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Tf is This???

Erupções, Confissões e o Fim das Aparências

A manhã de quinta-feira começou com um estrondo que ecoou por todo o pátio da escola, muito antes do primeiro sinal tocar. Kael, com sua habitual aura de dono do mundo, estava encostado em seu carro de luxo, segurando o braço de Mizi com uma força que ela claramente não estava apreciando.

— Você está sendo ridícula, Mizi! — Kael exclamou, a voz atraindo olhares curiosos dos alunos que chegavam. — Só porque eu não pude ir ao shopping ontem? Eu sou o capitão do time, tenho responsabilidades!

Mizi, que segurava seu copo de café com uma mão e tentava se soltar com a outra, soltou um riso curto e seco, carregado daquele sarcasmo que fazia os rapazes da escola tremerem.

— Responsabilidades? Kael, você é um projeto de babaca com complexo de superioridade. — Ela puxou o braço com força, libertando-se. — Eu não estou brava porque você não foi. Eu estou brava porque percebi que passar a tarde com o Ivan e o esquisito do Till foi dez vezes mais interessante do que qualquer conversa que eu já tive com você.

— O quê? Você está me comparando com aqueles perdedores? — Kael deu um passo à frente, tentando intimidá-la.

— Não estou comparando, estou decidindo. — Mizi ajeitou a gola da blusa social, deixando o último botão aberto como de costume. — Acabou, Kael. A gente terminou. De verdade. Vai procurar alguma líder de torcida que suporte esse seu ego inflado.

— Mizi, espera! — Kael tentou segurá-la novamente, o rosto pálido agora manchado de um vermelho de raiva e desespero. — Eu te amo, porra! Eu faço tudo por você! Me desculpa, eu...

Mizi virou-se, os olhos dourados brilhando com um desprezo gélido que silenciou o rapaz.

— Vai se foder, Kael. — Ela disse, simples e direta. — E não encosta mais em mim se não quiser que eu use esse salto pra furar o seu pé.

Ela saiu andando, os saltos batendo no asfalto com uma confiança renovada, deixando Kael parado ali, sendo o centro das atenções pelo motivo errado pela primeira vez na vida.

No intervalo, o clima na escola era elétrico. A notícia do término havia se espalhado como um vírus. Mizi não conseguia dar dois passos sem que algum garoto aleatório tentasse "confortá-la" ou oferecer um ombro amigo, claramente interessados em ocupar a vaga deixada por Kael.

Luka havia faltado, provavelmente em alguma conferência de jovens cientistas ou algo igualmente nerd, então o grupo estava desfalcado. Ivan, no entanto, estava em sua glória, usando o caos para irritar Till mais do que o normal.

— Viu só, Till? O trono está vago! — Ivan ria, dando tapinhas no ombro do garoto de cabelos cinzas. — Se você correr agora, talvez consiga ser o número 45 na fila de pretendentes dela.

— Cala a boca, Ivan! — Till resmungou, chutando o pé da mesa. — Eu não vou entrar em fila nenhuma. E ela acabou de terminar, deixa a garota em paz.

— Você é um frouxo — Ivan provocou, piscando para Hyuna, que estava sentada ao lado de Sua.

Hyuna e Sua conversavam em voz baixa. Sua parecia ainda mais retraída que o habitual, processando a notícia do término. Mizi estava solteira. O pensamento era aterrorizante e excitante ao mesmo tempo, mas a melancolia de Sua logo a lembrou de que nada mudava para ela.

De repente, a própria Mizi apareceu no canto onde o grupo costumava ficar. Ela parecia exausta, com a gravata mais frouxa que o normal e o cabelo rosa um pouco bagunçado.

— Pelo amor de Deus, me digam que eu posso sentar aqui com vocês — Mizi disse, jogando-se no banco ao lado de Sua sem nem pedir licença. — Minhas amigas faltaram e eu não aguento mais ter homem respirando no meu pescoço. Se mais um cara me perguntar se eu "estou bem e preciso de companhia", eu vou cometer um crime.

Ivan soltou uma gargalhada, mas Hyuna apenas sorriu.

— Fica à vontade, rainha. Aqui o único perigo é o mau humor do Till — disse Hyuna.

— Ei! — Till protestou, mas logo se calou quando Mizi olhou na direção dele.

