Voltar ao resumo

Tf is This???

Ecos de Vidro e Suspiros de Algodão

A ausência de Mizi na escola era como um vácuo que sugava toda a cor do ambiente. Para Sua, os dois dias seguintes ao incidente na sala de artes foram um teste de resistência psicológica. Ela vagava pelos corredores com a sensação de que todos podiam ler em seu rosto o que havia acontecido, mas a verdade é que ninguém parecia notar nada além do fato de que a "Rainha da Escola" tinha tirado uma licença médica.

Till e Ivan estavam mais barulhentos do que nunca, discutindo sobre alguma banda nova, enquanto Hyuna tentava, sem sucesso, arrancar informações de Sua.

— Ela não te mandou nenhuma mensagem? Nem um "oi, não morri"? — perguntou Hyuna, debruçada sobre a mesa do refeitório.

— Nada — respondeu Sua, cutucando uma salada murcha. — Talvez ela tenha se arrependido. Ou talvez tenha sido só um delírio meu.

Até mesmo Acorn tentou se aproximar, com aquele jeito doce e persistente que agora só servia para irritar Sua.

— Ei, Sua, a gente ainda vai ver aquele filme? — ele perguntou, com um sorriso esperançoso.

— Agora não, Acorn. Eu realmente não estou a fim — ela cortou, sem sequer olhar para ele, sentindo-se um lixo por ser tão ríspida, mas incapaz de fingir interesse.

Naquela noite, o quarto de Sua estava mergulhado no silêncio habitual, quebrado apenas pelo som da chuva fina contra o vidro. Ela estava deitada, encarando o teto, quando ouviu um ruído seco. *Clac.* Algo havia batido em sua janela.

Ela franziu o cenho, levantando-se devagar. *Clac.* Outra vez. Ao abrir a cortina, seu coração deu um salto que quase a fez perder o fôlego. Lá embaixo, sob a luz alaranjada do poste e protegida por um capuz, estava Mizi. Ela acenava freneticamente, com um sorriso que parecia brilhar mesmo no escuro.

Sua abriu a janela, sentindo o ar frio da noite.

— Mizi? O que você está fazendo aqui?

— Desce logo! — exclamou Mizi em um sussurro alto. — Eu peguei um resfriado que quase me matou, mas agora estou bem e não aguento mais ficar longe de você.

Sua não pensou duas vezes. Vestiu o uniforme escolar para o dia seguinte por cima de uma roupa leve, pegou sua mochila com o básico e desceu as escadas na ponta dos pés, rezando para que Ivan estivesse jogando videogame com os fones no volume máximo.

Ao chegar na rua, Mizi a envolveu em um abraço apertado. Ela cheirava a chá de limão e a aquele perfume de baunilha que Sua já tinha decorado.

— Desculpa o sumiço, sério — disse Mizi, começando a caminhar e puxando Sua pela mão. — Minha garganta parecia que tinha sido lixada. Mas eu precisava te ver. Queria terminar o que a gente começou e mostrar que eu não falei aquelas coisas da boca para fora.

— Você está bem mesmo? — perguntou Sua, preocupada.

— Agora que estou com você, estou ótima. Vamos para minha casa, meus pais viajaram e a casa é só nossa.

A casa de Mizi era exatamente como Sua imaginava: moderna, espaçosa e com um toque de caos artístico. Assim que entraram, Mizi jogou a mochila no sofá e se virou para Sua. O clima mudou instantaneamente. O tédio e a ironia de Mizi haviam dado lugar a uma intensidade que fazia Sua tremer.

— Você está com vergonha? — perguntou Mizi, aproximando-se e segurando o rosto de Sua.

— Sempre — sussurrou Sua, fechando os olhos quando Mizi roçou os lábios nos seus.

O beijo começou lento, um reconhecimento de sabores, mas logo o ritmo aumentou. Mizi a conduziu até o quarto, e antes que Sua pudesse processar o que estava acontecendo, elas já estavam na cama, entrelaçadas. O calor dos corpos contrastava com o frio que Sua sentira o dia todo.

