Taekookmin
O Eco do Silêncio e a Promessa de Neve
A Islândia havia sido um sonho tingido de azul glacial e verde esmeralda. Longe da selva de pedra de Seul e da vigilância constante das câmeras de segurança da Jeon-Kim Enterprises, Jimin, Taehyung e Jungkook haviam vivido dez dias de uma liberdade quase dolorosa de tão doce. Não havia "senhor Kim" ou "senhor Jeon". Havia apenas o toque da pele contra a pele sob edredons térmicos, o riso de Jungkook ecoando pelas cavernas de gelo e o olhar contemplativo de Taehyung enquanto observavam a aurora boreal pintar o céu noturno.
Mas o avião particular pousou no Aeroporto de Incheon na manhã de uma terça-feira cinzenta, e a realidade bateu à porta com a sutileza de um martelo.
Jimin sentiu o primeiro solavanco no estômago assim que o carro entrou na garagem subterrânea da empresa. Ela atribuiu ao jet lag. O fuso horário da Islândia para a Coreia era brutal, e seu corpo parecia estar operando em uma frequência diferente da de seus namorados, que já saíram do veículo ajustando os paletós com a energia renovada de quem estava pronto para retomar o trono.
— Você está bem, Minnie? — perguntou Jungkook, parando antes de entrar no elevador privativo. Ele notou a palidez dela, a mão levemente pressionada contra o abdômen. — Você mal tocou no café da manhã no avião.
Jimin forçou um sorriso, ajeitando a gola do seu novo sobretudo de lã.
— Só um pouco de tontura da viagem, Kookie. O café estava forte demais, acho que meu estômago reclamou.
Taehyung, que revisava algumas mensagens no celular, ergueu os olhos e caminhou até ela, envolvendo a cintura de Jimin com um braço e puxando-a para um beijo rápido e protetor no topo da cabeça.
— Assim que chegarmos lá em cima, peça para a sua nova assistente cancelar sua primeira hora de reuniões. Vá para a sala de descanso e beba um chá de gengibre — ordenou Taehyung, o tom de CEO mesclado com a preocupação genuína de um parceiro.
— Eu estou bem, senhor Kim — brincou ela, tentando dissipar a tensão. — Temos muito trabalho acumulado. A ausência de vocês por dez dias deixou os acionistas nervosos.
— Que se danem os acionistas — resmungou Jungkook, embora tenha sorrido quando as portas do elevador se abriram no trigésimo andar.
O retorno foi frenético. A nova assistente de Jimin, uma jovem eficiente chamada Hana, já a esperava com uma pilha de documentos e uma expressão de quem tinha sobrevivido a uma guerra. Jimin mergulhou no trabalho, tentando ignorar a sensação de que o chão sob seus pés estava levemente instável.
No entanto, ao meio-dia, o cheiro de peixe grelhado que vinha do refeitório executivo subiu pelo corredor e atingiu o nariz de Jimin como um golpe físico. Ela sentiu uma onda súbita de náusea, tão intensa que precisou cobrir a boca com a mão e correr para o banheiro privativo de sua sala.
Ela se ajoelhou diante do vaso sanitário, o corpo tremendo enquanto a bile subia. Quando finalmente conseguiu respirar, lavou o rosto com água gelada, encarando o próprio reflexo no espelho. Suas bochechas, geralmente coradas, estavam pálidas, e seus olhos pareciam maiores, mais profundos.
— Não pode ser — sussurrou para si mesma, o coração martelando contra as costelas. — Foi apenas o estresse da volta. Ou a comida islandesa.
Ela tentou fazer as contas mentalmente. Sua menstruação estava atrasada? Com a rotina caótica dos últimos meses e a preparação para a viagem, ela mal tinha prestado atenção ao calendário. Ao pegar o celular e abrir o aplicativo de saúde, o sangue pareceu fugir de suas extremidades.
Oito dias de atraso.
Jimin sentou-se no chão frio do banheiro, a mente girando. Ela, Taehyung e Jungkook sempre foram cuidadosos, mas na Islândia... naquela cabana isolada perto de Vik, onde o vinho era quente e a paixão era urgente, as precauções haviam ficado em segundo plano em uma ou duas ocasiões. Eles eram uma família, um triângulo inquebrável, mas a ideia de um quarto elemento... de um bebê... era algo que eles nunca haviam discutido seriamente.