Pouco depois, Ivan fez sinal para Hyuna.

— Ei, Hyuna, vem cá um segundo. Preciso te mostrar o que esse idiota do Till escreveu na aula de artes.

— Eu não escrevi nada, seu mentiroso! — Till se levantou para perseguir Ivan, e Hyuna, rindo da confusão, seguiu os dois para o outro lado do pátio, deixando Mizi e Sua sozinhas no banco.

O silêncio que se instalou foi pesado, quase palpável. Sua sentia que suas mãos iam começar a suar a qualquer momento. Ela olhava fixamente para o seu caderno de desenhos, sentindo o calor do corpo de Mizi ao seu lado. Mizi, por sua vez, tamborilava os dedos na mesa, sentindo-se estranhamente desconfortável.

"Ela me odeia", Mizi pensou, lembrando da fuga de Sua no banheiro do shopping. "Ela deve me achar uma metida do caralho que só sabe causar drama."

"Ela me acha esquisita", Sua pensava. "Uma nerd melancólica que nem consegue ter uma conversa normal. Ela deve estar aqui só porque não tem opção melhor."

O clima foi quebrado pela aproximação de um garoto chamado Acorn. Ele era pálido, tinha cabelos marrons lisos e olhos gentis. Era o tipo de garoto que passava despercebido, mas que tinha um charme fofo e discreto. Mizi, acostumada com a atenção, já estava preparando uma resposta sarcástica para dispensá-lo, achando que ele vinha falar com ela.

Para a surpresa de todos, Acorn parou na frente de Sua.

— Oi, Sua... — ele começou, a voz um pouco trêmula, mas decidida.

Sua levantou os olhos roxos, confusa.

— Oi, Acorn.

— Eu... eu queria te dizer uma coisa. Eu admiro muito o seu trabalho no clube de artes. E eu acho você uma pessoa incrível, de verdade. — Ele respirou fundo, ganhando coragem. — Eu queria saber se você não gostaria de sair comigo hoje à noite? Para comer algo, ou só caminhar... o que você preferir.

Do outro lado do pátio, Hyuna arregalou os olhos, quase derrubando o celular. Ivan e Till pararam a briga na hora, olhando para a cena como se estivessem vendo um eclipse. Mizi, ao lado de Sua, inclinou a cabeça, observando a cena com uma curiosidade genuína.

Sua entrou em curto-circuito. Ela nunca tinha sido o alvo de uma declaração pública. Sua mente gritava "não", mas seus olhos encontraram os de Mizi por um breve segundo. Em um impulso de puro pânico e desejo de parecer "normal" ou talvez para provar a si mesma que podia seguir em frente, ela abriu a boca.

— Pode... pode ser, Acorn.

O garoto iluminou-se instantaneamente.

— Sério? Nossa, que ótimo! Que horas eu passo na sua casa? Onde você quer ir? Tem um lugar novo de lámen que abriu perto da praça, ou a gente pode ir ver aquele filme de terror que estreou...

Ele começou a falar sem parar, empolgado, enquanto Sua apenas assentia, já se arrependendo amargamente da decisão.

Enquanto Acorn tagarelava, uma garota chamada Ryle se aproximou do banco. Ela era baixa, tinha longos cabelos pretos e olhos rosa claro que pareciam brilhar. Ryle tinha uma reputação de ser decidida e não ligar para o que os outros pensavam. Ela ignorou Acorn, ignorou Sua e parou bem na frente de Mizi.

— Mizi — Ryle disse, a voz clara e sem hesitação.

Mizi olhou para cima, arqueando uma sobrancelha.

— Sim?

— Olha, eu sei que você acabou de terminar com aquele imbecil do Kael. E eu sei que provavelmente é perda de tempo eu estar aqui, porque todo mundo assume que você só gosta de caras, especialmente com o histórico que você tem. — Ryle deu de ombros, mantendo o contato visual. — Mas eu não tenho nada a perder. Eu acho você a garota mais fascinante dessa escola e eu adoraria te conhecer de verdade, longe desse circo todo. O que você acha de sair comigo em vez de perder tempo com esses idiotas que estão na sua cola?

O pátio pareceu congelar. Hyuna cobriu a boca com as mãos. Ivan e Till estavam boquiabertos. Até Acorn parou de falar, olhando para Ryle com surpresa.

