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Taekookmin

Fragilidade de Seda e Ferro

A chuva batia contra as janelas de vidro duplo da cobertura, um som abafado que contrastava com o silêncio absoluto do interior. Park Jimin, geralmente a personificação da eficiência e do vigor, sentiu o mundo girar quando tentou se levantar da cama. Sua cabeça pesava como se fosse feita de chumbo e uma onda de calor alternava-se com calafrios que faziam seus dentes baterem.

Ela olhou para o lado e viu que o espaço entre Jungkook e Taehyung estava vazio. Eles haviam saído cedo para uma reunião de emergência no porto, algo sobre um carregamento interceptado que exigia a presença física dos dois chefes da máfia. Jimin tentou alcançar o celular na mesa de cabeceira, mas seus dedos pareceram desobedecer, e ela apenas desabou de volta nos travesseiros de seda, soltando um gemido baixo e sôfrego.

— Droga... — sussurrou ela, a garganta arranhando como se tivesse engolido areia.

Pela primeira vez em anos, seu corpo havia cedido. O estresse acumulado das últimas semanas, as noites de pouco sono e a intensidade da nova dinâmica BDSM haviam finalmente cobrado o preço. Jimin, a mulher que não se deixava intimidar por armas ou contratos milionários, estava sendo derrotada por uma gripe severa.

Cerca de três horas depois, a porta da suíte master foi aberta com uma urgência controlada. Jungkook entrou primeiro, ainda vestindo o sobretudo preto molhado pela chuva, seguido por Taehyung, que falava baixo ao telefone. Ambos pararam abruptamente ao verem a figura pequena encolhida sob as cobertas, o rosto pálido contrastando com as bochechas coradas pela febre.

— Jimin? — Jungkook aproximou-se rapidamente, jogando o casaco em uma poltrona qualquer. Ele sentou-se na beira da cama e colocou a mão tatuada na testa dela. — Maldição, você está fervendo.

Taehyung desligou o telefone imediatamente e se aproximou do outro lado, sua expressão calma sendo substituída por uma preocupação genuína e intensa.

— Por que você não nos ligou, querida? — perguntou Taehyung, sua voz profunda suavizada pela ternura. Ele afastou os cabelos loiros e suados do rosto dela.

— Eu... eu tentei — Jimin murmurou, abrindo os olhos com dificuldade. Sua voz estava pequena, quase infantil. — Mas o celular parecia tão longe... e eu me sinto tão estranha.

Jungkook rosnou baixo, uma mistura de raiva por não estar lá e instinto protetor.

— Você não deveria ter saído da cama nem para tentar pegar o celular. Taehyung, ligue para o Dr. Kang. Diga a ele que, se ele não estiver aqui em quinze minutos, eu mesmo vou buscá-lo pelos cabelos.

— Já estou discando — respondeu Taehyung, mantendo os olhos fixos em Jimin. — Calma, boneca. Nós estamos aqui agora.

Jimin, em seu estado febril, sentiu uma carência que raramente se permitia demonstrar. Ela estendeu a mão trêmula em direção a Jungkook, agarrando a manga da camisa social dele.

— Não vai embora... — pediu ela, os olhos brilhando com lágrimas involuntárias causadas pelo mal-estar. — Por favor, não me deixa sozinha.

Jungkook sentiu o coração apertar. Ver sua submissa, sua "Sentinela" implacável, naquele estado de vulnerabilidade total, despertava nele um lado possessivo e cuidador que beirava a obsessão.

— Eu não vou a lugar nenhum, Jimin — prometeu ele, tirando os sapatos e subindo na cama, ainda de roupa social, para puxá-la para o seu colo. — Nem eu, nem o Tae. Você é nossa prioridade absoluta.

O médico chegou em tempo recorde. Após um exame rápido, confirmou que era uma exaustão severa combinada com uma infecção viral. Ele prescreveu repouso absoluto, hidratação e medicação intravenosa para baixar a febre mais rapidamente.

— Ela precisa de cuidado constante nas próximas quarenta e oito horas — disse o Dr. Kang, sentindo o peso do olhar intimidador de Taehyung sobre si. — A febre pode causar delírios leves, e ela estará muito sensível.

