Suiça

Point off view Giovana torres Acordei com o som familiar dos pássaros que vinha do jardim, como todas as manhãs. Abri os olhos devagar e virei o rosto para o lado: Maya ainda dormia profundamente, com a expressão serena, os cabelos espalhados no travesseiro. Parecia um anjo ali, tão tranquila e perfeita. Sorri sem perceber, aproximei-me e beijei suavemente as suas costas nuas, sentindo o calor da sua pele. - Linda... maravilhosa - sussurrei bem baixinho, só para mim. Ela gemeu manhosa, se mexendo devagar sem nem acordar direito, um som doce que fez meu coração se aquecer. Dei-lhe um último beijo demorado no ombro, levantei-me com cuidado para não acordá-la e fui até o banheiro. Fiz minha higiene, tomei um banho rápido e vesti uma calça moletom e uma camiseta confortáveis. Quando voltei ao quarto, ela continuava dormindo como se nada tivesse acontecido. Desci as escadas. A casa já estava movimentada, com os empregados arrumando os cômodos e preparando o dia. - Bom dia, dona Giovanna - cumprimentaram vários ao passar. Dalva veio até mim logo em seguida, sorrindo educadamente. - Bom dia, senhora. O café já está pronto na mesa, se quiser ir servindo. - Bom dia, Dalva - respondi. - A Soraya já desceu? - Já sim, senhora. Ela pediu para que Lorena mostrasse os arredores da propriedade, então devem estar andando por aí fora. - Entendi - assenti, já sabendo o que tinha que fazer. - Mande-a chamar, por favor. Diga que estou esperando ela no escritório. Dalva fez um sinal de concordância e foi logo cumprir o pedido. Poucos minutos depois, Soraya entrou no escritório, com a postura de quem já sabia o que viria, mas ainda tentando manter o ar de superioridade. Fechei a porta atrás dela e indiquei a cadeira à frente da minha mesa. - Sente-se - falei, seca e direta, sem rodeios. Ela obedeceu, cruzando as pernas e tentando abrir a boca para começar o seu discurso, mas fui mais rápida: - Ouça com atenção, porque não vou repetir nada. Você não veio aqui por saudade, nem por amor à sua filha. Veio atrás de dinheiro, e quando ela negou o seu pedido, teve a audácia de agredi-la dentro da minha casa. Isso é o fim da linha. Abri uma gaveta, retirei um envelope grosso e coloquei-o sobre a mesa, empurrando em sua direção. - Aqui tem uma quantia suficiente para pagar todas as dívidas da sua empresa e recomeçar do zero, em outro lugar. É tudo o que vai receber de mim. Ela arregalou os olhos, surpresa, e estendeu a mão, mas eu segurei o envelope antes que ela o pegasse, prendendo-a com o meu olhar firme. - Mas tem condições claras e inegociáveis - continuei, com a voz pesada. - Pegue esse dinheiro e suma daqui. Não volte mais para procurar a Maya, não entre em contato com ela, não pergunte por ela e nem apareça na porta dela. Para você, ela não existe mais. E também: controle a Bárbara. Diga a ela para não chegar nem perto de mim, nem sonhar em tentar se aproximar. Se eu ver ela na minha frente, ou se souber que qualquer uma de vocês duas deu um passo fora do que estou dizendo, eu vou cobrar cada centavo desse valor de volta, com juros, e não sobra nem pitada de ouro para nenhuma de vocês. Eu acabo com o resto que ainda têm. Soltei o envelope sobre a mesa. - Aceita e vai embora agora, ou prefere ficar sem nada e continuar afundando? Soraya ficou ali por um instante, engolindo seco, percebendo que não tinha nenhuma brecha para barganha. Pegou o envelope devagar, guardou-o na bolsa e assentiu com a cabeça, sem coragem de me olhar nos olhos. - Entendi... vamos embora hoje mesmo. Ninguém vai procurar ninguém. - Espero mesmo - avisei, levantando-me e apontando a porta. - A sua carruagem já está sendo preparada. Desça e espere lá fora. Point off view Maya Manoela Garcia torres Acordei devagar, esticando o corpo e sentindo o frescor dos lençóis. Mas ao virar para o lado, vi que a cama estava vazia. O espaço onde Giovanna dormia já estava frio - ela já tinha levantado fazia algum tempo. Abri os olhos de vez, senti um vazio leve no peito e sentei-me na beira do colchão, esfregando os olhos. O quarto estava cheio da luz suave do sol que