Sua sentiu o mundo parar. Ela olhou para Mizi, esperando o "não" cortante, a risada sarcástica ou o comentário desdenhoso que Mizi usava para afastar as pessoas. Ryle também parecia preparada para o fora, com os ombros já levemente tensos para sair dali com dignidade.

Mizi ficou em silêncio por longos segundos. Ela olhou para Ryle, depois para Sua — que parecia estar à beira de um colapso — e então para o resto do pátio. Ela pensou em Kael, pensou na pressão de ser a "garota popular e perfeita", pensou no tédio insuportável de fingir interesse em homens que só viam sua aparência.

Ela estava cansada. Cansada de esconder, cansada de fingir. E, honestamente, a coragem de Ryle a impressionou.

— Sabe de uma coisa, Ryle? — Mizi começou, um sorriso de canto, dessa vez sem um pingo de sarcasmo, surgindo em seus lábios. — Você tem razão. Eu estou cansada de idiotas. E você é a primeira pessoa hoje que não me tratou como um troféu de consolação.

Mizi se levantou, ajeitando a saia curta.

— Eu adoraria sair com você. Me passa seu número.

O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo som do caderno de Sua caindo no chão.

Ryle, que estava pronta para ir embora, ficou estática. Seus olhos rosa se arregalaram.

— Você... você falou sério? — Ryle gaguejou, perdendo a postura firme pela primeira vez.

— Falei. — Mizi piscou para ela, pegando o próprio celular. — E pra quem estiver ouvindo e quiser fofocar: sim, eu gosto de garotas. Agora circulem, o show acabou.

Hyuna soltou um grito abafado de surpresa e alegria. Ivan parecia ter visto um fantasma, e Till estava processando a informação com a velocidade de um computador antigo.

Mas foi Sua quem sentiu o impacto mais profundo. O chão parecia ter sumido sob seus pés. Mizi gostava de garotas. Mizi não era o ideal heterossexual inalcançável que ela imaginava. A revelação foi como uma explosão de luz, mas uma luz que a cegava, porque agora ela estava presa em um encontro com Acorn, enquanto a garota dos seus sonhos acabara de aceitar sair com outra pessoa bem na sua frente.

— A gente se fala, Ryle — Mizi disse, guardando o celular. Ela então se virou para Sua, que ainda estava em choque. — Divirta-se no seu encontro, Sua. O Acorn parece ser um cara legal.

Mizi saiu andando, deixando um rastro de sussurros e choque por onde passava.

Sua olhou para Acorn, que sorria para ela, e depois para a figura de Mizi se afastando. A dor no peito de Sua agora era diferente. Não era mais a dor da impossibilidade, mas a dor da oportunidade perdida por puro medo.

— Então... — Acorn disse, tentando retomar a conversa. — Passo na sua casa às sete?

— É... sete horas — Sua respondeu mecanicamente, sentindo que sua alma tinha acabado de sair do corpo.

Do outro lado do pátio, Hyuna correu até Sua, agarrando seus ombros.

— Sua! Você ouviu isso?! A Mizi! Ela... ela acabou de sair do armário na frente da escola inteira!

— Eu ouvi, Hyuna — Sua disse, a voz oca. — Eu ouvi.

Ivan e Till se aproximaram, ainda em transe.

— Cara... — Ivan murmurou, coçando a nuca. — Essa escola nunca mais vai ser a mesma. O Kael vai ter um infarto quando souber.

— E o Till também — Ivan provocou, tentando aliviar o clima, mas Till nem reagiu. Ele apenas olhava para o lugar onde Mizi estava, com uma expressão de quem acabara de entender que nunca teve a menor chance, mas por motivos completamente diferentes do que imaginava.

Aquele intervalo mudou tudo. As máscaras haviam caído, as verdades haviam sido expostas e o jogo de aparências da escola havia sido destruído por um "sim" inesperado. Mizi caminhava pelos corredores sentindo-se mais leve do que nunca, enquanto Sua sentia o peso de um encontro que ela não queria e de uma esperança que acabara de nascer e ser ferida no mesmo instante.

O palco estava montado para um novo ato, e dessa vez, ninguém sabia o roteiro.

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