— Nós cuidaremos dela — Taehyung afirmou, com um tom que não admitia contestação. — Pode ir. Envie as enfermeiras para o andar de baixo caso precisemos de suprimentos, mas ninguém entra neste quarto além de nós.

Assim que o médico saiu, a suíte transformou-se em um santuário de cuidados. Taehyung, sempre o mais metódico, encarregou-se de preparar caldos leves e garantir que ela bebesse água, enquanto Jungkook recusava-se a soltá-la.

— Beba só mais um pouco, meu amor — pediu Taehyung, segurando um copo com um canudo de cristal perto dos lábios dela.

Jimin virou o rosto, manhosa.

— Não quero... tem gosto de remédio.

— Jimin — a voz de Jungkook soou como um comando baixo, mas carregado de carinho —, obedeça ao Taehyung. Você precisa se hidratar para que a febre vá embora. Se você for uma boa menina e beber tudo, eu deixo você dormir no meu peito a tarde toda.

A promessa de conforto físico foi o suficiente para convencê-la. Ela bebeu o conteúdo, fazendo uma careta adorável que fez os dois homens sorrirem discretamente.

— Boa menina — elogiou Taehyung, limpando o canto da boca dela com um lenço de seda.

À medida que a medicação fazia efeito, Jimin entrava e saia de um estado de sonolência. Em sua mente nublada pela febre, as barreiras da secretária executiva e da estrategista da máfia haviam desaparecido completamente, restando apenas a submissa que ansiava por toque e validação.

— Kook... — ela chamou, a voz manhosa, esfregando o rosto no peito dele.

— Estou aqui, pequena. O que foi?

— Minhas pernas doem... e eu estou com frio.

Jungkook olhou para Taehyung, que já estava se despindo para ficar apenas com roupas confortáveis.

— Vamos dar um banho morno nela para estabilizar a temperatura — sugeriu Taehyung. — Depois a enrolamos em cobertores.

Levar Jimin até a banheira imensa foi um processo delicado. Ela estava tão fraca que mal conseguia manter a cabeça erguida, pendendo contra o ombro de Taehyung enquanto Jungkook a despia com uma reverência que nada tinha de sexual naquele momento, e sim de puro zelo.

— Está muito quente! — reclamou ela quando a água tocou sua pele, embora a temperatura estivesse perfeita.

— Shh... calma — sussurrou Jungkook, entrando na água com ela para segurá-la. — Eu estou aqui. Não vou deixar você escorregar.

Jimin choramingou, escondendo o rosto no pescoço de Jungkook.

— Eu odeio ficar doente. Eu me sinto inútil. Vocês devem estar bravos porque eu não terminei o relatório de Busan...

Taehyung, que estava ajoelhado ao lado da banheira usando uma esponja macia para lavar os ombros dela, parou o que estava fazendo. Ele segurou o queixo dela, forçando-a a olhar para ele.

— Park Jimin, olhe para mim — ordenou ele, sua voz assumindo aquela autoridade que a fazia vibrar, mesmo doente. — Você não é uma ferramenta. Você não é apenas uma funcionária. Você é nossa. Se o mundo inteiro queimar porque você precisa de três dias de repouso, nós deixaremos que queime. Entendeu?

Jimin assentiu lentamente, as lágrimas finalmente caindo.

— Sim, senhor Kim...

— Ótimo. Agora, relaxe. Deixe que cuidemos de você.

Após o banho, eles a vestiram com uma das camisetas de algodão de Jungkook, que ficava enorme nela, parecendo um vestido. A cama havia sido refeita com lençóis limpos e aquecidos. Jimin foi colocada no centro, e os dois homens se posicionaram um de cada lado, criando um casulo de calor humano.

— Taehyung? — ela chamou, estendendo a mão por baixo das cobertas.

Ele a segurou imediatamente, entrelaçando seus dedos.

— Estou aqui, querida.

— Você pode... você pode ler para mim? Minha cabeça dói se eu tento pensar em qualquer coisa.

