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The new ghostface

Anatomia da Culpa

A chuva batia no teto de lata do Opala com a violência de pregos sendo arremessados do céu. Sophia permaneceu parada no barro, a água fria escorrendo pelo corte aberto no ombro e tingindo o colarinho de sua blusa de um vermelho desbotado e lamacento. Ela olhava para a maçaneta destravada da porta do carro como se fosse a boca de uma fornalha.

— Entra, Sophia — ordenou Victor. A voz dele não tremeu, mas havia um estalo elétrico de comando que parecia atravessar o barulho do temporal. — Ou você prefere esperar ele voltar para terminar o serviço com plateia?

Ela olhou mais uma vez para a escuridão do pátio do colégio às suas costas. Nada se movia além dos galhos retorcidos dos eucaliptos sacudidos pela ventania. Engolindo o choro e a repulsa, Sophia abriu a porta e se jogou no banco do carona, batendo a chapa pesada com força.

O calor sufocante do interior do veículo a atingiu de imediato, misturado ao cheiro nauseante de couro molhado, fumaça de tabaco e aquele perfume amadeirado e denso que parecia preencher cada centímetro cúbico do ar.

No banco de trás, Kael se inclinou para a frente. O tecido de sua jaqueta raspou áspero contra o encosto de Sophia. Ele estendeu a mão grande em direção ao ombro dela.

— Não encosta em mim! — gritou ela, encolhendo-se contra o painel, os olhos arregalados em puro terror animal.

Kael congelou o gesto no meio do caminho. Na penumbra esverdeada do painel, a pele raspada dos nós de seus dedos brilhava com um tom avermelhado e vivo.

— Eu ia estancar o sangramento, porra — rosnou Kael, a respiração pesada soprando contra a nuca da garota. — Se quisesse você morta, tinha deixado você naquela vala.

— Por que você estava na escola, Kael? — A voz de Sophia saiu rasgada pela garganta seca, trêmula de histeria. — Você falou comigo no corredor. Três minutos depois, aquela coisa saiu dos chuveiros com uma faca!

— Eu ouvi um barulho de vidro quebrando quando estava saindo pelo ginásio — rebateu Kael, com a mandíbula travada, os olhos faiscando em fúria defensiva. — Achei que a patrulha da polícia tinha cercado o lugar. Voltei para ver se o Victor ainda estava esperando na esquina. Quando vi a porta lateral escancarada, corri até o carro.

— E as suas mãos? — Sophia apontou para os dedos esfolados dele, as lágrimas finalmente vencendo a barreira de seus cílios. — Você bateu em quem para ficar desse jeito?

— Eu forcei o portão dos fundos que estava emperrado com corrente, caralho! — explodiu Kael, batendo com a palma da mão contra o vidro traseiro com um estrondo oco. — Victor, tira a gente daqui antes que essa histérica faça a cidade inteira ouvir!

Victor não se alterou. Ele engatou a primeira marcha com uma calma metódica, soltando a embreagem sem pressa. As rodas traseiras do Opala cantaram na lama vermelha antes de encontrarem a aderência do asfalto irregular da Avenida das Palmeiras. Seus olhos escuros examinaram Kael pelo espelho retrovisor por dois segundos longos demais — um olhar gélido, analítico, desprovido de qualquer cumplicidade reconfortante.

— Pressione o pano contra o ombro, Sophia — disse Victor, jogando uma flanela limpa que tirou do porta-luvas sobre o colo dela. — Se você sangrar no meu estofamento, eu mesmo jogo você de volta na chuva.

— Você é um sociopata, Victor — murmurou ela, pressionando o tecido contra a carne dilacerada com um arquejo de dor aguda.

— Eu sou um pragmático — rebateu ele, os faróis do carro varrendo as fachadas escuras e trancadas do centro comercial deserto. — Se eu fosse o que você pensa, não teria queimado dois semáforos vermelhos para buscar você na porta de trás daquele colégio.

— Você sabia que eu estava lá — acusou ela, virando a cabeça para encará-lo de perfil. O maxilar dele era perfeito, quase esculpido, e seus lábios mantinham aquela mesma linha zombeteira que a enfurecia desde o primeiro ano. — Como você sabia que eu estaria no pátio dos fundos?

Victor deu uma tragada lenta no cigarro que acendera com uma só mão no acendedor do painel, a brasa brilhando em laranja vivo contra o breu da cabine.

— Porque eu conheço você, Sophia. Conheço a sua vaidade. Você não suportaria a ideia de a polícia encontrar as anotações do seu pai naquele armário. Era óbvio que você tentaria recuperar o material antes da perícia de segunda-feira. Assim como era óbvio que alguém usaria isso como isca.

— E por que você não me avisou? — ela sibilou.