entrava pela janela aberta, mas sem ela ali parecia um pouco mais silencioso. - Gi? - chamei baixinho, mas só ouvi o som dos pássaros lá fora. Vesti rapidamente o roupão que estava na cadeira e fui até a porta, curiosa para saber onde ela tinha ido tão cedo. Vesti rapidamente o roupão que estava na cadeira e fui até a porta, curiosa para saber onde ela tinha ido tão cedo. Ao descer as escadas, encontrei Dalva no corredor. - Ela está no escritório, dona Maya. Mas pediu para não ser interrompida por alguns minutos. - Ela está com a minha mãe, não está? - perguntei, sentindo um nó no estômago. - Sim, senhora. Voltei para o quarto e esperei. Não demorou muito para que eu ouvisse o som de carros partindo. Corri até a janela e vi o veículo preto sumindo pela estrada de cascalho. Um suspiro de alívio escapou dos meus lábios. Finalmente, o peso da presença tóxica de Soraya havia sido removido da minha vida. Segundos depois, a porta do quarto se abriu e Giovanna entrou. Ela parecia cansada, mas seus olhos brilharam ao me ver de pé. - Ela foi embora? - perguntei, aproximando-me. - Foi - ela respondeu, envolvendo minha cintura com os braços e puxando-me para perto. - E não vão voltar. Eu garanti que o caminho delas seja bem longe do nosso. - Como você fez isso? - sussurrei, escondendo o rosto em seu pescoço. - O que importa é que agora somos só nós. E, para garantir que você esqueça cada palavra amarga que ouviu nos últimos dias, eu tenho um plano. - Um plano? - olhei para ela, curiosa. - Faça as malas, meu amor. Nós vamos para a Suíça em dois dias. (...) Os dias que se seguiram foram um borrão de preparativos e uma expectativa deliciosa. Eu nunca tinha visto Giovanna tão empolgada com uma viagem. Ela cuidava de cada detalhe, desde os casacos de pele que compramos até o roteiro dos restaurantes mais reservados em Zermatt. Quando o jato particular finalmente tocou o solo em Zurique, o ar gelado que nos recebeu ao sair da aeronave foi como um choque revigorante. Era o oposto do calor sufocante e das tensões que tínhamos deixado no Brasil. - Bem-vinda ao nosso refúgio - disse Giovanna, apertando minha mão enquanto o motorista nos guiava para o carro. A viagem de trem até os Alpes foi cinematográfica. Eu estava colada ao vidro, maravilhada com as montanhas cobertas de neve e os vilarejos que pareciam saídos de um conto de fadas. Giovanna me observava com um sorriso satisfeito, ocasionalmente me oferecendo um gole de chocolate quente ou um beijo na têmpora. Quando chegamos ao nosso chalé privado, eu perdi o fôlego. Era uma construção de madeira e pedra, isolada no alto de uma encosta, com uma vista panorâmica para o Matterhorn. Dentro, a lareira já estava acesa, espalhando um aroma de lenha queimada e conforto. - É lindo, Gi... eu não tenho palavras - falei, deixando minha bolsa de lado e correndo para a varanda envidraçada. - Eu queria um lugar onde o mundo não pudesse nos alcançar - ela disse, vindo por trás de mim e me abraçando, protegendo-me do frio que entrava pela porta entreaberta. - Onde não existissem empresas, nem dívidas, nem Sorayas. Apenas Giovanna e Maya. Ficamos ali por um longo tempo, observando o sol se pôr atrás das montanhas, pintando a neve de rosa e laranja. Naquela noite, jantamos à luz de velas em frente à lareira. O vinho suíço era impecável, mas o que realmente me embriagava era a forma como ela me olhava. - Você está tão silenciosa - comentou ela, servindo mais um pouco de vinho. - Está gostando? - Estou amando - respondi, sentando-me no tapete de pele aos pés dela. - Só estou processando como a vida mudou. Há alguns meses, eu me sentia presa em um tabuleiro onde todos moviam as peças por mim. E agora... sinto que finalmente encontrei o meu lugar. Giovanna acariciou meu rosto, o polegar traçando o contorno dos meus lábios. - Você é a rainha desse jogo, Maya. Nunca se esqueça disso. Eu posso ter movido algumas peças para tirar os obstáculos do caminho, mas o trono é seu. Chat elas saim pra se divertir Giovanna leva ela em lugar bonito da Suiça Dps vão pra casa aí vão conversando até transar Gui tem pau