Taehyung sorriu de lado, um gesto raro de pura doçura. Ele pegou um livro de poesias clássicas que estava na estante próxima. Sua voz profunda e aveludada começou a preencher o quarto, as palavras fluindo como música, acalmando os sentidos agitados de Jimin.

Enquanto Taehyung lia, Jungkook fazia carícias rítmicas nas costas de Jimin, sentindo a respiração dela finalmente se estabilizar.

— Ela adormeceu — sussurrou Jungkook algum tempo depois, observando o peito dela subir e descer calmamente.

Taehyung fechou o livro e suspirou, recostando a cabeça na cabeceira da cama.

— Ela nos assustou, Jungkook. Eu nunca a vi tão frágil.

— Ela se doa demais — Jungkook respondeu, apertando Jimin um pouco mais contra si. — Ela tenta ser a Sentinela vinte e quatro horas por dia. Precisamos lembrá-la mais vezes de que, aqui dentro, ela não precisa carregar o peso do mundo.

— Nós vamos — afirmou Taehyung. — A partir de agora, o contrato terá uma nova regra não escrita: o descanso dela é tão obrigatório quanto a nossa proteção.

No meio da noite, a febre de Jimin teve um último pico. Ela começou a se agitar, murmurando nomes e números, perdida em um pesadelo sobre carregamentos perdidos e traições.

— Não... o porto... eles vão descobrir... — ela balbuciava, o suor voltando a brilhar em sua testa.

Jungkook acordou instantaneamente.

— Jimin, acorde. É apenas um sonho.

Ela abriu os olhos, mas eles estavam desfocados.

— Senhor Jeon? Eu perdi os documentos... por favor, não me castigue... eu vou fazer melhor...

O coração de Jungkook se partiu ao ouvir o medo na voz dela. Ele a puxou para sentar em seu colo, balançando-a suavemente.

— Shh, meu amor. Olhe para mim. Sou eu, o seu Jungkook. Não há documentos, não há punição. Você está em casa. Você está segura.

Taehyung também acordou e rapidamente pegou uma toalha úmida e fria, colocando-a na nuca dela.

— Respire conosco, Jimin — disse Taehyung, sua voz firme servindo como uma âncora. — Um... dois... três... sinta o meu cheiro. Sinta o calor do Jungkook. Nada pode te tocar aqui.

Lentamente, a lucidez voltou aos olhos castanhos dela. Ela focalizou os dois rostos preocupados acima dela e soltou um soluço de alívio, agarrando-se aos dois como se fossem sua única salvação.

— Eu tive tanto medo — ela soluçou contra o peito de Jungkook.

— Eu sei, boneca. Mas nós temos você. Nós sempre vamos ter você.

Ela ficou manhosa o resto da noite, recusando-se a soltá-los mesmo por um segundo. Se Taehyung tentava se levantar para buscar água, ela segurava sua camisa. Se Jungkook se movia para ajustar o travesseiro, ela resmungava. Eles, longe de se sentirem incomodados, deleitavam-se naquela dependência absoluta. Era a prova final de que a confiança entre eles era total.

Na manhã seguinte, a febre finalmente cedeu. Jimin acordou sentindo-se fraca, mas lúcida. O quarto estava inundado por uma luz suave e o cheiro de café fresco e torradas vinha de um carrinho de serviço próximo à cama.

Jungkook e Taehyung estavam sentados em poltronas ao lado da cama, ambos com laptops no colo, trabalhando em silêncio para não acordá-la. No momento em que ela se mexeu, os dois fecharam os computadores simultaneamente.

— Como se sente, nossa pequena sobrevivente? — perguntou Taehyung, aproximando-se para beijar a ponta do nariz dela.

— Melhor — ela sorriu fraco. — Mas faminta.

— Isso é um ótimo sinal — Jungkook comemorou, pegando uma bandeja de prata. — O chef preparou tudo o que você gosta, mas você só vai comer se prometer que vai ficar na cama o dia todo. Sem e-mails, sem tablets, sem máfia.

— Mas o carregamento de Busan... — ela começou a dizer, por puro instinto profissional.