— Porque eu queria ter certeza de que o nosso amigo da máscara compartilhava da minha linha de raciocínio — respondeu Victor, soprando a fumaça pelo vidro entreaberto. — E ele compartilha. O que significa que ele pensa exatamente como eu.

— Ou que ele é você — sussurrou Sophia.

Victor soltou uma risada curta, seca e elegante, que fez os pelos dos braços de Sophia se arrepiarem ainda mais do que o corte em seu ombro.

— Se fosse eu, meu bem... você não teria conseguido correr até o carro.

***

A casa de Noah ficava no final de uma rua sem saída no bairro dos Ipês, cercada por muros altos de alvenaria e grades pontiagudas. Era uma construção antiga, de estilo modernista tardio, cujos pais — ambos médicos plantonistas na cidade vizinha — raramente ocupavam.

A sala de estar, banhada pela luz crua de uma lâmpada fluorescente que piscava com um zumbido elétrico intermitente, cheirava a café requentado e éter.

Josh estava sentado em um banquinho giratório de piano, roendo as unhas com tamanha intensidade que os cantos dos dedos já sangravam. Quando a porta da frente se abriu com um estalo e Victor entrou conduzindo Sophia pálida e ensanguentada, Josh saltou do assento como se tivesse levado um choque.

— Puta que pariu! — berrou Josh, recuando dois passos até bater as costas na estante de enciclopédias. — O que foi isso? Ela foi mordida por um cachorro raivoso? Eu falei que a gente devia ter ido para a igreja rezar uma novena!

Noah surgiu do corredor com uma caixa de primeiros socorros de metal branco debaixo do braço. Ele usava luvas de látex descartáveis e seu semblante parecia anos mais velho do que a certidão de nascimento indicava.

— Deite ela no sofá — ordenou Noah, com a precisão mecânica de quem treinara mentalmente para aquela cena mil vezes. — Josh, para de gritar e pega a água oxigenada na bancada da cozinha. Agora!

Josh correu, tropeçando nos próprios pés e xingando em voz baixa.

Kael entrou por último, fechando a porta e passando a tranca dupla com um barulho metálico definitivo. Ele se encostou contra a madeira, os braços cruzados, encarando a sala com a postura tensa de um predador encurralado.

Sophia foi acomodada sobre as almofadas de couro escuro. Noah cortou a manga da blusa dela com uma tesoura cirúrgica sem rodeios. A lâmina havia feito um corte limpo de aproximadamente dez centímetros ao longo da clavícula, profundo o suficiente para separar as camadas de pele e expor o tecido subcutâneo amarelado, mas milagrosamente longe da artéria.

— Você teve sorte — disse Noah, limpando o sangue coagulado com uma gaze embebida em antisséptico. Sophia gemeu, cravando as unhas no braço do sofá. — Dois centímetros mais para dentro e a ponta teria perfurado a cavidade pleural.

— Não foi sorte — murmurou ela, a voz entrecortada pela respiração curta. — Ele... ele hesitou. Ele falou comigo antes de atacar. Estava no telefone.

Noah parou o movimento das mãos por um segundo, os olhos por trás dos óculos brilhando com um fervor obsessivo.

— O que ele disse, Sophia? Cada palavra importa.

— Ele sabia do meu pai — sussurrou ela, fechando os olhos enquanto as lágrimas escorriam pelas têmporas. — Sabia dos remédios. Sabia das fitas no armário. Ele disse que o dinheiro da minha família era vulgar... e que queria testar qual de nós era o traidor.

Josh voltou da cozinha segurando um vidro marrom com as duas mãos trêmulas.

— O traidor? — repetiu Josh, a voz afinando uma oitava. — Que papo de filme de espionagem barato é esse? A gente é estudante do ensino médio, não a porra da KGB! Por que diabos alguém acha que nós temos segredos de Estado?

— Todo mundo tem segredos, Josh — disse Victor, encostado na lareira desativada, girando um isqueiro de prata entre os dedos com uma destreza hipnótica. — A diferença é que a Sophia guardava os dela em fitas cassete, a Letícia guardava os dela debaixo de uma cama no lago, e você provavelmente esconde algo igualmente deplorável debaixo do colchão.

— Vai se foder, Victor! — disparou Josh, o rosto corando de irritação. — A Letícia foi esfaqueada na garganta até quase ser decapitada, a Sophia tá aqui parecendo um bife de açougue e você tá aí agindo como se fosse o detetive particular de uma série cult! Quem você pensa que engana com essa jaquetinha e essa pose de intelectual descolado?

Kael deu um passo à frente, o peito estufado, a mandíbula cerrando com um estalo audível.

— Abaixa o tom para falar com ele, palhaço.

