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Tf is This???

Corações de Neon e Laços de Prata

Três semanas podem parecer um sopro, um intervalo insignificante entre uma prova bimestral e outra, mas para Mizi, aquele tempo havia sido uma eternidade de descobertas. O tédio que antes definia sua existência escolar havia sido substituído por uma antecipação vibrante. Ela não acordava mais apenas pelo café expresso; acordava para ver se Sua tinha postado algum desenho novo ou para sentir o frio na barriga ao vê-la dobrar o corredor com aquele jeito tímido e melancólico que, agora, Mizi sabia ser apenas a superfície de alguém profundamente doce.

Mizi estava apaixonada. E, para alguém como ela, que sempre teve tudo o que queria com um estalar de dedos e um sorriso sarcástico, a sensação de pertencer a alguém era nova, assustadora e viciante. Ela não queria mais apenas "ficar". Ela queria o rótulo, o compromisso, a certeza de que quando Sua olhasse para alguém, esse alguém seria ela.

— Você tem certeza disso? — perguntou Ivan, encostado na parede do quarto de Mizi enquanto a observava esconder uma pequena caixa de veludo no bolso do blazer. — A Sua é lenta, Mizi. Você vai dar um nó na cabeça dela.

— Eu tenho certeza absoluta, Ivan — Mizi respondeu, ajeitando o cabelo rosa no espelho. — E você vai me ajudar a manter o resto do grupo em silêncio. Se o Till abrir a boca de estresse ou a Hyuna começar a gritar antes da hora, eu mato você.

— Relaxa, madame. Meu silêncio custa caro, mas por você e pela minha irmã, eu faço esse sacrifício — Ivan riu, aquele sorriso irritante de sempre, mas seus olhos mostravam que ele estava genuinamente feliz pela irmã.

O plano era simples, mas perfeito. Mizi convidou o grupo para um jantar em um restaurante de sushi que Sua adorava, seguido por um passeio noturno no parque da cidade, onde as luzes de neon das barracas de comida e os postes antigos criavam uma atmosfera quase onírica.

O jantar foi uma mistura de caos e risadas. Till e Ivan passaram metade do tempo discutindo sobre quem conseguia comer mais wasabi sem chorar — ambos terminaram com os olhos vermelhos e tossindo —, enquanto Luka tentava explicar para Hyuna a origem histórica do sushi, sendo gentilmente ignorado enquanto ela roubava um pedaço de salmão do prato dele.

Sua estava radiante, embora silenciosa. Ela usava o uniforme escolar, mas havia prendido um pequeno broche de corvo na gola, um presente que Mizi lhe dera dias antes. Ela sentia o olhar de Mizi sobre si o tempo todo, um olhar quente e protetor que a fazia se sentir a pessoa mais importante do mundo.

Depois do jantar, o grupo caminhou até o parque. O ar da noite estava fresco, e o som das folhas secas sob os sapatos criava um ritmo calmo. Mizi esperou o momento certo, quando chegaram perto de um pequeno coreto iluminado por luzes amarelas suaves.

— Gente, esperem um pouco — Mizi disse, parando de repente.

O grupo parou. Hyuna franziu a testa, Luka ajeitou os óculos e Till cruzou os braços, confuso. Apenas Ivan recuou um passo, com um sorriso cúmplice.

Mizi virou-se para Sua. O sarcasmo habitual havia sumido, substituído por uma vulnerabilidade que fez o coração de Sua disparar.

— Sua — começou Mizi, a voz um pouco trêmula. — Nessas últimas semanas, eu percebi que o mundo é muito mais interessante quando eu vejo ele através dos seus olhos. Eu passei muito tempo fingindo que nada importava, mas você importa. Muito.

Mizi enfiou a mão no bolso e tirou a caixinha. Ao abri-la, as alianças brilharam sob a luz do parque. Eram lindas: uma bem fina com uma pedrinha clara e delicada, e outra um pouco mais grossa, lisa e elegante.

— Eu não quero mais ser só a garota que te beija nos armários ou que mata aula com você — continuou Mizi, dando um passo à frente. — Eu quero ser sua namorada. De verdade. Você aceita?

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Till arregalou os olhos verdes, Hyuna levou as mãos à boca e Luka ficou estático. Sua sentiu as lágrimas subirem instantaneamente. O peso da melancolia que ela carregou por anos parecia ter evaporado.

— Sim! — Sua soltou um soluço feliz e atirou-se nos braços de Mizi. — É claro que eu aceito, Mizi!

Elas se beijaram ali mesmo, ignorando o mundo ao redor. Sua segurava os ombros de Mizi com força, como se temesse que ela desaparecesse. O grupo explodiu em comemoração.

— FINALMENTE! — gritou Hyuna, pulando ao redor delas. — Eu não aguentava mais esse chove não molha!

— Parabéns, maninha — Ivan disse, bagunçando o cabelo de Sua enquanto Mizi colocava a aliança fina no dedo dela.

— É... parabéns — resmungou Till, embora houvesse um sorriso genuíno escondido em seu rosto bagunçado. — Pelo menos agora a Mizi para de alugar meus ouvidos perguntando se você gosta de flores ou de lápis de cor.

