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Taekookmin

Pétalas de Sangue e Veludo

A transição entre a "Sentinela" da máfia e a protegida dos Kim-Jeon estava se tornando cada vez mais fluida, mas Jimin logo descobriria que o privilégio de ser o coração da organização trazia consigo uma visibilidade perigosa. Naquela manhã, o despertar foi diferente. Não houve o calor de dois corpos, mas sim a ausência. O lado da cama de Jungkook e Taehyung estava frio, e sobre o travesseiro de seda, havia apenas um único cartão preto com letras douradas: "Veste-te. O motorista te espera em trinta minutos. Hoje, o jardim será o seu tribunal."

Jimin levantou-se, sentindo os músculos levemente doloridos da noite anterior, um lembrete doce da intensidade de seus donos. Ela caminhou até o closet e encontrou um conjunto que nunca vira antes: um vestido de linho branco, puro e etéreo, que contrastava bizarramente com a gargantilha de diamante negro que nunca saía de seu pescoço. Ela se vestiu em silêncio, sentindo a antecipação vibrar em suas veias.

O motorista a conduziu não para a empresa, mas para uma propriedade afastada, um casarão histórico cercado por um jardim de rosas vermelhas tão intensas que pareciam tingidas de sangue. Ao descer do carro, Jimin viu Jungkook e Taehyung parados sob um gazebo de ferro batido. Eles não usavam ternos. Jungkook vestia uma camisa de linho preta entreaberta, revelando as tatuagens do peito, e Taehyung usava um suéter de gola alta creme, parecendo um príncipe de um conto de fada sombrio.

Entre eles, ajoelhado na grama úmida e com as mãos amarradas, estava um homem que Jimin reconheceu imediatamente: era um dos contatos de logística do porto de Busan, alguém que ela mesma havia sinalizado como "suspeito" em seus relatórios semanais.

— Você chegou, querida — disse Taehyung, estendendo a mão para ela. — Estávamos esperando sua análise final antes de procedermos.

Jimin caminhou até eles, mantendo a postura impecável. Jungkook a puxou pela cintura, colando as costas dela em seu peito forte.

— Este rato aqui — Jungkook sussurrou no ouvido de Jimin, sua voz carregada de um desdém perigoso — achou que poderia vender as rotas que você desenhou para a tríade russa. Ele acha que, por você ser mulher, seus planos tinham brechas.

O homem no chão levantou o rosto, os olhos inchados de pavor.

— Por favor, senhorita Park! Eu não sabia... eu pensei que eram apenas rascunhos!

Jimin olhou para o homem com uma frieza que surpreendeu até a si mesma. Ela se soltou do abraço de Jungkook e caminhou até o traidor, parando a poucos centímetros dele.

— Meus planos nunca têm brechas, Sr. Han — disse ela, a voz suave como seda, mas afiada como uma navalha. — O que você viu como fraqueza foi, na verdade, a isca. Eu sabia que alguém com o seu perfil de dívidas de jogo não resistiria a um mapa tão "exposto". Você não apenas traiu a Jeon & Kim; você insultou a minha inteligência.

Taehyung sorriu, um brilho de orgulho cruzando seus olhos escuros. Ele se aproximou e entregou a Jimin uma pequena tesoura de jardinagem de prata, um objeto que parecia inofensivo, mas que nas mãos certas era uma mensagem.

— O que fazemos com as ervas daninhas que tentam sufocar as nossas rosas, Jimin? — perguntou Taehyung.

Jimin olhou para a ferramenta e depois para os seus mestres. Ela sabia que aquele era um teste de sua resiliência e de sua integração total ao mundo deles. Ela se inclinou, pegou uma das rosas vermelhas que cresciam perto de Han e cortou o talo com um clique seco.

— Ervas daninhas são arrancadas pela raiz — respondeu ela, entregando a flor cortada para Jungkook. — Mas este homem não é uma erva daninha. Ele é apenas um inseto. Jungkook, Taehyung... eu já cuidei disso.

Os dois homens arquearam as sobrancelhas, curiosos.

— Como assim, pequena? — Jungkook perguntou, brincando com as pétalas da rosa.

— Antes de sair de casa, enviei um comando para o sistema financeiro dele. Todas as contas que ele usou para receber o suborno russo foram congeladas e os fundos redirecionados para o fundo de pensão das viúvas da nossa organização. Além disso — ela deu um passo atrás, olhando para o relógio-algema em seu pulso —, a polícia de Busan deve estar chegando à residência da amante dele em cinco minutos, onde ele escondia os documentos originais. Ele não precisa de uma execução física. A vida dele como ele conhece acabou hoje. Ele passará o resto dos seus dias em uma cela, sabendo que foi derrubado pela mulher que ele subestimou.

Houve um silêncio pesado no jardim, quebrado apenas pelo som do vento nas árvores. Então, Jungkook soltou uma gargalhada alta e sonora, um som de puro deleite. Ele caminhou até Jimin e a levantou do chão em um abraço apertado.

