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Taekookmin

O Trono de Vidro e a Fragilidade do Cristal

A notícia da gravidez transformou a atmosfera da cobertura e dos escritórios da Jeon-Kim Enterprises em algo que Jimin só poderia descrever como um "estado de alerta carinhoso". Se antes Taehyung e Jungkook já eram protetores, agora eles haviam se tornado sombras constantes, cada um à sua maneira. Jungkook havia dobrado a equipe de segurança pessoal de Jimin sem sequer consultá-la, enquanto Taehyung passava horas em chamadas com advogados para criar fundos de investimento e blindagens legais que Jimin mal conseguia processar.

No entanto, o mundo corporativo de Seul não era um lugar para gestações tranquilas, especialmente quando se ocupava o cargo de consultora estratégica de dois dos homens mais poderosos — e invejados — do país.

Jimin estava sentada em sua nova mesa, uma peça de design minimalista que agora ficava dentro da suíte presidencial, compartilhando o espaço com os dois CEOs. Era uma mudança que eles impuseram para "facilitar a comunicação", mas ela sabia que era apenas para que pudessem vigiá-la.

— Jimin, você já tomou suas vitaminas hoje? — A voz de Jungkook ecoou pelo escritório. Ele estava de pé junto à janela, falando ao telefone sobre uma remessa de semicondutores, mas seus olhos estavam fixos nela.

Jimin suspirou, fechando o laptop.

— Jungkook, você me perguntou isso há vinte minutos. Sim, eu tomei. E sim, eu bebi água. E não, eu não estou com fome.

Taehyung, que estava concentrado em alguns documentos na mesa oposta, soltou um riso baixo, sem levantar a cabeça.

— Deixe-a respirar, Jungkook. Se você continuar assim, ela vai acabar nos despedindo da vida dela antes mesmo do primeiro trimestre acabar.

— Eu só estou garantindo que tudo esteja perfeito — rebateu Jungkook, desligando o celular e caminhando até a mesa de Jimin. Ele se inclinou, apoiando as mãos na superfície de madeira e olhando-a com aquela intensidade que sempre fazia o coração dela errar uma batida. — Como você está se sentindo? A náusea passou?

— Passou, Kookie. O chá que o Tae pediu para prepararem hoje cedo ajudou muito — Jimin estendeu a mão e tocou o rosto dele, suavizando a linha tensa de sua mandíbula. — Mas vocês precisam agir normalmente. Se continuarem me tratando como se eu fosse feita de cristal, as pessoas vão começar a fazer perguntas que ainda não estamos prontos para responder.

Taehyung levantou-se e caminhou até eles, parando ao lado de Jimin. Ele deslizou a mão pelas costas da cadeira dela, um gesto possessivo e protetor.

— Ela tem razão. A saída abrupta da Kang Corp criou um vácuo de fofocas. A imprensa está circulando como tubarões. Se eles perceberem qualquer mudança na dinâmica interna, vão cavar até encontrar o que não devem.

— Falando na Kang Corp — Jimin disse, sua expressão tornando-se profissional —, recebi um alerta do departamento jurídico. Kang Sora entrou com uma representação alegando quebra de contrato abusiva. Ela quer uma auditoria completa nos nossos processos de licitação dos últimos dois anos.

Jungkook soltou um palavrão baixo.

— Ela não sabe a hora de parar. Aquela mulher está brincando com fogo.

— Ela não quer apenas o dinheiro da multa — analisou Taehyung, seus olhos obscurecendo. — Ela quer nos desestabilizar. Ela sabe que algo mudou. Aquele encontro na sala de reuniões... ela viu algo nos seus olhos, Jungkook. E nos meus.

Jimin sentiu um arrepio. Ela conhecia o lado "mafioso" dos dois. Sabia que a Jeon-Kim Enterprises não era apenas uma gigante da tecnologia e logística; havia raízes profundas em negócios que não apareciam nos relatórios anuais. A proteção deles era absoluta, mas o mundo em que viviam era implacável.

— Deixe que ela tente — disse Jungkook, o tom de voz tornando-se frio e letal. — Se ela tocar em um fio de cabelo da Jimin ou tentar expor nossa família, eu mesmo garantirei que a Kang Corp desapareça do mapa antes do pôr do sol.

— Vamos manter a cabeça fria — interveio Jimin, levantando-se e colocando-se entre os dois. — Temos o contrato com o Grupo Min. Eles são nossos aliados agora. Precisamos focar no lançamento em Busan e manter as aparências. Hoje à noite temos o jantar de gala da Fundação de Caridade. É a primeira aparição pública desde a Islândia.