Como os dois CEOs mais cobiçados da Ásia reagiriam a isso? E a máfia? A segurança deles já era um pesadelo logístico. Um filho tornaria tudo infinitamente mais perigoso.
Uma batida suave na porta do banheiro a fez pular.
— Jimin? Você está aí dentro há vinte minutos.
Era a voz de Taehyung. Calma, mas com aquele subtexto de observação aguçada que ele sempre possuía.
Jimin levantou-se rapidamente, limpou o rosto e abriu a porta. Taehyung estava parado ali, com as mãos nos bolsos da calça social, examinando-a de cima a baixo.
— Você está branca como um papel, meu amor — disse ele, dando um passo para dentro e fechando a porta atrás de si. — O que está acontecendo? Não me diga que é apenas o café.
— Eu... eu acho que peguei uma virose, Tae — mentiu ela, a voz saindo um pouco mais aguda do que o normal. — O clima na Islândia era muito diferente, meu sistema imunológico deve ter sentido a mudança.
Taehyung estreitou os olhos. Ele estendeu a mão e tocou a testa dela, depois deslizou os dedos pela curva do seu pescoço, sentindo o pulso acelerado.
— Você está nervosa. Seu coração está batendo como o de um pássaro enjaulado.
— É só o trabalho acumulado, eu juro.
Antes que ele pudesse questionar mais, a porta da sala de Jimin se abriu com estrondo. Jungkook entrou, parecendo irritado com algum relatório, mas parou instantaneamente ao ver os dois no banheiro.
— O que houve? Jimin, você está doente? — Ele atravessou a sala em dois passos, o instinto protetor e impulsivo assumindo o controle. — Chega. Vou mandar o motorista preparar o carro. Você vai para casa agora e eu vou chamar o Dr. Kang.
— Não! — Jimin exclamou, talvez com força demais. — Não precisa de médico, Jungkook. Eu só preciso de um pouco de ar. Eu vou sair para almoçar, caminhar um pouco. O escritório está me deixando sufocada hoje.
Jungkook e Taehyung se olharam. Eles se comunicavam em silêncio, uma habilidade polida por anos de relacionamento. Havia algo errado, e ambos sabiam, mas Jimin estava claramente na defensiva, e seu orgulho era uma barreira que eles haviam aprendido a respeitar — até certo ponto.
— Tudo bem — disse Taehyung, suavizando o tom. — Vá. Mas leve um dos seguranças com você, mesmo que ele fique à distância. E se não se sentir melhor em duas horas, nós vamos buscar você, quer você queira ou não.
Jimin assentiu, pegando sua bolsa com as mãos levemente trêmulas. Ela precisava sair dali. Precisava de uma farmácia.
Caminhar pelas ruas de Gangnam com um segurança a dez metros de distância não era exatamente o cenário ideal para comprar um teste de gravidez, mas Jimin era mestre em discrição. Ela entrou em uma grande loja de departamentos, fingindo olhar maquiagens, e deslizou para a seção de farmácia no subsolo, pegando três marcas diferentes e pagando no caixa automático.
De volta à cobertura, que estava vazia àquela hora da tarde, o silêncio parecia pesar toneladas. Jimin foi direto para o banheiro da suíte master.
Os minutos de espera foram os mais longos de sua vida. Ela ficou sentada na borda da banheira, observando os pequenos dispositivos sobre o mármore. O primeiro mostrou um sinal de positivo quase instantaneamente. O segundo, digital, exibiu as palavras "Grávida 2-3 semanas". O terceiro apenas confirmou o que sua intuição já gritava.
Jimin cobriu a boca com as mãos, as lágrimas finalmente transbordando. Não era uma lágrima de tristeza, nem puramente de alegria. Era o medo do desconhecido. Ela amava aqueles dois homens com cada fibra de seu ser, mas eles viviam em um mundo de sombras e aço. Um bebê era vulnerabilidade. Um bebê era uma mudança que não permitia volta.
Ela ouviu o som do elevador privativo chegando à cobertura. Eram eles. Eles haviam voltado cedo, provavelmente preocupados demais para trabalhar.
Jimin limpou o rosto apressadamente, mas não teve tempo de esconder os testes. A porta do quarto se abriu e Jungkook entrou primeiro, já tirando o paletó, seguido por Taehyung.