De repente, Sua sentiu um toque diferente. Mizi deslizou a mão por baixo da calcinha dela, os dedos ágeis encontrando a umidade que já começava a se formar.

— Mizi... — Sua parou o beijo, os olhos arregalados, o peito subindo e descendo com força.

Mizi não respondeu com palavras. Com uma agilidade surpreendente, ela segurou os pulsos de Sua e os prendeu acima da cabeça da garota, usando apenas uma mão para mantê-los firmes contra o colchão.

— Você quer que eu continue? — perguntou Mizi, os olhos dourados fixos nos roxos de Sua, brilhando com um desejo que não deixava espaço para dúvidas.

Sua engoliu em seco. Ela sentia-se completamente exposta, sem as mãos para se esconder ou para morder os dedos em um surto de timidez. Ela olhou para Mizi e, em vez de recuar, abriu um pouco mais as pernas, um convite silencioso e desesperado.

— Sim — foi tudo o que ela conseguiu dizer.

Mizi sorriu e introduziu dois dedos de uma vez. Sua soltou um gemido alto, que ecoou pelo quarto vazio. Sem as mãos para tapar a boca ou morder as costas da mão, seus sons saíam livres, puros e carregados de surpresa. Mizi começou a bombear, um ritmo constante que fazia Sua arquear as costas, tentando encontrar o ritmo da outra.

— Mizi, por favor... — Sua arfava, a cabeça balançando de um lado para o outro.

Mizi aumentou a velocidade. Ela inclinou-se e começou a beijar o pescoço de Sua, lambendo e dando pequenas mordidas que faziam a garota de cabelos pretos ter espasmos. Como suas mãos estavam presas, Sua não tinha onde se segurar, o que tornava cada estocada dos dedos de Mizi ainda mais profunda e impactante.

— Está gostando, Sua? — murmurou Mizi contra a pele dela.

Sua não conseguia responder. O som que saía de sua garganta era algo entre um choro e um riso de puro prazer. Mizi adicionou o terceiro dedo, e Sua sentiu o mundo girar. Ela revirou os olhos, a visão ficando turva. O barulho da lubrificação, um som úmido e rítmico, era a única trilha sonora além de seus gemidos.

Sua estava em transe. Ela sentia cada movimento, cada pressão no lugar certo. Quando sentiu que estava chegando ao limite, Mizi não parou; pelo contrário, ela intensificou o movimento, os dedos indo fundo, aproveitando a umidade excessiva que Sua produzia.

— Eu vou... eu vou... — Sua soltou um grito agudo quando o orgasmo a atingiu, uma onda branca que parecia cegá-la por alguns segundos.

Mizi diminuiu o ritmo, mas não parou totalmente. Ela manteve um dedo lá dentro, movendo-o suavemente para prolongar a sensação, aproveitando que Sua estava extremamente sensível.

— Mizi, solta... por favor, me solta — pediu Sua, a voz fraca.

Mizi obedeceu, soltando os pulsos dela. Imediatamente, Sua envolveu o pescoço de Mizi com os braços, puxando-a para baixo com uma força que beirava o desespero. Ela enterrou o rosto no ombro de Mizi, distribuindo beijos fofos e úmidos por todo o pescoço da garota de cabelos rosa, enquanto gemia baixinho contra a pele dela.

— Você é tão barulhenta quando não tem as mãos para se esconder — brincou Mizi, voltando a usar os três dedos com força total.

Sua parou de beijar e apenas apertou Mizi contra si, tremendo a cada nova estocada. Ela sentia o coração de Mizi batendo contra o seu, e a sensação de intimidade era tão grande que ela sentiu lágrimas de felicidade escorrerem.

— Mizi, eu... — Sua tentou falar, mas um novo ápice a atingiu, fazendo-a tremer nos braços da outra.

Quando Mizi finalmente retirou os dedos, Sua estava em um estado de letargia completa. Ela viu Mizi observar a própria mão, coberta pelo brilho da excitação de Sua, e depois beijar a palma da mão antes de se deitar ao lado dela.