— Ou o quê, Kael? — Josh se virou para ele, a histeria vencendo o medo pela primeira vez. — Vai quebrar a minha cara como quebrou os nós dos seus dedos hoje à noite? Onde você estava quando a Sophia foi cortada? Todo mundo viu você saindo atrás dela! Você sumiu da praça, sumiu da lanchonete, e agora aparece com o Victor parecendo dois carrascos de aluguel!

— Cala essa boca antes que eu te faça engolir esses dentes! — rugiu Kael, avançando dois metros na direção de Josh.

— Parem! — gritou Noah, a voz aguda e penetrante cortando o tumulto como um vidro quebrando.

Todos se calaram. Até a respiração ofegante de Sophia pareceu cessar.

Noah terminou de fixar o último pedaço de fita microporosa sobre o curativo compressivo no ombro dela. Ele puxou as luvas de látex com um estalo elástico, jogando-as na lata de lixo com desdém.

— O ferimento tem uma angulação descendente de trinta graus — disse Noah, apontando para a gaze no ombro de Sophia. — Foi desferido por alguém mais alto que ela, empunhando uma faca de lâmina pesada com a mão direita.

Noah levantou os olhos lentamente, encarando Kael.

— Você tem um metro e oitenta e oito, Kael. É destro. E tem força suficiente para partir uma costela humana com um soco. Se você quisesse matar a Sophia naquele vestiário, ela não teria escapado empurrando um banco de madeira de pinho contra as suas pernas.

Kael franziu o cenho, surpreso pela defesa inesperada do garoto franzino.

— Então você acha que não fui eu? — perguntou Kael, a voz desconfiada.

— Eu acho — continuou Noah, virando o rosto em direção a Victor — que quem estava lá não queria matá-la ainda. Queria provocar uma reação em cadeia. Queria exatamente o que está acontecendo nesta sala agora: nós cinco nos destruindo por suposições, enquanto ele dita o ritmo do jogo.

— Uma análise brilhante, como sempre, Noah — comentou Victor, sem desviar o olhar do isqueiro. — Mas você cometeu um erro básico de premissa.

— Qual? — desafiou Noah, ajustando os óculos.

— Você presume que o assassino tem um objetivo comum para todos nós — disse Victor, erguendo os olhos frios. — Mas e se a morte da Letícia foi uma punição, o ataque à Sophia foi um aviso, e o próximo de nós estiver marcado para algo completamente diferente?

Um silêncio claustrofóbico tomou conta da sala de estar. O zumbido da lâmpada fluorescente parecia agora um enxame de vespas furiosas dentro dos ouvidos de cada um deles.

*Trimmmmmmmmm.*

O som cortou o ar como um tiro de espingarda.

Era o telefone fixo da casa de Noah. Um aparelho antigo de disco preto, instalado na parede do corredor de acesso aos quartos, a três metros de onde eles estavam.

Ninguém se mexeu.

Josh deu um passo trôpego para trás, batendo com os calcanhares no rodapé. Sophia puxou o casaco manchado de sangue sobre o peito com os nós dos dedos brancos de tanta força.

*Trimmmmmmmmm.*

— Noah... — sussurrou Josh, a voz embargada pelo choro iminente. — Não atende essa merda. Por favor, cara. Não atende.

— Meus pais não ligam a essa hora — disse Noah, os olhos fixos no aparelho preto no final do corredor escuro. — Eles estão na UTI em Pouso Alegre. Eles só usam o celular da unidade.

— É ele — murmurou Sophia, o tremor no queixo incontrolável. — Ele sabe que eu estou aqui. Ele seguiu a gente.

*Trimmmmmmmmm.*

Kael deu um passo em direção ao corredor, a mão direita deslizando instintivamente para o bolso da jaqueta, onde o cabo de metal de um canivete pesado despontava levemente.

— Eu atendo — disse Kael, a voz dura como granito. — Vou fazer esse desgraçado engolir o fone pelo rabo.

— Não — interveio Victor, colocando o braço estendido diante do peito de Kael, bloqueando a passagem com uma firmeza surpreendente para sua constituição esguia. — Se você atender, Kael, vai agir como o animal que ele quer que você seja. Violência burra é exatamente o combustível dele.

— E você vai fazer o quê, gênio? — rosnou Kael, os músculos do pescoço retesados contra o toque de Victor. — Vai debater literatura com um psicopata?

Victor não respondeu. Ele olhou para Noah.

— Coloque no viva-voz. Se ele quer uma audiência, vamos dar a ele o palco inteiro.

*Trimmmmmmmmm.*

Noah assentiu com um aceno rígido de cabeça. Ele caminhou pelo assoalho de taco que rangia sob seus tênis molhados até alcançar o aparador do corredor. Havia uma pequena extensão com viva-voz analógico acoplada à base do telefone de baquelite.

Com a respiração presa, Noah apertou o botão vermelho.

