Suiça
O Êxtase no Topo do Mundo
O calor que emanava de nossos corpos era o único contraste real contra a imensidão branca que cercava o chalé. Ali, no refúgio que Giovanna havia construído para nós, o tempo parecia ter se dobrado sob a vontade dela — ou melhor, sob a nossa vontade. Eu sentia cada centímetro da pele de Giovanna sob as minhas palmas, uma textura que eu nunca cansaria de mapear. O peso do mundo, das empresas, da sombra de Soraya e de todas as obrigações que nos sufocavam no Brasil, tinha ficado do lado de fora daquela porta.
Eu estava no controle. Era uma sensação inebriante, quase tão viciante quanto o perfume de sândalo e pele quente que ela exalava. Eu a queria com uma fome que não era apenas física, era uma necessidade de fundir nossas almas naquele solo sagrado dos Alpes.
Sorri contra os seus lábios e voltei a beijá-la com calma, aprofundando cada toque. Nossas línguas se buscavam em um ritmo lento, uma dança de reconhecimento e entrega. Eu sentia a pulsação de Giovanna sob meus dedos, o coração dela batendo forte, acompanhando o meu. Alinhei-me devagar, sentindo a ponta roçar a minha entrada já úmida e ansiosa, e então desci de uma vez, sem quebrar o contato dos nossos lábios.
— Hum... — Ela gemeu forte bem na minha boca, um som rouco e cheio de prazer que vibrou todo o meu corpo, ecoando até a ponta dos meus dedos.
Era um som de rendição absoluta. Giovanna, a mulher que comandava exércitos de funcionários e negociava milhões com um olhar gélido, estava ali, entregue ao meu ritmo, desarmada pelo meu toque.
Comecei a cavalgar num ritmo firme e constante, ditando a velocidade, aprofundando cada movimento. Cada vez que eu subia e descia, sentia-me mais conectada a ela, como se estivéssemos costuradas uma à outra. O prazer vinha em ondas, começando na base da minha espinha e se espalhando como fogo líquido por minhas veias.
— Porra, Maya... — rosnou ela, a voz mais grave do que eu jamais ouvira.
Os dedos dela cravaram com força nos meus quadris, não para me parar, mas para me ancorar. Ela olhava para mim como se eu fosse a única coisa que existia no universo, como se o sol e as estrelas tivessem sido substituídos pela luz que emanava dos meus olhos naquele momento.
Acelerei um pouco mais, sentindo cada preenchimento, cada centímetro dela dentro de mim. O prazer era tão intenso que chegava a doer, uma dor doce que eu queria que durasse para sempre. Cada gemido que ela soltava servia de combustível para o meu desejo.
Giovanna deslizava as mãos sobre minhas costas, subindo e descendo, apertando minha pele com uma urgência que me fazia arquear o corpo. Ela mantinha os olhos fixos nos meus, uma conexão tão profunda que eu sentia que ela podia ler todos os meus pensamentos, todos os meus segredos.
De repente, vi um sorriso covarde nascer nos seus lábios. Um sorriso de quem sabia exatamente o efeito que estava causando em mim, de quem via minha resistência desmoronar e se deliciava com isso.
— Porra, isso me deixou maluca — sussurrei, quase sem fôlego.
A visão daquele sorriso, misturada à sensação de sua masculinidade me preenchendo completamente, foi o gatilho final. Meu corpo entrou em espasmos, as paredes internas me apertando contra ela em uma súplica silenciosa por mais.
Gozei.
Foi uma explosão de cores e sensações que me tirou o chão. Eu me agarrei aos ombros dela, enterrando o rosto em seu pescoço enquanto o prazer me levava para longe. Giovanna parou por um segundo, os olhos arregalados, a boca aberta em um perfeito "o", me admirando como se eu fosse a criação mais bela da natureza.
Ela ficou ali, imóvel, sentindo as contrações do meu orgasmo ao redor dela, um sorriso de pura satisfação e adoração iluminando seu rosto. Mas eu podia sentir que ela também estava no limite, a tensão em seus músculos era quase palpável.
Senti que a mesma imagem faria o mesmo. Ela apertou meus quadris com uma força renovada, seus olhos escurecendo até ficarem quase pretos.
— Maya... eu vou... vou gozar — avisou ela, a voz falhando, a respiração entrecortada.
Eu me inclinei para frente, beijando-a com ferocidade, querendo sentir cada grama da sua entrega. E então, aconteceu. Senti uns cinco jatos quentes dentro de mim, um preenchimento profundo que me fez gemer novamente, mesmo após o meu próprio ápice.
Giovanna arqueou as costas, a cabeça jogada para trás, um grito de prazer puro escapando de sua garganta. Ela se derramou em mim com uma intensidade que parecia querer selar nosso destino para sempre.
Lentamente, fomos voltando à realidade. O peso dela sobre a cama e o meu sobre o seu corpo tornaram-se reais novamente. O silêncio do quarto era quebrado apenas pelas nossas respirações pesadas e pelo estalar ocasional da lenha na lareira da sala ao lado.
Eu me deitei sobre o peito dela, ouvindo o ritmo frenético de seu coração se acalmar aos poucos. Giovanna passou os braços ao meu redor, puxando o edredom para nos cobrir, protegendo-nos do resquício de frio que tentava entrar pelas frestas.
— Você foi incrível — sussurrou ela, beijando o topo da minha cabeça. — Minha rainha.
— Eu disse que as regras mudariam — respondi, sorrindo contra a pele dela. — Gostou da nova monarquia?
Ela soltou uma risada baixa e vibrante.
— Eu me tornaria sua súdita todos os dias, se o resultado fosse esse.
Ficamos ali por muito tempo, apenas sentindo a presença uma da outra. Naquele momento, não havia dúvidas, não havia medos. Estávamos na Suíça, longe de tudo o que nos machucava, vivendo uma liberdade que havíamos conquistado a duras penas.
— Gi? — chamei baixinho, após alguns minutos de silêncio.
— Sim, meu amor?
— Obrigada. Por nos trazer aqui. Por me dar esse espaço para respirar.
Ela se afastou um pouco para olhar nos meus olhos, a expressão séria e carregada de amor.
— Você não precisa me agradecer por nada, Maya. Tudo o que eu faço, cada movimento que eu faço nesse mundo, é para garantir que você seja feliz. Você é o meu norte. Sem você, todo esse império, todo esse dinheiro... nada disso faz sentido.
Eu a beijei novamente, um beijo suave e cheio de promessas.
— Nós vamos ficar bem, não vamos? — perguntei, uma ponta de insegurança ainda tentando se infiltrar.
— Mais do que bem — afirmou ela, com aquela certeza absoluta que só Giovanna Torres conseguia transmitir. — Nós vamos ser o que quisermos ser. E quem tentar se atravessar no nosso caminho... bem, você viu o que aconteceu com a sua mãe.
Eu ri, lembrando da firmeza com que ela expulsara Soraya.
— Você é assustadora quando quer, sabia?
— Só com quem merece — ela piscou para mim. — Com você, eu sou apenas sua.
Adormecemos pouco depois, entrelaçadas sob o manto de neve que cobria os Alpes, com a certeza de que, não importava o quão frio fizesse lá fora, o calor que tínhamos uma pela outra era o suficiente para queimar por toda uma eternidade.