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Theo new girl

Entre o Delírio e a Realidade

O relógio digital na mesa de cabeceira brilhava em um vermelho persistente, marcando 22:02. O ar no quarto de Mizi parecia ter ficado mais denso, carregado com a eletricidade residual da confissão de Sua. O silêncio que se seguiu ao relato do sonho não era desconfortável; era uma promessa silenciosa que pairava entre as duas, transformando a atmosfera de camaradagem em algo muito mais instintivo e visceral.

Mizi, que estava deitada ao lado de Sua, apoiou-se em um cotovelo, observando a garota pálida que tentava, sem sucesso, normalizar a respiração. O rosto de Sua ainda estava manchado por um rubor profundo, e seus olhos roxos brilhavam com uma mistura de medo e expectativa.

— Sabe, Sua... — Mizi começou, a voz caindo para um tom que Sua nunca tinha ouvido antes, uma frequência baixa que parecia vibrar diretamente em seus ossos. — Eu ia sugerir a gente assistir algum filme de terror ou comer mais chocolate, mas... eu não consigo parar de pensar no que você me contou.

Sua engoliu em seco, sentindo o coração dar um solavanco.

— No sonho? — sussurrou ela.

— No sonho — confirmou Mizi, movendo-se com uma agilidade predatória e graciosa.

Em um movimento fluido, Mizi posicionou-se por cima de Sua, prendendo-a contra o colchão macio. O peso do corpo de Mizi era uma realidade sólida que desintegrou qualquer resquício da fantasia anterior. Ela não esperou por uma resposta. Inclinou-se e capturou os lábios de Sua em um beijo que não tinha nada de hesitante. Era um beijo de posse, de urgência, que fez Sua soltar um gemido abafado contra a boca da outra.

Mizi rompeu o contato labial, mas não se afastou. Ela desceu o rosto para o pescoço de Sua, onde a pulsação da garota batia frenética.

— Você disse que eu era carinhosa no sonho — Mizi murmurou contra a pele sensível, sua respiração quente causando arrepios em Sua. — Mas eu também posso ser muitas outras coisas. Eu posso te fazer esquecer até o seu próprio nome, estrela.

Sua sentiu as mãos de Mizi subirem por baixo de sua blusa, a pele quente da novata em contato direto com seu abdômen. O toque era firme, seguro. Mizi puxou a blusa de Sua para cima, descartando-a em algum lugar no chão do quarto, e logo em seguida o sutiã seguiu o mesmo caminho.

Sua cobriu os olhos com o antebraço, o constrangimento lutando contra o desejo avassalador que a consumia. Ela nunca tinha se sentido tão exposta, tão vulnerável.

— Não se esconda de mim — Mizi pediu, a voz rouca. Ela afastou o braço de Sua com delicadeza e, sem qualquer hesitação, mergulhou o rosto entre os seios da garota, começando a chupar e morder levemente a pele alva.

— Mizi... ah... — Sua arquejou, arqueando as costas. A sensação era intensa demais, uma sobrecarga sensorial que a fazia perder o contato com o chão.

Mizi parecia não se importar com a timidez de Sua; ela estava em sua própria missão de exploração. Com uma eficiência que Sua não sabia de onde vinha, Mizi livrou-a do short de moletom e da calcinha. Quando Sua percebeu, estava completamente nua sob o olhar dourado e faminto de Mizi.

— Você é a coisa mais linda que eu já vi, Sua — Mizi declarou, a voz vibrando de uma verdade absoluta. — E eu vou te provar isso.

Mizi pegou uma das mãos de Sua e a levou para cima da cabeça dela, entrelaçando seus dedos e pressionando-os contra o travesseiro. Com a outra mão livre, Sua agarrou-se desesperadamente aos lençóis, os nós dos dedos ficando brancos.

Mizi não perdeu tempo. Ela desceu o corpo e, com uma precisão que fez Sua perder o fôlego, inseriu dois dedos na intimidade já úmida da garota.