O som estático da linha aberta inundou a sala de estar, acompanhado pelo murmúrio distante e ritmado da chuva torrencial do lado de fora.

Por três segundos, nada se ouviu além daquele vácuo mecânico.

Então, um suspiro suave e bem-humorado vibrou pelo alto-falante plástico.

— Que reunião encantadora — disse a voz. Era a mesma cadência rouca, elegante e aterradora que Sophia ouvira no vestiário e Victor atendera na praça. Não havia pressa. Havia apenas uma autoridade serena e corrosiva. — O anfitrião exemplar limpando os ferimentos da pecadora, o cão de guarda mostrando os dentes... e o bobo da corte rezando para que tudo não passe de um sonho ruim.

Josh cobriu a boca com as duas mãos, as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto empalidecido.

Victor deu dois passos à frente, parando exatamente sob a luz trêmula da lâmpada, encarando o aparelho preto como se pudesse arrancar a máscara do homem do outro lado da fiação através da força de vontade.

— Você está perdendo a elegância — disse Victor, a voz tão baixa e controlada que parecia um sussurro mortal. — Monitorar uma linha residencial não exige inteligência. Exige apenas um grampo de cinquenta reais comprado na feira do rolo. Você é patético.

Uma risada baixa e melodiosa ecoou pelo alto-falante, um som genuinamente divertido que fez o estômago de Sophia revirar.

— Você sempre recorre à arrogância para mascarar a impotência, não é, Victor? — rebateu o assassino. — Mas você sabe que eu não precisei de grampo nenhum. Eu vi os faróis do seu Opala entrarem na garagem há exatamente doze minutos. Vi o Kael quase carregar a Sophia pelo gramado. E vi você... limpando o volante com aquela flanelinha ridícula para tentar tirar os vestígios de sangue que não pertencem a ela.

O coração de Victor deu um baque seco contra o esterno. Ele não piscou, mas sua postura perdeu aquela fração milimétrica de superioridade que o mantinha inatingível.

Kael girou o corpo na direção da janela que dava para a rua, mas as cortinas grossas estavam cerradas.

— O que você quer, seu filho da puta? — rugiu Kael contra o aparelho.

— Eu quero ver até onde vai a lealdade de vocês quando a primeira verdade vier à tona — respondeu a voz, a frieza retornando à fala como um corte de navalha. — Sophia perdeu o sangue, mas salvou o pescoço porque correu. Mas você, Kael... você tem certeza de que quer continuar protegendo o Victor?

— Cala a porra da boca! — gritou Kael, avançando mais um passo.

— Pergunte a ele, Kael — sussurrou o assassino, saboreando cada sílaba. — Pergunte onde ele conseguiu a chave tetra que abriu a porta da cozinha da Letícia na noite de sexta. Pergunte por que o chaveiro da praça fez uma cópia idêntica na quarta-feira à tarde... a pedido do garoto de ouro da cidade.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Nem mesmo a tempestade lá fora parecia capaz de quebrar o vácuo que se formou dentro da sala.

Sophia ergueu os olhos do sofá, encarando Victor com uma expressão de repulsa pura e estarrecida. Josh deu mais um passo para trás, escorando-se na parede como se suas pernas não pudessem mais sustentar o próprio peso.

Noah não se moveu, mas seus olhos atrás dos aros finos se fixaram no perfil imóvel de Victor com uma intensidade quase pericial.

Kael olhou para Victor. Aquele olhar cego e possessivo que antes parecia inabalável vacilou pela primeira vez, quebrando-se em rachaduras profundas de dúvida e traição.

— Victor...? — A voz de Kael saiu rouca, quase desprovida de ar. — O que ele tá falando?

Victor não respondeu imediatamente. Ele manteve os olhos escuros cravados na luz piscante do telefone, sua expressão retornando àquela calma gélida e impenetrável que não admitia falhas, embora um músculo tênue na base de sua mandíbula traísse a tensão calculada de quem sabia que o cerco havia se fechado.

Do outro lado da linha, o estalo metálico de uma lâmina sendo desengatada soou nítido e aterrador.

— O tempo de vocês está acabando — murmurou a voz, quase com ternura mórbida. — Olhem pela janela dos fundos, crianças. O espetáculo da noite ainda tem um segundo ato.

A linha caiu com um clique seco.

O tom de ocupado começou a ressoar pelo alto-falante: *tu... tu... tu...*

Antes que qualquer um pudesse pronunciar uma palavra, o cheiro pungente e adocicado de fumaça começou a entrar pelas frestas do assoalho de madeira, vindo diretamente da lavanderia dos fundos da casa de Noah.

E misturado ao cheiro de queimado, o som inconfundível de passos pesados quebrando os cacos de uma janela no quintal ecoou através da escuridão do corredor.

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