Taehyung tocou o queixo de Jimin, forçando-a a olhá-lo.

— Você tem certeza de que quer ir? Podemos inventar uma desculpa. O barulho, as câmeras... pode ser demais para você agora.

— Eu vou — afirmou Jimin com determinação. — Se eu não for, Sora vai achar que me venceu. Eu sou a consultora de vocês. Vou estar lá, ao lado de vocês, como sempre estive.

***

O jantar de gala estava deslumbrante. O grande salão do Hotel Shilla brilhava com lustres de cristal e a elite de Seul desfilava em vestidos de seda e ternos sob medida.

Jimin usava um vestido de veludo azul-marinho profundo, com um corte império que disfarçava perfeitamente qualquer sinal incipiente de sua condição, mas que realçava sua elegância natural. Taehyung e Jungkook caminhavam um de cada lado dela, como dois guardiões silenciosos. A presença dos três sempre chamava atenção, mas naquela noite, havia uma eletricidade diferente no ar.

— Mantenham os sorrisos — sussurrou Jimin, cumprimentando um embaixador com um aceno gracioso. — As câmeras estão focadas em nós.

— Eu odeio essas luzes — resmungou Jungkook por entre os dentes, embora seu sorriso para os fotógrafos fosse impecável. — Sinto como se estivessem tentando ler meus pensamentos.

— Apenas foque em mim — disse Taehyung, sua voz calma servindo de âncora para os dois.

Eles se moveram pelo salão com a precisão de uma unidade bem treinada. Jimin gerenciava as conversas, introduzindo os CEOs aos contatos certos, enquanto Taehyung mantinha a diplomacia e Jungkook a autoridade. No entanto, o inevitável aconteceu quando estavam perto do buffet de champanhe.

— Ora, se não é o trio dinâmico da indústria coreana.

Kang Sora apareceu, vestindo um dourado metálico que parecia uma armadura. Ela segurava uma taça de cristal, mas seus olhos estavam fixos em Jimin.

— Senhorita Kang — cumprimentou Taehyung, sua voz tão fria quanto o gelo da Islândia. — Achei que estivesse ocupada com seus advogados.

— Advogados trabalham enquanto eu me divirto, Taehyung — respondeu ela, dando um passo em direção a Jimin. — Você parece... radiante, senhorita Park. Ou deveria dizer, Consultora Park? A promoção veio rápido. Quase tão rápido quanto o fim da nossa parceria.

— A competência costuma acelerar processos, senhorita Kang — Jimin respondeu com um sorriso educado que não chegava aos olhos. — Algo que imagino que sua empresa esteja sentindo falta ultimamente.

Sora estreitou os olhos, a raiva brilhando sob a superfície. Ela se inclinou para a frente, diminuindo a distância, ignorando o rosnado baixo que emanava de Jungkook.

— Você acha que ganhou, não é? Acha que esse pequeno arranjo que vocês têm vai durar. Mas eu conheço o mundo deles, Jimin. Eles são homens que devoram o que amam. E você... você parece tão frágil hoje. Quase como se estivesse carregando um segredo pesado demais para seus ombros delicados.

Jimin sentiu o sangue congelar. Sora não sabia, não podia saber. Era apenas uma provocação, um tiro no escuro. Mas a mão de Jungkook instantaneamente pousou na base das costas de Jimin, e Taehyung deu um passo protetor, fechando o espaço.

— Sora — disse Jungkook, sua voz soando como um trovão distante —, você está ultrapassando limites que não pode pagar. Sugiro que volte para sua mesa antes que eu decida que este jantar perdeu a graça.

— Limites? — Sora riu, um som estridente. — O limite foi cruzado quando vocês colocaram uma secretária acima dos interesses de estado. O mercado está comentando, sabiam? Dizem que os grandes leões da Jeon-Kim foram domesticados.

— Domesticados, não — corrigiu Taehyung, seus olhos brilhando com uma promessa perigosa. — Apenas mais seletivos com quem permitimos em nossa presença. Com licença.

Eles se afastaram, deixando Sora para trás, mas o dano estava feito. O encontro deixou Jimin trêmula. Ela sentiu uma pontada de desconforto no abdômen, talvez pelo estresse, e o ar do salão pareceu ficar subitamente escasso.

— Eu preciso de um minuto — sussurrou Jimin. — Vou ao toalete. Por favor, fiquem aqui. Se sairmos os três juntos agora, vai parecer uma fuga.

— Eu vou com você — disse Jungkook imediatamente.