— Mizi! — o grito de Sua foi um sussurro desesperado.

— Xiii... apenas sente — Mizi comandou, começando um movimento de bombeamento rítmico.

Sua sentia que estava derretendo. A pressão, o calor e a maneira como Mizi a olhava — como se ela fosse a única coisa que importava no universo — eram demais. Ela apertou a mão entrelaçada de Mizi, buscando um ponto de apoio naquele mar de sensações.

Mizi continuou, constante e firme. Ela observava cada reação de Sua: o revirar dos olhos, os lábios entreabertos buscando ar, os pequenos choramingos que escapavam de sua garganta.

— Isso... — Mizi murmurou, aumentando um pouco a velocidade. — Deixa sair, Sua. Não guarda nada pra você.

Sua sentiu a primeira onda de prazer atingi-la como um tsunami. Ela gozou com um grito sufocado, o corpo tremendo violentamente sob o de Mizi. Mas Mizi não parou. Assim que o tremor inicial diminuiu, ela adicionou um terceiro dedo, preenchendo Sua de uma forma que a fez soltar um soluço de pura surpresa.

— Mizi, por favor... eu não consigo... — Sua implorava, as lágrimas de prazer escorrendo pelos cantos dos olhos. Suas unhas agora cravavam-se no ombro de Mizi, arranhando levemente a pele da novata.

— Consegue sim — Mizi disse, encostando a testa na de Sua. — Pede pra mim, Sua. Diz o que você quer.

— Mais forte... — Sua sussurrou, a voz quebrada. — Por favor, Mizi... mais forte.

Mizi sabia que, para Sua, "forte" não significava necessariamente rapidez frenética, mas sim profundidade e intenção. Ela afundou os dedos com lentidão, mas com uma força que parecia tocar a alma de Sua, repetindo o movimento com uma cadência hipnótica.

Sua estava em transe. O mundo havia se reduzido àquele quarto, àquele toque e àquela garota de cabelos rosa que a conduzia pelo paraíso. Ela gozou novamente, e depois mais uma vez, em uma sucessão de espasmos que a deixaram completamente exausta. No total, Mizi a levara ao ápice seis vezes, até que Sua não fosse nada mais do que um amontoado de membros trêmulos e suspiros cansados.

— Você foi incrível — Mizi sussurrou, deitando-se ao lado dela e puxando o edredom para cobrir os dois corpos suados.

Sua não conseguiu responder. Ela apenas se aninhou no peito de Mizi, o sono a reivindicando quase instantaneamente, mergulhando em um repouso que, desta vez, não precisava de sonhos para ser perfeito.

***

A luz da manhã de domingo entrou pelas frestas da cortina, pintando listras douradas pelo quarto. Sua acordou primeiro, sentindo o peso reconfortante do edredom e o calor de outro corpo junto ao seu. Por alguns segundos, ela ficou imóvel, as memórias da noite anterior retornando em flashes vívidos: o toque de Mizi, as palavras pervertidas sussurradas ao pé do ouvido, a intensidade de cada orgasmo.

O constrangimento a atingiu como um balde de água gelada. Ela sentiu vontade de se enfiar debaixo da cama e nunca mais sair. Como ela olharia para Mizi agora? Como voltaria para a escola e fingiria que nada tinha acontecido?

Ela tentou se afastar silenciosamente, mas Mizi, mesmo dormindo, parecia ter um radar para a presença de Sua. Com um resmungo manhoso, Mizi esticou o braço e puxou Sua para cima dela.

— Aonde você pensa que vai? — Mizi murmurou, a voz rouca de sono, os olhos ainda fechados.

Sua ficou paralisada. Ela estava completamente nua, deitada diretamente sobre Mizi, que vestia apenas uma calça de pijama e um sutiã preto. O contato da pele nua de seu ventre contra o tecido fino da roupa de Mizi a deixou em pânico.