— Minnie? Você está aqui? — Jungkook chamou, sua voz ecoando pelo quarto espaçoso.
Eles a encontraram no banheiro. Jimin estava de pé, encostada na pia, os olhos vermelhos e o rosto manchado de lágrimas.
— Ei, o que foi? A dor piorou? — Jungkook correu até ela, segurando seus ombros.
Taehyung, porém, não olhou para o rosto dela primeiro. Seus olhos observadores captaram os objetos sobre a pia. Ele ficou imóvel, o ar parecendo abandonar seus pulmões.
— Jimin... — a voz de Taehyung era um sussurro rouco, carregado de uma emoção que Jimin raramente via.
Jungkook seguiu o olhar de Taehyung. O silêncio que se seguiu foi absoluto. O CEO impulsivo e protetor, que sempre tinha uma resposta pronta, parecia ter sido atingido por um raio. Ele olhou para os testes, depois para Jimin, e depois para Taehyung.
— Isso... isso é o que eu acho que é? — perguntou Jungkook, a voz falhando, a mão soltando o ombro de Jimin para pairar, incerta, no ar.
— Eu não planejei isso — começou Jimin, a voz embargada. — Eu sei que o momento é terrível, com a Sora tentando nos atacar e a fusão com o Grupo Min, e eu sei que o mundo em que vivemos não é seguro para...
— Pare — interrompeu Taehyung. Ele deu um passo à frente, aproximando-se dela com uma lentidão quase reverente. Ele pegou um dos testes, lendo o resultado digital. Seus olhos brilharam. — Não diga que o momento é terrível.
Jungkook, recuperando-se do choque, soltou uma risada curta e nervosa, que logo se transformou em um sorriso largo e genuíno. Ele envolveu Jimin em um abraço tão apertado que quase a tirou do chão.
— Um bebê — murmurou Jungkook contra o pescoço dela. — Nosso. Um pequeno humano que vai ter os olhos do Tae e, espero, a sua paciência, Jimin. Ou talvez a minha beleza.
Jimin riu entre o choro, sentindo o peso do mundo escorregar de seus ombros.
— Vocês não estão bravos? Ou preocupados?
Taehyung se juntou ao abraço, cercando-os com seus braços longos, formando o círculo perfeito que era a fundação da vida deles.
— Preocupados? Sim, eu sou um Kim, a preocupação é meu estado natural — disse Taehyung, beijando a testa de Jimin com uma ternura infinita. — Mas bravo? Jimin, você acabou de nos dar algo que eu nunca pensei que poderíamos ter. Uma extensão de nós três.
— Nós vamos ter que reforçar a segurança — Jungkook já começou a planejar, o brilho competitivo em seus olhos voltando. — Ninguém toca na nossa família. Eu vou transformar esta cobertura em uma fortaleza. E aquela nova assistente? Ela vai ter que trabalhar o dobro, porque você não vai carregar nem um grampo de papel a partir de amanhã.
— Jungkook, eu sou uma consultora estratégica, não uma boneca de porcelana — protestou ela, embora o carinho na voz fosse evidente.
— Para nós, você é o tesouro mais precioso deste império — disse Taehyung seriamente, segurando o rosto dela com as duas mãos. — O mundo lá fora pode ser de aço, Jimin. Mas aqui dentro, nós vamos construir um mundo de veludo para você e para essa criança.
Jimin olhou para os dois — o homem que era sua rocha e o homem que era sua chama. O segredo deles acabara de ganhar uma nova camada, uma muito mais profunda e permanente. A volta da Islândia não era o fim das férias, era o início de uma dinastia.
— O que vamos fazer agora? — perguntou ela, sentindo-se, pela primeira vez em horas, em paz.
Jungkook sorriu, beijando-a nos lábios com paixão, antes de olhar para Taehyung.
— Agora? Agora nós vamos celebrar. E amanhã... amanhã nós mostramos ao mundo que ninguém mexe com o que pertence aos Jeon-Kim.
Naquela noite, sob o céu de Seul que não tinha auroras boreais, mas que brilhava com as luzes da cidade que eles dominavam, Jimin dormiu entre os dois, sentindo as mãos de ambos repousarem protetoramente sobre seu ventre ainda plano. A neve da Islândia havia ficado para trás, mas a promessa que fizeram sob o frio polar agora ardia como uma chama eterna no coração daquela família incomum, porém perfeita.