***

Duas semanas se passaram desde o pedido, e a dinâmica do grupo havia mudado drasticamente. O amor parecia ter infectado a todos. Ivan e Till, depois de anos de provocações agressivas que encobriam uma tensão óbvia, finalmente haviam começado a ficar, embora negassem para qualquer um que perguntasse. Luka, tomando coragem após ver a ousadia de Mizi, havia se declarado para Hyuna, que aceitou com uma risada e um beijo que quase derrubou o nerd no chão.

Era uma tarde de sábado chuvosa e todos estavam reunidos na casa de Mizi. A sala estava um caos confortável. Luka estava sentado em uma poltrona, lendo um livro técnico, mas parando a cada cinco minutos para comentar algo com Ivan e Sua, que estavam sentados no tapete. Till e Hyuna estavam em uma batalha feroz no videogame, gritando e xingando a cada golpe na tela.

Mizi, no entanto, não estava na sala. Ela estava na varanda coberta, observando a chuva cair sobre o jardim. Sua, percebendo a ausência da namorada, levantou-se silenciosamente e foi até lá.

— O que a grande Mizi está pensando com tanta seriedade? — perguntou Sua, abraçando Mizi por trás e descansando o queixo em seu ombro.

Mizi relaxou instantaneamente, cobrindo as mãos de Sua com as suas.

— Só pensando em como a minha vida ficou barulhenta — Mizi sorriu, virando-se nos braços de Sua. — Barulhenta de um jeito bom.

Mizi inclinou-se e beijou Sua. Foi um beijo calmo, mas carregado de um dengo que Mizi só mostrava quando estavam a sós (ou quase isso). Ela começou a manhar, escondendo o rosto no pescoço de Sua e distribuindo beijinhos molhados.

— Sua... fica aqui comigo — Mizi resmungou, manhosa, abraçando a cintura da namorada. — Esquece o pessoal lá dentro.

— Mizi, a gente é a anfitriã, não podemos sumir — Sua riu, achando graça da faceta carente da namorada, que contrastava tanto com a imagem de "garota má" da escola.

— Por favor... — Mizi insistiu, fazendo um biquinho irresistível.

— Tá bom, tá bom — cedeu Sua, dando um último selinho nela. — Mas vamos para a sala. Eu quero ficar no sofá com você.

Sua conduziu Mizi de volta para a sala pela mão. Assim que entraram, Mizi se jogou no sofá e puxou Sua para o seu colo, aninhando-se nela como se fosse um gato gigante.

— Ih, olha lá — Ivan comentou, sem tirar os olhos do celular. — A rainha do sarcasmo virou um chiclete. Que nojo.

— Cala a boca, Ivan — Mizi respondeu, mas sem nenhuma agressividade real, apenas se aconchegando mais em Sua. — Você está com inveja porque o Till não te deixa sentar no colo dele em público.

— Eu nunca deixaria! — gritou Till do outro lado da sala, o rosto ficando vermelho enquanto ele perdia um round no jogo. — Ivan, foca no jogo, seu idiota!

— Viu? — Mizi riu, fechando os olhos enquanto Sua acariciava seu cabelo rosa. — O amor é lindo, não é?

— É patético — disse Luka, sem levantar os olhos do livro, mas com um pequeno sorriso no rosto. — Mas, de acordo com a psicologia social, é um mal necessário para a coesão do grupo.

Hyuna soltou uma gargalhada alta, largando o controle e pulando no sofá ao lado de Mizi e Sua, espremendo as duas.

— Eu acho maravilhoso! — Hyuna exclamou. — Finalmente estamos todos na mesma página. Ou quase todos. Till ainda precisa aprender a não rosnar toda vez que o Ivan respira perto dele.

— Ele não rosna — defendeu Ivan, piscando para Till. — Ele ronrona. Só que o som sai meio distorcido.

Till jogou uma almofada em Ivan, e a sala explodiu em uma guerra de travesseiros improvisada. No meio da confusão, Mizi e Sua apenas se olharam. Mizi puxou Sua para mais um beijo, ignorando os gritos e a bagunça ao redor.

Naquele momento, entre o barulho do videogame, as piadas nerds de Luka e as provocações de Ivan, Sua percebeu que não precisava mais desenhar corvos solitários. Ela tinha o rosa vibrante de Mizi, o azul dos olhos do namorado da amiga e o cinza rebelde de Till. Ela tinha um mundo inteiro de cores, e todas elas faziam sentido agora.

— Eu te amo, Mizi — sussurrou Sua contra os lábios da namorada.

Mizi sorriu, um sorriso genuíno que iluminava seu rosto mais do que qualquer luz de neon.

— Eu também te amo, minha nerd. Agora, me ajuda a bater no Ivan, porque ele está tentando roubar o meu lugar no sofá.

A tarde continuou assim: barulhenta, caótica e perfeitamente normal. Um mundo onde o tédio era apenas uma lembrança distante e onde o amor, em todas as suas formas estranhas e adolescentes, finalmente havia encontrado um lugar para ficar.

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