Taehyung colocou um dedo sobre os lábios dela.

— O carregamento de Busan foi resolvido pelo Namjoon. O mundo continuou girando, Jimin. Sua única tarefa hoje é ser mimada.

Ele começou a alimentá-la na boca, pedaço por pedaço. Jimin sentia-se um pouco envergonhada por ser tratada como uma criança, mas o brilho de adoração nos olhos deles a fazia aceitar o cuidado com prazer.

— Vocês não foram trabalhar por minha causa? — perguntou ela entre uma colherada e outra de iogurte com frutas.

— O trabalho pode esperar — Jungkook respondeu, sentando-se na beira da cama e começando a massagear os pés dela por cima do cobertor. — Nós percebemos que fomos negligentes. Estávamos exigindo demais de você no escritório e na dinâmica.

— Não, eu que quis mostrar que conseguia...

— Nós sabemos que você consegue — Taehyung interrompeu suavemente. — Mas você não precisa provar nada para nós, Jimin. Você já ganhou nossos corações e nossa lealdade muito antes desse contrato ser assinado. O contrato é apenas para formalizar o que já era verdade: você é a nossa vida.

Jimin sentiu as lágrimas voltarem, mas desta vez eram de pura felicidade. Ela se inclinou para frente e beijou Taehyung, depois se virou e beijou Jungkook.

— Eu amo vocês — ela sussurrou, a primeira vez que as palavras saíam de forma tão clara e direta, sem o peso dos títulos ou das regras.

O silêncio que se seguiu foi carregado de emoção. Jungkook limpou uma lágrima solitária que escapou de seu próprio olho, enquanto Taehyung apenas a puxou para um abraço triplo.

— Nós também amamos você, pequena — Jungkook respondeu, sua voz rouca. — Mais do que o poder, mais do que o dinheiro.

O restante do dia foi passado em uma calmaria que Jimin nunca imaginou ser possível na vida de dois chefes da máfia. Eles assistiram a filmes bobos, conversaram sobre o futuro e planejaram a viagem para as Maldivas com mais detalhes. Jimin permaneceu manhosa, aproveitando cada segundo da atenção exclusiva de seus dois homens.

Sempre que ela parecia minimamente desconfortável, Taehyung estava lá com um travesseiro extra ou uma bebida fresca. Sempre que ela sentia um calafrio, Jungkook a envolvia em seus braços poderosos.

Ao anoitecer, Jimin já sentia suas forças retornando, mas não tinha pressa de voltar à sua rotina de "Sentinela". Ela percebeu que a doença, embora debilitante, havia servido para equilibrar a relação. Ela não era apenas a submissa que obedecia ou a secretária que organizava; ela era a mulher que eles amavam e protegiam com a mesma ferocidade com que protegiam seu império.

— Sabe de uma coisa? — Jimin disse, enquanto Taehyung escovava seus longos cabelos loiros com cuidado.

— O quê, querida?

— Eu acho que posso me acostumar com esse lado "manhoso". Mas não contem para o conselho da máfia. Eu tenho uma reputação de gelo a manter.

Jungkook soltou uma risada sombria e deliciada, beijando o ombro dela por cima da camiseta.

— Seu segredo está seguro conosco, boneca. Para o mundo, você continuará sendo a mulher mais perigosa de Seul. Mas aqui dentro... — Ele a deitou suavemente contra os travesseiros. — Aqui dentro, você será sempre a nossa pequena, protegida e infinitamente mimada.

Jimin fechou os olhos, sentindo os lábios de Taehyung em sua testa e os de Jungkook em sua mão. A febre havia ido embora, mas o calor que sentia agora, o calor de pertencer verdadeiramente a Kim Taehyung e Jeon Jungkook, era algo que ela sabia que a manteria aquecida para sempre. O contrato de ouro e sombras havia se transformado em algo muito mais valioso: um laço inquebrável de cuidado e devoção. E enquanto ela dormia, guardada pelos dois homens mais poderosos que já conhecera, Jimin soube que, finalmente, estava exatamente onde deveria estar.