— Mizi, eu... eu preciso... — Sua gaguejou, tentando se cobrir com os braços.

— Você precisa é ficar aqui e me dar atenção — Mizi disse, finalmente abrindo os olhos amarelos, que brilhavam com uma ternura preguiçosa. Ela abraçou a cintura de Sua, impedindo-a de sair. — Me dá carinho, Sua. Eu mereço depois de ontem, não mereço?

Sua sentiu o rosto queimar.

— Mizi, eu estou nua... — sussurrou ela, escondendo o rosto no pescoço de Mizi. — É vergonhoso estar assim, nessa posição...

Mizi soltou uma risadinha vibrante, que Sua sentiu contra o próprio peito.

— Vergonhoso por quê? Eu já vi tudo, estrela. E eu amei tudo. Não tem nada aqui que não seja meu agora — Mizi começou a beijar o ombro de Sua, subindo para a mandíbula. — Fica aqui. Por favor. Só mais um pouco.

Sua suspirou, a resistência desaparecendo diante do tom manhoso de Mizi. Ela desistiu de tentar fugir e se acomodou ao lado de Mizi, deitando a cabeça em seu braço. Com a mão trêmula, ela começou a fazer carinho nos cabelos bagunçados de Mizi, sentindo a textura macia dos fios rosa e azul.

— Isso... — Mizi suspirou, fechando os olhos e se aninhando no toque de Sua. — Você tem a mão tão leve. É a melhor sensação do mundo.

— Você é muito carente de manhã, sabia? — Sua comentou, um pequeno sorriso começando a surgir em seus lábios.

— Só com você — Mizi admitiu, abrindo um olho para olhar para Sua. — Com o resto do mundo eu sou a Mizi durona que zoa todo mundo. Mas com você... eu só quero ser sua.

Sua sentiu o coração apertar de um jeito bom.

— O que a gente vai fazer amanhã? — perguntou Sua, a preocupação com a escola voltando. — O Ivan... ele vai perceber. Ele sempre percebe quando eu estou escondendo algo.

Mizi parou de ronronar sob o carinho de Sua e assumiu uma expressão mais séria, embora ainda doce.

— Deixa o Ivan pra lá, Sua. Se ele falar qualquer coisa, eu resolvo. Ele não manda em você. Ninguém manda. A partir de agora, a gente vai ser o que a gente quiser ser. Se você quiser manter em segredo por um tempo, tudo bem. Mas eu não vou mais fingir que você é só uma amiga na frente deles.

Sua parou o carinho por um momento, olhando nos olhos de Mizi.

— Você tem certeza? Isso vai causar um caos. A Hyuna vai surtar, o Till vai ficar estranho... e a Lexy...

— A Lexy que se exploda — Mizi interrompeu, puxando Sua para um beijo calmo e demorado. — Eu não quero a garota popular da escola. Eu quero a artista melancólica que faz o melhor molho de tomate do mundo e que geme o meu nome como se fosse uma prece.

Sua escondeu o rosto no peito de Mizi novamente, rindo baixinho.

— Você é impossível, Mizi.

— Eu sou o seu furacão — Mizi corrigiu, abraçando-a com mais força. — Agora, volta a fazer carinho aqui. Eu quero mais dez minutos de dengo antes da gente levantar pra comer alguma coisa.

Sua obedeceu, sentindo que, pela primeira vez, o futuro não parecia uma sucessão de dias cinzentos e silenciosos. Havia cor agora. Havia o rosa vibrante, o azul profundo e o roxo de seus próprios sentimentos, todos misturados em uma bagunça deliciosa sobre aquela cama. O mundo lá fora podia esperar; ali, naquele quarto, a única coisa que importava era o calor de Mizi e a promessa de que, não importa o quão difícil fosse a segunda-feira, elas teriam uma à outra para enfrentar o que viesse.