
— A vista? — ela arriscou, girando a taça entre os dedos longos.
— O silêncio — respondi, voltando meus olhos para os dela. — É como se o resto do mundo tivesse parado de gritar. Sinto que aqui, finalmente, eu consigo ouvir a minha própria voz. E a sua.
Giovanna estendeu a mão sobre a mesa, segurando a minha com firmeza.
— Eu nunca mais vou deixar ninguém abafar a sua voz, Maya. O silêncio agora é uma escolha nossa, não uma imposição.
O retorno para o chalé foi envolto em uma antecipação silenciosa. O sol começou a se esconder, tingindo a neve de um roxo profundo e sombras azuladas. Quando entramos na sala aquecida, o contraste do frio externo com o calor da lareira fez minha pele formigar.
Tirei o casaco pesada e o joguei sobre uma poltrona. Giovanna fez o mesmo, mas seus olhos não saíram de mim por um segundo sequer. Havia uma intensidade diferente ali, algo que queimava mais que as brasas na lareira.
— Você está muito pensativa desde que saímos do restaurante — ela comentou, aproximando-se devagar. — O que está passando nessa cabecinha?
Eu sorri, um sorriso que carregava uma confiança que eu estava descobrindo possuir. Aproximei-me dela, encurtando a distância até que nossas respirações se misturassem.
— Estava pensando no que você disse no escritório, antes de virmos — comecei, levando minhas mãos até o colarinho da camisa dela. — Que eu sou a rainha desse jogo. Que o trono é meu.
— E é — ela afirmou, a voz descendo um oitava, tornando-se um rosnado baixo e aveludado.
— Pois bem — eu disse, desabotoando o primeiro botão da camisa dela, mantendo o contato visual. — Se eu sou a rainha, acho que está na hora de eu começar a ditar as regras. Inclusive no quarto.
Giovanna arqueou uma sobrancelha, surpresa e visivelmente excitada com a minha súbita audácia. Ela parou as mãos que iam em direção à minha cintura, deixando-as pendidas ao lado do corpo, em um sinal de rendição silenciosa.
— É mesmo? — ela provocou, um sorriso de canto surgindo em seus lábios. — E o que a rainha ordena?
— Ordena que você relaxe — sussurrei, puxando-a pela gola em direção ao quarto principal. — E que me deixe mostrar exatamente o quanto eu te quero. Sem interrupções. Sem você tentar controlar cada movimento. Hoje, Gi... hoje você é minha.
Entramos no quarto, onde a luz era apenas o reflexo da lua na neve lá fora e o brilho suave de algumas velas que Dalva, discretamente, havia deixado acesas antes de sair. Empurrei Giovanna suavemente em direção à cama, e ela se sentou, observando-me com uma fome que me fez estremecer, mas não de medo. Era poder.
Eu me ajoelhei entre as pernas dela, minhas mãos subindo pelas suas coxas firmes. Eu podia sentir a tensão em seus músculos, o desejo contido. Giovanna sempre foi a força dominante, o pilar que sustentava tudo, mas ali, naquele momento, eu queria ser o seu refúgio e o seu incêndio.
— Maya... — ela suspirou, as mãos indo para o meu cabelo, mas eu as segurei e as coloquei de volta sobre os joelhos dela.
— Shh — eu a silenciei. — Só sinta.
Comecei a despir Giovanna com uma lentidão torturante. Cada peça de roupa que caía parecia remover uma camada da armadura que ela usava perante o mundo. Quando ela finalmente estava nua diante de mim, a visão era de uma beleza bruta. O corpo de Giovanna era uma obra de arte, e o volume evidente entre suas pernas denunciava o quanto a minha nova postura a estava afetando.
Eu não tinha pressa. Subi para a cama, ficando por cima dela, distribuindo beijos lentos pelo seu pescoço, descendo pelo peito, sentindo o coração dela martelar contra as minhas costelas.
— Você está tremendo — notei, parando por um segundo para olhá-la.
— Você está me enlouquecendo — ela admitiu, a voz rouca, os olhos escurecidos pelo desejo. — Eu não sabia que você tinha esse lado tão... autoritário.
— Você me ensinou bem — respondi, antes de descer o corpo, minha boca encontrando a dela em um beijo profundo, possessivo.
Eu a explorei com as mãos e com a língua, mapeando cada centímetro de sua pele. Quando minhas mãos finalmente envolveram sua masculinidade, ouvi um gemido gutural escapar de sua garganta. Giovanna tentou subir os quadris, buscando o contato, mas eu a pressionei de volta contra o colchão.
— No meu tempo, Gi — lembrei-a, com um sorriso malicioso.
Eu a levei ao limite, usando minha boca e minhas mãos com uma destreza que a fazia arquear as costas e chamar meu nome como se fosse uma prece. Eu via o controle dela se esvair, a empresária implacável dando lugar a uma mulher vulnerável e entregue ao prazer que eu estava proporcionando.
Quando senti que ela não aguentaria mais, eu me posicionei. Olhei em seus olhos, vendo o reflexo da minha própria força ali.
— Eu amo você — sussurrei.
— Eu te amo, Maya. Mais do que tudo — ela respondeu, a voz falhando.
Eu me baixei lentamente, sentindo-a me preencher por completo. O suspiro que escapou de nós duas foi de puro alívio e conexão. Comecei a me mover, ditando o ritmo, sentindo cada centímetro de sua rigidez dentro de mim. Giovanna segurou meus quadris, mas não para assumir o controle, e sim para se ancorar em mim enquanto o prazer nos levava para longe.
— Mais rápido... — ela pediu, a cabeça jogada para trás, o suor brilhando em sua testa.
Eu obedeci, aumentando a velocidade, sentindo o atrito nos levar a um ponto de não retorno. O quarto parecia ter ficado pequeno para a intensidade do que estávamos vivendo. Cada estocada dela, cada movimento meu, era uma afirmação do que éramos agora: parceiras, iguais, livres.
O ápice veio como uma avalanche. Giovanna rugiu meu nome enquanto se derramava dentro de mim, e eu desabei sobre seu peito, envolvida pelos espasmos de um orgasmo que pareceu durar uma eternidade.
Ficamos ali, entrelaçadas, enquanto nossas respirações voltavam ao normal. O silêncio da noite suíça voltou a reinar, mas agora era um silêncio preenchido, satisfeito.
Giovanna acariciou minhas costas, puxando o edredom sobre nós duas.
— Acho que vou ter que me acostumar com essa nova rainha — ela brincou, a voz ainda carregada de sono e prazer.
— Acostume-se — respondi, aconchegando-me em seu abraço. — Porque eu não pretendo abdicar do trono tão cedo.
Ela beijou o topo da minha cabeça, e ali, no coração dos Alpes, eu soube que não importava o que o futuro trouxesse, nós éramos inabaláveis. A neve lá fora podia ser fria, mas o fogo que tínhamos acendido entre nós nunca se apagaria.