— Magnífica! — exclamou ele. — Você ouviu isso, Tae? Ela destruiu o homem sem nem sujar o vestido branco.

Taehyung aproximou-se, colocando a mão na nuca de Jimin e puxando-a para um beijo profundo e possessivo.

— Você é mais perigosa do que nós dois juntos, meu amor — murmurou ele contra os lábios dela. — E é por isso que você nunca sairá do nosso lado.

Eles deixaram o Sr. Han para ser recolhido pelos seguranças e voltaram para a mansão. O clima de tensão política foi substituído por uma atmosfera densa de desejo e recompensa. Ao entrarem na suíte principal, Jungkook trancou a porta.

— Você foi uma menina muito, muito inteligente hoje — disse Jungkook, começando a desabotoar a camisa. — Mas o contrato diz que toda grande vitória deve ser celebrada com total rendição.

Jimin sentiu o coração acelerar. Ela adorava o poder que exercia no mundo exterior, mas ansiava pela paz que sentia quando entregava esse poder aos dois.

— O que os senhores desejam de mim agora? — perguntou ela, já desfazendo o laço do vestido de linho.

— Queremos que você esqueça o mundo — Taehyung respondeu, sentando-se na poltrona de veludo e indicando o chão à sua frente. — Ajoelhe-se, Jimin. Hoje não haverá ordens de trabalho. Hoje, você será apenas a nossa boneca de seda.

Jimin obedeceu, sentindo o tapete macio sob seus joelhos. O contraste entre a frieza com que destruíra um homem minutos atrás e a doçura com que se entregava aos seus mestres era o que a mantinha sã.

— Jungkook — chamou Taehyung —, traga a caixa de sândalo.

Jungkook trouxe uma caixa de madeira ornamentada. Dentro, havia fitas de seda de várias cores e óleos perfumados.

— Hoje vamos marcar você de uma maneira diferente — Jungkook explicou, ajoelhando-se atrás dela. — Sem correntes, sem joias. Apenas o nosso toque e o seu silêncio.

Eles passaram as horas seguintes em uma exploração sensorial lenta e torturante. Jungkook usava as fitas para restringir levemente os movimentos de Jimin, enquanto Taehyung usava os óleos para massagear cada centímetro de sua pele, sussurrando palavras de louvor e posse. Era um tipo de BDSM que focava na adoração total. Jimin sentia-se como uma divindade sendo venerada por seus sumos sacerdotes, mas uma divindade que pertencia inteiramente a eles.

— Você gosta de ser nossa, não gosta? — Jungkook perguntou, sua voz rouca perto do ouvido dela, enquanto seus dedos traçavam o contorno de sua orelha.

— Mais do que de qualquer outra coisa no mundo — confessou ela, a respiração curta.

— Você é a mente da nossa empresa, o segredo da nossa máfia — continuou Taehyung, beijando o ombro dela — e a dona das nossas noites. Nunca houve ninguém como você, Jimin.

No auge do prazer, quando o mundo parecia se dissolver em cores e sensações, Jimin soube que o contrato que assinara não era um pacto com o diabo, mas um passaporte para uma vida onde ela podia ser tudo o que era: forte, inteligente, implacável e, acima de tudo, amada em sua submissão.

Mais tarde, enquanto jantavam no quarto, servidos por prataria de ouro e cercados por velas, Taehyung entregou-lhe um novo documento.

— O que é isso? — perguntou ela, curiosa.

— Uma alteração no contrato — disse Taehyung. — A partir do próximo mês, você não terá mais um quarto próprio nesta casa. Suas coisas serão movidas permanentemente para esta suíte. O período de adaptação acabou, Jimin. Nós não conseguimos mais dormir sem você entre nós.

Jimin sorriu, sentindo uma onda de felicidade aquecer seu peito.

— Eu já me sentia em casa aqui desde a primeira noite.

— Ótimo — Jungkook disse, servindo mais vinho. — Porque temos planos para uma viagem. Vamos para a nossa ilha privada nas Maldivas. Sem telefones, sem máfia, sem relatórios. Apenas nós três, o oceano e todas as maneiras que ainda não testamos de fazer você perder a voz de tanto prazer.

— Parece um plano perfeito — Jimin concordou, levantando sua taça.

— Para a nossa Sentinela — brindou Taehyung.

— Para a nossa mulher — completou Jungkook, seus olhos brilhando com uma promessa de possessividade eterna.

Naquela noite, sob o brilho da lua que entrava pela janela, Jimin dormiu sabendo que, embora as pétalas do seu mundo fossem tingidas de sangue e perigo, o veludo que a envolvia era o amor incondicional — e deliciosamente controlador — de Jeon Jungkook e Kim Taehyung. Ela era a peça final do quebra-cabeça deles, e o jogo estava apenas começando.