Completamente envergonhada, Sua fechou as pernas e cobriu a intimidade com uma das mãos, usando a outra para tapar a boca, os olhos roxos espiando Mizi com uma timidez renovada.

— Não precisa se esconder de mim agora — disse Mizi, puxando Sua para um abraço de conchinha. — Eu já vi tudo, já senti tudo. E eu adorei cada segundo.

Sua se encolheu nos braços de Mizi, sentindo-se, pela primeira vez na vida, completamente segura e protegida. O sono veio rápido, um mergulho em um mar de tranquilidade que ela nunca soubera que existia.

O despertar, no entanto, foi menos poético. O alarme de Mizi tocou com um som estridente de rock pesado.

— Puta que pariu, desliga isso! — resmungou Mizi, tateando o criado-mudo e derrubando um copo de água no processo.

Sua abriu os olhos devagar, sentindo-se um defunto. O corpo estava pesado, e a lembrança da noite anterior fez seu rosto esquentar instantaneamente. Mizi levantou-se, ainda xingando, e olhou para o lençol.

— É, a gente vai precisar trocar isso — disse Mizi com um sorriso malicioso.

Ela pegou Sua no colo — o que fez a menor soltar um gritinho de surpresa — e a levou até a banheira.

— Fica aí relaxando. Eu vou trocar a cama e já venho te dar um banho — ordenou Mizi.

Sua obedeceu, sentindo a água morna aliviar a tensão dos músculos. Mizi voltou pouco depois, lavando o cabelo de Sua com cuidado e depois tomando seu próprio banho. A rotina matinal delas parecia a de um casal que estava junto há anos, apesar de toda a estranheza social que as cercava.

Caminharam para a escola de mãos dadas, aproveitando o ar fresco da manhã. No entanto, assim que avistaram o portão principal, Sua soltou a mão de Mizi abruptamente.

Mizi parou e arqueou uma sobrancelha.

— O que foi? Algum problema?

— Mizi... — Sua olhou para os próprios pés. — Você não precisa fazer isso. Sabe, agir como se a gente estivesse namorando só porque eu gosto de você e... bem, depois de ontem. Você é a Mizi. Eu não quero que você se sinta obrigada a nada.

Mizi suspirou fundo, cruzando os braços. Ela deu um passo à frente, forçando Sua a olhar para ela.

— Sua, olha para a minha cara. Você acha mesmo que eu sou o tipo de pessoa que faz algo por obrigação? Eu terminei com o Kael porque ele era um tédio. Eu saí com a Ryle e percebi que ela não era o que eu queria.

Mizi segurou a mão de Sua novamente, entrelaçando os dedos com firmeza.

— Eu estou aqui porque eu quero. Para de ser boba e aceita que eu gosto de você, sua nerd esquisita.

Sua sentiu um sorriso bobo se formar em seu rosto. Elas entraram na escola juntas, atraindo olhares de choque imediato. Kael, que estava perto dos armários, ficou pálido ao ver a cena, mas Mizi nem sequer olhou para ele.

Ela conduziu Sua até onde o grupo de amigos estava reunido. Hyuna estava boquiaberta, Ivan tinha um sorriso de "eu já sabia" no rosto e Till parecia estar tentando entender se aquilo era um surto coletivo.

Mizi parou na frente deles, deu um selinho demorado em Sua e depois um beijo na testa da garota.

— Cuida dela para mim — disse Mizi para Hyuna, com um tom de autoridade brincalhona. — Tenho que ir falar com as minhas amigas antes que elas achem que eu fui sequestrada por alienígenas.

Mizi saiu desfilando pelo corredor, a gravata frouxa e o cabelo rosa balançando, deixando para trás uma Sua completamente vermelha, mas que, pela primeira vez, não tinha vontade nenhuma de fugir.

— Então... — começou Ivan, quebrando o silêncio. — Acho que agora eu sou oficialmente cunhado da garota mais popular da escola. Isso vai ser um inferno para a minha reputação.

Sua apenas riu, sentindo o peso da mochila muito mais leve e o futuro, antes cinzento, agora pintado com as cores vibrantes de Mizi.

Entrar com Telegram

Confirme o login no bot.