— Não, Jungkook. Fique aqui com o Tae. Conversem com o Diretor Han. Eu volto em cinco minutos. Eu prometo.

Relutantes, eles a deixaram ir. Jimin caminhou em direção à área mais silenciosa do hotel. Ao entrar no toalete luxuoso e vazio, ela se apoiou na pia de mármore, respirando fundo.

— Calma, pequeno — murmurou ela, tocando o ventre. — Está tudo bem. Eles são apenas barulho.

Ela lavou o rosto com água fria e retocou o batom. Ela precisava ser forte. Pelos dois, e pelo bebê. Quando estava prestes a sair, a porta se abriu e uma figura inesperada entrou. Não era Sora, mas sim o braço direito de seu pai, um homem que Jimin conhecia desde a infância, mas que não via há anos: o Sr. Choi, um dos conselheiros da "família" — a parte da vida de Taehyung e Jungkook que raramente cruzava com o escritório.

— Senhorita Park — disse o homem, fazendo uma reverência formal. — Os senhores Kim e Jeon pediram que eu ficasse por perto. Eles sentiram que o ambiente estava ficando... hostil.

Jimin relaxou ligeiramente.

— Obrigada, Sr. Choi. Eu já estava voltando.

— Senhorita — ele a chamou antes que ela saísse —, o mundo em que eles operam não perdoa fraquezas. Mas o que a senhorita carrega agora... é a maior força que eles já tiveram. Não deixe que pessoas como a senhorita Kang a façam esquecer disso.

Jimin assentiu, sentindo um novo vigor. Ela voltou para o salão e encontrou Taehyung e Jungkook exatamente onde os deixara, embora ambos parecessem prontos para derrubar as portas se ela demorasse mais um segundo.

— Estou aqui — disse ela, deslizando entre eles e pegando a mão de cada um por um breve momento sob a proteção da mesa.

— Vamos embora — disse Taehyung. — Já cumprimos nossa cota de diplomacia por uma noite.

***

De volta à segurança da cobertura, o silêncio era um alívio. Jungkook ajudou Jimin a tirar os sapatos, enquanto Taehyung preparava um chá relaxante.

— Sora é um problema que eu vou resolver amanhã — afirmou Jungkook, sentado no tapete aos pés de Jimin, massageando seus tornozelos. — Ela não vai mais chegar perto de você.

— Ela desconfia, Tae — Jimin disse, olhando para o homem que trazia a xícara de chá. — Ela sentiu a mudança.

— Deixe que desconfie — Taehyung sentou-se ao lado dela no sofá, puxando-a para o seu peito. — Em alguns meses, não será mais um segredo. Teremos que anunciar, Jimin. Não o nosso relacionamento completo, talvez, mas a existência do herdeiro.

— E como faremos isso? — perguntou ela. — "A consultora estratégica está esperando um filho dos dois CEOs"? A Coreia vai entrar em colapso.

Jungkook soltou uma risada, beijando o joelho dela.

— Deixe que entrem em colapso. Nós somos a Jeon-Kim. Nós definimos as regras. Se dissermos que você é a mulher das nossas vidas, o mundo terá que aceitar ou se afogar na própria inveja.

Jimin sorriu, sentindo o calor dos dois a envolvendo.

— Eu só quero que ele, ou ela, seja seguro.

— Será — prometeu Taehyung, a voz vibrando com uma determinação absoluta. — Eu passaria por cima de qualquer império para garantir isso. E o Jungkook destruiria o que sobrasse.

Jimin fechou os olhos, sentindo-se finalmente em casa. O trono de vidro em que viviam podia ser frágil para quem olhava de fora, mas por dentro, era feito do aço mais resistente que existia: o amor de três pessoas que não tinham medo de desafiar a realidade.

Naquela noite, enquanto a lua de Seul observava a cidade, Jimin não era apenas a secretária, a consultora ou a namorada secreta. Ela era o centro de um universo que estava prestes a se expandir. E enquanto tivesse Taehyung e Jungkook ao seu lado, ela sabia que nenhuma Kang Sora ou escândalo de imprensa poderia derrubá-la.

— Amanhã — murmurou Jungkook, já quase dormindo com a cabeça no colo dela — vamos começar a decorar o quarto do bebê. Quero que tenha as cores da Islândia.

Jimin e Taehyung trocaram um olhar cúmplice e divertido. O caos estava longe de terminar, mas, por agora, a paz era tudo o que importava. E no silêncio da cobertura, o futuro parecia, pela primeira vez, algo que eles não precisavam apenas planejar, mas sim celebrar.

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